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domingo, 27 de março de 2011

Se - Atavismo

Se minha avó não tivesse castigado covardemente o meu pai, ele seria uma pessoa mais calma, um homem menos explosivo, por vezes até mesmo violento. Se meu avô não fosse tão omisso, não permitiria que ela agisse dessa forma. Pobre coitado; morreu de câncer no estômago. Talvez não tenha tido mesmo “estômago” pra isso.

Se meu avô não pensasse só em dinheiro e, quando minha mãe chegava com uma nota dez ele não dissesse que “não fez mais que a obrigação” ela não seria uma mulher tão focada no dinheiro, incapaz de tecer um único elogio a qualquer um dos filhos. Minha avó, não dizia nada, era uma “boa mulher”, passiva, incapaz de contrariar o marido. Pobre coitada; morreu de câncer no osso malar que evoluiu para o pulmão. Talvez não conseguisse respirar mais aquele ar.

Se eu não tivesse sido educada por um pai rude, bruto e severo, fruto da educação que recebeu da própria mãe, eu não seria a pessoa que sou. Se minha mãe não fingisse que nada via quando meu irmão e meu pai me agrediam física e verbalmente, se seu único valor não fosse o dinheiro e o conforto, fruto da educação que recebeu dos próprios pais, eu não seria a pessoa que sou.

Se eu não fosse a pessoa que sou, talvez meus filhos, já adultos, não fossem focados na doença, na mudez, na privacidade extrema, exatamente como eu era quando nova!

Como se pára este atavismo?

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Operação limpeza!


Acordei tarde hoje. Cheguei na cozinha prá tomar meu desjejum, pois não tomo café, e topo com uma cozinha do jeito que o diabo gosta: i-mun-da!

Vou reclamar com quem? Acordei tarde e todo mundo já tinha saído. Resolvi limpar a cozinha de uma maneira ecológica e educada, sem culpar, sem reclamar, sem resmungar, sem murmurar palavrões. Com um caneco, enchi todo o vasilhame com água para amolecer a sujeira seca. Enquanto isso, tomei meu desjejum, escovei os dentes e arrumei a cama.

Aí começou a operação-cozinha! Bucha nova porque a que estava lá o diabo também gosta! Sabão de coco! Detergente só em caso de muita gordura. Ensaboei tudo, tudo, tudo! Depois, abri a torneira, enxagüei e coloquei no escorredor. Fecha torneira. Pega a bucha do diabo e usa detergente para limpar o fogão e uma ou outra panela mais engordurada. Tira a espuma do fogão com um pano de linhagem que vai ser lavado mais tarde quando juntar o suficiente para não gastar muita água. O mesmo pano é usado para passar no chão. Quando tudo estiver sequinho, não é preciso enxugar. Só guardar. Pronto. Fui tomar um banho.

Só tenho uma dúvida. A água que está no cano da torneira volta pro cano do ralo e vai prá onde? Ela não sai da Terra planeta. So what’s the big deal?