-->
Mostrando postagens com marcador dzogchen. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador dzogchen. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Ensinamentos do mestre que nasceu do lótus - Uma coleção de instruções de Padmasambava à Dakini Yeshe Tsogyal e a outros discípulos próximos.

Padmasambava e Yeshe Tsogyal

Testamento do Prego Precioso
"Independente de quão profundos, vastos ou todo-abrangentes os ensinamentos da Grande Perfeição possam ser, todos eles estão inclusos no seguinte: não medite ou fabrique nem que seja um átomo e não se distraia nem que seja por um instante.
Há o perigo de pessoas que não compreendam essa instrução utilizarem-se do chavão: 'Tudo bem não meditar!'. A mente delas continua presa às distrações das atividades do samsara, sendo que, quando alguém vivencia a natureza da não meditação, deveria liberar o samsara e o nirvana na igualdade. Ao atingir a iluminação, deve-se estar definitivamente livre do samsara, de forma que as emoções perturbadoras cessem naturalmente e tornem-se estado desperto original. Que utilidade tem uma realização que falha em reduzir as emoções pertubadoras?
De qualquer modo, algumas pessoas cederão aos cinco venenos enquanto se abstém de meditar. Não constataram a natureza verdadeira e, seguramente, irão para o inferno.
Não professe uma visão que você não tenha alcançado! Já que a visão é isenta de ver, a essência da mente é uma extensão de grande vacuidade. Já que a meditação é sem meditar, deixe a sua experiência pessoal livre de fixação. Já que a conduta é sem agir, ela é naturalidade não fabricada. Já que a consumação é sem renunciar ou conquistar, ela é o dharmakaya da grande bem-aventurança. Essas quatro frases são palavras vindas do meu coração. Contradiga-as e você falhará em descobrir a natureza da Ati Yoga."

Editora Makara - página 29

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Lições do mestre Mingyur Rinpoche - Como lidar com o sofrimento?

Mingyur Rinpoche

O monge Mingyur Rinpoche estará no Brasil em agosto para difundir os ensinamentos do budismo tibetano. Sua agenda inclui ainda palestras sobre o seu livro Joyful Wisdom.
Mingyur Rinpoche estará no Brasil de 24 a 31 de agosto.

No Rio de Janeiro, dará o primeiro nível Dzogchen- Mahamudra, um alto ensinamento do budismo tibetano, duas iniciações (Karma Pakshi e Guru Rinpoche) e duas palestras públicas. Em São Paulo, ensinará a continuação do segundo e do terceiro nível de Dzogchen-Mahamudra a seus alunos, dará uma iniciação pública dos Mil Budas, duas palestras sobre seu livro Joyful Wisdom e outra denominada A Ciência da Meditação. Mais informações no site http://yongeybr.tripod.com/
Qual o meio mais habilidoso de não se cortar nas lâminas afiadas apresentadas pela vida? Mingyur Rinpoche, monge tibetano de 33 anos que hoje reúne milhares de alunos em todo o mundo, ensina no seu mais novo livro, Joyful Wisdom (Alegre Sabedoria), como enfrentar situações difíceis sem sofrer mais do que o necessário.
Nos monastérios onde viveu, ele era sempre o menorzinho da turma. Passava por debaixo das mesas quase sem abaixar a cabeça, corria de lá para cá como um ratinho e zanzava entre os monges mais velhos sem ser percebido. “Quando a sala de meditação estava cheia, vinha sempre alguém na minha direção para se sentar onde eu estava, pois era tão miudinho que o lugar parecia estar vazio”, conta ele.
Talvez por aparentar tamanha fragilidade e sentir-se tão desprotegido, o pequeno Yongey Mingyur sofreu muito. Tinha frequentes ataques de pânico, sentia-se amedrontado com as enormes (para ele) dimensões do monastério e atravessou noites seguidas com pesadelos horrorosos porque achava que alguém fosse acusá-lo de ter quebrado o vidro da sua janela que, um dia, apareceu rachado.
Justamente por isso, ninguém melhor do que ele para saber o que uma pessoa sente diante de uma situação que lhe parece avassaladora.
Seguindo os ensinamentos que lhe foram passados por seus mestres budistas, pouco a pouco Rinpoche começou a entender o processo de como caía nas armadilhas dos seus pensamentos e começava a sofrer. Algo que todos nós fazemos sem darmos conta.
No seu primeiro livro, Alegria de Viver, Descobrindo o Segredo da Felicidade (Campus Elsevier), Mingyur Rinpoche conta como superou seus traumas por meio da meditação. No segundo, o recém-lançado Joyful Wisdom (ainda sem tradução em português), ele explica quais atitudes e recursos temos para nos poupar do sofrimento inútil ou minimizar as dores que não se pode evitar. Acompanhe aqui algumas das preciosas lições de sabedoria do monge tibetano, ensinadas em seus livros, cursos e palestras. Com certeza elas têm a possibilidade de nos conduzir a uma vida mais plena, alegre e cheia de sabedoria.
o0o
1 - Dê um passo para trás

