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segunda-feira, 6 de abril de 2009

Sem celular na ilha do Lost

Quanto ao ficar sem celular, uma pessoa replicou:
- E se você estiver perdida numa ilha do Lost?
Respondi:- Pâhhh!
Refleti:- Acho que já estive lá quando era pequena. Nos anos 50 não tinha celular, televisão, computador, microondas e outras coisas. Mas também não tinha ladrão, drogas, assaltante na rua, barulho de obra e o vizinho não tinha som. Se tinha era vitrola e não dava prá tocar alto porque não tinha woofer, tweeter, surround nem nada. Era aquele sonzinho arranhado de vinil grosso e pesado. E as pessoas tinham uma coisa chamada respeito, coisa rara hoje em dia.
Em compensação, a gente brincava na rua na maior tranquilidade.
Se quisessem me achar, eu estava em casa ou na escola para onde ia sozinha, desde os quatro anos de idade, com meu irmão de seis e minha prima de cinco! Sem problema!

Sem celular

"Ficar sem celular é como flutuar num mar de nuvens azuis. Não importa onde você esteja, ninguém poderá te achar. Delícia."
Marina W.

domingo, 5 de abril de 2009

Se sentir raiva, recue!

Sua Eminência Chagdud Tulku Rinpoche e Dzongsar Jamyang Khyentse Rinpoche

"Se sentir raiva, recue! Se for capaz de agir sem raiva, talvez você transponha a terrível delusão que perpetua a guerra e seu sofrimento infernal."
“É necessário uma paciência extraordinária para trabalhar pela paz mundial, e a fonte desta paciência é a paz interior. Tal paz nos permite ver claramente que a guerra e o sofrimento são reflexos externos dos venenos da mente.”

Chagdud Tulku Rinpoche

O Que Faz Você ser Budista - Dzongsar Jamyang Khyentse Rinpoche

"Um Deus onipresente e permanente não poderia mudar; então, é melhor ter um Deus impermanente que possa responder a preces e modificar as condições meteorológicas. Contudo, desde que as ações de Deus constituam uma reunião de começos e fins, ele será impermanente; em outras palavras, sujeito a incertezas e não confiável." (pág. 31)
A partir de um ponto, mesmo se rezarmos para que o ovo não cozinhe, ele vai cozinhar." (pág. 39)

sábado, 4 de abril de 2009

Dza Patrül Rinpoche, Orgyen Jigme Chökyi Wangpo - Prece de Aspiração


Ó Três Jóias, fontes infalíveis de refúgio,
E hostes de lamas-raiz de incomparável compaixão inata,
Eu rogo a vocês, de meu coração! Dêem-me suas bênçãos,
Sempre me sustentem com sua compaixão e não se esqueçam de mim.
Quando eu tomar o amor e a compaixão como sendo o fundamento do caminho
E me esforçar com diligência nos estágios de geração e perfeição,
E com a compreensão de que o respeito e a devoção são a sua raiz,
Ó Três Jóias e lamas, sempre olhem para mim com sua compaixão.
Quando eu me esforçar na prática dos três vajras,
Tomando os três tipos de isolamento como fundamento de minha prática de yoga,
Possam todas as circunstâncias desfavoráveis ser pacificadas,
Possam todas as circunstâncias favoráveis tornar-se abundantes
E possam florescer as qualidades positivas de minha experiência meditativa e realização.
Possa eu treinar no caminho que deleita os vitoriosos,
Confiando na profunda visão — a realização do caminho do permanecer —,
Na profunda meditação — a abundância da experiência meditativa —
E na nobre conduta — as seis perfeições.
Possam florescer os nobres feitos dos lamas oniscientes, mestres do Dharma e seus herdeiros,
Possa aumentar toda a virtude e excelência,
E possam os preciosos ensinamentos da teoria e da prática
Aumentar tanto quanto a lua crescente.

Por Patrül. Que tudo seja auspicioso!

