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quinta-feira, 6 de agosto de 2009

A bronca do Dalai Lama!


Sobre os ensinamentos do Dalai Lama às Sanghas e organizadores.
Este é o resumo das notas de tradução tomadas durante um encontro de Sua Santidade o Dalai Lama com as sanghas budistas e os membros da organização de sua visita ao Brasil, em maio de 2006, após encerradas suas atividades públicas no país. Como notas tomadas rapidamente, têm várias imprecisões e não é um relato completo de sua fala.
Os representantes das sanghas de São Paulo e de outras cidades do Brasil se reúnem no segundo andar do centro de convenções de um grande hotel na cidade. Há um largo corredor, bem comprido, e os presentes — talvez umas cento e oitenta pessoas ou mais — se reúnem em grupos de 30, para que seja possível fazer caber cada grupo em uma foto com o Dalai Lama. É quase hora de sua chegada, marcada para as 17:45, e várias sanghas cantam a oração de longa vida por Sua Santidade.
Ele surge pontualmente, com seus seguranças, que o acompanham por todos os países que visita, e também aqueles enviados pela polícia federal e militar. São vários, mais de dez, caminhando em torno dele, que se dirige mais ou menos para o meio do corredor e parai para perto de uma mesa de bufê, ao meu lado direito. Vou traduzi-lo do inglês, e ocasionalmente ele falará em tibetano. Para esse caso, à minha esquerda há outro tradutor, tibetano-inglês, que falará baixinho, em meu ouvido, o significado a ser traduzido para o português.
A aclamação é geral. Totalmente à vontade, o Dalai Lama apóia-se na mesa, sem se sentar na cadeira reservada a ele, e começa, de pé, a falar para os budistas e não-budistas que trabalharam na organização da sua visita ao país, essas pessoas todas, pertencentes a diversos centros budistas, centros filosóficos, equipes de filmagem, produção e divulgação, assessores de imprensa, etc. Mas a mensagem será mesmo dirigida principalmente aos budistas— vários deles já ordenados monges, ou sagrados lamas ou mestres... estou ao seu lado e cabe-me traduzir o que ele dirá. Terei que falar bem alto, para que todos possam me ouvir, até o final do corredor numa e outra direção. Sinto uma energia enorme, e apesar do momento exigir atenção e concentração, estou completamente tranqüilo, como sempre me sinto quando estou em sua presença. Demora um pouco até que cessem as palmas e mantras com que as pessoas o recebem... Ele pede então aos seguranças que se afastem, abrindo o caminho para que todos possam vê-lo, mesmo os que estão mais longe, e os homens de terno escuro diluem-se entre os presentes.
O Dalai Lama começa agradecendo a todos pelos esforços realizados para que ele esteja ali, conosco. Diz que vários já devem ter alguma familiaridade com o budismo, por estarem fazendo a prece pela sua longa vida. Está com a expressão tranqüila, mais para serena do que para sorridente. Está cansado, provavelmente, após um dia em que mal teve tempo de almoçar devido à quantidade de compromissos, entrevistas e palestras agendados para ele.
Entra então rapidamente no primeiro tema de sua fala: “outro dia, em nosso encontro no templo chinês [uma sessão de ensinamentos para o público budista realizada dois dias antes no Templo Zulai, em Cotia], em nossa sessão sobre o budismo, vi, naquele dia tão bonito, muitas pessoas com uma variedade enorme de roupas. Havia roupas do budismo zen japonês, roupas do budismo tibetano, roupas de monges tibetanos, roupas de monges de outras nacionalidades, roupas que eu nem sei quais eram... talvez roupas de outro planeta!” (risos gerais).
Sua expressão se altera um pouco. Sério, olha para baixo, como se estivesse procurando as palavras certas... os outros presentes estão absolutamente encantados com ele, inclusive os seguranças.
“Sou um pouco crítico quanto aos ocidentais que entram em contato com as tradições orientais, como por exemplo a budista, e começam a mudar seus hábitos exteriores. Primeiro, abandonam suas tradições de origem. Depois, mudam suas roupas, vestindo-se como os orientais se vestem. Em seguida, mudam os móveis de sua casa. Mudam seu comportamento, mudam seus gestos...
Vemos ocidentais que abraçam por exemplo o sikkismo, ou tornam-se hare krishnas, e de repente saem as ruas com o cabelo raspado, as vestes laranja no estilo oriental... acho que isso não é bom.”
O Dalai Lama diz que o Dharma não está nas roupas, não está no comportamento exterior, nos móveis... “prefiro pessoas que conservem suas tradições de origem e aprendam o que podem aprender com o budismo, aplicando suas novas descobertas dentro de sua maneira cultural própria. O budismo não está nas regras monásticas nem na aparência. Olhem para o nosso mestre, Buda Shakyamuni. Ele criou um conjunto de regras a serem seguidas, mas seu grande ensinamento está em conhecermos a nossa própria mente!
Talvez o que faz do budismo um caso quase único é que ele procura usar ao máximo a inteligência humana para transformar as emoções. E essa transformação não acontece através de preces, através de uma meditação unidirecionada. Não adianta fazer preces para os budas (o Dalai Lama faz um gesto unindo suas mãos e olhando para o alto) e ficar esperando que ocorra uma transformação mágica em suas emoções. Você pode fazer cem mil mantras om mani peme hum, fazer todo esse esforço, e achar que com isso já deve estar transformado, mas a mudança nesse caso só vai ocorrer se por acaso acontecer um milagre...”
A voz do Dalai Lama é cada vez mais forte, e seus gestos começam a adquirir expressividade. Se antes ele estava cansado, começo agora a sentir nele um vigor e energia extraordinários. Ele parece ter achado algo muito importante a dizer para os seguidores do budismo, e vai dizê-lo sem perder uma palavra sequer. O envolvimento é entre os presentes é ainda maior, e o silêncio é absoluto.
“A transformação demora para acontecer. Demanda muito esforço. O próprio Buda Shakyamuni demorou três eras inteiras para transformar suas emoções. Não vai ser fazendo alguns mantras que você acha que sua vida vai mudar totalmente! Eu tenho mais de setenta anos, quase setenta e um. Comecei a interessar-me realmente pelo BuddhaDharma quando tinha dezesseis anos, e só agora, talvez, minha mente esteja se tornando um pouco mais estável...
De nada adianta você fazer um retiro tradicional de três anos, três meses e três dias. Pode ser até que a sua mente, ao longo desse tempo, em vez de melhorar, piore... a única coisa certa que se pode dizer é que, depois desse tempo todo, seu cabelo vai crescer!” (risos gerais, mas um pouco contidos, porque a audiência percebe que o assunto é sério, e o puxão de orelha só começou...).
“O desenvolvimento e a transformação da mente requer muito esforço. Mas perceba aqui também que o esforço cego de nada adianta: ele tem que ser acompanhado pela sabedoria. Novamente, podemos orar para Buda, para Tara, Avalokiteshvara, fazer uma sadana... mas só há uma chance em um milhão de que isso baste para a sua transformação: se ocorrer um milagre. De outra forma, será realmente difícil atingir a mudança desejada.