Dizem os ensinamentos budistas: não importa qual a situação, sempre é possível observá-la de outra perspectiva. Uma coisa é olhar para um rio mergulhado dentro dele, outra é vê-lo da margem e vislumbrar melhor o que ele é, o seu curso e onde vai parar. “Quando estamos totalmente imersos dentro da água, ou, de maneira correlata, dos nossos sofrimentos, podemos nos afogar sem perceber”, diz Mingyur Rinpoche. Nessa situação, a água entra pelo nariz, turva os olhos, não conseguimos respirar. “Não há nenhuma vantagem em permanecer assim. Então, nem que for por um instante, precisamos tentar sair da situação para encará-la de outra maneira”, ensina. Pelo menos para inspirar um pouco de oxigênio, se afastar da turbulência, nos fortalecer. Por momentos, podemos ver que não somos o próprio rio, só estamos envolvidos nele. Dar um passo para trás e observar o que acontece de outro ângulo é essencial para desenvolver outra perspectiva."Esse afastamento da situação pode ser muito positivo. A partir desse momento, ela não tem mais o poder de nos arrastar para o fundo do poço”, afirma o mestre. Esse distanciamento nos oferece uma nova visão da realidade, mais verdadeira e abrangente.
o0o
2 - Acolha a dor

“Os ensinamentos de Buda feitos há 2 500 anos não dizem como superar a solidão, o desconforto e o medo que preenchem nossa vida. Muito pelo contrário. Suas lições mostram que só seremos capazes de encontrar a liberdade ao aceitar os sentimentos provocados pelos percalços em que esbarramos no caminho”, relata Mingyur. Dessa maneira, podemos acolher o incômodo que as instabilidades nos trazem, sem deixar que elas possam nos imobilizar completamente. “Percebemos que estamos sofrendo, aceitamos essa condição. No entanto, não somos mais engolidos pela dor.”Uma das formas de facilitar esse processo é a meditação. Durante a prática, também podemos perceber o rio dos nossos pensamentos, e a turbulência emocional que se origina deles. “Mesmo hoje, 20 anos depois de aprender a meditar, ainda estou sujeito à maioria das emoções humanas”, conta Rinpoche. “Dificilmente seria alguém que poderia ser chamado de ‘iluminado’. Me canso, como todo mundo. Algumas vezes estou zangado, frustrado ou aborrecido. Mas agora, tendo aprendido a trabalhar com minha mente, percebi que essas experiências mudaram de nível.” Em vez de ser soterrado por elas, Mingyur aprendeu a acolhê-las e a aproveitar as lições que elas oferecem.
o0o
3 - Não compre o pacote todo

O cérebro humano está constantemente processando diversas faixas de informação por meio dos cinco sentidos. Ele as compara com experiências passadas, presentes e por vir, prepara o corpo para reagir de certa maneira e, ao mesmo tempo, áreas relacionadas com a memória e com a projeção do futuro são ativadas. Para facilitar esse processo de cognição, descarta algumas informações e sintetiza aquelas que selecionou num único pacote. É um sistema complexo que funciona razoavelmente bem para o que precisamos no dia-a-dia. “Mas a maneira de ele funcionar traz uma desvantagem ao ver as coisas como um todo”, diz o monge. “Dessa forma, podemos perder muitos dados importantes que teriam a capacidade de influir e modificar a nossa avaliação de determinada situação.” Ou seja, baseados em informações gerais fornecidas pelo cérebro, pensamos que a situação é de um determinado jeito, mas, na realidade, ela pode ser de outro. Trocando em miúdos, existe uma grande chance de estarmos completamente enganados.
o0o
4 - Desconfie dos seus julgamentos

