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sábado, 3 de março de 2012

O Estado de Buda - Dilgo Khyentse Rinpoche


Dilgo Khyentse Rinpoche

Como o samsara se manifesta? O que quer que percebamos ao nosso redor com nossos cinco sentidos, todos os tipos de sentimentos de relação e repulsão, se formam em nossa mente. Não são as percepções em si que nos mantém no ciclo de existências, mas sim o modo pelo qual reagimos a elas e o modo pelo qual as interpretamos. É nisso que o Vajrayana nos dá meios extraordinários para não perpetuar o samsara: ele nos mostra como perceber os fenômenos como sendo a exibição pura da sabedoria.

O ódio ou a raiva que possamos sentir por alguém não são inerentes àquela pessoa. Eles existem apenas em nossa mente. Assim que vemos o nosso inimigo, nossos pensamentos se fixam na memória do mal que ele nos fez, em seus ataques presentes e naqueles que poderá fazer no futuro. Tornamo-nos irritados a ponto de não sermos mais capazes de suportar o som de seu nome. Quanto mais liberdade damos a estes pensamentos, mais a raiva irá nos invadir e, com ela, a vontade irresistível de pegar uma pedra para lhe jogar, ou de um bastão para lhe bater. Deste modo, um simples instante de raiva nos conduz ao paradoxo do ódio.

O ódio parece muito poderoso para vocês, mas de onde ele tira o poder de dominá-los a esse ponto? É uma força externa, com braços e pernas, armas e guerreiros? Ou é uma força interna, que está dentro de vocês? Se esse for o caso, vocês podem identificá-la em seu cérebro, em seu coração, ou em alguma parte de vocês?

Apesar de ser impossível de localizá-lo, o ódio parece ter uma presença muito concreta que tende a amarrar a mente, a solidificá-la, e desse modo desatrelar todo um processo de sofrimento para vocês e para os outros. Assim como as nuvens que, apesar de serem insubstanciais para suportar o menor peso, podem encobrir o céu e o sol, do mesmo modo os pensamentos podem obscurecer o brilho da consciência iluminada. Reconheçam a vacuidade da mente, sua transparência, e ela retornará por si mesma ao seu estado natural de liberdade. Reconheça a vacuidade do ódio e ele perderá seu poder de fazer o mal. Ele se tornará a sabedoria que é como o espelho.

Quando falamos da ignorância, nos referimos ao fato de que não estamos conscientes de nossa natureza de Buddha. Comportamo-nos como um mendigo que possui uma jóia preciosa, mas a joga fora porque não sabe do seu valor. É por causa da ignorância que não acreditamos no karma, nas conseqüências inevitáveis de nossos atos. Congelados pela ignorância, falhamos em reconhecer a vacuidade e persistimos em acreditar na realidade dos fenômenos. Esta crença é a fonte de todas as percepções ilusórias e é a raiz das oitenta e quatro mil emoções negativas.

Porém, ao contrário das trevas de uma caverna subterrânea, escondida da luz solar, a ignorância não é eterna. Como qualquer fenômeno, ela pode emergir apenas da vacuidade e não tem existência independente. Uma vez que vocês tenham reconhecido sua verdadeira natureza, a vacuidade, a ignorância se transforma na sabedoria da dimensão absoluta.

Deixados por si mesmos, os pensamentos criam o ciclo das existências. Na ausência de exame crítico, eles retêm sua realidade aparente, perpetuando o samsara com uma força que aumenta cada vez mais. Porém, nenhum deles, seja bom ou ruim, possui a menor realidade tangível. Todos, sem exceção, são inteiramente vazios, como arco-íris, imateriais e intocáveis. Nada pode alterar a natureza de Buda, mesmo quando os véus superficiais a escondem de nossa visão.

Os pensamentos são o jogo da consciência. Eles surgem nela e se dissolvem nela. Se reconhecermos que esta consciência está na própria origem dos pensamentos, deveremos compreender que os pensamentos nunca começaram, continuaram ou deixaram de existir. Neste ponto, os pensamentos são incapazes de perturbar a mente.

