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terça-feira, 21 de abril de 2009

Os Doze Elos da Originação Dependente

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Diz-se que no momento em que o Buda atingiu a liberação final, ele se perguntou como os seres sencientes, ainda que manifestem a natureza ilimitada, ficam presos ao processo da roda da vida.
Buda compreendeu então que isso acontece em doze etapas e passou a explicar o processo de construção da nossa experiência convencional, do dia-a-dia, através dos 12 elos da originação
dependente. Por outro lado, os 12 elos nos conectam com a natureza última, ou natureza de Buda, pois é dela que nasce este processo.

O primeiro dos 12 elos é avidya, ignorância. É a inteligência dual, separativa, que dá origem às experiências da roda da vida.
O segundo elo é samskara, as marcas mentais sutis que condicionam nossos pensamentos e emoções.
O terceiro é vijnana, o surgimento do primeiro embrião de identidade e das escolhas baseadas nos elos anteriores.
O quarto elo é nama-rupa, ele direciona nosso futuro renascimento em um corpo. O quinto é shadayatana, a mente operando em um corpo embrionário. É aqui que surge o corpo humano.

O sexto elo é spasha, o contato do nosso corpo com o mundo exterior. Na roda da vida ele é representado por um bebê no colo da mãe ou por um casal de namorados. Quando surge spasha, surge o corpo operando no seu universo deludido. Spasha é o contato. O contato do corpo humano com o mundo é feito através dos cinco sentidos (visão, audição, olfato, paladar, tato) e da mente, considerada pelos tibetanos como o sexto sentido.
Os cinco sentidos dão origem a um universo de objetos, conceitos, idéias e temas que são geridos pelo sexto sentido, a mente abstrata, que por sua vez fica limitada à linguagem. Passamos a ver o mundo a partir da limitação dos seis sentidos. Esta prisão ao sexto elo também é um exercício de luminosidade. É uma etapa construída. Podemos fazer assim ou não. Somos livres para fazer diferente.
Na próxima edição, falaremos sobre o sétimo elo.

da revista Bodisatva - http://www.caminhodomeio.org/dialogos/espiritualidade/200-revista-bodisatva-17

VII - Na dependência do contato, geramos o sétimo elo, a sensação interdependente [VEDANA]. Enquanto o contato conhece um objeto como agradável, desagradável ou neutro, a sensação é o fator mental que experiencia o objeto como agradável, desagradável ou neutro. Sempre que conhecemos um objeto geramos uma sensação agradável, desagradável ou neutra.

VIII - O anseio interdependente [TANHA], o oitavo elo, é uma forma específica de apego, cuja função é alimentar ou ativar o potencial de renascer, deixado em nossa consciência por uma ação de composição precedente. Esse tipo de apego acontece na hora da morte. Nessa ocasião, normalmente, desenvolvemos um forte apego-ao "eu", bem como ao nosso corpo, aos amigos, às posses etc. Esse anseio ativa o potencial para o próximo renascimento.

IX - O nono elo é o agarramento interdependente [UPADANA]. Também é um tipo de apego, porém mais intenso que o anseio. O anseio compara-se ao forte desejo de fumar de alguém que abandonou o vício há pouco; o agarramento seria uma intensificação desse desejo, capaz de levar a pessoa a sair de casa para comprar cigarro. O agarramento interdependente se desenvolve depois do anseio interdependente e ativa com força ainda maior o potencial para o próximo renascimento.

XX - O décimo elo, a existência interdependente [BHAVA], é uma ação mental, ou intenção, causada pelos dois elos anteriores, o anseio e o agarramento. Denomina-se "existência" por ser a causa imediata de um novo renascimento na existência cíclica; exemplifica uma causa que é chamada pelo nome de seu efeito. Intenção, em geral, é uma ação mental e sua natureza determina se a mente é virtuosa ou não. Se o fator mental intenção for virtuoso, a mente que o acompanha, com certeza, será virtuosa; o inverso ocorre no caso de um fator mental não-virtuoso.

Embora anseio e agarramento sejam delusões, na hora da morte eles podem causar uma mente virtuosa como, por exemplo, refugiar-se nos seres sagrados e orar. Nesse caso, o décimo elo - a existência dependente-relacionada - será uma ação virtuosa e, com certeza, ativará alguma marca deixada por ações de composição virtuosas; o indivíduo terá, então, um renascimento afortunado como humano ou deus. Por outro lado, se o anseio e o agarramento causarem mentes não-virtuosas, como a raiva, o décimo elo será uma ação não-virtuosa e ativará um potencial de renascer nos reinos inferiores.

XI - O décimo-primeiro elo é o nascimento interdependente [JATI]. Refere-se ao instante em que a consciência ingressa numa nova existência. No caso de um renascimento como ser humano, esse elo refere-se ao ingresso da consciência num óvulo fertilizado no útero materno.

XII - O processo de envelhecimento [JARAMARANA] inicia-se no segundo instante do novo renascimento e prossegue até a morte. O último elo, o envelhecimento e a morte interdependente, abarca esse processo de envelhecimento e a morte.

Os doze elos interdependentes revelam o processo pelo qual nos mantemos acorrentados a um ciclo descontrolado de renascimentos e mortes, com todos os seus sofrimentos associados. A causa fundamental desse descontrole é o primeiro elo, a ignorância – a mente que se agarra à existência inerente. Sob o jugo da ignorância, cometemos ações virtuosas e não-virtuosas, as causas de nossos renascimentos nos reinos superiores ou inferiores do samsara. Tais ações denominam-se de composição e constituem o segundo elo. Cada ação de composição imprime uma marca em nossa mente e a consciência que recebe essa marca é o terceiro elo [vijnana].

Os três primeiros elos costumam ser denominados causas projetantes, pois atuam como causas que nos arremessam para um futuro renascimento descontrolado. Também são chamados de causas distantes de renascimento, pois muitas vidas podem transcorrer antes que esse renascimento se efetive.

Os próximos quatro elos são efeitos projetados e explicam como iremos nos desenvolver depois que formos projetados em um novo renascimento. O quarto elo indica que os novos agregados, nome e forma, constituem a base de imputação para essa recente identidade. Na dependência dos agregados, forma-se o quinto elo, as seis fontes. Elas são as seis faculdades e dão origem ao sexto elo, o contato. Devido ao contato, geramos sensações agradáveis, desagradáveis ou neutras, que constituem o sétimo elo [vedana].

Os três elos seguintes mostram como o potencial para um próximo renascimento se estabelece e, por isso, denominam-se causas estabelecedoras. Também são chamados de causas próximas, pois antecedem imediatamente o renascimento. Quando a morte se aproxima surgem, na dependência das sensações anteriores, o oitavo e o nono elos - o anseio e o agarramento. Eles ativam o potencial para o próximo renascimento, causando o desenvolvimento do décimo elo, a existência - uma ação mental que nos transporta para o renascimento seguinte.

Os dois últimos elos são chamados de efeitos estabelecidos, pois são os efeitos correspondentes às causas estabelecedoras. Essas três causas ativam um potencial específico de renascer e dão origem ao décimo primeiro elo, o nascimento. O último elo, o envelhecimento e a morte, ocorre como resultado de termos nascido no samsara. Os dois últimos elos englobam todos os sofrimentos do samsara entre o nascimento e a morte.

Se contemplarmos os doze elos nessa seqüência, da ignorância ao envelhecimento e morte, compreenderemos o processo do renascimento cíclico e de seus sofrimentos. Se contemplarmos os doze elos interdependentes na ordem inversa, poderemos rastrear as causas do sofrimento. O último elo reúne dois sofrimentos densos - envelhecimento e morte -, mas traz implícito todos os outros sofrimentos. A causa desses sofrimentos é o renascimento descontrolado, o décimo primeiro elo. O nascimento resulta do décimo elo, a existência, que, por sua vez, é causado pelo agarramento e pelo anseio, o nono e o oitavo elos. Essas duas formas de apego resultam das sensações anteriores, o sétimo elo. As sensações dependem do contato, o sexto elo. Esse, por sua vez, depende das seis fontes, o quinto elo. Essas fontes se desenvolvem a partir do quarto elo, nome e forma, constituído pelos cinco agregados presentes na hora do nascimento. A causa que nos faz assumir tais agregados é uma marca transportada pela consciência. A consciência [vijnana] que recebe essa marca é o terceiro elo. Quem deixa essa marca na consciencia é uma ação de composição, o segundo elo [sanskara]. A força raiz motivadora das ações de composição é a ignorância, a mente que se agarra a existência inerente. Dessa maneira, torna-se possível rastrearmos a causa do sofrimento: a ignorância, o primeiro dos doze elos.

Assim, ao contemplar os doze elos em ordem inversa, compreendemos que o renascimento cíclico é o motivo de nossos repetidos sofrimentos e que a ignorância é a causa fundamental desse doloroso processo. Entender que a causa do sofrimento é o renascimento cíclico, nos permite gerar a mente que deseja escapar de uma vez por todas do samsara. Essa mente denomina-se "mente do definitivo emergir" ou renúncia. Entender que a causa raiz do renascimento cíclico é a ignorância, nos faz compreender que afastar nossa ignorância é o método para alcançar a libertação do samsara. O antídoto direto à ignorância é a sabedoria que realiza a vacuidade. Recorrendo a métodos corretos e investindo esforço persistente poderemos desenvolver essa sabedoria. Se continuarmos, então, a meditar sobre a vacuidade com a motivação de renúncia e bodhichitta, nossa ignorância interdependente, o primeiro dos doze elos, irá diminuir gradualmente e, por fim, cessar.

A cessação completa da ignorância interdependente é a extinção da ignorância. Ao atingi-la, nossas ações deixam de ser controladas por delusões e, portanto, obtemos a extinção interdependente das ações de composição. Isso conduz à extinção interdependente da consciência e assim por diante, até a extinção interdependente do elo envelhecimento e morte. Assim, ao atingir a extinção da ignorância, superamos o renascimento cíclico e interrompemos o continuum do sofrimento. A cessação desse continuum é a libertação, ou o nirvana, o estado além da dor. Existe, portanto, uma segunda série de doze elos, desde a extinção da ignorância até a extinção do envelhecimento e morte. A primeira seqüência denomina-se doze elos interdependentes do lado da delusão; a segunda denomina-se doze elos interdependentes do lado perfeitamente purificado. A primeira explica o desenvolvimento do renascimento cíclico e do sofrimento; a outra explica sua cessação e a conquista da libertação.