A Promessa Que Não É Cumprida


"A prática tem de ser um processo de intermináveis decepções. Temos de enxergar que tudo o que exigimos (e até obtemos) irá depois nos decepcionar. Essa descoberta é nossa mestra. É por isso que devemos tomar cuidado com amigos que estão em dificuldades, para os quais não devemos demonstrar nossa simpatia acenando-lhes com falsas esperanças e promessas de tranqüilidade. Essa espécie de simpatia - que não é a verdadeira compaixão - simplesmente retarda mais seu aprendizado. Em certo sentido, a melhor ajuda que podemos oferecer a alguém é apressar seu desapontamento. Embora isso pareça cruel, não o é na verdade. Ajudamos aos outros e a nós mesmos quando começamos a enxergar que todas as nossas exigências habituais são mal direcionadas".

Extraído do livro "Nada Especial" de Charlotte Joko Beck - Responsável pelo Centro Zen de San Diego, California, USA.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Súplica para Tara Sete Protetores por Jigten Gonpo


Uma Oração para " Tara os Sete Protetores "
por Jigten Gonpo


No Reino do Dharmadhatu
Por nascer
Mora a Sagrada Mãe Tara
Ela que dá felicidade a todos os seres sensíveis

Eu rezo a você, nos proteja de todos os tipos de medos!
Não percebendo a si mesmo como Dharmakaya
As mentes dos seres sensíveis são possessas de emoções negativas
A estes, a mãe dos seres sensíveis que vagam em Samsara

Oh Mãe Santificada, por favor nos proteja!
Não tendo entendido o profundo Dharma por dentro
E tendo seguido o nível convencional das palavras
Seres são enganados por visões filosóficas erradas e dogmas

Oh Mãe Santificada, por favor nos proteja!
Difícil de perceber é a própria mente.
Alguns percebem isto mas não praticam perfeitamente depois
Para os que estão perdidos em atividades mundanas insalubres

Oh Mãe Santificada, Incorporação da Plena Atenção Perfeita, por favor nos proteja!
A Realidade Absoluta da Mente é a sabedoria Buddhica Não-dual Inata
Mas por causa da habitual concepção dualística
A pessoa é aprisionada nisto em tudo o que faz

Oh Mãe Perfeita de Sabedoria Não-dual, por favor nos proteja!
Apegados à concepção de Vacuidade alguns pensam que entendem a Realidade Absoluta
Mas não entendem a interdependência de Causa e Efeito da Realidade Fenomenal
São seres iludidos com relação à Realidade dos Fenômenos

Oh Mãe Onisciente, por favor nos proteja!
Como a natureza do espaço que está além de todas as concepções
A Realidade de todos condicionados fenômenos não é diferente disso
Mas isso não foi percebido, então
Oh Mãe Perfeitamente Iluminada, por favor nos proteja, os novatos no Caminho!
o0o
Uma vez, quando o Senhor Jigten Gonpo estava na Caverna de Echung em Drikung, depois de ter atingido a Iluminação, teve uma visão das Sete Taras. Naquele momento, ele compôs esta oração de súplica pelos sete versos. Esta oração tem bênçãos múltiplas e é uma oração de súplica extensamente usada para as sete proteções.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Reconhecer o mal em nós - Jeffrey Hopkins


Assim como os Budas perfeitos sabem
As maldades que tenho cometido,
Eu as revelo.
Daqui em diante não mais farei isso.

O significado da última estrofe é que, não sendo onisciente, uma pessoa não conhece todas as maldades que já cometeu ao longo de um ciclo sem início de vidas. Então, ela faz uma confissão geral de todos os maus atos que os seres oniscientes sabem que ela cometeu.

Implicitamente, a mensagem importante comunicada aí é que é impossível esconder os atos negativos.Já que a negação é uma das defesas mais nocivas contra as forças interiores, a noção budista geral de que ao longo de muitas vidas cometemos todo tipo de maldade -- e temos, em nossos fluxos mentais, forças nos predispondo a isso novamente -- fornece uma perspectiva saudável.