Uma história contada no livro Joyful Wisdom ilustra bem essa possível interpretação equivocada da realidade. Certa vez, Mingyur Rinpoche estava no museu de cera de Paris, quando viu uma estátua do Dalai-Lama. Era uma reprodução perfeita e vívida do líder espiritual tibetano, embora estivesse ligeiramente na penumbra. Ele então chegou mais perto para olhar todos os detalhes, pois conhece Sua Santidade bastante bem. Estava assim entretido, quando um casal se aproximou. Ele não percebeu sua presença e continuou a atenta observação. Por sua vez, os dois turistas também o observavam detidamente, pensando que Rinpoche fazia parte da cena moldada com cera: o Dalai-Lama com um monge pequenininho ao lado. “Quando finalmente eu me mexi, os dois deram um grito de pavor”, lembra. “Eu, por minha vez, levei um susto com a presença deles. Depois de nos recuperarmos do choque, e darmos boas risadas juntos, me ocorreu que esse episódio fugaz era capaz de revelar um dramático aspecto da nossa condição humana”, conta Rinpoche. “Vemos o que esperamos ver, limitados por nossa própria capacidade de observação. E o que percebemos pode não ser a realidade como ela é.” Nos agarramos em nossas percepções e conclusões, e a defendemos com unhas e dentes, sem perceber que elas têm grande chance de não serem reais. “A realidade pode bem ser diferente daquilo em que acreditamos. Para compreender o que uma situação realmente é, teríamos de estar num estado que Buda chamou de ‘iluminado’”, explica o monge no seu livro. Ou seja, num estado não limitado por nossas percepções errôneas. A iluminação é como se, de repente, se acendesse a luz de um quarto escuro e a gente fosse capaz de ver como ele realmente se apresenta. E assim poder dizer: “Nossa, aquela coisa em que eu tropeçava sempre é uma mesa! Aquela outra coisa que achava que era um criado-mudo é uma cadeira!” Traduzindo: olhamos para a vida dominados por nossas percepções, concepções e emoções. E elas são filtros que distorcem a realidade. Portanto, aceitar que nossa visão tende a ser limitada, e que podemos não ter razão em nossos julgamentos, é sempre um bom começo para diminuir e relativizar as emoções dolorosas provocadas por eles.
o0o
5 - Aceite que sofrer faz parte da vida
Sofremos por diferentes razões. Mas uma das distinções mais cruciais, no entanto, é saber distinguir o sofrimento “natural” do sofrimento “autocriado”. O primeiro inclui tudo aquilo que não podemos evitar na vida. Classificados nos textos budistas como as dores ligadas ao nascimento, envelhecimento, doença e morte, são experiências que fazem parte das transições mais importantes da existência. Eles se apresentam como condições naturais que envolvem o desconforto físico. Mas há outro tipo de sofrimento que se desenvolve com base em avaliações psicológicas autocriadas, experiências que surgem de nossa interpretação de fatos e eventos, como ressentimento ou raiva contra as pessoas que não vivem do jeito que a gente gosta, inveja de quem tem mais do que nós ou uma ansiedade paralisante quando não há a mínima razão para isso. “Esses sentimentos dolorosos gerados por nossas concepções são baseados em histórias que contamos a nós mesmos, fortemente enraizadas em nosso inconsciente, sobre não ser suficientemente bom, rico o bastante, bonito ou seguro na medida certa, ou outras formas parecidas”, diz Rinpoche. O sofrimento autocriado é essencialmente uma invenção mental. “É como eu mesmo pude constatar com relação à minha própria ansiedade e medo, não é menos doloroso do que o natural.”“Mas, em vez de ficar julgando com pensamentos como ‘Por que eu estou sozinho?’, ‘Será que tem um jeito de sair disso?’, ‘Não quero mais sentir tal coisa de jeito nenhum!’, poderíamos olhar para esses sentimentos dolorosos e dizer que há solidão, há ansiedade, há medo, como se essa dor fosse uma condição não pessoal, mas algo que simplesmente faz parte da vida”, aconselha o monge. É uma maneira de compreender a Primeira Nobre Verdade ensinada por Buda: a de que o sofrimento (dukkha) existe e de que é uma condição natural da humanidade.“A palavra dukkha é traduzida no Ocidente, de uma maneira um tanto pesada, por sofrimento. Mas o termo se refere mais a um desconforto, algo que incomoda, aquela coisa que raspa no peito mesmo quando a gente está feliz”, explica o monge tibetano. “Aceitar que essa dor existe e que pertence ao nosso mundo, e não ficar o tempo todo lutando contra ela como algo a ser subjugado, é o primeiro grande passo para cessar aquilo que nos faz sofrer.”