Os doze elos do lado perfeitamente purificado são a mera cessação dos doze, elos do lado da delusão. Por exemplo, a extinção interdependente da consciência não é a cessação da consciência em geral, mas a completa cessação da consciência que recebe as marcas das ações de composição. A extinção interdependente da sensação é a cessação das sensações contaminadas por delusões; depois de atingir a libertação, continuamos a ter sensações, entretanto elas não são contaminadas e não resultam em anseio e agarramento na hora da morte.

Quando atingirmos a libertação não seremos mais projetados em renascimentos controlados pelas delusões, contudo, experienciaremos renascimentos incontaminados. O renascimento incontaminado não tem a natureza do sofrimento e não causa sofrimentos futuros. A maioria dos Destruidores de Inimigos hinayana obtém esse tipo de renascimento numa Terra Pura e ali permanece, por longos períodos, em estado de tranqüila paz. Por outro lado, os elevados Bodhisattvas continuam a renascer entre os seres no samsara, a fim de poder beneficiá-los. Esse tipo de renascimento não é contaminado, pois é causado por compaixão, não por delusões. Se um elevado Bodhisattva renascer como ser humano, aos olhos dos outros, ele, ou ela, parecerá um ser humano comum. No entanto, esse Bodhisattva estará totalmente livre dos sofrimentos do samsara e trabalhará com alegria para beneficiar os outros.

Ao contemplar os doze elos interdependentes do lado perfeitamente purificado, nossa mente tornar-se-á mais elevada, pois nos sentiremos capazes de superar, por completo, o sofrimento e suas causas. Faremos isso ao abandonar totalmente a ignorância que se agarra à existência inerente dos fenômenos.

Embora o sutra refira-se extensamente às instruções sobre a natureza convencional dos doze elos interdependentes, seu ensinamento principal é que nenhuma das seqüências de doze elos aparece à excelsa percepção do equilíbrio meditativo de um Ser Superior. Isso ocorre porque elas são verdades convencionais. Ainda que a compreensão dos doze elos seja muito importante, devemos entender que são fenômenos meramente imputados, ou seja, carecem de existência inerente.

CORAÇÃO DA SABEDORIA – Geshe Kelsang Gyatso

segunda-feira, 20 de abril de 2009

Citação de Tulku Thondup


“Quando tiramos o melhor de uma situação, seja ela boa ou ruim, nossas mentes se tornam mais fortes. Quando aprendemos a rir de nós mesmos e de nossos problemas, nos curamos.”


Tulku Thondup

domingo, 19 de abril de 2009

A Mente Natural - Chandrakirti

Chandrakirty

Falamos de “verdadeira natureza” porque ninguém a criou.

Chandrakirti, Entering the Middle Way, traduzido para o inglês por Ari Goldfield.

Uma das primeiras coisas que aprendi como budista foi que a natureza fundamental da mente é tão ampla que transcende completamente a compreensão intelectual. Ela não pode ser descrita em palavras ou reduzida a conceitos. Para alguém como eu, que gosta de palavras e sente-se muito confortável com explicações conceituais, isso era um problema.
Em sânscrito, a língua na qual os ensinamentos de Buda foram originalmente registrados, a natureza fundamental da mente é chamada de tathagatagarbha, uma descrição muito sutil e aberta a diferentes interpretações. Literalmente significa “a natureza daqueles que foram naquela direção” são as pessoas que realizaram a completa iluminação – em outras palavras, as pessoas cujas mentes suplantaram completamente as limitações comuns que podem ser descritas em palavras.
Acho que você concordaria comigo no sentido que essa definição não ajuda muito.
Outras traduções menos literais utilizam termos como “natureza búdica”, “verdadeira natureza”, “essência iluminada”, “mente comum” e até “mente natural” para descrever o tathagatagarbha, mas nenhum deles lança muita luz sobre o verdadeiro significado da palavra. Para efetivamente entender o tathagatagarbha, você precisa vivenciá-lo diretamente, o que, para a maioria de nós, ocorre, em primeiro lugar, na forma de vislumbres rápidos e espontâneos. Quando, finalmente, vivenciei meu primeiro vislumbre, percebi que tudo o que os textos budistas falam a respeito é verdade.
Para a maioria de nós, nossa mente ou natureza búdica é obscurecida pela auto-imagem limitada criada por padrões neuronais habituais – que, por si, são o reflexo da capacidade ilimitada da mente de criar qualquer condição que ela escolha, uma pepita de ouro coberta de lama e sujeira. A mente natural é capaz de produzir qualquer coisa, até mesmo a ignorância de sua própria natureza. Em outras palavras, não reconhecer a mente natural é um exemplo da capacidade ilimitada da mente de criar o que ela quiser. Sempre que sentimos medo, tristeza, inveja, desejo ou qualquer outra emoção que contribua para o nosso senso de vulnerabilidade ou fraqueza, deveríamos dar um bom tapinha em nossas costas. Acabamos de vivenciar a natureza ilimitada da mente.
Apesar da verdadeira natureza da mente não poder ser descrita diretamente, isso não significa que não deveríamos ao menos tentar desenvolver algum conhecimento teórico sobre ela. Mesmo um entendimento limitado é pelo menos uma placa apontando para o caminho na direção da experiência direta. O Buda entendia que as experiências impossíveis de serem descritas em palavras poderiam ser mais bem explicadas por meio de histórias e metáforas. Em um texto, ele comparava o tathagatagarbha, a uma pepita de ouro coberta por lama e sujeira.
Imagine que você esteja em uma caça ao tesouro. Um dia, você vê um pedaço de metal no chão. Você cava um grande buraco, retira o metal, leva-o para casa e começa a limpa-lo. No começo, uma parte da pepita se revela, brilhante e cintilante. Aos poucos, a medida que você limpa a sujeira e a lama acumulada, a pepita inteira se revela como ouro. Agora, pergunto: o que é mais valioso – a pepita de ouro enterrada na lama ou a que você limpou? Na verdade, o valor é o mesmo. Qualquer diferença entre a pepita suja e a limpa é superficial.
O mesmo pode ser dito da mente natural. Na verdade, a fofoca neuronal que o impede de ver sua mente na totalidade não altera a natureza fundamental de sua mente. Pensamentos como ”Eu sou feio”, “Eu sou um idiota” ou “Eu sou um chato” não são nada mais do que uma espécie de lama biológica, temporariamente obscurecendo as brilhantes qualidades da natureza búdica ou mente natural.
Algumas vezes o Buda comparava a mente natural ao espaço, não necessariamente como o espaço é entendido pela ciência moderna, mas sim no sentido poético da experiência profunda de abertura que se sente ao olhar para um céu sem nuvens ou entrar em uma ampla sala. Como o espaço, a mente natural não depende de causas ou condições previas. Ela simplesmente é: incomensurável e além da caracterização, o pano de fundo essencial por meio do qual nos movimentamos é relativo ao qual reconhecemos distinções entre os objetos que percebemos.

Extrato do livro: A ALEGRIA DE VIVER – de Yongey Mingyur Rinpoche

Leon Bonaventure


“Na busca de sua alma e do sentido de sua vida, o homem descobriu novos caminhos que o levam para a sua interioridade: o seu próprio espaço interior torna-se um lugar novo de experiência. Os viajantes desse caminho nos revelam que somente o amor é capaz de gerar a alma, mas também o amor precisa da alma. Assim, em lugar de buscar causas, explicações psicopatológicas às nossas feridas a aos nossos sofrimentos, precisamos, em primeiro lugar, amar a nossa alma assim como ela é. Deste modo é que poderemos reconhecer que estas feridas e estes sofrimentos nasceram de uma falta de amor. Por outro lado, revelam-nos que a alma se orienta para um centro pessoal e transpessoal, para a nossa unidade e para a realização de nossa totalidade. Assim, a nossa própria vida carrega em si um sentido, o de restaurar a nossa unidade primeira”.


(Léon Bonaventure)

sábado, 18 de abril de 2009

Benefícios Especiais Outorgados por Tara e pelas Deusas Mães - Por Sua Eminência Chogye Trichen Rinpoche

Esta figura pode se transformar em papel de parede quando clicada.
Tradução inglês/português Pema Lodrön (Ana Carmen Castelo Branco)


É dito que a prática de Tara tem muitos poderes de bênçãos e é particularmente efetiva numa ampla variedade de situações. Por exemplo, é dito que, no final de uma era ou ciclo do tempo, quando adversidades e calamidades se intensificarem, o mantra e os rituais de puja de Tara são muito substanciais. Qualquer um pode recitar as orações de Tara e elas trazem grandes benefícios.

Como já falamos antes, numa era anterior ao começo de nosso éon, o Buda Mahavairocchanna era o Guru, o guia espiritual de Tara. O Buda Vairocchana abençoou Tara e profetizou que ela, no fim de um éon, nas terras e mundos onde pujas, orações e rituais de Tara fossem recitados, como resultados dessas orações, muitas doenças, problemas e distúrbios causados por maus espíritos e por seres humanos seriam pacificados e resolvidos. Sinto que a prática de Tara é a mais importante e essencial de todas as práticas nesses tempos.

Outras deusas também são muito úteis nesse sentido, Marichi ou Ödzer Chenma e a conhecida deusa da cura espiritual Parna Shawari. Suas orações e mantras trazem o mesmo poder e benefício que Tara. Elas são basicamente as mesmas deusas Prajanparamita em diferentes manifestações.

Sobre Tara, é dito que não só doenças e perturbações causadas por maus espíritos, mas também brigas, guerras, conflitos e discussões podem também ser pacificadas e resolvidas pelo poder de sua prática. Todos estes obstáculos e dificuldades relacionadas podem ser removidos através da bênção das orações e mantras dessas deusas.

Ödzer Chenma e Parna Shawari assim como Yuldon Drolma são particularmente efetivas formas das deusas a se praticar a fim de nos curar e nos proteger contra todos os tipos de doenças. Elas são especialmente importantes na proteção contra ladrões e criminosos e para cura do sofrimento causado por hostilidades, discórdias e conflitos.

É dito que esses rituais de orações e puja e recitações de mantras são particularmente importantes quando chegamos ao final de uma era ou ciclo de tempo. Para tais tempos, a prática de Guru Rinpoche é largamente comentada. Mas Tara, Ödzer Chenma e Parna Shawari também são extremamente importantes.