Uma vez um aluno perguntou a um grande mestre tibetano do início do século vinte se deveria fazer um retiro de Manjushri de um mês, para melhorar a acuidade de suas percepções mentais. Esse mestre respondeu ao aluno que se ele fizesse o retiro, talvez houvesse alguma mudança; mas que se ele ocupasse esse mês estudando seriamente, era certo que sua mente iria mudar. Isto é MUITO importante.
Estudar é crucial. Já estamos trabalhando para que mais livros sobre o budismo tibetano sejam publicados na língua de vocês. Minha recomendação é: ESTUDEM! Estudem muito. Estudem e produzam textos, pequenos panfletos; não para venda, não para comércio, mas para fazer circular entre vocês. Leiam, discutam em pequenos grupos, escrevam e façam suas idéias circular entre todos do grupo maior. Estudar e discutir é essencial. É irreal ficar esperando que venha um lama, uma vez por ano, fazer um workshop com ele e um monte de iniciações, e depois nada mais, e esperar alguma transformação em sua mente. Isso não é suficiente. É necessário estudar regularmente. Ocasionalmente, se você se encontra com algum bom professor, e passa com ele uma ou duas semanas fazendo workshops, é ótimo, mas depois volte ao seu estudo regular e sistemático.”
Os presentes estão completamente atentos. O Dalai Lama chama a atenção de seus irmãos budistas: menos automatismo, mais reflexão, mais consciência! É um momento grave, e a mensagem é passada de maneira clara e inequívoca. Não há como fugir.
“Mas há um pequeno problema. No mundo de hoje, há vários “businessmen” que, visando obter dinheiro, dão ensinamentos religiosos. Isso acontece cada vez mais freqüentemente; ocorre muito na China, que importa “mestres” tibetanos, mas também no resto do mundo. Esses não são mestres genuínos. Apresentam-se como grandes mestres, mas não são. Seu propósito é unicamente o de obter dinheiro.
Uma vez, um senhor chinês se aproximou de mim e colocou-me esse problema. “Dalai Lama, faça algo por favor para conter esse fenômeno, esses falsos mestres”. Eu lhe disse que não há nada que eu possa fazer! A única coisa que pode funcionar é que, do lado do aluno, haja consciência de quais são as qualificações de um mestre verdadeiro, de um professor autêntico, e ele examine se a pessoa em questão as possui ou não possui. Isso é MUITO importante. Eu, por exemplo. Examinem-me, se como professor, eu tenho as qualidades necessárias! Eu também tenho que ser submetido a um exame!”
O Dalai Lama está completamente cheio de energia e vigor em suas palavras. Percebe-se que o assunto é de total importância, e ele realmente quer que todos entendam a importância do estudo e do empenho individual em transformar a mente, não de um modo mecânico, mas através da reflexão consciente.
Antes que eu acabasse de traduzir sua última fala, a mais longa, ele gentilmente me interrompe, mudando o rumo do seu pronunciamento.
“Mais uma coisa. Como eu já disse, meu terceiro compromisso é para com a causa tibetana, a nação tibetana. [O primeiro é com os valores humanos, e o segundo com a harmonia inter-religiosa.] O Tibet tem uma história muito longa, uma herança cultural viva e muito rica, e tem também sua própria escrita. Tudo isso tem mais de mil anos, tempo em que a tradição NALANDA do budismo foi mantida viva, nas regiões geladas das montanhas — como congelada num freezer. As tradições indianas sofreram muitos danos, mas a tibetana foi mantida intacta esse tempo todo. Há achados arqueológicos que atestam quanto tempo tem a cultura tibetana ancestral: mais de trinta mil anos!
Mas este cenário belíssimo, com as montanhas elevadas, traz também o quadro trágico: o de uma nação que está morrendo. Ainda não somos como o povo inca, que morreu totalmente, mas estamos morrendo. Ainda lutamos para sobreviver, mas se a situação presente se mantiver, a cultura tibetana e a nação tibetana perecerão, como aconteceu no caso dos incas. Neste momento, já está claro para todos que a cultura tibetana em sua forma pura já não existe no território tibetano — só existe na Índia, entre as comunidades no exílio.
O Tibet luta pela sua sobrevivência, buscando uma liberdade limitada; não apenas política, mas cultural. Se a luta pelo Tibet fosse unicamente uma questão política, eu, que no fundo sou um monge budista, não a teria abraçado. Se o fiz, é porque envolve a sobrevivência de nossa cultura, de nossa tradição, de nossa língua. Portanto, essa luta pela liberdade limitada, uma luta democrática pela preservação da cultura ancestral tibetana, de sua rica tradição — se ela é assim, considero que minha atuação nesse sentido é parte da minha prática espiritual.
É claro que nossa cultura ancestral, se comparada com o desenvolvimento das culturas contemporâneas, podia ser considerada atrasada em muitos aspectos. Assim, o Tibet pode beneficiar-se de estar sob a China, se houver modernização e progresso material.
A constituição chinesa prevê direitos próprios às diferentes etnias. Mas desde a ocupação, houve apenas um acordo entre o Governo Tibetano e o Governo Central da China envolvendo a preservação desses direitos; era um acordo para a liberação pacífica do Tibet, assinado na década de 50, e que nunca foi cumprido. Ainda nessa década, a própria ONU emitiu várias resoluções em que considerava o Tibet um caso especial; o governo chinês reconheceu esses acordos, na ocasião, mas também nunca os cumpriu. Fui a vários encontros com o “Camarada Mao”, mas isso não deu em nada...”
O Dalai Lama parece encher-se de lembranças, e sorri um pouco.
“Fiz muitos encontros, naquela época... provavelmente, em 1957, muitos de vocês não tinham nem nascido! Você, já era nascido? E você? Pois bem... naquele tempo eu era jovem, e fiquei enormemente atraído pelo “movimento revolucionário”. Acho que eu era, como dizer, um sujeito considerado... como dizer... perigoso: meio marxista, meio budista! [risos gerais]. O que acho do marxismo? acho que ele não é nem bom nem ruim. Minha impressão é de que o marxismo original tinha uma série de pontos muito interessantes, muito bons. Mas depois, quando se tornou apenas parte de um poder político e nacionalista, tudo isso se perdeu. Hoje, para mim, a China não tem mais qualquer conteúdo: não é mais ideológica. É apenas autoritária.
Assim, faço a todos meu pedido: a nação tibetana está morrendo — ajudem-nos, de todas as maneiras que puderem...
Meus amigos, meus irmãos e irmãs: agradeço enormemente seu interesse e seu envolvimento de coração com a cultura tibetana. Muito obrigado a todos!!!
O Dalai Lama, é longamente ovacionado. Enquanto traduzo sua fala final, vai a cada um dos grupos, e senta-se no meio das pessoas enquanto os fotógrafos, vários, procuram registrar o momento. Depois, acenando para todos, caminha até o fim do corredor, desaparecendo em direção aos seus aposentos...
Créditos para Arnaldo Bassoli, membro do Comite Brasileiro de Apoio ao Tibet e do Colegiado Budista Brasileiro, que fez a tradução para o português e redigiu este relato.