Certamente, não evita a negação em todos os níveis (já que as profundezas de nossa própria depravação não são fáceis de reconhecer), mas abre caminho para o reconhecimento consciente do que jaz abaixo da superfície.

Revelar, confessar todas essas maldades é afirmar sua presença, enfraquecendo assim a força da negação e fortalecendo o ego como o árbitro, em vez de a vítima, dessas forças.

Jeffrey Hopkins - "Tantric Techniques"Snow Lion

terça-feira, 31 de março de 2009

Viver o momento


Isso para mim é página virada. Julgo ser um fato consumado e não quero mais me aprofundar nessa história. Tenho quase cinquenta e oito anos e meu primeiro surto foi aos vinte e três. Digo surto porque surtei, porque acredito que sofro disso desde o princípio sem princípio. Está na minha Alaya. Hoje tomo dois remédios e mais um para o hipotireoidismo que ganhei de presente ano passado! Os remédios são manipulados em uma dosagem pequena, só de manutenção. Devo dizer que sinto-me no direito de resposta pelo fato de uma pessoa que nem me conhece dizer que minha "excessiva sensibilidade não tem nada a ver com síndrome de pânico". O pânico foi comprovado sim através de exames (que só hoje existem no Brasil) por um psiquiatra que, na época, dava aulas na Sorbonne! É um problema neuroquímico assim como a falta de hormônios numa menopausa. Não. Não quero falar sobre tormentos nem detalhes anormais pois não tive nenhum! Muito menos memorizei-os e, sendo assim, não há o que esquecer! Vivo o momento como aprendi no budismo com meu saudoso Chagdud Rinpoche e seus lamas pois posso morrer no próximo décimo de segundo. Não se trata de cura, mas de medicação. Tenho muita energia e muita força, porque no meio de tudo isso e antes de qualquer tratamento, me casei, tive três filhos adoráveis, trabalhei fora e dentro e continuo casada (trinta e três anos) com o mesmo homem, coisa raríssima hoje em dia. Hoje, eu e minhas irmãs estamos cuidando de nossa mãe (oitenta e um) recem operada da coluna e cada uma tem suas limitações: uma não pode com sangue, outra não pode com fezes e eu não posso com cozinha. Creio que por aí, dá prá notar que eu estou em vantagem. Deixar de cozinhar não é uma coisa tão terrível assim e sempre se pode comprar comida pronta ou arranjar quem a faça. Além do que falei até agora, não tenho nada para contar, mas se você quiser contar a sua experiência, sinta-se livre para isso. Sempre digo que e-mail deveria ter tom de voz assim como televisão deveria ter cheiro. Meu tom de voz, apesar do que escrevi, não tem nada de irritado ou melindroso. Só que são coisas que ficaram lá para trás e que hoje só compartilho com meu médico. Trinta e cinco anos pode ser uma vida inteira! Me desculpe se passei a sensação de indelicadeza, mas não fui indelicada. Só verdadeira e sincera. Escrevo com firmeza, mas sorrindo para você.
No dharma, Pema Lodrön.

O Foco no Dharma


Na verdade, o ponto focal da prática do dharma não tem nada a ver com entoar mais mantras ou gastar mais horas sentado meditando. Tem muito mais a ver com coisas simples do cotidiano. Quando você caminha e conversa com as pessoas, quando você senta perto de seus amigos, ou inimigos - duvido que tenhamos algum inimigo explícito, mas me refiro às pessoas com as quais você não se dá bem, difíceis de lidar, ou que te chateiem - você deve estar com eles. Como Atisha Dipamkara*, que - com muito esforço -trouxe um indiano com ele para o Tibet. Esse homem não tinha nenhuma outra função além de perturbá-lo. Esse foi o único objetivo de trazê-lo.
Dzongsar Khyentse Rinpoche (1961 -)
Longtchen Nyingtik Practice Manual: advice How to Practice"
*Atisha Dipamkara: mestre indiano que, no século X, foi fundamental para a segunda grande difusão do budismo no Tibet.