Em tempos de ameaças de guerras, epidemias, conflitos e outras coisas, é muito importante que os mantras destas três deusas sejam expostos em bandeiras de orações e penduradas ao vento por tantas pessoas que tiverem a oportunidade de fazer isso. As pessoas de todas vocações deveriam fazer isso e dizer os mantras o máximo possível. Junto com as orações de Guru Rinpoche, estas práticas são mais efetivas em tais tempos e situações de que estamos falando. Isso foi declarado em muitas escrituras.

Aquele que faz oferendas a Tara é verdadeiramente inteligente. Seja de manhã cedo ou tarde da noite, se alguém oferece o Louvor às Vinte e Uma Taras duas, três e depois sete repetições totalizando doze recitações, todos os seus desejos podem ser preenchidos. É assim que é no Ritual das Quatro Mandalas da Sagrada Tara, “A Lâmpada que Ilumina”. Neste puja repete-se o Louvor duas, três e sete vezes.

Quando se diz que todos os desejos de uma pessoa serão preenchidos, significa que, se você quer um filho, você o terá. Se você não tem dinheiro, ele será encontrado. Seja qual for o seu desejo, todos eles podem ser preenchidos através do Louvor à Tara. Na verdade, não é preciso mais do que esta prática! Ela completa tudo!

Você só precisa tentar, testar a fim de afastar seus obstáculos. Todos os seus obstáculos e dificuldades, não importa quantos sejam, podem ser todos removidos e liberados através da oferenda de Louvor de Tara. Através da oração de Tara, todos os obstáculos em potencial não terão poder para lhe causar mal; eles são naturalmente pacificados. Nada pode de forma alguma se aproximar de você ou lhe fazer mal; você se torna impenetrável, inatacável.

Não há dúvida que Tara é muito rápida em afastar obstáculos. É um método especialmente rápido e completo para praticantes femininas. Tara e o Buda feminino Vajrayogini são a mesma essência. Vajrayogini também é um método rápido par conseguir a completude. Todas as atividades dos budas estão corporificadas em Tara, contidas nela, completas nela.

Você está agora autorizado para meditar em você mesmo na forma de Tara Verde. Sua fala se transforma em mantra, seus pensamentos, em sabedoria. Você não é mais um ser comum; seu corpo, fala e mente foram completamente elevados ao exaltado estado da própria Tara, na forma, mantra, e sabedoria de Tara.

As palavras o Louvor às Vinte e Uma Taras não são uma composição de eruditos. Elas foram ditas diretamente pelos próprios Buda Mahavairocchana e pelo Buda Shakyamuni. Por favor, recite o Louvor de Tara quantas vezes conseguir ao longo de sua vida diária. Se não for possível, tente recitar o mantra de Tara, OM TARE TUTTARE TURE SOHA

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Crônica sobre "após os 60" de Benvindo Sequeira - ator e diretor.


SOBRE A TERCEIRA IDADE... BEMVINDO SEQUEIRA 08/03/2009

Vida após a vida - Divulgação
Sempre pensei que ia morrer cedo. A luta armada, a clandestinidade, aventuras, promiscuidade, orgias, riscos... Tudo me levava a crer que não chegaria aos 30 anos. Para quem tem 20 anos, quem tem 30 já é coroa. Tomei um susto quando vi-me vivo e saudável aos 30.
Aos 40 percebi a possibilidade real da morte. No dia do meu aniversário quarentão, um jovem ator de 24 anos perguntou como eu me sentia: “Agora? De frente para a morte.” Para minha surpresa foi o jovem quem morreu logo depois.
Aos 50 apaixonei-me pela letra de Aldir Blanc na voz de Paulinho daViola: “Aos 50 anos, insisto na juventude...”, isso enquanto percebia meu ângulo peniano caminhando para os 90 graus. Mas, antes dos 60, a pílula azul alargou minhas possibilidades e possibilitou-me ver o sexo por ângulos mais estreitos.
Agora estou além dos 60. Aos 40 rezava pela alma dos mortos amigos e parentes. Nome por nome eu pedia ao Senhor. Hoje, são tantos os que caíram, que apenas peço “pelos mortos em geral”.
E mais uma vez espanto-me por estar ainda vivo, e consolo-me no Salmo 91.7, que diz: “Mil cairão ao teu lado e dez mil à sua direita, mas você não será atingido.” Mesmo confiando na Palavra, ainda assim caminho embaixo de marquises pra São Pedro não me ver. Ainda estou vivo, e pra quem pensou que morreria aos 30 descubro que existe vida após a vida.
Mas o preço do viver é muito alto para o jovem de hoje: tem que comprar apartamento, arranjar um trampo, ganhar dinheiro, ficar famoso, comer todas, bombar no youtube, malhar, casar, ter filhos, comprar carro, estar bronzeado, conhecer tudo de web e ainda ir ao show da Madonna, entre outras miudezas.
Após os 60 você já está quite com tudo isso e pensa que vai viver em paz. Qual o quê: tem que tomar insulina, antidepressivos, rivotris, controlar a pressão, não comer açúcar, não comer sal, não fumar, não beber, se conseguir comer uma e outra já é uma vitória, tem que caminhar ao menos meia hora por dia, cuidar do joanete, dormir cedo, vender o apartamento, fugir da bolsa, não discutir no trânsito, não se alterar no caixa do supermercado, tolerar os filhos, agradar os netos, ficar calado diante da mediocridade, aceitar o salário de aposentado, ter o testamento em dia e curtir todas as dores ósseas, nervosas e musculares porque se algum dia você acordar sem dor é porque está morto.
Claro que o idoso tem suas vantagens: uma delas é a transparência. Quanto mais velho, mais transparente você se torna. Chega a ficar invisível: ninguém mais lhe percebe, mais um pouco e nem lhe enxergam.
Mas pode passar à frente dos jovens nas filas todas, com aquele ar de superior: “Você é jovem e sarado, mas eu tenho prioridade.” E ante qualquer aborrecimento ou dificuldade você ameaça infartar ou ter um AVC.
Funciona sempre, todos logo se tornam gentis e cordatos, e é garantia de muitas meias e lenços como presentes no Natal.
Lidando com a minha “terceira idade” ouço de meu psicanalista, o bom Luiz Alfredo: “Só há dois caminhos: envelhecer... ou o outro, muito pior.” Prefiro envelhecer, aceitando cada minúsculo “sim” que a vida me dá com uma grande alegria e uma grande vitória.
Hoje, quando encontro vaga num elevador de shopping, quando o banco está vazio, ou quando encontro promoção na farmácia, já considero uma bênção gigantesca e agradeço a Deus pela graça alcançada.
Após os 60, como no filme de Brad Pitt, regrido na existência, deixo Paulinho e a viola de lado e reencontro Lupiscinio: “Esses moços, pobres moços, ah, se soubessem o que eu sei.” Mas se soubessem não ia adiantar nada: porque a sabedoria é filha do tempo. Como diz o amigo Percinotto, também idoso: “O diabo é sábio porque é velho.”
Pelo andar da carruagem, percebo que já morri muitas vezes nesta vida, e que viverei até fartar-me.
Bemvindo Sequeira é autor, ator e diretor de teatro e TV
Jornal: O GLOBO
Editoria: Revista O Globo
Tamanho: 693 palavras
Edição: 1
Página: 26
Revista O Globo

O benefício do choro.


Existem pessoas que tem o benefício do choro. Eu já tive, mas agora, não estou conseguindo chorar. E olha que sou canceriana e esse bicho é uma manteiga derretida. Pura emoção!

Tive uma terapeuta que dizia que lágrimas são como xixi: foram feitas para sair. Só que eu não estou conseguindo e estou somatizando numa febrinha que vem pela tarde. Sei que ela não tem existência intrínseca, mas ela vem.

Quanto à impermanência, ela está, como o Chico canta, marcada "feito tatuagem prá me dar coragem pra seguir viagem".

Sexta é tsog de Tara e com certeza estarei lá na sala de meditação!

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Mulláh Nasrudin


Aprendizado
"Como foi que você aprendeu tanto, Mullá ?", perguntaram certa vez a Nasrudin.
"Falando muito", respondeu ele.
"Vou colocando em sequência todas as palavras que me ocorram. Quando eu fico interessante, posso ver o respeito no rosto das outras pessoas. Na hora em que isso acontece, começo a tomar nota mentalmente do que disse".
O tolo que era sábio
Todos os dias o Mullah Nasrudin ia esmolar na feira, e as pessoas adoravam vê-lo fazendo o papel de tolo, com o seguinte truque: mostravam duas moedas, uma valendo dez vezes mais que a outra. Nasrudin sempre escolhia a menor.
A história correu pelo condado. Dia após dia, grupos de homens e mulheres mostravam as duas moedas, e Nasrudin sempre ficava com a menor. Até que apareceu um senhor generoso, cansado de ver Nasrudin sendo ridicularizado daquela maneira. Chamando-o a um canto da praça, disse:
- Sempre que lhe oferecerem duas moedas, escolha a maior. Assim terá mais dinheiro e não será considerado idiota pelos outros. Nasrudin lhe respondeu:
- O senhor parece ter razão, mas se eu escolher a moeda maior, as pessoas vão deixar de me oferecer dinheiro, para provar que sou mais idiota que elas.
O senhor não sabe quanto dinheiro já ganhei, usando este truque. E acrescentou:
- "Não há nada de errado em se passar por tolo, se na verdade o que você está fazendo é inteligente".

Caiu alguma coisa...
Ao ouvir um forte estrondo, a mulher de Nasrudin saiu correndo até o quarto.
"Não precisa se preocupar", disse o Mulláh, "foi apenas meu manto que caiu no chão".
"O quê? E fez um barulho desses?"
"Sim, é que na hora eu estava dentro dele".

Mentira e Verdade
Em dada ocasião, um rei chamou Nasrudin para se consolar:
- Ah, Mulláh, estou triste. Meu povo anda mentindo demais, não sei mais o que fazer. O que posso fazer quando o povo me falta com a verdade.
- Acontece, rei - respondeu Nasrudin - que nem sempre é fácil diferenciar a verdade da mentira.
- Mas é claro que é, Mulláh - retrucou o rei - a verdade impele ao bem, enquanto a mentira só visa enganar...
- Essa é a teoria, mas é preciso que todos saibam na prática o que é mentira e o que é verdade...
Assim Nasrudin combinou com o rei e com o carrasco da corte que na manhã seguinte todos os cidadãos iriam ser levados para fora dos muros da cidade e antes de entrarem o carrasco deveria perguntar o que queriam fazer na cidade, os que mentissem, seriam enforcados em praça pública.
E assim foi. Na manhã seguinte estavam todos os cidadãos em frente ao portal da cidade e o capataz falou:
- Todos os que desejam entrar na cidade devem me dizer o motivo, aqueles que mentirem serão enforcados.
- Eu serei o primeiro - disse Nasrudin, e se encaminhou na direção do carrasco.- Por que quer entrar na cidade? - perguntou.
- Eu estou indo ser enforcado naquela forca - e apontou para a praça.- Isso é uma mentira, Mulláh!!! - disse o carrasco.
- Se estou mentindo, então me enforque, oras!