quarta-feira, 8 de julho de 2009

Mudanças

Acho que este blog não vai ser o mesmo. Muita coisa está mudando e, consequentemente, mudo também. Aliás, a inconstância é a vida ela própria. Já postei muito ensinamentos que colhi aqui e ali e, o leitor interessado neles, pode voltar nas postagens mais antigas.
Fui deitar-me por volta de uma hora da madrugada, não dormi quase nada e às quatro e cinquenta, desisti. Levantei-me pensando que, se estivesse em retiro estaria extremamente atrasada.
Ontem assisti parte de um vídeo de uma palestra de Sua Santidade. Ele falava inglês, por vezes, tibetano e era traduzido para o francês por Mathieu Ricard, o monge francês. Ele falava de uma viagem que fez de avião, muito longa, praticamente uma noite inteira e, como ele prefere viajar na classe econômica, pode ver muitas situações enriquecedoras que ele gentilmente compartilha com todos.
Disse que pousou os olhos numa família, pai e mãe com dois filhos pequenos. As crianças passaram a noite inteira correndo prá lá e prá cá e os pais tomando conta. A certa altura, ambas começaram a chorar e ficar irritadas. O pai simplesmente dormiu e a mãe cuidou para o bem-estar deles pelo resto da viagem. Quando desceram do avião, Sua Santidade pode perceber que a mãe trazia os olhos vermelhos e cansados.
Pode parcer maluquice, mas as mães fazem isso porque fazem e pronto. Não estão esperando nada em troca. E é isso que ando fazendo. Meus filhos têm, respectivamente, trinta e um, vinte e oito e vinte e seis anos. Nenhum saiu de casa, casou-se ou coisa parecida. As coisas não andam fáceis para se viver sozinho, ter um canto só seu como era há alguns anos atrás. A crise nos pegou a todos.
Então, minha filha, a única e mais velha, tem uma crise nervosa por volta da meia-noite. Muito problema. Chorou, abracei-a, conversamos na surdina até que ela se acalmasse. Parece que está dormindo. Não sei. Mas eu... nem com calmante...

