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quinta-feira, 7 de maio de 2009

Reflexões

Acho que estou satisfeitinha com meu blog. Posto coisas que eu sinto, que eu penso, que eu gosto e que não gosto e coisas descaradamente copiadas de outras fontes. Mas nunca deixo de citá-las. Se alguma passou despercebida, podem me dizer que eu conserto! Queria ser mais legalzinha com as pessoas, mas não consigo. Devia estar, como uma mera cidadã brasileira, igual aquele "parlamentar", me lixando para a opinião pública. Mas eu não sou parlamentar! Então, estou me lixando!
Sou uma senhora de meia idade e idade e meia, estatura mediana, dona de casa mais ou menos, filhos criados, meia-boca, mas criados, marido já acomodado e workahollic. O dia inteiro na rua, enfiado no paraíso dele, a oficina.
Tenho insônia, mas adoro dormir e, quando consigo, é melhor não me acordar! Tenho medo, tristezas, arroubos e coragens como todo ser humano. Como diz a "menina do didentro" e eu adoro ela, às vezes fico muito matutandinha sobre o que estou fazendo aqui nesse nosso sofrido planetinha.
Queria ajudar mais, mas na minha idade, desculpa mais porca, acho que já fiz bastante e, ao mesmo tempo, acho que ainda tenho muito o que fazer.
Tenho só dois pequenos desejos. Um mundano e outro espiritual: ganhar sozinha na mega-sena e atingir a iluminação! Só isso! E continuo sonhando...

terça-feira, 31 de março de 2009

Viver o momento


Isso para mim é página virada. Julgo ser um fato consumado e não quero mais me aprofundar nessa história. Tenho quase cinquenta e oito anos e meu primeiro surto foi aos vinte e três. Digo surto porque surtei, porque acredito que sofro disso desde o princípio sem princípio. Está na minha Alaya. Hoje tomo dois remédios e mais um para o hipotireoidismo que ganhei de presente ano passado! Os remédios são manipulados em uma dosagem pequena, só de manutenção. Devo dizer que sinto-me no direito de resposta pelo fato de uma pessoa que nem me conhece dizer que minha "excessiva sensibilidade não tem nada a ver com síndrome de pânico". O pânico foi comprovado sim através de exames (que só hoje existem no Brasil) por um psiquiatra que, na época, dava aulas na Sorbonne! É um problema neuroquímico assim como a falta de hormônios numa menopausa. Não. Não quero falar sobre tormentos nem detalhes anormais pois não tive nenhum! Muito menos memorizei-os e, sendo assim, não há o que esquecer! Vivo o momento como aprendi no budismo com meu saudoso Chagdud Rinpoche e seus lamas pois posso morrer no próximo décimo de segundo. Não se trata de cura, mas de medicação. Tenho muita energia e muita força, porque no meio de tudo isso e antes de qualquer tratamento, me casei, tive três filhos adoráveis, trabalhei fora e dentro e continuo casada (trinta e três anos) com o mesmo homem, coisa raríssima hoje em dia. Hoje, eu e minhas irmãs estamos cuidando de nossa mãe (oitenta e um) recem operada da coluna e cada uma tem suas limitações: uma não pode com sangue, outra não pode com fezes e eu não posso com cozinha. Creio que por aí, dá prá notar que eu estou em vantagem. Deixar de cozinhar não é uma coisa tão terrível assim e sempre se pode comprar comida pronta ou arranjar quem a faça. Além do que falei até agora, não tenho nada para contar, mas se você quiser contar a sua experiência, sinta-se livre para isso. Sempre digo que e-mail deveria ter tom de voz assim como televisão deveria ter cheiro. Meu tom de voz, apesar do que escrevi, não tem nada de irritado ou melindroso. Só que são coisas que ficaram lá para trás e que hoje só compartilho com meu médico. Trinta e cinco anos pode ser uma vida inteira! Me desculpe se passei a sensação de indelicadeza, mas não fui indelicada. Só verdadeira e sincera. Escrevo com firmeza, mas sorrindo para você.
No dharma, Pema Lodrön.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

Bom dia!

Quer coisa mais automática do que dizer um “Bom dia”? Quando dizemos “bom dia”, não pensamos no que estamos realmente dizendo, verdadeiramente desejando. E é prá qualquer um, prá todo mundo. “Bom dia” pra faxineira que está desde cedo nos corredores do prédio, esfregando o chão, coitada, num trabalho repetitivo: todo dia ela faz tudo sempre igual (♫); “bom dia” pro porteiro que vai encarar um dia inteiro no mais absoluto tédio, sentado dentro de uma guarita olhando pachorrento para quem entra e quem sai e ouvindo lacônicos bons-dias, boas-tardes e boas-noites. No ônibus, bom dia pro motorista e pro trocador; no escritório bom dia, bom dia, bom dia. Prá todo mundo. Mas o que é um bom dia? São duas palavrinhas que querem dizer muita coisa. Só que ninguém pára pra pensar o quê! Um dia sem contrariedades? Impossível! Isto não existe. Mas com paciência para levar os trancos que o dia nos dará, pois, sem dúvida eles virão. Um dia bom, com olhos para ver as boas coisas em vez de achar que as ruins pesam toneladas. Um dia legal sem reclamar da chuva, da seca, do calor, do frio, do sol quente, do vento frio. Um dia para parar de reclamar. Isso é que é um “Bom dia”. Já pensou? Todo mundo sorrindo largo e conscientemente dizendo com a boca cheia: BOM DIA!

Ana Carmen Castelo Branco
Belo Horizonte, 14 de fevereiro de 2003 – sábado.