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segunda-feira, 12 de julho de 2010

Explicando o carma.

"Certamente, a maneira mais utilizada para se explicar o karma é a analogia de que estamos colhendo os frutos das ações que cultivamos anteriormente; do mesmo modo, nosso futuro terá as conseqüências do que estamos fazendo agora.
Tudo o que é colocado em movimento produz um movimento correspondente. Se você joga uma pedra numa lagoa, formam-se ondulações ou anéis que correm para fora, batem na margem e voltam. O mesmo se passa com o movimento dos pensamentos: ondulações correm para fora, ondulações retornam. Quando os resultados desses pensamentos chegam de volta, sentimo-nos vítimas indefesas: estávamos inocentemente vivendo nossa vida; por que todas essas coisas estão acontecendo conosco? O que acontece é que os anéis estão voltando para o centro. (...)
Isto é o karma e, devido a ele, nossa experiência da realidade continua a girar em ciclos, com todas as suas variações, vida após vida. Assim é o interminável samsara, a existência cíclica. Não compreendemos que estamos vivendo resultados que nós mesmos criamos, e que nossas reações produzem ainda mais causas, mais resultados; incessantemente. (...)
O karma pode ser comparado a uma semente que, em condições adequadas, dará lugar a uma planta. Se você colocar na terra uma semente de cevada, pode ter certeza de que obterá um broto de cevada. A semente não vai produzir arroz.
A mente é como um campo fértil; coisas de todos os tipos podem crescer nele. Quando plantamos uma semente; um ato, uma palavra ou um pensamento, num dado momento, será produzido um fruto que irá amadurecer e cair por terra, perpetuando e incrementando sementes de causalidade potentes em nosso corpo, fala e mente. Quando se juntarem às condições adequadas para o amadurecimento do nosso karma, teremos que lidar com as conseqüências das coisas que plantamos"

Texto do livro "Portões da Prática Budista" de Chagdud Tulku Rinpoche

terça-feira, 29 de junho de 2010

Morrer antes que você morra. - Eckhart Tolle


Uma das mais poderosas práticas espirituais é meditar profundamente sobre a mortalidade das formas físicas, inclusive da sua. Isso se chama: morrer antes que você morra. Vá fundo nisso. A sua forma física está se dissolvendo, é nada. Então surge um momento quando todas as formas mentais ou pensamentos também morrem. Mas, você ainda está lá - a presença divina que você é: radiante, completamente consciente. Nada que é real morre de verdade, somente os nomes, as formas e as ilusões. Nesse nível profundo, a compaixão se torna um remédio no sentido mais amplo. Nesse estado, a sua influência curativa se baseia não no fazer, mas no ser. Todas as pessoas com quem você mantiver contato serão tocadas pela sua presença e afetadas pela paz que você emana, quer elas estejam ou não conscientes disso. Quando estiver inteiramente presente e as pessoas à sua volta tiverem um comportamento inconsciente, você não vai sentir necessidade de reagir. A sua paz será tão grande e profunda que tudo que não for paz desaparecerá nela, como se nunca tivesse existido. Isso quebra o ciclo cármico de ação e reação. Os animais, as árvores, as flores vão sentir a sua paz e reagir a ela. Você ensinará através do ser, através da demonstração da paz de Deus. Você passará a ser a "luz do mundo", uma emanação da pura consciência, e assim eliminará a causa do sofrimento. Você eliminará a inconsciência do mundo.
Eckhart Tolle

quarta-feira, 23 de junho de 2010

As oportunidades na hora da morte.

Sogyal Rinpoche

"Think of the moment of death as a strange border zone of the mind, a no-man’s land in which, on one hand, if we do not understand the illusory nature of our body, we might suffer vast emotional trauma as we lose it, and on the other we are presented with the possibility of limitless freedom, a freedom that springs precisely from the absence of that very same body.
When we are at last freed from the body that has defined and dominated our understanding of ourselves for so long, the karmic vision of one life is completely exhausted, but any karma that might be created in the future has not yet begun to crystallize.
So what happens in death is that there is a “gap,” or space, that is fertile with vast possibility; it is a moment of tremendous, pregnant power where the only thing that matters, or could matter, is how exactly the mind is. Stripped of a physical body, the mind stands naked, revealed startlingly for what it has always been: the architect of our reality."