terça-feira, 16 de junho de 2009

Dalai Lama, o Buda pop


“É como um astro do rock.” Essa é a resposta imediata que o Dalai Lama dá ao escritor Victor Chan quando questionado por que algumas pessoas, ao vê-lo, se emocionam ao ponto de chorar. “Quando eles (astros do rock) aparecem, algumas pessoas pulam e choram. Semelhante”, compara o Dalai Lama, agitando os braços como se fosse um tiete. Respostas pop como essa fizeram dele um ídolo acessível para multidões. Como boas letras de música, suas idéias são facilmente compreensíveis para adeptos de qualquer credo ou mesmo de nenhum: “Todos os seres vivos são iguais. Todos querem felicidade e não querem sofrer”. O nome já diz a que veio: Dalai Lama significa “Oceano de sabedoria” - o que é perceptível já em seu semblante, sempre inspirador e risonho. Entre os dias 27 e 29 de abril (de 2007) ele estará em São Paulo para dar ensinamentos budistas, falar sobre saúde individual e social e pregar o diálogo inter-religioso. Será sua terceira vinda ao Brasil, agora com 46 livros publicados em português. Sua missão, a de sempre: mostrar que a felicidade não é impossível.


Um Lama encarnado
Dessa forma, o líder espiritual vem cumprindo sua meta - não a de trazer adeptos ao budismo, mas a de tornar a terra um lugar mais fácil de viver. Rezar, para ele, não basta. O que o 14º Dalai Lama diz é que é preciso engajamento e determinação para qualquer transformação social e espiritual. “Antes de mais nada, temos que aprender como as emoções e comportamentos negativos nos são prejudiciais – para a sociedade e para o futuro também – e como as emoções positivas são benéficas”,diz ele.

Dalai Lama nasceu Lhamo Thondup em 1935 no vilarejo de Takster, próximo a fronteira da China com o Tibete. Seu pai, “um homem cuja extrema bondade convivia com um temperamento irascível”, era um camponês apaixonado por cavalos. Durante os meses de sua gestação, ele permaneceu gravemente enfermo até a manhã em que seu filho nasceu quando acordou sentindo perfeitamente curado. Foi também a partir desse nascimento auspicioso que um período de quatro anos de colheitas desastrosas em Takster chegou ao fim. Esses dois fatos são considerados sinais, segundo superstições tibetanas, de que haveria o renascimento de um graduado lama (um sacerdote budista) encarnado.

Sua descoberta não se deu por acaso. Depois da morte do13º Dalai Lama, em 1933, iniciaram-se as buscas pela sua reencarnação, algo comum na tradição budista. Em um lago sagrado próximo a Lhasa, um regente, indicado pela Assembléia Nacional para governar o Tibete até que a reencarnação atingisse a maturidade, teve visões que apontavam Takster. Uma missão foi enviada para o vilarejo, entre eles o Lama Kewtsang Rinpoche, do mosteiro de Sera, que chegou a casa de Lhamo Thondup disfarçado de criado. Ele foi prontamente reconhecido por Lhamo Thondup, então uma criança de 2 anos . “Sera – aga”,disse ele para o criado: “Você é um lama de Sera”. Lhamo também reconheceu o mala (rosário tibetano) que o criado disfarçado trazia no pescoço: “É meu”, disse, apontando para o mala que havia pertencido ao 13º Dalai Lama. É comum, segundo o budismo, crianças reencarnadas lembrarem de seus objetos e pessoas de suas vidas passadas, e esses foram só alguns dos sinais que fizeram Lhamo Thondup ser reconhecido como o 14º Dalai Lama. Aos 4 anos, foi transferido com a família para Lhasa. No palácio de Potala foi iniciado monge e assumiu o extenso nome de Jamphei Ngawang Lobsang Yeshe Tenzin Gyatso.

Segundo o budismo, o primeiro Dalai Lama nascido no ano 1391 da era cristã, era uma encarnação de Chenresi, o Buda da Compaixão. Cada Dalai Lama é uma reencarnação de seu antecessor e a ele cabe o governo espiritual e temporal do Tibete. Na forma atual de governo, chamada Gaden-Phodrang, Dalai Lamas se sucedem na liderança e, durante sua ausência ou menoridade, o Tibete é conduzido por regentes monges e leigos.

A partir daí, Tenzin Gyatso usaria roupas de monge, cabelo raspado, se comprometeria ao celibato e estaria proibido de comer a noite, entre outras restrições comuns a todos os monges – apesar de confessar que se dá o direito a alguns biscoitos depois do pôr-do-sol, quando a fome é grande. Sua educação incluiu lógica, arte e cultura tibetana, sânscrito, medicina e filosofia budista. Além das disciplinas curriculares, procurava conhecer mais sobre o mundo e foi daquelas crianças que adoram desmontar brinquedos, sempre um fascinado por objetos mecânicos. Ganhou um projetor de cinema a manivela e ao demonstrá-lo descobriu as baterias que alimentavam sua luz elétrica: “Foi meu primeiro contato com a eletricidade e sozinho descobri como fazê-lo funcionar novamente”.

