OM DZAMBHALA ZALENDRAYÊ SOHÁ
terça-feira, 1 de setembro de 2009
Dzambhala
OM DZAMBHALA ZALENDRAYÊ SOHÁ
sábado, 22 de agosto de 2009
A Integração – As qualidades naturais da mente
A compreensão – prajna – e a compaixão – bodhichitta, são conhecidas como os dois pólos fundamentais do ensinamento de Buda bem como as duas qualidades do despertar, da experiência de mahamudra.
A sabedoria, prajna, é o conhecimento da natureza da realidade, conhecimento da interdependência (e impermanência) de todas as coisas, o conhecimento, e a experiência da vacuidade. “Prajnaparamita”, a perfeição da sabedoria, é também conhecimento imediato ou cognição em si, sabedoria que se experimenta a si-mesma.
A compaixão pode se apresentar segundo três aspectos:
A compaixão com referência aos seres.
É a qualidade do coração que faz-nos, não somente, não ser indiferentes aos outros, mas sermos profundamente tocados e receptivos aos seus sofrimentos e à suas dificuldades. Esta compaixão vive-se na experiência da realidade do outro. É participar da realidade do outro com um coração e uma mente abertos.
A compaixão com referência à realidade.
Esta compaixão é a mais profunda que a primeira, no sentido em que ela vive a situação no conhecimento de sua natureza e compreende a ilusão que é a causa do sofrimento. Esta compaixão se vive participando realmente e profundamente um com o outro; é uma compaixão de comunhão íntima. Em seguida, a terceira é:
A compaixão sem referência.
Ela não tem objeto e nem porque, sem noção, sem idéia nem justificação. É uma compaixão que não é fabricada: ela não repousa em nenhum raciocínio nem sobre uma experiência de amante e amada nem sobre o que quer que seja. Esta compaixão sem referência é a do Budha, dos despertos. É a natureza mesma da experiência imediata, primordial e dela é indissociável. O desperto, vive a experiência primordial mahamudra, vive esta compaixão sem referência. Esta compaixão está no mais profundo de nossa vivência e ela manifesta-se naturalmente quando o eu, o indivíduo não habita mais esta experiência.
Na tradição do mahamudra-dzogchen, esta compaixão fundamental chama-se tuje, termo que traduzimos também por “sensibilidade”. “Compaixão” não é plenamente satisfatório. É um termo freqüentemente entendido como uma atitude condescendente e misericordiosa... ou de amor, porém numa experiência dual, enquanto tuje exprime esta experiência de sensibilidade fundamental que é duma receptividade e também de uma disponibilidade completa e perfeita, além de todo obstáculo e de toda a resistência. É uma experiência sem barreira nem obstáculos. Nesse nível, a compaixão não é mais uma resposta deliberada, mas uma adequação imediata, harmoniosa e espontânea à própria energia da situação.
Sua Santidade o Dalai Lama diz freqüentemente: “Podemos viver sem religião, mas não podemos viver sem compaixão”. Com efeito, podemos muito bem não aderir a uma religião enquanto pensamento filosófico, teológico, enquanto sistema de crenças ou de percepções do mundo, mas não podemos viver sadiamente sem esta dimensão de compaixão que procede, no que tem de fundamental, desta experiência primordial.
O ponto importante é que na experiência primordial, encontram-se ainda presentes também a compreensão que é compaixão desperta, assim como o amor e a sabedoria de um Budha.
Um último ponto importante a considerar é a integração do ponto de vista do mahamudra. Revendo as qualidades da mente: abertura, a claridade e a sensitividade.
Uma vez reconhecida, vivida a natureza vazia, luminosa e ilimitada, da mente sem obstáculos, é também reconhecida a natureza de suas manifestações: de seus pensamentos e de suas emoções. As emoções, os pensamentos e as paixões habituais são também, profundamente, vazias, luminosas e ilimitadas.
A prática de mahamudra não é parar, bloquear os pensamentos, as emoções, mas reconhecer sua natureza. Considerar os pensamentos como obstáculos e querer desenvolver um estado de meditação sem pensamentos, um estado de meditação no qual pensamentos e experiências seriam de algum modo suspensos: uma tranqüilidade pacífica onde tudo é colocado entre parênteses... Uma tal suspensão das experiências seria também uma espécie de inibição e finalmente de opacidade.
Kyabdje Kalu Rinpoche dizia que é possível meditar mahamudra assim, desenvolver um estado de repouso mental confortável... É agradável, mas é um estado em que falta lucidez, que é opaco e que não tem nada a ver com a experiência autêntica.