Enquanto corrermos atrás de nossos pensamentos, seremos como o cachorro que corre atrás de uma pedra; não importa quantas pedras joguemos, ele correrá atrás delas a toda hora. Porém, se olharmos para a consciência, que está na origem de todos os pensamentos, cada pensamento surgirá e se dissolverá dentro do espaço dessa consciência, sem gerar outros pensamentos. Deste modo, seremos como um leão, que não corre atrás da pedra, mas sim atrás daquele que a jogou... E só se joga uma pedra em um leão!

Para conquistar a cidadela não-criada da natureza da mente, devemos ir à fonte e reconhecer a origem dos pensamentos. De outro modo, um pensamento dará origem a um segundo, então a um terceiro e assim por diante. Assim, estamos constantemente obcecados pelas memórias do passado, antecipamos o futuro e perdemos a consciência do momento presente.

Vamos preservar o estado da simplicidade. Se experimentarmos felicidade, sucesso, abundância e outras condições favoráveis, devemos considerá-las como sonhos, ilusões, e não nos apegarmos a elas. Se formos golpeados pela doença, calúnia, destituição ou por outras provações físicas ou morais, devemos evitar ficar desencorajados, mas devemos reavivar nossa compaixão e desejar que os sofrimentos de todos os seres esgotem-se pelo nosso sofrimento. Então, em todas as circunstâncias, sem cair nos estados de euforia ou desespero, vamos permanecer livres, à vontade, desfrutando da serenidade imperturbável.

Se a nossa mente, for livre do passado e do futuro, e repousar em um estado de consciência clara, sem ser atraída por objetos externos ou preocupar-se com elaborações mentais, ela ficará na simplicidade primordial. Neste estado, a mão de ferro da vigilância forçada não tem a necessidade de imobilizar os pensamentos. Diz-se que “o estado de Buda é a simplicidade natural da mente”. Uma vez que tenhamos esta simplicidade, devemos preservá-la com uma atenção livre de esforço. Devemos assim desfrutar da liberdade interior, dentro da qual é desnecessário bloquear os pensamentos ou temer que eles interrompam a meditação.

O estado de Buda parece ser uma meta distante, virtualmente fora de nosso alcance. Porém, a vacuidade natural de nossa mente é o Corpo Absoluto (Dharmakaya), sua expressão luminosa é o Corpo do Êxtase Perfeito (Sambhogakaya), a compaixão universal que emana dele é o Corpo Manifesto (Nirmanakaya), e a unidade intrínseca destes três corpos é o Corpo Essencial. Estes quatro corpos do Buda, ou kayas, sempre estiveram presentes em nós; é apenas por ignorar a sua presença que os consideramos como sendo uma meta externa.

“Minha meditação está correta? Quando farei progresso? Jamais atingirei o nível de meu mestre espiritual”. Dividida entre a esperança e a dúvida, nossa mente nunca está em paz. Conforme o nosso humor, um dia praticamos intensamente e, no dia seguinte, nem tanto. Somos apegados às experiências agradáveis que emergem do estado de calma mental e desejamos abandonar a meditação quando falhamos em tentar reduzir o fluxo dos pensamentos. Esse não é o modo correto de praticar.

Qualquer que seja o estado em que nossos pensamentos estejam devemos nos aplicar constantemente à prática regular, dia após dia, observando o movimento de nossos pensamentos e voltando até a origem deles. Não devemos esperar ser imediatamente capazes de manter, dia e noite, o fluxo de nossa concentração. Quando começamos a meditar sobre a natureza da mente, é preferível fazer sessões curtas de meditação, várias vezes por dia. Com perseverança, realizamos progressivamente a natureza de nossa mente, e essa realização se tornará mais firme. Neste estágio, os pensamentos terão perdido o poder de nos perturbar e de nos subjugar.

A vacuidade, a natureza última do Dharmakaya, o Corpo Absoluto, não é um simples “nada”. Ela possui, intrinsecamente, a faculdade de conhecer os fenômenos. Esta faculdade é o aspecto luminoso ou cognitivo do Sambhogakaya, cuja expressão é espontânea. O Sambhogakaya não é o produto de causas e condições; é a natureza original da mente.