Casa de Banhos
Em dada ocasião, Nasrudin chegou em uma casa de banhos, mas como estava com uma roupa velha e a barba cheia de falhas, o atendente o tomou como um vagabundo qualquer. Por isso, tudo que forneceu ao Mulláh, foi uma tina de água fria e uma toalha velha.
Antes de ir embora, Nasrudin se dirigiu ao atendente afim de pagá-lo. O Mulláh pagou com uma grande e brilhante moeda de ouro, que fez com que o queixo do homem caísse.
Dali uma semana Nasrudin voltou a casa de banhos, e embora ainda usasse andrajos, o atendente o recepcionou incrivelmente bem e lhe ofereceu seus melhores serviços. Antes de ir embora, o Mulláh foi pagar o homem, mas desta vez lhe deu uma diminuta e opaca moeda de cobre:
-Mas o que é isso? - perguntou o atendente.
-Essa moeda de cobre é pelo atendimento da semana passada, e aquela moeda de ouro foi pelo atendimento de hoje.

Iogurte
Como se sabe, uma pequena porção de iogurte, quando misturada no leite, pode fermentar este último e torná-lo também iogurte. Acontece que em dada ocasião, Nasrudin estava a beira de um lago misturando iogurte no lago, quando um amigo passava:
-Nasrudin, o que está fazendo?
-Estou misturando iogurte no lago, assim teremos um lago de iogurte.
-Mas isso não funciona, Nasrudin.
-Sei que não funciona, mas já pensou se isso dá certo?

O Barco e o Homem Letrado
Em dada ocasião, Nasrudin estava em um barco com um homem letrado, quando o Mulláh disse algo que contrariava as regras gramaticais:
-Você nunca estudou gramática? - perguntou o estudioso.
-Não, nunca - respondeu Nasrudin.
-Nesse caso, metade de sua vida se perdeu - retrucou outro.
Nasrudin ficou em silêncio durante algum tempo, quando finalmente falou:
-Você nunca aprendeu a nadar? - disse o Mulláh ao homem letrado.
-Não, nunca - este respondeu.
-Então, nesse caso, toda a sua vida se perdeu. Estamos afundando.

Entre os Amigos e o Burro
Nasrudin ia montado em seu burro pelo povoado, pensando no que pensar, quando de repente uns amigos lhe chamaram.
O mestre, ao escutar o chamado, desce do burro e vai ter com eles.
Quando chega, estes começam a recriminá-lo pelo que havia feito, ou não havia feito.
Nasrudin, nesse momento, volta até seu burro e com um sorriso lhe diz:- Que sorte que não falas!

Não há estoque...
Um homem foi até a loja de comestíveis de Nasrudin e lhe perguntou qual era o preço das nozes.- Duas peças de ouro por quilo - respondeu Nasrudin.
- Esse é um preço escandaloso! - queixou-se o cliente.
-Você não tem nenhuma sombra de consciência?
- Sinto muito. - replicou o Mulláh - mas não tenho este artigo em estoque.

A Lua no Poço
Numa noite clara e enluarada, Nasrudim vai ao poço tirar água. Ao olhar para baixo, vê o reflexo da lua brilhando na água e na mesma hora diz:
- Nossa, coitada da lua, ela caiu dentro da água! Espere lua, que eu já vou tirá-la daí!
Nasrudim vai correndo até a sua casa e volta com uma corda com um gancho de ferro amarrado na ponta. Rápidamente atira a corda dentro do poço, gritando de forma encorajadora:
- Vamos lua, força, agarre firme que eu já puxá-la para fora daí!
Mas aconteceu que a corda ficou presa numa grande pedra no fundo do poço e Narudim precisou puxar com toda a sua força.
“Ufa!” – pensou Nasrudim com os seus botôes. “Mas como a lua é pesada!”
De repente, a corda se solta num tranco e Nasrudim cai de costas no chão.
Quando consegue recuperar o fôlego, ainda estendido no chão, ele se depara com a lua no céu, brilhando no meio das estrelas.
Então Nasrudim diz à lua:
- Não foi nada fácil, mas conseguimos, heim lua! Que sorte a sua eu ter chegado bem a tempo de poder ajudá-la! Foi um prazer estar a seu serviço. Adeus lua, e boa noite!

Quando a Sinceridade Fala Primeiro
Certo dia, um juiz perguntou ao mestre Nasrudin:
- Mestre, no caso de você ter de escolher entre a justiça e o dinheiro, o que você escolheria?
- O dinheiro, é claro - respondeu Nasrudin, sem pestanejar.
- O quê! - disse o juiz. Pois eu escolheria a justiça sem pensar duas vezes, porque a justiça não é fácil de ser encontrada, enquanto o dinheiro, este não é tão raro assim. Podemos encontrá-lo por aí sem grandes dificuldades. Estou sinceramente espantado com a sua opção, Nasrudin. Não o julgava capaz de uma ambição, sendo um mestre!
- Meritíssimo, cada um deseja aquilo que mais lhe falta! - respondeu tranqüilamente o mestre Nasrudin.

Mude-se Para Outro Lugar
Por algum motivo que agora já caiu no esquecimento, o povo de Aksehir zangou-se muito com Hodja, e quis expulsá-lo da cidade. Queixaram-se dele ao Juiz e este viu-se obrigado a intimar Nasrudin e dizer-lhe:
- Hodja, o povo da cidade não te quer. Todos desejam que te mudes para outro lugar.
- Eu é que não gosto do povo daqui - respondeu Nasrudin. - No que me diz respeito, podem todos ir embora da cidade!
- Mas eles são muitos, e tu és só um! - disse o Juiz.
- Então, já que são muitos, é ainda mais fácil para eles. Podem trabalhar juntos e construir uma cidade onde quer que desejem. Mas como é que eu posso, na minha idade, construir uma casa nova e cultivar um jardim no meio do campo?

As Chaves Perdidas
O Mulláh perdeu suas chaves e foi à praça buscá-las quando um vizinho lhe disse: - Mulláh , que estás fazendo? Respondeu: - Busco minhas chaves. - Onde as perdeste? - Em minha casa. - Por que buscas aqui? - É porque aqui tem mais luz!

A luta dos cegos
Certa manhã, quando dirigia-se ao mercado, Nasrudin viu alguns cegos e, fazendo tilintar as moedas em sua bolsa, disse em voz alta:
- Amigos, amigos, peguem estas moedas. Tu, toma esta, tu, esta, e vocês repartam o resto - e enquanto fazia isso, fazia tilintar as moedas em sua bolsa.
É evidente e seria até demais esclarecer, que não repartiu um só tostão.
Produzida a cena, afastou-se para observar a seguinte situação: Os cegos começaram a precipitar-se uns sobre os outros, exclamando e gritando: " deu tudo para ti". Ou então:" Vocês ficaram com tudo ao invés de repartir". Ou:" Eu nada recebi", " mentes", " dá-me a minha parte", etc. etc.
Isso transformou-se em empurrões, socos, chutes, insultos, xingamentos,terminando em uma grande batalha indescritível, dada a cegueira totalreinante.
Nasrudin, que seguia de perto as peripécias da batalha, murmurou:- Isto é o que poderia chamar-se de uma " uma luta de cegos por motivo inexistente".

Pertinência
Um dos espetáculos mais impressionantes que já vi, foi aquele de uma multidão que se aglomerava em volta de uma sepultura de um santo com tanta emoção que eu fui tomado como que por uma força material. Ora, vós dizeis que os sufis desaprovam esse gênero de manifestação. Como podeis negar a importância de um fenômeno desta ordem? Resposta: Talvez você não conheça esta história de Mulláh Nasrudin que pode ser considerada como uma analogia de vossa experiência e vossa pergunta.
Nasrudin levava um amigo no carro. Ele dirigia em alta velocidade. De repente, ao ver um indicador de estrada, o amigo gritou:— Nasrudin, nós estamos indo na direção errada!...
— Por que você não pensa nunca em coisas agradáveis? Ó..., por exemplo, olhe só a que velocidade estamos andando!

Os melhores conselhos
Nasrudin começou a construir uma casa : seus amigos, que tinham cada um sua própria casa, e eram carpinteiros, pedreiros, o rodearam de conselhos. Mulláh estava radiante. Um após outro, e às vezes todos juntos, disseram-lhe o que fazer. Nasrudin seguia docilmente as instruções que cada um lhe dava.
Quando a construção terminou, ela não se parecia em nada com uma casa.
- Que curioso! - disse Nasrudin - e, contudo eu fiz exatamente aquilo que cada um de vocês me tinha dito para fazer!

A lua é mais útil que o sol
Nasrudin entrou na casa de chá proclamando: - A lua é mais útil que o sol. - "Por que ,mullá"? - "Precisamos de mais luz durante a noite que durante o dia".
"Se sobrevivo a esta vida sem morrer, estarei surpreso!!!"
O equilíbrio do mundo
Um dia perguntaram a Nasrudin.
- Mestre, ao amanhecer o dia, cada um vai para o seu lado: uns por aqui, outros por ali, por que será?
- Se todos fossem para a mesma direção - responde Nasrudin - o mundo se desequilibraria e cairia!

Descida
- Nasrudin, como caíste do burro?
- Não estive mal. Eu ia descer, de qualquer maneira.

sábado, 11 de abril de 2009

Além da Mente, Além do Cérebro - Yongey Mingyur Rinpoche


Quando a mente é percebida, isso é o Buda?

The Wisdom of the Passing Moment Sutra (Sutra da Sabedoria do Momento Presente)
traduzido para o inglês por Elizabeth M. Callahan

Você não é a pessoa limitada e ansiosa que pensa ser. Qualquer professor budista treinado pode dizer com toda a convicção da experiência pessoal que, na verdade, você é o centro da compaixão, completamente consciente e plenamente capaz de atingir o bem maior, não apenas para si mesmo, mas para todos e tudo o que possa imaginar.