A energia do desejo, a paixão reconhecida em sua essência é uma energia livre que chamamos a “felicidade vazia”. Plenamente reconhecida, é liberada, e o que é condicionante e alienante torna-se uma energia livre que é a expressão da sabedoria e do despertar.
Assim as cinco emoções conflituosas básicas, transmutadas, são as “cinco sabedorias”:
- O desejo, o apego, torna-se então sabedoria do discernimento;
- O ódio, a agressividade, torna-se então a sabedoria semelhante ao espelho;
- A inveja, o ciúme torna-se então a sabedoria da realização;
- O orgulho, torna-se então a sabedoria da equanimidade;
- A opacidade mental, a ignorância, torna-se a sabedoria da esfera da vacuidade do dharmadatu.
Todas as manifestações da mente tornam-se então espontaneamente o jogo das cinco sabedorias. Nesta perspectiva, quanto mais matéria prima mais sabedoria. As emoções são ditas “madeira trazida para a fogueira da sabedoria”. Quanto mais madeira, mais a fogueira arde.
Do livro: DHARMA – La voie du Bouddha - Mahamudra-Dzogchen
Versão: Flávio Capllonch Cardoso
domingo, 12 de julho de 2009
O Buda disse - Dalai Lama
"Somos aquilo que pensamos, criamos o mundo com os nossos pensamentos."
"Portanto, um comportamento e uma ética correctos influenciarão o mundo de forma positiva, o que não significa que as coisas sejam apenas projecções do espírito. A maneira como apreendemos o mundo é uma projecção, uma fabricação do nosso espírito e é específica de cada um de nós. Como prova o facto de duas pessoas poderem pensar, sobre o mesmo objecto, uma que ele é bonito e a outra que ele é feio. Os ensinamentos dizem que a nossa maneira de apreender o mundo é o resultado do conjunto dos carmas que acumulámos durante numerosas vidas. Podemos, portanto, afirmar que o mundo, tal como o vemos, na qualidade de ser humano, é um reflexo das experiências cármicas que a nossa consciência atravessou ao longo das nossas inúmeras vidas."
S. S. Dalai Lama - e-mail de Helena Melo, Portugal
quinta-feira, 28 de maio de 2009
Cosmos
“A um rio que tudo arrasta, todos chamam de violento; mas ninguém chama violentas as margens que o aprisionam há séculos.” Bertolt Brecht
No Colégio Santa Dorotéia, sempre fui o primeiro lugar de todos os torneios de redações do colégio inteiro, mesmo dos graus superiores ao meu. É que sempre consegui me expressar melhor por meio da palavra escrita e não da falada. A fala, assim como todos os atos, dominada pela mente, por alguma motivação e pelas emoções aflitivas arrisca uma compreensão errônea, um julgamento posterior confuso e ardiloso por meio do ouvinte que depois a destorce e usa para jogar contra nós! A escrita está registrada e documentada!
Nas minhas lembranças mais remotas que remontam ao berço, fui uma criança cerceada, visada, vigiada, controlada e recriminada. As palavras ásperas e rudes ressoam no meu ouvido até hoje. Quando as escuto, causam-me um mal-estar interior e só depois de adulta, ou direi, velha, consegui compreender a causa desta repulsa apesar de ainda me estremecer.
Meus pais como todos os pais do mundo, queriam que a sua filha brilhasse. Não brilhei!
Minha avó materna é a única pessoa de quem tenho lembrança tranqüila. Falava baixo, manso e conseguia desta maneira que eu comesse todo alimento sem pressionar-me. Não contava estórias. Levava-me a colher flores, o cosmos que grassava nos matos ao redor da casa dela. Morreu antes que eu completasse oito anos.
Às vezes, ponho-me a pensar: se ela tivesse sobrevivido até a minha idade mais adulta, teria eu julgamentos discriminativos sobre ela? Então, passo a perceber essa morte prematura como uma bênção para a minha lembrança, diria eu, macia e suave. Minha filha, que já conta trinta e um anos e ainda tem minha mãe viva analisa-a e a seus atos.
Nunca tive um irmão ou irmã com quem pudesse contar como amigo. Pelos caprichos da vida, fui a primeira filha mulher tendo um irmão mais velho que, agora julgo eu, talvez tenha se sentido enciumado pela minha presença de menina cheia dos vestidos rendados e bordados. Ah, se ele pudesse imaginar como estas vestimentas me apertavam, arranhavam e incomodavam! Quatro anos e meio depois, nasce outro homenzinho. Só depois dos meus oito anos é que veio outra menina, depois outra e depois um menino.
Nada sei dos meus irmãos. Não conheço seus pensamentos. Não me lembro de ter um momento tranqüilo do tipo “jogar conversa fora” com nenhum deles. Fiquei isolada deles, como num limbo.