O reconhecimento desta natureza primordial assemelha-se ao nascer do sol da sabedoria na noite da ignorância: a escuridão é dissipada instantaneamente. A claridade do Sambhogakaya não aumenta e diminui como a lua; é como a luz imutável que brilha no centro do sol.

Quando as nuvens se amontoam, a natureza do céu não é corrompida; e quando as nuvens se dispersam, ela não é melhorada. O céu não se torna menos ou mais vasto. Ele não muda. É o mesmo com a natureza da mente: ela não é deteriorada pela chegada dos pensamentos, nem melhorada pelo desaparecimento deles.

A natureza da mente é a vacuidade; sua expressão é a claridade. Estes dois aspectos são, essencialmente, um único aspecto – simples imagens projetadas para indicar as diversas modalidades da mente. Seria inútil se apegar em torno da noção de “vacuidade” e então da “claridade”, como se fossem entidades independentes. A natureza última da mente está além de todos os conceitos, de toda definição e de toda fragmentação.

“Eu poderia caminhar sobre as nuvens!”, diz uma criança. Mas se ela alcançasse as nuvens, não encontraria lugar algum para colocar seus pés. Igualmente, se não examinarmos os pensamentos, eles apresentam uma aparente solidez; mas se os examinarmos, nada encontramos. Isso é o que se chama ser, ao mesmo tempo, vazio e aparente.

A vacuidade da mente não é o nada, nem um estado de entorpecimento, pois ela possui, por sua própria natureza, uma faculdade luminosa de conhecimento (Sambhogakaya), que é chamada de consciência, ou consciência iluminada. Estes dois aspectos, a Vacuidade e a Consciência, não podem ser separados. Eles são essencialmente um, como a superfície do espelho e as imagens que são refletidas nela.

Os pensamentos se manifestam dentro da vacuidade e são reabsorvidos nela, assim como um rosto que aparece e desaparece em um espelho; o rosto nunca esteve no espelho, e quando cessa o reflexo, ele não deixa de existir realmente. O próprio espelho nunca mudou. Assim, antes de entrarmos no caminho espiritual, permanecemos no assim chamado estado “impuro” do samsara, que é, aparentemente, governado pela ignorância. Quando nos comprometemos nesse caminho, cruzamos por um estado onde a ignorância e a sabedoria estão misturadas. Ao final, no momento da Iluminação, apenas o conhecimento puro existe, mas ao longo do caminho desta jornada espiritual, apesar de aparentemente existir uma transformação, a natureza da mente nunca mudou: ela não era corrompida ao entrar no caminho e não foi melhorada na hora da realização.

As qualidades infinitas e inexprimíveis do conhecimento primordial – o verdadeiro nirvana – são inerentes à nossa mente. Não é necessário criá-las, fabricar algo novo. A realização espiritual serve apenas para revelá-las através da purificação, que é o próprio caminho. Finalmente, se considerarmos do ponto de vista último, estas qualidades são, por si mesmas, apenas o vazio. Assim, o samsara é vacuidade, o nirvana é vacuidade – e, conseqüentemente, um não é “mal” e nem o outro é “bom”. Quem realizou a natureza da mente fica livre do impulso de rejeitar o samsara e de obter o nirvana. É como uma criança que contempla o mundo com uma simplicidade inocente, sem conceitos de beleza ou feiúra, de bem ou mal. Ele não é mais vítima de tendências conflitantes, a fonte dos desejos ou aversões.

De nada serve preocupar-se com os rompimentos da vida diária, como uma criança que se alegra ao construir um castelo de areia e que chora quando ele desmorona. Veja como os seres pueris se jogam nas dificuldades, como uma borboleta que mergulha na chama de um lampião, para se apropriarem do que desejam e se libertarem do que odeiam. É melhor deixar o fardo, que todos estes apegos imaginários trazem, do que suportá-lo em cima de nós.