O problema é que você não reconhece essa capacidade em si mesmo. Em termos estritamente científicos passei a compreender pelas conversas com especialistas da Europa e da América do Norte, que a maioria das pessoas acredita que a imagem de si mesmas formada pelo hábito e neuronalmente construída representa quem e o que elas são. E essa imagem é quase sempre expressa em termos dualistas: o eu e o outro, dor e prazer, ter e não ter, atração e repulsa. Como me foi explicado, esses são os termos mais básicos da sobrevivência.

Infelizmente, quando a mente é submetida ao filtro dessa perspectiva dualista, cada experiência, mesmo em momentos de alegria e felicidade, é restrita por algum senso de limitação. Há sempre um mas espreitando ao fundo. Um tipo de mas é o mas da diferença. "Ah, minha festa de aniversário estava maravilhosa, mas eu preferiria um bolo de chocolate a um de coco." Há também o mas do "melhor": "Adoro a minha nova casa, mas a casa do meu amigo é maior e mais bem iluminada". E, finalmente há o mas do medo: "Não suporto mais o meu trabalho, mas na situação atual do mercado, como encontraria um novo emprego?"

A experiência pessoal me ensinou que é possível superar qualquer senso de limitação pessoal. Caso contrário, eu provavelmente ainda estaria sentado em meu quarto no retiro, sentindo-me amedrontado e inadequado demais para participar das atividades em grupo. Como um menino de 13 anos eu só sabia como superar meu medo e insegurança. Por meio da orientação paciente de especialistas na área da psicologia e neurociência, como Francisco Varela, Richard Davidson, Don Goleman e Tara Bennett-Goleman, comecei a reconhecer por que, de um ponto de vista objetivamente cientifico, as práticas de fato funcionam: que os sentimento de limitação, ansiedade, medo e assim por diante são somente parte de uma fofoca neuronal. Eles são, em essência, hábitos. E hábitos podem ser mudados.

Retirado do livro: "A Alegria de viver" de Yongey Mingyur Rinpoche

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Os Quatro Animais - Ativando nossas forças interiores.

Não é propaganda. Não ganho nada com isso. Só acho que alguém pode se interessar. Eu me interesso!
No budismo há os animais que representam algumas de nossas forças interiores:

O Cavalo do Vento - representa nosso poder pessoal, nossa capacidade de realização;

O Tigre - representa nossa determinação, nossa confiança e bondade;

O Dragão - representa nosso magnetismo pessoal, nossa boa reputação;

O Leão da Neve - representa nosso charme, beleza e clareza mental.

Quando estas forças interiores são fortalecidas e ativadas, nos tornamos mais capazes de lidar de forma benéfica com qualquer situação, seja ela boa ou ruim. Podemos ser mais capazes de transformar obstáculos em oportunidades de crescimento e aprendizado, assim como desfrutar mais dos momentos de paz e alegria. Estes adesivos são uma reprodução fiel de pinturas feitas à mão por um artista do Butão, para que possam ser carregados no dia-a-dia, como uma forma de nos remetermos a estas forças que possuímos, porém, que por vezes, encontram-se enfraquecidas. Pode ser afixado em carros, geladeiras, computadores, portas, paredes, etc.

Símbolos Auspiciosos da Boa Fortuna


Os Oito Símbolos Auspiciosos da Boa Fortuna foram oferecidos ao Buda Shakiamuni quando ele atingiu a iluminação. No Budismo acredita-se que, ao erguermos ou oferecermos os Oito Símbolos Auspiciosos, criaremos uma boa conexão com as pessoas, com o ambiente ao nosso redor e com o que quisermos realizar. Podemos erguer ou oferecer os símbolos separadamente, um por um, em pares de dois, em quatro ou, o ideal, o conjunto dos oito.

Pára-Sol - Proteção
O pára-sol é um símbolo tradicional de proteção e realeza. Protege dos raios e calor do sol. O frescor de sua sombra simboliza a proteção do calor do sofrimento, desejo com egoísmo, obstáculos, doenças e energias negativas.

Peixes - Felicidade
No budismo os peixes simbolizam felicidade, pois eles nadam livremente na água. Também representam fertilidade e abundância uma vez que eles se multiplicam rapidamente. O par de peixes simboliza união conjugal e fidelidade. É auspicioso oferecermos ou recebermos o casal de de peixes como presente de casamento.

Vaso Dourado - Riqueza e Harmonia
Como um vaso divino de tesouros infinitos, o vaso dourado possui a qualidade de manifestar espontâneamente riqueza e atrair harmonia para o ambiente.

A Flor de Lótus - Pureza e Divindade
O lótus floresce imaculado em meio aos pântanos e simboliza a pureza, renúncia e divindade.

Concha Branca - Poder
A concha branca com a espiral para a direita representa poder, autoridade e soberania. Acredita-se que o som produzido ao soprarmos esta concha espanta energias negativas, atrai proteção contra desastres naturais, amedronta seres e criaturas venenosas.

Nó Infinito - Interdependência
O nó infinito é entrelaçado sem um início ou fim e simboliza a sabedoria e compaixão infinitas dos Budas que não é diferente da nossa própria natureza.

A Bandeira da Vitória - Vitória sobre o Mal
A bandeira da vitória foi adotada no budismo como um emblema da iluminação de Buda Shakiamuni e sua vitória sobre todo o mal que nos impede de acessar nossa verdadeira natureza iluminada.

A Roda - Transformação
No budismo a roda simboliza os ensinamentos de Buda. Seu movimento giratório representa a rápida transformação espiritual revelada nestes ensinamentos. Como uma ferramenta de mudanças representa a vitória sobre os obstáculos e ilusões.

quinta-feira, 9 de abril de 2009

"O Que Faz Você Ser Budista" - Exertos - Dzongsar Jamyang Khyentse


“(...) uma pessoa que não seja budista pode perguntar casualmente: ‘O que faz de alguém um budista?’ Essa é a pergunta mais difícil de responder. Se a pessoa tem um interesse genuíno, a resposta completa não serviria de assunto para uma conversa ligeira à mesa e generalizações podem levar a mal-entendidos. Suponhamos que você dê a resposta verdadeira, a resposta que aponta para a base fundamental dessa tradição de 2.500 anos.

A pessoa é budista se aceitar as quatro verdades a seguir;

Todas as coisas compostas são impermanentes.
Todas as emoções são dor.
Todas as coisas são desprovidas de existência intrínseca.
O nirvana está além dos conceitos.

Essas quatro afirmações, ditas pelo próprio Buda, são conhecidas como ‘os quatro selos’. De modo geral, selo significa uma marca que confirma a autenticidade. Por uma questão de simplicidade e fluência, vou aqui me referir a essas afirmações tanto como selos quanto como ‘verdades’ – sem as confundir com as quatro nobres verdades do budismo que tratam unicamente dos aspectos do sofrimento. Embora se acredite que os quatro selos abarquem a totalidade do budismo, a impressão que se tem é que as pessoas não querem ouvir falar sobre eles.

(...) a mensagem dos quatro selos deve ser entendida literalmente – não em sentido metafórico ou místico – e ser levada a sério. Os selos não são dogmas ou mandamentos. Com um pouco de contemplação, vemos que eles nada têm de moralismo ou ritualismo. Não se fala de boa ou má conduta. Eles são verdades leigas fundadas na sabedoria e a sabedoria é o que mais interessa a um budista. A moral e a ética ficam em segundo plano.

(...) a sabedoria provém de uma mente que possui o que os budistas chamam de ‘visão correta’. No entanto, a pessoa nem sequer precisa se considerar budista para ter a visão correta. (...) Então, o que faz de você um budista?

Se você não consegue aceitar que todas as coisas compostas ou fabricadas são impermanentes, se acredita que há alguma substância ou conceito essencial que seja permanente, então você não é um budista.

Se você não consegue aceitar que todas as emoções são dor, se acredita que, na verdade, algumas emoções são puramente prazerosas, então você não é um budista.

Se você não consegue aceitar que todos os fenômenos são ilusórios e vazios, se acredita que certas coisas, de fato, têm existência intrínseca, então você não um budista.

E, se você pensa que a iluminação existe dentro das dimensões do tempo, espaço e poder, então você não é um budista.

Os quatro selos são como o chá, ao passo que todos os demais meios utilizados para implementar essas verdades – práticas, rituais e roupagem cultural – são como a xícara. Instrumentos e métodos são observáveis e tangíveis, mas a verdade não. O desafio está em não se deixar levar pela xícara. As pessoas estão mais dispostas a sentarem eretas sobre uma almofada de meditação em um lugar quieto do que em contemplar o que chegará primeiro, o dia de amanhã ou a próxima vida.

Ao longo dos séculos, diversos tipos e estilos de xícaras foram produzidos; entretanto, por melhor que seja a intenção por trás delas e por melhor que funcionassem, as xícaras passam a ser um empecilho se esquecermos o chá. Embora sua finalidade seja conter a verdade, tendemos a nos focar no meio e não no resultado. Por isso, pessoas andam por aí com xícaras vazias ou esquecem de tomar o chá. Nós, seres humanos, podemos ficar encantados ou pelo menos distraídos com as cerimônias e cores das práticas criadas pelas culturas budistas. Incensos e velas são exóticos e atraentes; já a impermanência e a inexistência do eu, não. O próprio Sidarta afirmou que a melhor forma de culto é a simples lembrança do princípio da impermanência, do sofrimento ligado às emoções, da ausência de existência intrínseca dos fenômenos e do fato de que o nirvana transcende os conceitos.

(...) Em última análise, os guardiões do budismo não são os mestres graduados, mas sim, as quatro verdades.

(...) Como budista, você deveria se ater à seguinte regra: um budista nunca incita nem participa de derramamento de sangue em nome do budismo. A ele não é permitido matar sequer um inseto, quanto mais um ser humano. E, se por acaso, você tomar conhecimento que alguma pessoa ou grupo budista esteja fazendo isso, como budista você tem o dever de protestar e condenar esses atos. Se você se calar, não estará apenas deixando de desencorajar essas pessoas; você basicamente será uma delas. Você não é um budista.”

Páginas 11, 12, 13, 161, 162, 168.
Obs: *Intrínseco: que está dentro de uma coisa ou pessoa e lhe é próprio; interior; íntimo; que está inseparavelmente a uma pessoa ou coisa; inerente; peculiar.