Na adolescência, fui tornando-me retraída, ensimesmada, trancada. Esse comportamento complicou minha situação e fui novamente taxada de esquisita, nervosa, estranha, de espírito difícil. As pessoas falam. Essa fama correu a família inteira, chegando até aos tios, primos, sobrinhos, cunhadas e outros agregados. Talvez eu seja mesmo uma mulher alterada, a ovelha negra da família.
Quando eu contava dezoito anos perco meu irmão caçula num acidente de carro. Não tendo passado no vestibular e ficando sem o tempo do colégio, comecei a trabalhar muito cedo e encontrei o homem que seria meu marido e pai dos meus filhos vida afora.
Aí, já é outra estória. Mas a relação com minha família de berço e infância já estava estragada. Jamais consegui resgatá-la porque meus pais e irmãos não gostam de ler e eu sempre consegui me expressar melhor por meio da palavra escrita e não da falada.
Por isso tornei-me budista, tomei refúgio no Buda, no Dharma e na Sangha, as Três Jóias e leio os livros dos lamas e monges cujas palavras me acalmam a mente.
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terça-feira, 28 de abril de 2009
O Buda e o budismo.

Buda é uma palavra que significa “o supremamente iluminado”ou aquele que tem uma mente ou espírito completamente desperto“. Sidarta Gautama conquistou este título durante o século VI aC após uma profunda jornada espiritual. Ele expôs vários princípios ou verdades e estes ensinamentos se tornaram a espinha dorsal fundamental da doutrina budista. Estes ensinamentos foram interpretados um tanto diferentemente em lugares onde o budismo se espalhou (tais como o Japão, por exemplo), mas os princípios do budismo continuam os mesmos em todos os lugares: o budismo é uma busca pela redução do sofrimento e da dor através da meditação e uma busca por uma vida simples, livre de anseios.
O Buda não é considerado um deus e os budistas não rezam para ele ou para sua imagem em troca de favores. Pelo contrário, eles meditam sobre como podem alcançar paz, amor, compaixão dentro de si mesmos. O budismo tem cinco grandes preceitos e os budistas se esforçam para seguir estes preceitos
Eles são:
1. Não matar nenhum ser.
2. Não roubar ou tomar para si qualquer coisa que não lhe foi dado.
3. Abster-se de conduta sexual errônea e excesso de satisfação sensual.
4. Não mentir.
5. Abster-se do uso de álcool e drogas que nublam a mente e prejudicam o pensamento.
Seguindo estes preceitos e libertando-se dos desejos ansiosos, os budistas sentem que podem atingir o nirvana, uma paz espiritual. Uma vez que tenham atingido o nirvana e vêem que a vida não é feita de desejos, coisas materiais ou luxúria, os budistas se tornam capazes de usar seu tempo para melhorar o mundo. O ídolo mais comumente associado ao budismo é a estátua do Buda com seus braços dobrados sobre o colo e um sorriso de felicidade no rosto. Diz-se que a estátua serve par representar a compaixão e a tranqüilidade espiritual do Buda e, quando os budistas não podem rezar para o Buda, eles abaixam a cabeça para a estátua para reconhecer e agradecer o Buda pelos seus ensinamentos. Como cada vez mais e mais pessoas descobrem o budismo, a estátua do Buda pode ser encontrada em muitos lares através do mundo.
sábado, 14 de março de 2009
A Essência do Ensinamento do Buda - Thich Nhat Hahn

terça-feira, 10 de março de 2009
Tchenrezig ou Chenrazi
A meditação de Tchenrezi (...) permite desenvolver o conjuntos de qualidades necessárias sobre o caminho, as seis paramitas:
1. motivação para realizar o bem dos seres - generosidade.
2. visualização e recitação do mantra e banadono das atividades ordinárias do corpo, fala e mente: ética
3. desconforto do corpo e da mente durante a meditação: paciência.
4. despende-se um certo esforço, sujeita-se à perseverança: diligência.
5. o corpo da divindade, o campo puro, os ornamentos, as sílabas do mantra são a claridade e a manifestação da mente em si mesma: conhecimento transcendente.
6. eliminação de pensamentos ilusórios, acumulação de mérito, compaixão, devoção, pacificação mental: visão superior.
Compilado do livro "Tchenrezi, o Senhor da Grande Compaixão" de Bokar Rinpoche - Editora Shisil (Shi: acalmar, pacificar - sil: refrescar, suavizar - estado da mente que proporcioa uma calma suave, refrescante, pacificação, refrigério, uma mente em paz.)