sábado, 28 de março de 2009

Gracias a la vida


Não sabia que meu corpo, fala e mente ilusórios suportariam a agonia de esperar minha mãe ser operada, cirurgia marcada para as onze da manhã e protelada para um horário desconhecido, a nervosia e a irritabilidade dos irmãos, o medo, a imprevisibilidade, a impotência, tudo junto. Um pesadelo que dele se acorda quando termina tudo bem. Relativamente.
Só o que queria era ficar perto, olhar nos olhos dela. Minha irmã se cansou – dá trabalho! – e me pediu isso. Tudo o que eu queria. Arrumei uma sacola com o mínimo possível para passar um dia, uma noite e uma manhã com minha mãe no hospital. Não me importava o que poderia encontrar lá, o que me esperava. Simplesmente fui com o coração aberto, os braços e as mãos também.
Quando cheguei, ela já me presenteou com um sorriso, triste, mas um sorriso. Não queria comer, bebia pouco líquido. Brinquei falando que agora havia chegado a hora da minha vingança, pois, quando pequena, eu não comia e ficava de castigo, ganhava leves palmadas e beliscões que ela não era de violência, apesar de autoritária.
Não me importei. Dei comida na boca, penteei seus cabelos, ajudei a escovar os dentes, ofereci a comadre, lavei tudo o que era necessário, fiz tudo que ela me pedia. Até assisti Big Brother!
Quando dormia ou cochilava, balbuciava muito, falava coisas sem nexo e a única frase que entendi foi quando ela disse, mesmo embriagada, que eu estava lá.
Os médicos disseram que era efeito da anestesia e do remédio para dor à base de morfina que causavam confusão mental.
Uma hora me assustei. Ela acordada, de olhos abertos e olhando para mim disse que eu tinha que ir ao quarto de empregada buscar um sapato que estava lá e que era para lavar. Eu disse que nós estávamos no hospital, mas ela repetia com vigor a mesma ordem. Concordei e ela dormiu de novo mais um pouco.
À noite, perguntei-lhe o que achava de usar de fralda para dormir melhor. Ela gostou da idéia. Tomou um banho de leito e os enfermeiros lhe colocaram a fralda. Aquietou-se. Assistimos ao jornal, novela, Big Brother e, ao ver que ela já dormia, desliguei a televisão.
Acordou de manhãzinha com a fralda cheia e reclamando que se sentia suja, que queria um banho imediatamente, a autoritária de sempre! A minha mãe de sempre!
- Mas o hospital está cheio, mãe! Passei pelo corredor e vi pessoas mil vezes pior que você! Calma!
Inútil! Ela exigia! Tive que sair do quarto e chamar os enfermeiros. Outro banho, outra roupa de cama, outra camisola. Tudo limpinho. Pronto!
Hora de tomar o café da manhã; meia caneca de café com leite e um pãozinho doce e ela disse que comeu demais. Depois se deixou ficar calada, olhando para o tempo, pensativa e eu também.
Aos poucos foi voltando a ser a minha mãe porque já não tomava mais os remédios fortes que lhe causavam confusão mental, ânsia e enjôo, motivo pelo qual ela não conseguia comer.
Aí começou a especular o futuro. Disse que tinha medo de nunca mais andar, que só saía do hospital quando estivesse boa. Eu dizia para ter paciência que ainda faltava um mínimo de três meses de fisioterapia e que ela tinha que ver o lado bom das coisas. Pelo menos não sofria mais aquela dor horrível na perna, passou pela cirurgia ilesa, que era uma mulher forte, que descansou, que dormiu bem.
Pouco antes do almoço, chegaram meu pai e minha irmã. Dei a sopa na boca de minha mãe e despedi-me.
Vim para casa com meu pai que falou o tempo todo de lá até aqui desabafando. Ouvi.
Hoje meu marido levantou-se por volta das quatro e meia da manhã e com o barulho, me acordou. Ele sai cedo para trabalhar e eu dormi de novo. Minha cunhada diz que ele é workahollic. Eu prefiro ver o lado bom: antes workahollic do alcohollic. Antes sair às cinco horas do que chegar às cinco!
Isso é o tanto que a vida tem me dado: ensinamentos, práticas e a bodhicitta da ação. Gracias a la vida.