"Pense no momento da morte como uma estranha fronteira da mente, uma terra de ninguém na qual, por um lado, se não entendermos a natureza ilusória do corpo, sofreremos vasto trauma emocional quando o perdermos e, por outro lado, a possiblidade de infinita liberdade nos será apresentada, uma liberdade que brota justamente por causa da ausência do nosso mesmo corpo.
Quando, por fim, estivermos livres do corpo que definiu e dominou nossa auto compreensão por tanto tempo, a visão cármica de uma vida é completamente exaurida, mas o carma que será criado no futuro ainda não começou a se cristalizar.
Então, o que acontece na morte é que há um salto ou espaço que é fértil de vasta possibilidade; é um momento de um tremento poder, uma força de fecundidade onde a única coisa que importa ou deveria importar é como a mente é exatamente. Despida de um corpo físico, a mente fica nua e revela de modo surpreendente o que ela sempre foi: o arquiteto de nossa realidade."
De "Rigpa Glimpse of The Day" Sogyal Rinpoche http://usa.rigpa.org/

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Niung-ne

O buda da compaixão Avalokiteshvara (sãnscrito) ou Tchenrezig (tibet) de Mil Braços
(Clique para aumentar)

Nyungne é uma prática profunda de dois dias e meio, um período de tempo especialmente útil para as pessoas cujos horários não conseguem ajeitar um retiro a longo prazo. Envolve a manutenção de rigorosos votos, o segundo dia é dedicado ao jejum e silêncio completo. A meditação é centrada nas recitações, mantras e visualizações guiadas a Tchenrezig de Mil Braços, a personificação da bondade de todos os budas amor e compaixão. Traduzido como "permanecer em jejum", é dito que o Nyungne é eficaz na cura da doença, no cultivo da compaixão e purificação do karma negativo. A prática budista tibetana de Nyungne ("nyung-ney") vem ganhando atenção crescente nos centros budistas  e os participantes dizem que a prática purifica-os fisicamente e espiritualmente.

Niungne é um ritual de jejum praticado para a rápida purificação do carma negativo e para aumentar a felicidade de todos os seres. Cada Niungne tem a duração de dois dias e meio. No primeiro dia, acordamos antes do amanhecer e tomamos os oito votos (citados abaixo) e um café da manhã somente com alimentos líquidos e pastosos. Desse momento em diante, não devemos comer ovos nem carne. Depois das sessões da manhã, como última refeição das próximas 36 horas, um farto almoço é servido. O consumo da água e o ato de falar são permitidos até a hora de dormir, seja um cochilo durante o dia ou à noite. Ao acordar, no entanto, e ao longo do outro dia inteiro, o silêncio é mantido, exceto pela recitação de preces e liturgias, e não é permitido beber nem comer.

Os 8 votos:
(1) não matar;
(2) não roubar;
(3) não ter interações sexuais;
(4) não mentir;
(5) não usar perfumes, isto é, substâncias sedutoras, ou jóias, isto é, adornos atraentes;
(6) não dançar ou cantar, isto é, não manter atividades de entretenimento;
(7) não sentar em lugares altos ou camas luxuosas, isto é, conforto excessivo;
(8) não comer, a não ser nos períodos designados.

Também não é permitido comer carne, ovos, cebola, alho ou leguminosas brancas malcheirosas como o repolho. Também não é permitido usar substâncias intoxicantes. É importante manter-se mais agasalhado do que o normal ao fazer jejum.  

Niungne é um ritual de jejum praticado para a rápida purificação do carma negativo e para aumentar a felicidade de todos os seres. Cada Niungne tem a duração de dois dias.

Tomamos os oito votos de abstermo-nos de matar, roubar, ter relações sexuais, mentir, dormir em camas elevadas e tronos (isto é, luxo), cantar e dançar (isto é, entretenimento), usar perfumes e ornamentos (para aumentar a sedução) e o voto de silêncio. 

O oitavo voto é o de não comer depois do meio-dia.
No primeiro dia, podemos ingerir bebidas e alimentos líquidos e pastosos no café da manhã. No almoço comida vegetariana sem ovos, cebola, alho e repolho.

Deveremos almoçar assentados e, uma vez que levantemos após a refeição, poderemos ingerir, somente água até a hora de dormir ou após ter cochilado durante o dia. Não poderemos, nem mesmo, ingerir suco de fruta, leite, ou café. A partir desse momento não é permitido falar.

Na manhã seguinte, a partir do despertar, não bebemos, comemos ou falamos até o amanhecer do outro dia.

É dito que o benefício de fazer somente um Niungne, com disciplina estrita e com prática intensa, purifica o mal acumulado com o corpo, a fala e a mente por quarenta mil eons. A multiplicação do Sagadawa aumenta imensamente esta purificação.

O jejum de Niungne envolve algum desconforto, especialmente devido à sede. No entanto, a grande fonte de desconforto é o fato de que isto é realmente uma purificação - uma dor de cabeça - de purificar o carma para o reino dos infernos; a fome e a sede, o carma dos fantasmas famintos; o silêncio, o carma da fala tola que poderia conduzir ao reino dos animais. Se praticarmos estas austeridades com compaixão pelos outros que estão sofrendo desamparadamente, a purificação torna-se profunda e a prática alegre.