O estado de Buda contém, em si mesmo, cinco “corpos” ou aspectos do estado búdico: o Corpo Manifesto, o Corpo do Êxtase Perfeito, o Corpo Absoluto, o Corpo Essencial e o Imutável Corpo de Diamante. Eles não devem ser buscados fora de nós: eles são inseparáveis do nosso ser, de nossa mente. Assim que tenhamos reconhecido esta presença, há um fim para a confusão. Não teremos mais qualquer necessidade de buscar a Iluminação a partir de fora. O navegante que aportou em uma ilha feita inteiramente de ouro puro não irá encontrar uma simples pedra, não importa o quanto procure. Devemos entender que todas as qualidades do Buda sempre existiram inerentemente em nosso ser.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Our tendency to reflect off each other - Nossa tendência para refletir um no outro - Ani Zamba Chozön


Monday, June 22nd, 2009 - 16:16
Dear friends, I’d just like to thank you all for your friendship and support over the years thru all our ups and downs we’ve been around for each other. That’s something quite rare and special to be able to appreciate that we’re all on a path that will take us thru many twists and turns and that these may not always be so comfortable, may not always be the way we would like things to be. Sometimes when things are not going the way we would like, it can be more valuable than having things the way we want. Those times act as a challenge for us to see our own tendencies and reactions more clearly. These times help to reflect more clearly how we construct our own experiences. Today as per usual I hear myself keep repeating the same old thing as a constant reminder-ALL our experience no matter what it might be, is constructed by our own mental processes - if we like something, if we don’t-if we think something is beautiful or ugly, right or wrong-the way you see me, the way I see you, as soon as we form a judgement, give anything a value of any kind, give substance and content to any phenomena through our mental tendencies towards fabrication, believing that whatever it is actually truly exists in that particular way from the side of the object. Watch out! When we hold the belief that whatever exists, can exist Independent of our mental fabrication, can just be the way we think it is from its own side then somehow we’ve lost track of the path. Why? Because the path is about connecting with the true nature of phenomena beyond mental fabrication, so no matter what might be arising to our consciousness entering thru our eyes and ears and nose tongue or tactile sensations. Remember that all the information that enters thru our 5 sense consciousnesses is completely neutral, you do not hear good or bad sounds, you do not have good or bad visual contact, smell good or bad smells taste good or bad through the tongue. So then what’s telling you that something is good or bad or neither good nor bad - what’s telling you that a particular situation or person or event is a certain way with specific characteristics such as good, bad , right and wrong, if you care to observe you’ll see that what’s telling you is your own mental consciousness your own conceptual mind-that’s learnt names and labels, value and judgement systems. The speed of the mechanism of our own mental processes is moving so fast that whatever appears to our perception appears as if it is unchanging solid/continuous and substantial full of content and value, self-existing from its own side. If this is the way we perceive things the fact might be we’re in complete denial of the true nature of the phenomena- it’s as if we’re trying to maintain the belief that the movie just exists on that screen independent of any projector. It seems that the movie itself is NOT just composed of empty appearances arising on an empty screen. The way we see at present is as if those appearances really have substance, they really have the intrinsic quality of sadness,of being happy, irritating, angry, desirable, fearsome whatever value WE wish to give them or however we identify with them, that’s how they will appear to us, as if they really exist the way we think they do. So what happens when something occurs to change our attitude towards the seeming object, notice when our attitude changes the appearance of the object also changes, it may put a few cracks in the seemingly solid appearance of what we held to be true previously. This may present the possibility of opening us to another way of seeing that doesn’t constantly need to invest in everything being something desireable or threatening, that doesn’t constantly need to identify with the movement of the change as having some substance or value in order to give one a false sense of false security and the impression of some entity called “I” exists.This sense seems to arise as I am something that exists because