Luta pela paz
Em 1950, a China comunista decidiu tomar do Tibete a independência obtida em 1912 para fazê-lo retornar aos domínios da República Popular da China. Tal fato fez com que fosse empossado Dalai Lama antes de sua maioridade, aos 16 anos. Seu primeiro ato foi declarar anistia a todos os presos. “Ser Dalai Lama é um cargo instituído pelos homens. Eu me considero apenas um simples monge.” Aos 24 anos, prestou com louvor os exames conclusivos de sua educação monástica – pouco antes de ser obrigado a se disfarçar de soldado chinês para fugir com duas mudas de roupas de monge na bagagem para a Índia, em 1959. Desde então, há 46 anos, o simples monge líder do povo tibetano vive exilado em Dharamsala, cidade ao norte da Índia.
“Cresci conhecendo muito pouco o que se passava no mundo, e foi nessas condições que, aos 16 aos, tive que liderar meu país contra a invasão da China comunista.” Educado sob disciplina rigorosa, Tenzi Gyatso afirma que “não foi uma infância infeliz”, e é grato à benevolência de seus professores, que lhe proporcionaram todo o conhecimento religioso e “fizeram o possível para satisfazer sua curiosidade saudável por outros assuntos”. Frente à China comunista, Dalai Lama optou pela não-violência e a propaga até hoje. “Os princípios de compaixão e não-violência do Dalai Lama dão forma à sua visão global”, explica o professor Victor Chan, que conviveu com Sua Santidade para escrever o livro A Sabedoria do Perdão.

Em decorrência de a China ter invadido o Tibete com 80 mil homens – contra os 8500 do exército local -, aproximadamente 1,2 milhão de tibetanos (de uma população de 6 milhões) morreram e 6400 mosteiros (99,9% do total) foram destruídos. Mesmo assim, o Dalai Lama não gosta de propagar a violência infligida pelos chineses. Considera os inimigos professores valiosos que podem provocar o desafio necessário para cultivar qualidades como compaixão e perdão. “Sou otimista. A China está mudando. E o que eu peço não é a separação da China, mas uma aproximação pelo caminho do meio: manter o vínculo econômico com a República Popular da China, ao mesmo tempo em que o Tibete possua autonomia completa e governo próprio.”
Seu reconhecimento veio com o Prêmio Nobel da Paz, em 1989, promovendo uma tomada de conhecimento mundial para a causa do Tibete. O comitê justificou o prêmio citando sua defesa de “situações pacíficas baseadas na tolerância e respeito mútuo a fim de preservar a herança histórica e cultural de seu povo”.

A serviço da compaixão
Uma gargalhada gostosa é sua marca registrada. E o espírito brincalhão é uma característica que o Dalai Lama justifica ser proveniente do jeito de ser do povo tibetano. Ao longo do último meio século, não há um dia sequer em que ele deixe de meditar sobre a compaixão. “Descobri que o mais alto grau de paz interior decorre da prática do amor e da compaixão. Quanto mais nos importamos com a felicidade de nossos semelhantes, maior o nosso próprio bem-estar. Essa é a principal fonte da felicidade”. Ele acredita ser o primeiro beneficiado ao lutar pela felicidade dos outros.

Quando não está viajando, seu dia começa às 3h30. Meditações e preces são feitas até o horário do almoço. A cozinha em Dharamsala é vegetariana, mas o Dalai Lama nem sempre segue a dieta. A parte da tarde é reservada para audiências e entrevistas. Um chá é servido às 18h, com direito a alguns biscoitos. Até as 20h30, quando se recolhe para dormir, faz suas orações da noite. Essa é a rotina que fornece a base para seus três compromissos em vida.
Primeiro, ele se dedica a promover valores como compaixão, perdão, tolerância, contentamento e auto-disciplina para todos os seres. Para ele, esses são os valores de uma ética para o novo milênio. Depois, sua preocupação é com a integridade de todas as maiores tradições religiosas, acreditando que, apesar das diferenças, todas elas tem potencial para promover o bem-estar dos seres humanos. Esse, aliás, é um dos temas de sua visita ao Brasil, em palestra gratuita a se realizar na Catedral da Sé. Por fim, seu terceiro compromisso, com o povo tibetano, é o único que poderá acabar, caso uma solução mutuamente boa para o Tibete e a China seja alcançada. E tudo isso sempre com seu indefectível sorriso estampado no rosto.