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Descobrindo o Caminho da Liberdade


"(...) é interminável o samsara, a existência cíclica. Não compreendemos que estamos vivenciando resultados que nós mesmo criamos e que nossas reações produzem mais causas, mais resultados - incessantemente. Pelo fato de termos sido nós mesmos  que armamos a emboscada em que nos encontramos, cabe a nós mudá-la. Uma pessoa que esteja com o cabelo embaraçado e oleoso e olhe num espelho não irá conseguir limpar sua imagem esfregando o espelho.
(...) Algumas pessoas pensam que o remédio para o sofrimento está nas mãos de Deus ou Buda, em algum lugar externo a elas. Mas as coisas não são assim. O próprio Buda disse a seus discípulos: "Eu lhes mostrei o caminho que leva á liberdade. Seguir por esse caminho é algo que depende de vocês."
A mente quando usada de modo positivo - para gerar compaixão, por exemplo, - é capaz de criar grandes benefícios. Pode parecer que esses benefícios vêm de Deus ou Buda, mas são simplesmente o resultado das sementes que plantamos. Embora com os ensinamentos do Buda recebamos a chave do conhecimento que nos permite transformar, pacificar e treinar nossa mente, somente nós podemos descerrar sua verdade mais profunda, expondo nossa natureza búdica e suas capacidades ilimitadas.
Nossas experiências atuais na vida são de relativa boa sorte. Muitos são os que experimentam sofrimento muito pior que o nosso. Assolados pelas dores implacáveis da guerra, doença e fome, não tem meios para mudar para mudar sua situação; parece não haver saída.
Ao contemplarmos as dificuldades em que essas pessoas se encontram, compaixão brota em nosso coração. Ganhamos inspiração para não desperdiçarmos nossas circunstâncias bem afortunadas, mas sim, usá-las para criar benefícios para nós mesmos e para os outros - benefícios que estejam além da felicidade provisória que vem e vai, além dos ciclos infindáveis do sofrimento samsárico. Somente ao revelar por inteiro a verdadeira natureza da mente - ao alcançar a iluminação - podemos encontrar felicidade duradoura e ajudar os outros a fazer o mesmo. Essa é a meta do caminho espiritual."

Chagdud Tulku Rinpoche

domingo, 30 de agosto de 2009

Paciência - Sua Santidade, o 14º Dalai lama

A paciência pode ser cultivada por diferentes métodos. O conhecimento da lei do carma é um deles. Assim, quando vivemos, por exemplo, condições de trabalho difíceis ou nos confrontamos com um problema particular, devemos pensar que somos responsáveis pelo nosso sofrimento e que ele resulta, com certeza, de causas que nós próprios geramos. Embora seja verdade que não é por isso que o problema se resolve, permite-nos relativizar, distanciarmo-nos e motivarmo-nos para fazer o possível para não contribuirmos, por "maus" pensamentos ou atos, para criar de novo este tipo de carma.

domingo, 26 de abril de 2009

Lama Thubten Yeshe

Lama Thubten Yeshe (... / 1984)

Lama Zopa Rinpoche

Lama Thubten Yeshe nasceu no Tibet e foi educado na grande Universidade Monástica de Sera em Lhasa. Em 1959 ele fugiu e, por fim, iniciou o Monastério Kopan no Nepal com seu principal discípulo Lama Zopa Rinpoche onde ensinaram o budismo para os ocidentais. Fundou a FPMT (Fundação para a Preservação da Tradição Mahayana) http://www.fpmt.org/ em 1975 e viajou pelo mundo afora difundindo o dharma. Ele ajudou profundamente centenas de alunos e faleceu em 1984.

“Podemos corrigir nossa atitude! Podemos corrigir nossas ações! Não pensem que ‘minhas atitudes, minhas ações são meu carma anterior e eu não posso fazer nada’. Esta é uma compreensão errada do carma. Não pensem ‘Eu sou impotente’. Nós temos poder, seres humanos! Nós temos o poder de mudar nosso modo de vida, mudar nossas atitudes, mudar nossos hábitos! Esta é a capacidade que chamamos de potencial búdico ou poder de Deus, ou seja, lá como vocês chamem. É por isso que o budismo é simples, muito simples. É um ensinamento universal. É compreensível para qualquer pessoa religiosa ou não religiosa. Esta é a beleza do ser humano! Ele tem instrumentos poderosos! Para qualquer tipo de coisa nós temos a habilidade e o poder de transformar tudo em alguma outra coisa. É por isso que o budismo tibetano tem tantos métodos para transformar o apego em um caminho para a liberação, para transformar o desejo em um caminho para a liberação. Enfatizamos muito o método! Do ponto de vista do budismo não há nenhum problema humano que não possa ser interrompido pelo próprio ser humano e ele, pessoalmente, ter a compreensão e tomar coragem de que pode lidar e interromper todo o ‘meu problema’. Acho que esta atitude é essencial para o crescimento de alguém. Acredito de verdade que todos nós, mesmo não sendo grandes meditadores ou nem mesmo bons espiritualmente, se tivermos alguma compreensão e força de vontade, podemos parar o problema. Na maioria das vezes falhamos na compreensão da nossa própria capacidade. Nos colocamos para baixo. É por isso que o budismo tibetano, muitas vezes, vê o Buda em vocês, vocês são o próprio Buda. Tenho certeza que vocês já ouviram isso.”