there is desire, there is fear and all the other feelings/mental factors (actually classified as 51 mental factors that arise as filters to distort our perception. Thus I’m angry, tired bored, fearful, happy, dissatisfied, envious, irritated and on and on...... Interesting how we identify with feelings, not just simply as fear or insecurity but ‘my fear, my insecurity’’I’m angry, I’m frustrated-you’re threatening me- always the need to possess the feelings as ‘mine’ as ‘me’ as ‘I’-this is how ‘I’ feel, you hurt ‘my feelings’ it’s just a habit that comes from attachment to an idea of some self existing entity called ‘I’ something that exists independent of any conditions which if we examine is totally not true Our idea of ‘I” is just a name for many constantly changing conditions being frozen in time and space. So either we see the truth or not. Seeing the interdependency of all the conditions is also seeing the emptiness of phenomena and correspondingly seeing the emptiness of self. Seeing that when you strip away all the mental fabrication what reveals itself is our nature and the nature of phenomena. Even if we do not realize completely now, we should have a strong aspiration to realize this as this is the only way we can be free and awake to our own nature.We may have heard all this many times, but as we know when it comes to living our daily lives then the speed with which we tend to react seems to leave us no space to see things clearly. Programmed to react in certain ways when certain stimulus arises-those trigger buttons we all have them. We can test this out when we really like something or dislike something its as if these filters seem even more dense-they really act to blind us, it’s as if we really don’t want to see the truth-we’re going to ignore the truth, so then these filters have the power to distort our perception big time, making us believe that the object that we perceive is truly the cause of our desire or the cause of our anger-so then we have to have it, or get rid of it as the case maybe-This is a mechanism that perpetuates itself in order for us to feel good about ourselves and to maintain our comfort zone We will fight tooth and dagger to maintain the illusion that our desires and conflicts are based on external objects, because basically we’re not so sure as to whether the cause of the desire or conflict is arising from something internal or external. This arises from not knowing what is real and what is not. This is the problem of this idea of ego. We’re not just working with ego but ego’s projections. When ego began, its projections also began. When we see the transient, transparent nature of our projections then we will correspondingly see the transient transparent nature of the idea of self. Those of us who maybe in some teacher/student relationship know the famous phrase that depicts this relationship so well. The teacher is like the fire you need to be close enough to keep warm but if you get too close you’ll get burnt.Most of us do not want to really get the habits of our ego psychology weakened and eventually terminated because we believe we would not be able to function without them. So intellectually it seems like a nice idea but emotionally we cling on to our habits That’s because we do not appreciate the possibility of another way of seeing that expresses itself beyond the usual limitations that we impose by our attachment and identification to reference points. We’re habituated to believe in these reference points as actual entities, here and there, inside and outside you and me and so on. It seems that all our appreciation or acknowledgement of relative truth goes out the window...... Relative to what????? To certain conditions that make phenomena appear a certain way to us in relationship to those conditions. When we take some of the conditions away or change the conditions what happens? Examine and you’ll see that the basis for our experience of whatever it maybe- falls apart. Without previous causes and conditions we cannot have the result of our present experience- it’s impossible. So then why not try to understand what kind of conditions, psychological conditions produce what kind of experiential results –this is what we call “perception” The path is about how to free ourselves from all the conditioning factors that result in our dualistic vision as fundamentally it’s that which perpetuates our confused way of seeing and the way interact with the illusory appearances of the phenomenal world.We’ve been given so many tools to help us work with our psychological make-up. It’s really up to us personally, if we want to use these tools or not. That depends on whether we value the awakened way of seeing as the source of Liberation or not and whether we truly want to be free........love to you all. AZ.