*Extrínseco: que é exterior; não pertencente à essência de uma coisa.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Todo aquele que nasce é impermanente e fadado a morrer.

http://www.youtube.com/watch?v=ri-XCOf6ZlQ

Aceitação e entrega


"Sempre que puder, olhe para dentro de si mesmo e procure ver se você está inconscientemente criando um conflito entre as circunstâncias externas de um determinado momento - onde você está, com quem está ou o que está fazendo - e os seus pensamentos e sentimentos. Você consegue sentir como é doloroso ficar se opondo internamente ao que é?

Quando reconhece esse conflito, você percebe que agora está livre para abrir mão dessa guerra interna inútil."

"O Poder do Silêncio" - Eckhart Tolle

Sem celular na ilha do Lost

Quanto ao ficar sem celular, uma pessoa replicou:
- E se você estiver perdida numa ilha do Lost?
Respondi:- Pâhhh!
Refleti:- Acho que já estive lá quando era pequena. Nos anos 50 não tinha celular, televisão, computador, microondas e outras coisas. Mas também não tinha ladrão, drogas, assaltante na rua, barulho de obra e o vizinho não tinha som. Se tinha era vitrola e não dava prá tocar alto porque não tinha woofer, tweeter, surround nem nada. Era aquele sonzinho arranhado de vinil grosso e pesado. E as pessoas tinham uma coisa chamada respeito, coisa rara hoje em dia.
Em compensação, a gente brincava na rua na maior tranquilidade.
Se quisessem me achar, eu estava em casa ou na escola para onde ia sozinha, desde os quatro anos de idade, com meu irmão de seis e minha prima de cinco! Sem problema!

Sem celular

"Ficar sem celular é como flutuar num mar de nuvens azuis. Não importa onde você esteja, ninguém poderá te achar. Delícia."
Marina W.

domingo, 5 de abril de 2009

Se sentir raiva, recue!

Sua Eminência Chagdud Tulku Rinpoche e Dzongsar Jamyang Khyentse Rinpoche

"Se sentir raiva, recue! Se for capaz de agir sem raiva, talvez você transponha a terrível delusão que perpetua a guerra e seu sofrimento infernal."
“É necessário uma paciência extraordinária para trabalhar pela paz mundial, e a fonte desta paciência é a paz interior. Tal paz nos permite ver claramente que a guerra e o sofrimento são reflexos externos dos venenos da mente.”

Chagdud Tulku Rinpoche

O Que Faz Você ser Budista - Dzongsar Jamyang Khyentse Rinpoche

"Um Deus onipresente e permanente não poderia mudar; então, é melhor ter um Deus impermanente que possa responder a preces e modificar as condições meteorológicas. Contudo, desde que as ações de Deus constituam uma reunião de começos e fins, ele será impermanente; em outras palavras, sujeito a incertezas e não confiável." (pág. 31)
A partir de um ponto, mesmo se rezarmos para que o ovo não cozinhe, ele vai cozinhar." (pág. 39)

sábado, 4 de abril de 2009

Dza Patrül Rinpoche, Orgyen Jigme Chökyi Wangpo - Prece de Aspiração


Ó Três Jóias, fontes infalíveis de refúgio,
E hostes de lamas-raiz de incomparável compaixão inata,
Eu rogo a vocês, de meu coração! Dêem-me suas bênçãos,
Sempre me sustentem com sua compaixão e não se esqueçam de mim.
Quando eu tomar o amor e a compaixão como sendo o fundamento do caminho
E me esforçar com diligência nos estágios de geração e perfeição,
E com a compreensão de que o respeito e a devoção são a sua raiz,
Ó Três Jóias e lamas, sempre olhem para mim com sua compaixão.
Quando eu me esforçar na prática dos três vajras,
Tomando os três tipos de isolamento como fundamento de minha prática de yoga,
Possam todas as circunstâncias desfavoráveis ser pacificadas,
Possam todas as circunstâncias favoráveis tornar-se abundantes
E possam florescer as qualidades positivas de minha experiência meditativa e realização.
Possa eu treinar no caminho que deleita os vitoriosos,
Confiando na profunda visão — a realização do caminho do permanecer —,
Na profunda meditação — a abundância da experiência meditativa —
E na nobre conduta — as seis perfeições.
Possam florescer os nobres feitos dos lamas oniscientes, mestres do Dharma e seus herdeiros,
Possa aumentar toda a virtude e excelência,
E possam os preciosos ensinamentos da teoria e da prática
Aumentar tanto quanto a lua crescente.

Por Patrül. Que tudo seja auspicioso!

A Promessa Que Não É Cumprida


"A prática tem de ser um processo de intermináveis decepções. Temos de enxergar que tudo o que exigimos (e até obtemos) irá depois nos decepcionar. Essa descoberta é nossa mestra. É por isso que devemos tomar cuidado com amigos que estão em dificuldades, para os quais não devemos demonstrar nossa simpatia acenando-lhes com falsas esperanças e promessas de tranqüilidade. Essa espécie de simpatia - que não é a verdadeira compaixão - simplesmente retarda mais seu aprendizado. Em certo sentido, a melhor ajuda que podemos oferecer a alguém é apressar seu desapontamento. Embora isso pareça cruel, não o é na verdade. Ajudamos aos outros e a nós mesmos quando começamos a enxergar que todas as nossas exigências habituais são mal direcionadas".

Extraído do livro "Nada Especial" de Charlotte Joko Beck - Responsável pelo Centro Zen de San Diego, California, USA.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Súplica para Tara Sete Protetores por Jigten Gonpo


Uma Oração para " Tara os Sete Protetores "
por Jigten Gonpo


No Reino do Dharmadhatu
Por nascer
Mora a Sagrada Mãe Tara
Ela que dá felicidade a todos os seres sensíveis

Eu rezo a você, nos proteja de todos os tipos de medos!
Não percebendo a si mesmo como Dharmakaya
As mentes dos seres sensíveis são possessas de emoções negativas
A estes, a mãe dos seres sensíveis que vagam em Samsara

Oh Mãe Santificada, por favor nos proteja!
Não tendo entendido o profundo Dharma por dentro
E tendo seguido o nível convencional das palavras
Seres são enganados por visões filosóficas erradas e dogmas

Oh Mãe Santificada, por favor nos proteja!
Difícil de perceber é a própria mente.
Alguns percebem isto mas não praticam perfeitamente depois
Para os que estão perdidos em atividades mundanas insalubres

Oh Mãe Santificada, Incorporação da Plena Atenção Perfeita, por favor nos proteja!
A Realidade Absoluta da Mente é a sabedoria Buddhica Não-dual Inata
Mas por causa da habitual concepção dualística
A pessoa é aprisionada nisto em tudo o que faz

Oh Mãe Perfeita de Sabedoria Não-dual, por favor nos proteja!
Apegados à concepção de Vacuidade alguns pensam que entendem a Realidade Absoluta
Mas não entendem a interdependência de Causa e Efeito da Realidade Fenomenal
São seres iludidos com relação à Realidade dos Fenômenos

Oh Mãe Onisciente, por favor nos proteja!
Como a natureza do espaço que está além de todas as concepções
A Realidade de todos condicionados fenômenos não é diferente disso
Mas isso não foi percebido, então
Oh Mãe Perfeitamente Iluminada, por favor nos proteja, os novatos no Caminho!
o0o
Uma vez, quando o Senhor Jigten Gonpo estava na Caverna de Echung em Drikung, depois de ter atingido a Iluminação, teve uma visão das Sete Taras. Naquele momento, ele compôs esta oração de súplica pelos sete versos. Esta oração tem bênçãos múltiplas e é uma oração de súplica extensamente usada para as sete proteções.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Reconhecer o mal em nós - Jeffrey Hopkins


Assim como os Budas perfeitos sabem
As maldades que tenho cometido,
Eu as revelo.
Daqui em diante não mais farei isso.

O significado da última estrofe é que, não sendo onisciente, uma pessoa não conhece todas as maldades que já cometeu ao longo de um ciclo sem início de vidas. Então, ela faz uma confissão geral de todos os maus atos que os seres oniscientes sabem que ela cometeu.

Implicitamente, a mensagem importante comunicada aí é que é impossível esconder os atos negativos.Já que a negação é uma das defesas mais nocivas contra as forças interiores, a noção budista geral de que ao longo de muitas vidas cometemos todo tipo de maldade -- e temos, em nossos fluxos mentais, forças nos predispondo a isso novamente -- fornece uma perspectiva saudável.

Certamente, não evita a negação em todos os níveis (já que as profundezas de nossa própria depravação não são fáceis de reconhecer), mas abre caminho para o reconhecimento consciente do que jaz abaixo da superfície.

Revelar, confessar todas essas maldades é afirmar sua presença, enfraquecendo assim a força da negação e fortalecendo o ego como o árbitro, em vez de a vítima, dessas forças.

Jeffrey Hopkins - "Tantric Techniques"Snow Lion

terça-feira, 31 de março de 2009

Viver o momento


Isso para mim é página virada. Julgo ser um fato consumado e não quero mais me aprofundar nessa história. Tenho quase cinquenta e oito anos e meu primeiro surto foi aos vinte e três. Digo surto porque surtei, porque acredito que sofro disso desde o princípio sem princípio. Está na minha Alaya. Hoje tomo dois remédios e mais um para o hipotireoidismo que ganhei de presente ano passado! Os remédios são manipulados em uma dosagem pequena, só de manutenção. Devo dizer que sinto-me no direito de resposta pelo fato de uma pessoa que nem me conhece dizer que minha "excessiva sensibilidade não tem nada a ver com síndrome de pânico". O pânico foi comprovado sim através de exames (que só hoje existem no Brasil) por um psiquiatra que, na época, dava aulas na Sorbonne! É um problema neuroquímico assim como a falta de hormônios numa menopausa. Não. Não quero falar sobre tormentos nem detalhes anormais pois não tive nenhum! Muito menos memorizei-os e, sendo assim, não há o que esquecer! Vivo o momento como aprendi no budismo com meu saudoso Chagdud Rinpoche e seus lamas pois posso morrer no próximo décimo de segundo. Não se trata de cura, mas de medicação. Tenho muita energia e muita força, porque no meio de tudo isso e antes de qualquer tratamento, me casei, tive três filhos adoráveis, trabalhei fora e dentro e continuo casada (trinta e três anos) com o mesmo homem, coisa raríssima hoje em dia. Hoje, eu e minhas irmãs estamos cuidando de nossa mãe (oitenta e um) recem operada da coluna e cada uma tem suas limitações: uma não pode com sangue, outra não pode com fezes e eu não posso com cozinha. Creio que por aí, dá prá notar que eu estou em vantagem. Deixar de cozinhar não é uma coisa tão terrível assim e sempre se pode comprar comida pronta ou arranjar quem a faça. Além do que falei até agora, não tenho nada para contar, mas se você quiser contar a sua experiência, sinta-se livre para isso. Sempre digo que e-mail deveria ter tom de voz assim como televisão deveria ter cheiro. Meu tom de voz, apesar do que escrevi, não tem nada de irritado ou melindroso. Só que são coisas que ficaram lá para trás e que hoje só compartilho com meu médico. Trinta e cinco anos pode ser uma vida inteira! Me desculpe se passei a sensação de indelicadeza, mas não fui indelicada. Só verdadeira e sincera. Escrevo com firmeza, mas sorrindo para você.
No dharma, Pema Lodrön.