quarta-feira, 25 de março de 2009

Como eu era indiferente!


Passei por maus pedaços e acho que ainda não acabou. Minha mãe, apesar de operada e de tudo ter dado certo, continua no hospital. Além do mais, já conta oitenta e um anos. Antes, a dor que ela sentia era lancinante! Pirei! Saí pedindo reza, oração, mandinga, torcida e força prá todo mundo. Fiquei horas passando e-mails. E agora, mais algumas, agradecendo por ela ter passado bem pela cirurgia.

É engraçado como eu era indiferente. Quantas vezes recebi pedidos de oração e nem ligava. Acho que cheguei até mesmo a deletar sem pensar na dor do outro. Que vergonha!

Juro que não vou mais fazer isso! O sofrimento realmente nos faz crescer. E em mim brotou novamente mais um outro pedaço da compaixão.

domingo, 22 de março de 2009

Raiva, apego, aversão, inveja, ignorância e orgulho.

Raiva eu tenho, mas ela costuma durar pouco, cerca de meia hora. Isso quanto a alguma coisa que não deu certo. Geralmente uma costura, um crochet. Deixo de lado. Depois desmancho e faço outra vez.
O problema é quando me apego à raiva e sinto aversão por alguém que certamente sentiu inveja de mim e me prejudicou, coisa que hoje não sinto nem faço mais. Perda de tempo e energia.
Aí, a raiva fica rondando minha mente. Está ali, escondida, calada, sorrateira, sorrelfa, astuta e dissimulada. Na hora em que menos espero, a tal pessoa surge na mente ou na minha frente - o que dá na mesma - e a raiva aparece de novo e, como uma cobra, me dá o bote! Péssimo!
Tenho orgulho, e muito! Às vezes me pego fazendo apologia de mim mesma: eu sei, eu conheço, eu tenho, eu sou, eu, eu , eu! Mas peço perdão e desculpa com muita facilidade o que já é uma certa forma de orgulho.
Melhor do que culpa, seria sentir vergonha, guardar a cara no armário, meter-me sob os lençóis, trancar-me no quarto, mais perto da humildade e da humilhação.
Agora, ignorância? Pelo Sublime! Demais! Que vergonha!
Mas hoje testei minha paciência. Sentada de frente para um relógio inevitavelmente contei cinquenta minutos de nervosia, desabafo e gritaria da minha irmã que não tem a menor tolerância e lá vou eu julgar uma pessoa... que vergonha! Mas, mesmo assim, alguém sabe quanto vale a hora de um psicólogo?

quinta-feira, 19 de março de 2009

Deletando.


Acabo de deletar uma mensagem cheia de venenos mentais. Quem leu, leu. Quem não leu não lê mais. Bom carma para todo mundo!