2ª feira, 22 de junho de 2009 – 16:16h.
Queridos amigos,
queria agradecer a todos pela amizade e pelo apoio através de todos estes anos e também pelos momentos bons e ruins em que estivemos juntos para ajudar. Isto é uma coisa muito rara e especial: ser capaz de valorizar que estamos todos no caminho que nos levará por muitas reviravoltas e que isto pode não ser muito confortável, pode não ser do modo que gostaríamos que as coisas fossem, mas, às vezes, quando as coisas não estão indo do jeito que gostaríamos, elas podem ser mais valiosas do que ter as coisas do jeito que queremos. Estes momentos agem como um desafio para que possamos ver nossas tendências e reações mais claramente. Eles nos ajudam a refletir mais claramente sobre como construímos nossas experiências. Hoje, como sempre, eu me peguei falando para mim mesma aquela mesma coisa como um lembrete constante: todas as nossas experiências, não importa quais sejam, são construídas pelo nosso próprio processo mental. Se gostamos ou não de alguma coisa, se achamos algo bonito ou feio, certo ou errado, como vocês me vêem, como eu vejo vocês, assim que fazemos julgamentos, damos um valor ou qualidade a alguma coisa, damos substância e conteúdo a qualquer fenômeno através de nossas tendências mentais em direção à fabricação acreditando que, seja o que for, aquilo existe de verdade daquele modo em particular por parte do objeto. Cuidado! Quando nos apegamos à crença de que o que quer que exista pode existir independentemente da nossa fabricação mental, pode apenas ser o modo através do qual pensamos que é por parte nós mesmos, então, nos perdemos no caminho. Por quê? Porque o caminho está calcado sobre se conectar com a natureza verdadeira dos fenômenos além da construção mental. Então, não importa o que nos entra pelos olhos, ouvidos, nariz, língua (paladar) ou tato. Lembrem-se que toda informação que entra pelos cinco sentidos é completamente neutra. Vocês não escutam sons ruins ou bons, sentem sabores ruins ou bons. O que está dizendo a vocês que uma coisa é boa ou ruim, o que está dizendo que uma situação, uma pessoa ou um acontecimento é de determinada forma com características específicas tais como bom e ruim, se vocês tiverem o cuidado de observar, verão que o que está dizendo isto a vocês é a sua própria consciência mental, sua mente conceitual que aprendeu sistemas de nomes e rótulos, valores e julgamentos. A velocidade do mecanismo do nosso processo mental move-se tão rápido que, o que quer que apareça à nossa percepção, aparece como se fosse imutável, sólido, contínuo, substancial, cheio de conteúdo e valor, auto-existente por si mesmo. Se esta é a maneira que percebemos as coisas, o fato deve estar em que estamos em completa negação da verdadeira natureza dos fenômenos. É como se estivéssemos tentando manter a crença de que o filme só existe na tela independentemente de qualquer projetor. Parece que o próprio filme NÃO é só composto de aparências vazias surgindo numa tela vazia. O modo que vemos agora é como estas aparências realmente tem substância, realmente tem a qualidade intrínseca da tristeza, felicidade, irritação, raiva, desejo, medo, qualquer valor que NÓS queiramos dar a elas. Como nos identificarmos com elas é assim que elas aparecerão para nós como se realmente existissem da maneira que pensamos que aparecem. Então, o que ocorre quando alguma coisa muda nossa atitude em relação ao aparente objeto? Notem que quando nossa atitude muda, a nossa aparência e a do objeto também mudam. Podem aparecer algumas falhas na aparente solidez da aparência que tínhamos como verdadeira anteriormente. Isto pode apresentar uma possibilidade de nos abrir para um outro modo de ver que não precisa investir em tudo senão como algo desejável e ameaçador, que não precisa identificar-se com o movimento das mudanças como tendo alguma substância ou valor a fim de dar um falso sentido ou segurança e a impressão de que alguma entidade chamada “eu” existe. Porque há desejo, medo e todos os outros sentimentos/fatores mentais, na verdade são classificados como cinquenta e um fatores mentais que aparecem como filtros para distorcer a nossa percepção. Então, fico com raiva, cansado, entediado, com medo, satisfeito, insatisfeito, com inveja, irritado e por aí vai. É interessante como nos identificamos com os sentimentos não só simplesmente medo e insegurança, mas, “meu medo e minha insegurança, eu estou com raiva, frustrado, você está me ameaçando” – sempre com a