(Por Francesca Sperb, publicado na revista Vida Simples - ilustração de Artur Lopes)

quinta-feira, 11 de junho de 2009

His Holiness Speech during Kalachakra Amravati

Animal skins

His Holiness Speech during Kalachakra Amravati
Translation by Monlam Lobsang

Since the real source of unpleasant feelings is our mind and its attitude so it is very important to change the way we look at things and this is what Dharma does.
Whether we believe in rebirth or not, one thing is same - we all want happiness and comfort. Within the community if there are principles, decency and honesty, this will obviously benefit the community. Likewise, if the human community is based on principles of peace, it will lessen the sufferings caused to Millions and Billions of animals. Otherwise, out of human’s limitless and unjustified greed and desires, they build Beef Farms, Pig Farms, and Fish Farms which never existed before and are not needed. And now, when the animals bring diseases they are killed in large numbers. So many fishes are killed and they suffer so much. For example, in Tibet the populations of wild animals like KYANG (Tibetan Wild Ass), TSOE (Tibetan antelope), NNAYA (Wild Sheep), GGO (Gazelle) and DRONG (Wild Yak) used to be huge but in recent times, due to intense hunting the population of these animals have shrunk and some even faces the danger of extinction.People have started realizing and caring about these issues now, including the Chinese government which is really good.These days in Tibet it seems the number of people involved in the Meat business is increasing which is a very pitiful condition. This shows how human greed leads to the suffering of animals. These days a lot of people are working for the protection of our environment which is great. But environment alone isn't enough, it's also very important to protect the animals and birds living in it because that is what surrounds us and that is what we are a part of. These creatures are a thing of joy and beauty.If we keep torturing these animals for our own benefits then it’s a very pitiful condition. The fashion of wearing animal skin is a matter of shame.Until recently, Tibetans living in India didn't have any bad reputation but recently, there were cases where Tibetans were involved in wildlife trade, smuggling and other such things. It's a matter of shame. Although I am just one ordinary single individual yet I have a social responsibility. So, when I keep hearing such sad and shameful stories at this age, sometimes I feel there is no use living in this world.These days there are many Tibetan groups in India working for Vegetarianism and spreading compassion for animals, such acts are extremely good and something to rejoice. Most of the monasteries have also turned their kitchen into vegetarian which is really good.Strong attachment towards the fashion of costly jewelries and wearing animal skins is an act of stupidity, a stigma on Tibetans and a matter of shame. Beauty should be skin deep. If you have spiritual knowledge, that's the best jewelry you can wear. I would like the Tibetans who have come from Tibet, to pass these messages to their brothers and sisters in Tibet. Tell them that I'm ashamed of their act - the use of animal skins and furs.So, if we can transform our mind based on the principles of peace, it will benefit so many animals and not only animals but also our environment. Transformation of mind is something which is very important and is something that can only be done from within.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

His Holiness The Dalai Lama - Sua Santidade o Dalai Lama

Dalai Lama - Paris - August 2008

I believe that to meet the challenges of our times, human beings will have to develop a greater sense of universal responsibility. Each of us must learn to work not just for oneself, one's own family or nation, but for the benefit of all humankind. Universal responsibility is the key to human survival. It is the best foundation for world peace.

Creio que conhecer os desafios de nossa era, os seres humanos terão que desenvolver um sentido maior de responsabilidade universal. Cada um de nós deve aprender a trabalhar não só para si, para sua família ou país, mas para o benefício de toda a humanidade. Reponsabilidade universal é a chave para a sobrevivência humana. É a melhor fundação para a paz mundial.

sábado, 16 de maio de 2009

Diz Sua Santidade, o XIVº Dalai Lama, Tensyn Gyatso


"Um meditante que fica tempos infindos a praticar mas que não se sente interessado pelos outros e que não se mostra nem generoso nem altruísta, pratica de uma maneira ineficaz."

"Utilizar passagens dos ensinamentos sem descernimento a fim de formular juízos sobre os outros ou sobre uma situação não é positivo. Este processo testemunha um aprisionamento e uma separação do espírito e do coração. Uma técnica especial não é adaptada a todas as circunstâncias. O ensinamento não deve servir para se justificar quando é evidente que está errado."

"O espírito que medita não deve ficar no indefinido, neutro e ausente da realidade. O nada não é um dado do budismo. A vacuidade preconiza a não existência intrínseca dos fenómenos mas não a inexistência dos fenómenos. Compreender que nada tem existência em si não leva ao niilismo."

"A primeira etapa da prática consiste em tentar não produzir acções, palavras e pensamentos negativos."

"O esforço consiste em alegrar-se por ser livre de agir de uma maneira positiva e construtora."

"É possível mudar em qualquer momento. Basta querermos e agir em consequência. somos todos capazes disso."

"São as provações que revelam se um discípulo é um verdadeiro praticante. A natureza real dos seres exteriora-se nesses momentos especiais."

"Qualquer transformação interior faz-se a longo prazo. A paciência permite aceitar a lentidão desse processo."

"Fazer, todas as noites, o balanço dos nossos dias ajuda-nos a tomar consciência dos pensamentos e das acções que constribuíram para nos construir no decorrer dos diferentes momentos que acabámos de viver. Se aquilo que fizermos corresponde aos nossos compromissos, podemos alegrar-nos; caso contrário, o remorso permite evitar reproduzir actos que estão em desacordo com a nossa prática."

"As prosternações diante de Buda ou diante de um mestre não são uma homenagem feita a um deus ou a um ser de natureza divina. Estas prosternações testemunham que reconhecemos a nossa natureza fundamental que é conhecimento puro, total, absoluto e luminoso da realidade libertada da ignorância."

"Os Budas fizeram o voto de libertar os seres deste ciclo ilusório, reino de sofrimento. Manifestam as suas ações através dos mestres. Os mestres dão o seu suporte, o seu canal. Abrem para nós a porta que dá acesso às diferentes actividades dos Budas. É por isso que devemos considerar simbolicamente o mestre como um Buda autêntico a fim de que estes últimos possam agir através deles."