sábado, 14 de março de 2009

A Essência do Ensinamento do Buda - Thich Nhat Hahn


Os Cinco sentidos (agregados) são interdependentes. Quando nos ocorre uma sensação dolorosa, devemos olhar para o corpo, para as nossas percepções, nossas formações mentais e nossa consciência, procurando a causa dessa sensação. Se tivermos uma dor de cabeça, a sensação dolorosa vem do Primeiro Agregado. Sensações dolorosas também podem se originar das formações mentais ou das percepções. Você pode, por exemplo, pensar que alguém o detesta, quando na verdade essa pessoa o ama.Observe com atenção os cinco rios que correm dentro de você e veja como cada um deles contém em si os outros quatro. Olhe para o rio do corpo. No início você pode achar que o corpo é apenas físico e não mental. Só que cada célula de seu corpo contém dentro dela todas as informações contidas no seu corpo inteiro. Hoje em dia já é possível duplicar o corpo inteiro a partir de uma única célula, o que chamamos de clonagem. A unidade contém o todo. Uma única célula do seu corpo contém seu corpo inteiro. Isso significa que todas as sensações, percepções, formações mentais e consciência estão contidas em uma única célula - não apenas os nossos, mas também os de nossos pais e de nossos ancestrais. Cada agregado contém todos os outros agregados. Cada sensação contém em si todas as percepções, formações mentais e consciência. Ao observar uma sensação, podemos descobrir nela os outros elementos. Observe à luz da interdependência, e verá o todo na unidade e a unidade no todo. Não pense nem por um instante que o corpo existe fora das sensações ou que as sensações existem fora do corpo.No Sutra Girando a Roda, o Buda diz: “Quando nos apegamos aos Cinco Agregados, eles produzem sofrimento”. Ele não disse que os agregados são, por si mesmos, o sofrimento. Há uma imagem no Sutra Ratnakuta que nos pode ser útil. Um homem joga um bolo de terra para um cachorro. O cachorro olha para o bolo de terra e late furiosamente, porque não entende que é o homem, e não o bolo de terra, o responsável por sua frustração. O sutra continua: “Da mesma maneira, uma pessoa comum, presa a conceitos dualistas, pensa que os Cinco Agregados são a causa de seu sofrimento, enquanto na verdade a raiz do sofrimento está na falta de compreensão da natureza impermanente, sem existência separada, e interdependente dos Cinco Agregados”. Não são os Cinco Agregados que nos fazem sofrer, mas a forma como nos relacionamos com eles. Ao observarmos a natureza impermanente, interdependente e sem existência própria de tudo o que existe, não sentimos aversão pela vida, mas, ao contrário, constatamos como a vida é preciosa.Sempre que não entendemos muito bem, apegamo-nos demais, ficando presos às coisas. No Ratnakuta Sutra, os termos “agregado” (skandha) e “agregado do apego” (upadana skandha) são usados. Os skandhas são os Cinco Agregados que dão origem à vida. A raiz de nosso sofrimento não está nos agregados em si, mas em nosso apego. Existem pessoas que, devido à compreensão incorreta da razão do sofrimento, em vez de lidarem com seus apegos, têm medo dos seis objetos dos sentidos e aversão pelos Cinco Agregados. Um Buda é alguém que vive em paz, alegria e liberdade, alguém que não tem medo nem está apegado a nada.Quando inspiramos e expiramos e harmonizamos os Cinco Agregados dentro de nós, realizamos a verdadeira prática. Mas praticar não significa nos limitarmos aos Cinco Agregados internos. Temos consciência de que os Cinco Agregados também têm raízes na sociedade, na natureza e nas pessoas com quem vivemos. Medite no conjunto dos Cinco Agregados dentro de você, até poder ver a unidade que existe entre você e o universo. Quando o Bodhisattva Avalokita contemplou a realidade dos Cinco Agregados, viu o vazio do “eu”, e se libertou do sofrimento. Se contemplarmos os Cinco Agregados com consistência, nós também nos libertaremos do sofrimento. Se os Cinco Agregados retornarem à sua origem, o sentido de “eu” deixa de existir. Enxergar a unidade dentro do todo significa romper com o apego a uma falsa idéia de “eu”, a convicção de que o “eu” é uma entidade imutável com existência própria. Romper essa falsa visão significa se libertar de todos os tipos de sofrimento.