necessidade de possuir os sentimentos como “meu”, “eu”, “me” – é assim que “eu me” sinto, você fere “meus” sentimentos – é só um hábito que vem do apego, uma idéia de uma entidade auto existente chamada “eu”, alguma coisa que existe independente de qualquer condição que, se a examinarmos bem, é totalmente falsa. Nossa idéia de “eu” é apenas um nome para condições constantemente mutáveis sendo congeladas no tempo e no espaço. Então, ou vemos a verdade, ou não. Ver a interdependência de todas as condições também é ver a vacuidade do fenômeno e, correspondentemente, ver a vacuidade do eu (self). Ver que quando se destrincha toda a fabricação mental, o que se revela é a nossa natureza e a natureza dos fenômenos. Mesmo que não compreendamos isto agora, devemos ter uma forte aspiração para realizar isto, pois é a única maneira pela qual podemos ser livres e despertos para a nossa própria natureza. Podemos ter ouvido muitas vezes, mas quando sabemos, isto passa a fazer parte da nossa vida diária. Então, a velocidade com a qual tendemos a reagir parece não nos deixar nenhum espaço para ver as coisas claramente, programados para reagir de determinadas formas quando certos estímulos surgem – aqueles botões de gatilho que todos temos. Podemos testar isto quando gostamos ou não gostamos de alguma coisa. É como se estes filtros parecessem mais densos. Eles realmente agem para nos cegar, como se não quiséssemos mesmo ver a verdade. Nós ignoramos a verdade e então estes filtros têm o poder de distorcer nossa percepção fazendo com que acreditemos que o objeto que percebemos seja realmente a causa de nosso desejo ou a causa da nossa raiva. Então, temos que o possuir ou nos livrar dele se for o caso. Este é um mecanismo que se perpetua a fim de que nos sintamos bem em relação a nós mesmos, para mantermos a nossa zona de conforto. Lutaremos com unhas e dentes para manter a ilusão de que nossos desejos e conflitos sejam baseados em objetos externos porque, basicamente, não estamos tão seguros de que a causa do desejo ou do conflito surge de alguma coisa interna ou externa. Isso surge do não saber o que é real e do que não é. Este é o problema desta idéia do ego. Não estamos trabalhando com o ego, mas com as projeções dele. Quando o ego começa, as suas projeções também dão início. Quando vemos a transição, a natureza translúcida de nossas projeções, então veremos a natureza transiente e transparente da idéia e do ego (self). Talvez, numa relação professor/aluno, alguns de nós conhecem a frase que descreve essa relação tão bem: o professor é como o fogo e precisamos ficar o mais perto possível para nos aquecer, mas, se ficarmos perto demais, podemos nos queimar. A maioria de nós não quer mesmo ter os hábitos da nossa psicologia do ego enfraquecido e, eventualmente exterminados porque acreditamos que não poderíamos ser capazes de funcionar sem eles. Então, intelectualmente, parece uma boa idéia, mas emocionalmente nos agarramos aos nossos hábitos. Isto porque não nos agrada a possibilidade de outro modo de ver que se expressa além das limitações usuais que impomos pelo nosso apego e identificação para pontos de referência. Estamos habituados a acreditar nestes pontos de referência como entidades verdadeiras, aqui e ali, dentro e fora de nós e daí por diante. Parece que todo o nosso apego ou reconhecimento da verdade relativa sai pela janela. Relativo a quê????? A certas condições que fazem os fenômenos aparecerem para nós de certa forma em relação a estas condições. Quando tiramos algumas condições ou mudamos as condições, o que acontece? Examinem e verão que a base para a nossa experiência, seja ela qual for, cairá por terra. Sem causas e condições prévias não podemos ter o resultado de nossa experiência atual. É impossível. Então, porque não tentar compreender que tipos de condições psicológicas produzem que tipo de resultado experiencial - isto é o que chamamos de “percepção”. O caminho está em como libertar-nos de todos os fatores condicionais que resultam em nossa visão dualística, pois fundamentalmente é o que perpetua nosso confuso modo de ver e o modo que interage com as experiências ilusórias do mundo dos fenômenos. Recebemos tantas ferramentas para nos ajudar com nossa maquiagem psicológica. Realmente, cabe pessoalmente a nós decidir se queremos usar estas ferramentas ou não. Isto depende se valorizamos a maneira de ver o despertar como a fonte de liberação ou não, se realmente queremos ser livres...
Amor para vocês.
Ani Zamba.