O Foco no Dharma


Na verdade, o ponto focal da prática do dharma não tem nada a ver com entoar mais mantras ou gastar mais horas sentado meditando. Tem muito mais a ver com coisas simples do cotidiano. Quando você caminha e conversa com as pessoas, quando você senta perto de seus amigos, ou inimigos - duvido que tenhamos algum inimigo explícito, mas me refiro às pessoas com as quais você não se dá bem, difíceis de lidar, ou que te chateiem - você deve estar com eles. Como Atisha Dipamkara*, que - com muito esforço -trouxe um indiano com ele para o Tibet. Esse homem não tinha nenhuma outra função além de perturbá-lo. Esse foi o único objetivo de trazê-lo.
Dzongsar Khyentse Rinpoche (1961 -)
Longtchen Nyingtik Practice Manual: advice How to Practice"
*Atisha Dipamkara: mestre indiano que, no século X, foi fundamental para a segunda grande difusão do budismo no Tibet.

sábado, 28 de março de 2009

Gracias a la vida


Não sabia que meu corpo, fala e mente ilusórios suportariam a agonia de esperar minha mãe ser operada, cirurgia marcada para as onze da manhã e protelada para um horário desconhecido, a nervosia e a irritabilidade dos irmãos, o medo, a imprevisibilidade, a impotência, tudo junto. Um pesadelo que dele se acorda quando termina tudo bem. Relativamente.
Só o que queria era ficar perto, olhar nos olhos dela. Minha irmã se cansou – dá trabalho! – e me pediu isso. Tudo o que eu queria. Arrumei uma sacola com o mínimo possível para passar um dia, uma noite e uma manhã com minha mãe no hospital. Não me importava o que poderia encontrar lá, o que me esperava. Simplesmente fui com o coração aberto, os braços e as mãos também.
Quando cheguei, ela já me presenteou com um sorriso, triste, mas um sorriso. Não queria comer, bebia pouco líquido. Brinquei falando que agora havia chegado a hora da minha vingança, pois, quando pequena, eu não comia e ficava de castigo, ganhava leves palmadas e beliscões que ela não era de violência, apesar de autoritária.
Não me importei. Dei comida na boca, penteei seus cabelos, ajudei a escovar os dentes, ofereci a comadre, lavei tudo o que era necessário, fiz tudo que ela me pedia. Até assisti Big Brother!
Quando dormia ou cochilava, balbuciava muito, falava coisas sem nexo e a única frase que entendi foi quando ela disse, mesmo embriagada, que eu estava lá.
Os médicos disseram que era efeito da anestesia e do remédio para dor à base de morfina que causavam confusão mental.
Uma hora me assustei. Ela acordada, de olhos abertos e olhando para mim disse que eu tinha que ir ao quarto de empregada buscar um sapato que estava lá e que era para lavar. Eu disse que nós estávamos no hospital, mas ela repetia com vigor a mesma ordem. Concordei e ela dormiu de novo mais um pouco.
À noite, perguntei-lhe o que achava de usar de fralda para dormir melhor. Ela gostou da idéia. Tomou um banho de leito e os enfermeiros lhe colocaram a fralda. Aquietou-se. Assistimos ao jornal, novela, Big Brother e, ao ver que ela já dormia, desliguei a televisão.
Acordou de manhãzinha com a fralda cheia e reclamando que se sentia suja, que queria um banho imediatamente, a autoritária de sempre! A minha mãe de sempre!
- Mas o hospital está cheio, mãe! Passei pelo corredor e vi pessoas mil vezes pior que você! Calma!
Inútil! Ela exigia! Tive que sair do quarto e chamar os enfermeiros. Outro banho, outra roupa de cama, outra camisola. Tudo limpinho. Pronto!
Hora de tomar o café da manhã; meia caneca de café com leite e um pãozinho doce e ela disse que comeu demais. Depois se deixou ficar calada, olhando para o tempo, pensativa e eu também.
Aos poucos foi voltando a ser a minha mãe porque já não tomava mais os remédios fortes que lhe causavam confusão mental, ânsia e enjôo, motivo pelo qual ela não conseguia comer.
Aí começou a especular o futuro. Disse que tinha medo de nunca mais andar, que só saía do hospital quando estivesse boa. Eu dizia para ter paciência que ainda faltava um mínimo de três meses de fisioterapia e que ela tinha que ver o lado bom das coisas. Pelo menos não sofria mais aquela dor horrível na perna, passou pela cirurgia ilesa, que era uma mulher forte, que descansou, que dormiu bem.
Pouco antes do almoço, chegaram meu pai e minha irmã. Dei a sopa na boca de minha mãe e despedi-me.
Vim para casa com meu pai que falou o tempo todo de lá até aqui desabafando. Ouvi.
Hoje meu marido levantou-se por volta das quatro e meia da manhã e com o barulho, me acordou. Ele sai cedo para trabalhar e eu dormi de novo. Minha cunhada diz que ele é workahollic. Eu prefiro ver o lado bom: antes workahollic do alcohollic. Antes sair às cinco horas do que chegar às cinco!
Isso é o tanto que a vida tem me dado: ensinamentos, práticas e a bodhicitta da ação. Gracias a la vida.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Como eu era indiferente!


Passei por maus pedaços e acho que ainda não acabou. Minha mãe, apesar de operada e de tudo ter dado certo, continua no hospital. Além do mais, já conta oitenta e um anos. Antes, a dor que ela sentia era lancinante! Pirei! Saí pedindo reza, oração, mandinga, torcida e força prá todo mundo. Fiquei horas passando e-mails. E agora, mais algumas, agradecendo por ela ter passado bem pela cirurgia.

É engraçado como eu era indiferente. Quantas vezes recebi pedidos de oração e nem ligava. Acho que cheguei até mesmo a deletar sem pensar na dor do outro. Que vergonha!

Juro que não vou mais fazer isso! O sofrimento realmente nos faz crescer. E em mim brotou novamente mais um outro pedaço da compaixão.

domingo, 22 de março de 2009

Raiva, apego, aversão, inveja, ignorância e orgulho.

Raiva eu tenho, mas ela costuma durar pouco, cerca de meia hora. Isso quanto a alguma coisa que não deu certo. Geralmente uma costura, um crochet. Deixo de lado. Depois desmancho e faço outra vez.
O problema é quando me apego à raiva e sinto aversão por alguém que certamente sentiu inveja de mim e me prejudicou, coisa que hoje não sinto nem faço mais. Perda de tempo e energia.
Aí, a raiva fica rondando minha mente. Está ali, escondida, calada, sorrateira, sorrelfa, astuta e dissimulada. Na hora em que menos espero, a tal pessoa surge na mente ou na minha frente - o que dá na mesma - e a raiva aparece de novo e, como uma cobra, me dá o bote! Péssimo!
Tenho orgulho, e muito! Às vezes me pego fazendo apologia de mim mesma: eu sei, eu conheço, eu tenho, eu sou, eu, eu , eu! Mas peço perdão e desculpa com muita facilidade o que já é uma certa forma de orgulho.
Melhor do que culpa, seria sentir vergonha, guardar a cara no armário, meter-me sob os lençóis, trancar-me no quarto, mais perto da humildade e da humilhação.
Agora, ignorância? Pelo Sublime! Demais! Que vergonha!
Mas hoje testei minha paciência. Sentada de frente para um relógio inevitavelmente contei cinquenta minutos de nervosia, desabafo e gritaria da minha irmã que não tem a menor tolerância e lá vou eu julgar uma pessoa... que vergonha! Mas, mesmo assim, alguém sabe quanto vale a hora de um psicólogo?

quinta-feira, 19 de março de 2009

Deletando.


Acabo de deletar uma mensagem cheia de venenos mentais. Quem leu, leu. Quem não leu não lê mais. Bom carma para todo mundo!