terça-feira, 10 de março de 2009

Tchenrezig ou Chenrazi

Clique na imagem para vê-la ampliada
É o nome tibetano de Avalokiteshvara, em sânscrito e significa literalmente aquele que olha para baixo, personificando a misericórdia e a compaixão. Os Dalai-Lamas são considerados sua encarnação. é representado com onze cabeças e mil braços e cada um tem um olho na palma da mão para indicar sua atenção sempre desperta para atender aos que sofrem. Na China, esta entidade é vista como a dusa Kwanyin, deusa da misericórdia; uma deusa com um menino nos braços. A meditação de Tchenrezi é claramente um desses agentes de purificação. Em particular, graças ao pensamento "Eu sou Tchenrezi" - aquilo que se chama orgulho da divindade - purifica-se da assimilação a um eu comum; pela meditação do corpo da divindade, dos seus ornamentos, do campo puro, etc, purifica-se dos condicionamentos que produzem as aparências ordinárias. O resultado da purificação surge quando a mente está totlmente purificada da dualidade sujeito-objeto. então, revela-se o fruto, a fruição, a realização da verdade não-dual do modo de ser da mente, cuja natureza não é diferente dos três corpos do despertar: o corpo absoluto (dharmakaya), corpo de glória (sambhogakaya) e o corpo da emanação (nirmanakaya). Esses três corpos já estavam presente na base de purificação, mas em estado latente. No nível do resultado, eles são atualizados revelados em sua plenitude e em sua pureza.


A meditação de Tchenrezi (...) permite desenvolver o conjuntos de qualidades necessárias sobre o caminho, as seis paramitas:
1. motivação para realizar o bem dos seres - generosidade.
2. visualização e recitação do mantra e banadono das atividades ordinárias do corpo, fala e mente: ética
3. desconforto do corpo e da mente durante a meditação: paciência.
4. despende-se um certo esforço, sujeita-se à perseverança: diligência.
5. o corpo da divindade, o campo puro, os ornamentos, as sílabas do mantra são a claridade e a manifestação da mente em si mesma: conhecimento transcendente.
6. eliminação de pensamentos ilusórios, acumulação de mérito, compaixão, devoção, pacificação mental: visão superior.

Compilado do livro "Tchenrezi, o Senhor da Grande Compaixão" de Bokar Rinpoche - Editora Shisil (Shi: acalmar, pacificar - sil: refrescar, suavizar - estado da mente que proporcioa uma calma suave, refrescante, pacificação, refrigério, uma mente em paz.)

domingo, 8 de março de 2009

Beijo e/ou abraço?

Preste atenção prá você ver. Homens quando se abraçam ficam meio de lado e dão tapões nas costas. Muito comum em velórios.

Mulheres se abraçam de frente deitando a cabeça no ombro da outra. Sempre comum!

Mulheres se despendem escrevendo "beijo", beijão", um grande beijo", beijocas", beijinhos". Homens escrevem mandando "abraço", "grande abraço".

Já viu algum homem se despedir do outro dizendo "Então tá, um beijo!"?

Aliás, eu ouvi. Tem um carinha aqui no prédio que é a maior comédia: interfonou para o porteiro, falou o que queria e depois disse: "Então tá. 'Brigado. Um beijo" Só de gozação. A gente tava na portaria, ouviu e caiu na risada!

Mais Clarisse

“Existir não é lógico.”

“Já que sou, o jeito é ser.”

“Sou um homem que tem mais dinheiro do que os que passam fome, o que faz de mim, de algum modo, um desonesto.”

“Quem não tem pobreza de dinheiro tem pobreza de espírito ou saudade por lhe faltar coisa mais preciosa que ouro – existe a quem falta o delicado essencial.”

“... mas sem fazer estardalhaço de minha humildade, que já não seria mais humildade.”

“O dia de hoje e o dia de amanhã será um hoje; a eternidade é o estado das coisas neste momento.”

“Isso será coragem minha, a de abandonar sentimento antigos, já confortáveis.”

“A palavra não pode ser enfeitada e artisticamente vã; tem que ser apenas ela.”

“O que eu vou escrever já deve estar, na certa, de algum modo, escrito em mim.”

“Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias.”

“Se der para me entenderem, está bem. Se não, também está bem.”

“Para que escrevo? E eu sei? Sei não.”

“... assim como um cachorro não sabe que é um cachorro.”

“Quando acaricio a cabeça do meu cão sei que ele não exige que eu faça sentido ou me explique.”

A Coragem de Continuar


Como diz o Sutra da Maitri: “Com uma mente ilimitada podemos amar todos os seres viventes, irradiando amizade por todo o mundo, acima, abaixo e à volta, sem limitação.” Na prática da equanimidade, treinamos para alargar nosso círculo de compreensão e compaixão, para incluir o bom e o mau, o bonito e o feio. No entanto, a equanimidade sem limitação, totalmente livre de qualquer preconceito, não é a mesma coisa que uma harmonia definitiva onde tudo, finalmente, está bem. É mais o caso de estarmos totalmente engajados com o que quer que venha bater à nossa porta. Poderíamos chamá-la de estar completamente vivos.O treinamento da equanimidade requer que deixemos para trás alguma bagagem: o conforto de rejeitar grandes pedaços de nossa experiência, por exemplo, e a segurança de dar boas-vindas somente àquilo que nos é agradável. A coragem de continuar com esse processo de desdobramento vem da autocompaixão e de nos darmos tempo bastante. Se continuarmos a praticar dessa maneira, por meses e anos, sentiremos que nossos coração e mente se tornam maiores. Quando as pessoas me perguntam quanto tempo leva isso, eu digo: “Pelo menos até você morrer.”


Sempre que alguém perguntava a um certo mestre zen como ele estava, invariavelmente respondia: “Eu estou bem”. Finalmente, um de seus alunos disse: “Roshi, como você pode estar sempre bem? Você não tem dias ruins?” O mestre respondeu: “Claro que tenho. Nos dias ruins, eu estou bem. Nos dias bons, eu também estou bem.” Isso é equanimidade.


Ani Pema Chödrön, Os lugares que nos assustam, Editora Sextante, Rio de Janeiro, 2003

Dia Internacional do Bicho Mulher

Hoje recebi um montão de parabéns, vídeos, mensagens, crônicas. Agradeci bonitinha do jeito que mamãe educou.

Mas, lusobrasileira e andaluz que sou, "estou cá cós meus butóes": será que merecemos um dia só prá nós? Já que temos o dia das Mães, esse deve ser prá quem não é? Não deixamos de fazer nada do que fazemos em qualquer dia do ano. Tudo igualzinho. No mínimo um botão de rosa no supermercado é o que ganhamos de presente. Jabor fez um vídeo, mas o Jabor é o Jabor.

Pelo Orkut, um homem me pede desculpas pelas atrocidades cometidas por eles! Gente! Quê isso?

Conheço mulheres capazes de maldades, fúrias, desdéns, rancores, invejas, ofensas, hostilidades, vinganças e azedumes. As mulheres perversas, maquinam, arquitetam e, na hora certa, raposas, aranhas, cobras, dão o bote. São perpetradoras de crimes horrendos. Vide televisão e afins.

Ninguém dá um gelo tão bem dado quanto nós. Eu mesma já consegui quinze dias. A mágoa, também chamada de má-água, quando entra, custa prá sair. A raiva ainda é melhor; sai aos berros e hospeda por menos tempo.

Sei que vai ter mulher brigando comigo por esta postagem. Mas será por irritação ou porque a carapuça serviu!

A mais pura verdade é a que o Grande Compassivo falou. Eqüanimidade. Somos todos seres humanos! Seres sencientes!

Ah! Meu marido está lavando roupas. Na máquina, mas tudo bem. Já lavou o terraço de cocô e xixi da cachorra e disse que vai fazer almoço! Fofo!

Sugestão: http://mulheresmalvadas.blogspot.com/2004/12/as-mulheres-mais-perversas-da-histria.html