"As iniciações estão na moda. Mas se não praticar, não receberá a quintessência destas iniciações. Passará sem dúvida um momento agradável, mas não terá incidência sobre a sua evolução."

"O essencial para sermos felizes é sentirmo-nos satisfeitos com o que somos e com o que possuímos no momento presente. Este contentamento interior mudará o olhar que pousamos sobre as coisas e o nosso espírito sentir-se-á em paz."

"Quando uma pessoa nos ofende, não hesitemos em lhe perdoar. Na verdade, se reflectirmos sobre o que motivou o seu acto, compreenderemos que foi o sofrimento que carrega e não a vontade deliberada de nos magoar ou prejudicar. Perdoar é um gesto activo baseado na reflexão e não no esquecimento. Perdoar é um acto responsável que se apoia no conhecimento e na aceitação da realidade das circunstâncias enfrentadas."

"A raiva, o ódio, a aversão necessitam de um objecto para se manifestarem, como o lume precisa de lenha para arder. Quando enfrentamos condições adversas, seres que nos provocam ou nos tentam prejudicar, utilizemos a força da paciência para não sermos arrastados por emoções "negativas". A paciência é uma força que resulta da nossa capacidade de nos mantermos firmes e inabaláveis, sejam quais forem as circunstâncias. Se recorrermos à paciência, nada nem ninguém poderá perturbar a paz do nosso espírito."

"Não percamos tempo em invejas ou em querelas diversas. Meditemos sobre a impermanência a fim de estimar o valor da vida. Alcançar a paz do espírito e do coração exige uma mudança de hábitos mentais. Sob pena de enlouquecermos quando abandonamos este mundo, aprendamos a não nos prendermos às coisas como se pudéssemos levá-las no momento da morte."

"Criamos constantemente a nossa própria infelicidade derivado à nossa ignorância e falta de discernimento. O nosso espírito oscila entre o que apreciamos e o que rejeitamos. Agimos como se pudéssemos repelir as circunstâmcias que se nos apresentam. Esquecemo-nos de que nada dura nem tem existência em si. Esquecemo-nos de que podemos morrer a qualquer instante."

"Os actos que realizamos são um reflexo dos nossos pensamentos e dos nossos sentimentos. Não são em si mesmos positivos nem negativos, antes dependem da intenção subjacente. É esta intenção que determina o nosso karma, a lei de causa e efeito que faz a vida parecer-nos feliz ou infeliz."

"Aprender a dar começa pela renúncia a ofender os outros. Deste modo, renunciamos igualmente a prejudicarmo-nos, pois magoar os outros é em primeiro lugar ferir-nos a nós próprios."
"Cultivar a paciência ensina a desenvolver a compaixão em relação aos que nos ofendem sem no entanto aceitarmos que nos destruam. A compaixão é a melhor terapia para o espírito. Liberta-o de todas as amarras e do domínio das emoções conflituais."
"Esforcemo-nos por contribuir, em cada momento da nossa existência, para a libertação dos seres do sofrimento e das suas causas e ajudemo-los a encontrar a felicidade e as suas causas. Lembremo-nos de que sentir compaixão pelos seres começa por sentirmos compaixão por nós próprios, o que não tem nada de egoísta, pois estamos incluídos em todos os outros seres."
"Tudo é impermanente, é por isso que temos a possibilidade de transformar o nosso espírito e as emoções perturbadoras que o animam. O ódio ou a raiva, por exemplo, surgem em função das circunstâncias. Não são, portanto, reais em si mesmas, não existem de forma permanente no espírito e é por isso que se torna possível domá-las, transformá-las e eliminá-las. Para isso, importa restituí-las ao seu contexto, analisar as circunstâncias que as levaram a manifestar-se, compreender o seu sentido. Construir um estado de felicidade duradouro exige que purifiquemos o espírito de todas as emoções negativas."
"O princípio dito da interdependência dos seres e dos fenómenos ensina-nos que estamos sempre ligados uns aos outros, à natureza e ao cosmos. Somos interdependentes, o que explica que sejamos responsáveis pelo que pensamos, vivemos, pelo mais insignificante dos nossos actos, pois eles influenciam o resto do universo. Além disso, devido a esta interacção constante entre tudo o que existe, temos o dever de ajudar todos os seres sensíveis a libertarem-se do sofrimento e a encontrar as causas da felicidade. Ajudar todos os seres significa que também devemos agir sobre as causas dos sofrimentos que nos atingem directamente. É a interdependência bem entendida."
"Compete a cada um de nós, com ou sem ajuda de um mestre, determinar a forma de prática mais conveniente, a mais adaptada às nossas necessidades específicas. Este critério é essencial para conseguirmos a transformação interior, a paz do espírito e o desenvolvimento das qualidades positivas que farão de nós bons seres humanos. Por conseguinte, é capital que os mestres religiosos ensinem de acordo com a inclinação espiritual e a disposição mental de cada um, como fez Buda Sakyamuni no seu tempo. Assim como não consumimos os mesmos alimentos que o nosso vizinho - cada um come em função da sua constituição física -, também não necessitamos dos mesmos alimentos espirituais."

terça-feira, 5 de maio de 2009

Are Tibetans the new Jews?