sábado, 14 de março de 2009

A Essência do Ensinamento do Buda - Thich Nhat Hahn


Os Cinco sentidos (agregados) são interdependentes. Quando nos ocorre uma sensação dolorosa, devemos olhar para o corpo, para as nossas percepções, nossas formações mentais e nossa consciência, procurando a causa dessa sensação. Se tivermos uma dor de cabeça, a sensação dolorosa vem do Primeiro Agregado. Sensações dolorosas também podem se originar das formações mentais ou das percepções. Você pode, por exemplo, pensar que alguém o detesta, quando na verdade essa pessoa o ama.Observe com atenção os cinco rios que correm dentro de você e veja como cada um deles contém em si os outros quatro. Olhe para o rio do corpo. No início você pode achar que o corpo é apenas físico e não mental. Só que cada célula de seu corpo contém dentro dela todas as informações contidas no seu corpo inteiro. Hoje em dia já é possível duplicar o corpo inteiro a partir de uma única célula, o que chamamos de clonagem. A unidade contém o todo. Uma única célula do seu corpo contém seu corpo inteiro. Isso significa que todas as sensações, percepções, formações mentais e consciência estão contidas em uma única célula - não apenas os nossos, mas também os de nossos pais e de nossos ancestrais. Cada agregado contém todos os outros agregados. Cada sensação contém em si todas as percepções, formações mentais e consciência. Ao observar uma sensação, podemos descobrir nela os outros elementos. Observe à luz da interdependência, e verá o todo na unidade e a unidade no todo. Não pense nem por um instante que o corpo existe fora das sensações ou que as sensações existem fora do corpo.No Sutra Girando a Roda, o Buda diz: “Quando nos apegamos aos Cinco Agregados, eles produzem sofrimento”. Ele não disse que os agregados são, por si mesmos, o sofrimento. Há uma imagem no Sutra Ratnakuta que nos pode ser útil. Um homem joga um bolo de terra para um cachorro. O cachorro olha para o bolo de terra e late furiosamente, porque não entende que é o homem, e não o bolo de terra, o responsável por sua frustração. O sutra continua: “Da mesma maneira, uma pessoa comum, presa a conceitos dualistas, pensa que os Cinco Agregados são a causa de seu sofrimento, enquanto na verdade a raiz do sofrimento está na falta de compreensão da natureza impermanente, sem existência separada, e interdependente dos Cinco Agregados”. Não são os Cinco Agregados que nos fazem sofrer, mas a forma como nos relacionamos com eles. Ao observarmos a natureza impermanente, interdependente e sem existência própria de tudo o que existe, não sentimos aversão pela vida, mas, ao contrário, constatamos como a vida é preciosa.Sempre que não entendemos muito bem, apegamo-nos demais, ficando presos às coisas. No Ratnakuta Sutra, os termos “agregado” (skandha) e “agregado do apego” (upadana skandha) são usados. Os skandhas são os Cinco Agregados que dão origem à vida. A raiz de nosso sofrimento não está nos agregados em si, mas em nosso apego. Existem pessoas que, devido à compreensão incorreta da razão do sofrimento, em vez de lidarem com seus apegos, têm medo dos seis objetos dos sentidos e aversão pelos Cinco Agregados. Um Buda é alguém que vive em paz, alegria e liberdade, alguém que não tem medo nem está apegado a nada.Quando inspiramos e expiramos e harmonizamos os Cinco Agregados dentro de nós, realizamos a verdadeira prática. Mas praticar não significa nos limitarmos aos Cinco Agregados internos. Temos consciência de que os Cinco Agregados também têm raízes na sociedade, na natureza e nas pessoas com quem vivemos. Medite no conjunto dos Cinco Agregados dentro de você, até poder ver a unidade que existe entre você e o universo. Quando o Bodhisattva Avalokita contemplou a realidade dos Cinco Agregados, viu o vazio do “eu”, e se libertou do sofrimento. Se contemplarmos os Cinco Agregados com consistência, nós também nos libertaremos do sofrimento. Se os Cinco Agregados retornarem à sua origem, o sentido de “eu” deixa de existir. Enxergar a unidade dentro do todo significa romper com o apego a uma falsa idéia de “eu”, a convicção de que o “eu” é uma entidade imutável com existência própria. Romper essa falsa visão significa se libertar de todos os tipos de sofrimento.

terça-feira, 10 de março de 2009

Tchenrezig ou Chenrazi

Clique na imagem para vê-la ampliada
É o nome tibetano de Avalokiteshvara, em sânscrito e significa literalmente aquele que olha para baixo, personificando a misericórdia e a compaixão. Os Dalai-Lamas são considerados sua encarnação. é representado com onze cabeças e mil braços e cada um tem um olho na palma da mão para indicar sua atenção sempre desperta para atender aos que sofrem. Na China, esta entidade é vista como a dusa Kwanyin, deusa da misericórdia; uma deusa com um menino nos braços. A meditação de Tchenrezi é claramente um desses agentes de purificação. Em particular, graças ao pensamento "Eu sou Tchenrezi" - aquilo que se chama orgulho da divindade - purifica-se da assimilação a um eu comum; pela meditação do corpo da divindade, dos seus ornamentos, do campo puro, etc, purifica-se dos condicionamentos que produzem as aparências ordinárias. O resultado da purificação surge quando a mente está totlmente purificada da dualidade sujeito-objeto. então, revela-se o fruto, a fruição, a realização da verdade não-dual do modo de ser da mente, cuja natureza não é diferente dos três corpos do despertar: o corpo absoluto (dharmakaya), corpo de glória (sambhogakaya) e o corpo da emanação (nirmanakaya). Esses três corpos já estavam presente na base de purificação, mas em estado latente. No nível do resultado, eles são atualizados revelados em sua plenitude e em sua pureza.


A meditação de Tchenrezi (...) permite desenvolver o conjuntos de qualidades necessárias sobre o caminho, as seis paramitas:
1. motivação para realizar o bem dos seres - generosidade.
2. visualização e recitação do mantra e banadono das atividades ordinárias do corpo, fala e mente: ética
3. desconforto do corpo e da mente durante a meditação: paciência.
4. despende-se um certo esforço, sujeita-se à perseverança: diligência.
5. o corpo da divindade, o campo puro, os ornamentos, as sílabas do mantra são a claridade e a manifestação da mente em si mesma: conhecimento transcendente.
6. eliminação de pensamentos ilusórios, acumulação de mérito, compaixão, devoção, pacificação mental: visão superior.

Compilado do livro "Tchenrezi, o Senhor da Grande Compaixão" de Bokar Rinpoche - Editora Shisil (Shi: acalmar, pacificar - sil: refrescar, suavizar - estado da mente que proporcioa uma calma suave, refrescante, pacificação, refrigério, uma mente em paz.)

domingo, 8 de março de 2009

Beijo e/ou abraço?

Preste atenção prá você ver. Homens quando se abraçam ficam meio de lado e dão tapões nas costas. Muito comum em velórios.

Mulheres se abraçam de frente deitando a cabeça no ombro da outra. Sempre comum!

Mulheres se despendem escrevendo "beijo", beijão", um grande beijo", beijocas", beijinhos". Homens escrevem mandando "abraço", "grande abraço".

Já viu algum homem se despedir do outro dizendo "Então tá, um beijo!"?

Aliás, eu ouvi. Tem um carinha aqui no prédio que é a maior comédia: interfonou para o porteiro, falou o que queria e depois disse: "Então tá. 'Brigado. Um beijo" Só de gozação. A gente tava na portaria, ouviu e caiu na risada!

Mais Clarisse

“Existir não é lógico.”

“Já que sou, o jeito é ser.”

“Sou um homem que tem mais dinheiro do que os que passam fome, o que faz de mim, de algum modo, um desonesto.”

“Quem não tem pobreza de dinheiro tem pobreza de espírito ou saudade por lhe faltar coisa mais preciosa que ouro – existe a quem falta o delicado essencial.”

“... mas sem fazer estardalhaço de minha humildade, que já não seria mais humildade.”

“O dia de hoje e o dia de amanhã será um hoje; a eternidade é o estado das coisas neste momento.”

“Isso será coragem minha, a de abandonar sentimento antigos, já confortáveis.”

“A palavra não pode ser enfeitada e artisticamente vã; tem que ser apenas ela.”

“O que eu vou escrever já deve estar, na certa, de algum modo, escrito em mim.”

“Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias.”

“Se der para me entenderem, está bem. Se não, também está bem.”

“Para que escrevo? E eu sei? Sei não.”

“... assim como um cachorro não sabe que é um cachorro.”

“Quando acaricio a cabeça do meu cão sei que ele não exige que eu faça sentido ou me explique.”

A Coragem de Continuar


Como diz o Sutra da Maitri: “Com uma mente ilimitada podemos amar todos os seres viventes, irradiando amizade por todo o mundo, acima, abaixo e à volta, sem limitação.” Na prática da equanimidade, treinamos para alargar nosso círculo de compreensão e compaixão, para incluir o bom e o mau, o bonito e o feio. No entanto, a equanimidade sem limitação, totalmente livre de qualquer preconceito, não é a mesma coisa que uma harmonia definitiva onde tudo, finalmente, está bem. É mais o caso de estarmos totalmente engajados com o que quer que venha bater à nossa porta. Poderíamos chamá-la de estar completamente vivos.O treinamento da equanimidade requer que deixemos para trás alguma bagagem: o conforto de rejeitar grandes pedaços de nossa experiência, por exemplo, e a segurança de dar boas-vindas somente àquilo que nos é agradável. A coragem de continuar com esse processo de desdobramento vem da autocompaixão e de nos darmos tempo bastante. Se continuarmos a praticar dessa maneira, por meses e anos, sentiremos que nossos coração e mente se tornam maiores. Quando as pessoas me perguntam quanto tempo leva isso, eu digo: “Pelo menos até você morrer.”


Sempre que alguém perguntava a um certo mestre zen como ele estava, invariavelmente respondia: “Eu estou bem”. Finalmente, um de seus alunos disse: “Roshi, como você pode estar sempre bem? Você não tem dias ruins?” O mestre respondeu: “Claro que tenho. Nos dias ruins, eu estou bem. Nos dias bons, eu também estou bem.” Isso é equanimidade.


Ani Pema Chödrön, Os lugares que nos assustam, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2003

Dia Internacional do Bicho Mulher

Hoje recebi um montão de parabéns, vídeos, mensagens, crônicas. Agradeci bonitinha do jeito que mamãe educou.

Mas, lusobrasileira e andaluz que sou, "estou cá cós meus butóes": será que merecemos um dia só prá nós? Já que temos o dia das Mães, esse deve ser prá quem não é? Não deixamos de fazer nada do que fazemos em qualquer dia do ano. Tudo igualzinho. No mínimo um botão de rosa no supermercado é o que ganhamos de presente. Jabor fez um vídeo, mas o Jabor é o Jabor.

Pelo Orkut, um homem me pede desculpas pelas atrocidades cometidas por eles! Gente! Quê isso?

Conheço mulheres capazes de maldades, fúrias, desdéns, rancores, invejas, ofensas, hostilidades, vinganças e azedumes. As mulheres perversas, maquinam, arquitetam e, na hora certa, raposas, aranhas, cobras, dão o bote. São perpetradoras de crimes horrendos. Vide televisão e afins.

Ninguém dá um gelo tão bem dado quanto nós. Eu mesma já consegui quinze dias. A mágoa, também chamada de má-água, quando entra, custa prá sair. A raiva ainda é melhor; sai aos berros e hospeda por menos tempo.

Sei que vai ter mulher brigando comigo por esta postagem. Mas será por irritação ou porque a carapuça serviu!

A mais pura verdade é a que o Grande Compassivo falou. Eqüanimidade. Somos todos seres humanos! Seres sencientes!

Ah! Meu marido está lavando roupas. Na máquina, mas tudo bem. Já lavou o terraço de cocô e xixi da cachorra e disse que vai fazer almoço! Fofo!

Sugestão: http://mulheresmalvadas.blogspot.com/2004/12/as-mulheres-mais-perversas-da-histria.html