A serious Dalai Lama - March 2008


Jerusalem Post [Wednesday, March 26, 2008 19:34] - Ira Rifkin

In 1990, the Dalai Lama hosted a delegation of American Jews in Dharamsala, his home in exile in the hill country of northern India. His agenda was clear. Tibetans had lost sovereignty over their homeland and were scattering around the globe. How, he asked, had Jews preserved their cultural and religious identities during their own 2,000-year exile, and what might Tibetans do to preserve theirs?

Some 18 years later, the parallel between Tibet's unfolding and increasingly bleak prospects and the Jewish historical experience seems all the more relevant. Just as after the failed first century Jewish uprising against Rome, Tibetans are becoming a minority in their homeland thanks to Beijing's strategy of drastically and irreversibly altering Tibet's population by flooding the territory with Han Chinese, China's dominant ethnic group. Already, two out of every three residents of Lhasa, Tibet's capital, is Han Chinese.

In 2006, Beijing hastened the process considerably by opening a high-speed rail link between Lhasa and Beijing. Saffron-robe clad Tibetan Buddhist monks have been replaced by Chinese-run brothels, karaoke bars and a sprawling amusement park that now surround the Potala Palace, the Dalai Lama's former residence and Tibet's equivalent of Jerusalem's ancient Temple.

IT'S EASY to imagine that the only reason China has not razed the Potala Palace as Rome razed the Second Temple is the horrific press response that action would unleash in today's global media environment, a nuisance Rome did not have to contend with. How much easier for Beijing to leave the palace intact, if only for its tourism value, particularly this year when large numbers of foreign visitors are expected to visit China's far-flung provinces as part of their Beijing Olympics experience. But saving the palace does absolutely nothing to offset the greatest threats to Tibet's future as a political entity run by and for Tibetans: the passing of time and humanity's cruelly short memory.

It took Jews almost two millennia to re-establish an independent state in their homeland. During that time, later-arriving Arabs settled in the land and claimed it as their own. Despite Judaism's numerous ritual reminders of Zion's centrality, Jewish historical ties to the land were conveniently forgotten by most of the world, which came to view modern Jews as having no connection to the ancient Israelites who once populated the same land. As a result, returning Jews were regarded as colonialist interlopers and Arabs were seen as indigenous innocents suffering at the hands of Jewish pretenders.

Tibetans now face a similar inversion of history. How long will it be before Tibetans are viewed as a relic, and perhaps bothersome, minority in their homeland similar to the condition of Native Americans in the United States, Formosans in Taiwan, or Serbs in Kosovo? How long must Beijing hold on to Tibet before the world comes to think of Tibet as Chinese territory and favors the claims of the descendants of Chinese settlers over Tibetans seeking to reestablish their historical national rights? Another 30 years? A century or two? Two thousand years?

I FIRST met the Dalai Lama in 1979 in Los Angeles during his initial visit to the United States. Like so many others, I was immediately charmed. Tibetans revered him as the fourteenth in a line of individuals said to be the reincarnation of the Bodhisattva of Compassion, a being who it is said willingly delays completion of his own spiritual enlightenment by repeatedly reincarnating for the purpose of helping others first attain theirs.

Yet despite his otherworldly aura, he was entirely approachable, a seemingly "simple monk" - as he often describes himself - in possession of a keen and self-mocking sense of humor. Speaking on interfaith relations at a Los Angeles World Affairs Council luncheon during that visit, he displayed an infectious giggle over his poor command of English when his interpreter informed him that a Jewish religious leader was called a rabbi, not a "rabie" as he had mispronounced it. I've since been in his presence as a journalist or spiritual explorer numerous times - at day-long Tibetan religious ceremonies, at meetings with Western scientists during which he spoke about the brain- and personality-altering power of meditation, and at meetings with Washington politicians at which he pushed the Tibetan cause. Perhaps the most unforgettable encounter was a 1997 Pessah Seder staged in his honor by the Reform movement - at which he decided that gefilte fish wasn't to his liking.

The Dalai Lama still retains his trademark demeanor even as his public pronouncements on the future of Tibet have become increasingly dark. He has said he is likely to be the last Dalai Lama (Dalai Lama is a title; the current office holder's actual name is Tenzin Gyatso), which would mean the end of a Tibetan Buddhist tradition stretching back more than 500 years.

Rather than lobbying for genuine Tibetan independence, he now restricts himself to calling for Tibetan cultural self-determination. Politically, the Dalai Lama argues correctly that Tibetans are powerless in the face of brutal Chinese repression and that, for all his pop culture stardom, no nation - not the United States and certainly not little Israel - is willing to antagonize the Chinese behemoth for the sake of strategically meaningless Tibet.

Religiously - and he is a religious leader more than he is a political figure - he notes that Buddhism's central beliefs in the impermanence and interdependence of all worldly phenomenon dictate that Tibet's ongoing existence as a separate state is hardly assured or even necessary.

Jewish cultural identity survived the destruction of the Second Temple by shifting from a temple-based religion to its rabbinic form. Moreover, it took Jewish secularists willing to take up the gun for Zionism to gain a state in the modern era.

Tibetan religion and culture are in the initial stages of a similarly radical transformation. What shape that will take and whether it will successfully preserve a distinct Tibetan identity is, of course, unanswerable. What is clear is that Jews and Tibetans have more in common than is superficially apparent - as the Dalai Lama recognized back in 1990.

The writer is an author and editor in Annapolis, Maryland, who writes often about Jews and Buddhism.