Da Revista Bons Fluidos - Junho de 2009 -Direção de arte • Camilla Sola Texto • Liane Alves

terça-feira, 19 de maio de 2009

Avatar: Um Bodisatva Não é Uma Lenda - Um paralelo entre os ensinamentos budistas e a série de animação Avatar



Se você é uma ou um praticante budista, tem um filho pequeno e, depois da conversão, anda com medo do que o pimpolho anda vendo pela TV, jogando na escola, se influenciando por aí, saiba que nem só de inferno vive a mídia.
Esses tais tempos de degenerescência têm esse nome complicado porque é assim que o mundo está, dizem. Como tudo que nasce um dia vai declinar, não seria diferente com o Darma. Ele nasceu e vai se extinguir.
E os “sinais dos tempos”, como dizem os profetas, são esse mundo de influências que nos rodeia e nos faz de marionetes, pipocando pra lá e pra cá, coçando a cabeça diante de um monastério, sorrindo prum méquidonaldis, sentando a bunda numa choupana na beira de um penhasco himalaio e batendo uma bolinha com os amigos, como se tudo fosse a mesma degenerada e feliz coisa.
Bom, por um lado, é mesmo. Para a visão última, para a natureza búdica, para a tradição Dzogchen nada escapa do fio da natureza primordial. Logo, em última análise (última mesmo), não há nada errado com o mundo e Buda está inclusive na carne de minhoca que você come todo dia depois de pagar no mínimo cinco pilas no draivetru. Mas o próprio Guru Rinpoche nos alerta sobre o risco de tomarmos isso como desculpa para não praticar. Em outras palavras: tudo já é, mas você está vendo que é?
Bom, mas o que acontece nesses tais tempos de degenerescência é que tanto coisas positivas quanto negativas, tanto caminhos para a iluminação quanto iscas do samsara, vem no mesmo balaio.
A prática é gerar o olho que sabe filtrar essas coisas para poder pescar as mais tenras e puras. Estou longe de ter desenvolvido esse olho, mas suspeito que uma das coisas boas, ou seja, com forte potencial de mostrar o caminho que pode nos conduzir à liberação, ou, para usar o jargão cebbiano, um bom meio hábil que está sendo transmitido (ora vejam!) pela Rede Globo de Televisão (um dos mais potentes balaios que tudo transmite, comparável ao Império Romano, que aceitava todas as religiões como estratégia de dominação) é um desenho animado chamado Avatar: a lenda de Aang (Avatar: The Legend of Aang).
Na verdade, ele é de propriedade da Nickelodeon e pode ser baixado na íntegra no site Mundo Avatar. Na TV Globinho ele passa com cortes por causa do curto horário e já está na terceira temporada. Vale a pena entrar no site e ver desde o primeiro episódio para acompanhar bem a saga de Aang.

Há muito tempo as nações viviam em paz e harmonia. Os quatro elementos conviviam tranquilamente. Mas tudo se desequilibrou quando a Nação do Fogo resolveu atacar. O Avatar domina os quatro elementos e é o único que pode restabelecer a ordem. Contudo, devido a crises naturais que brotam quando um ser é diferenciado dos demais, ele se isolou e permaneceu congelado por 100 anos. Quando ele retorna, encontrado por um casal de irmãos (uma bela dupla Espírito/Carne; Feminino/Masculino; Coragem/Medo; Determinação/Preguiça; Katara/Sokka) o planeta está mergulhado em guerra. A primeira temporada inteira conta a viagem dos três rumo ao Pólo Norte.

Os detalhes peculiares e interessantes estão, por exemplo, no paralelo AvatarTulku. Ou seja, o Avatar também é uma reencarnação de um Avatar anterior, chamado Roko. Ele aparece para o menino, apontando caminhos, buscando encorajá-lo, mostrando que, na verdade, eles são a mesma pessoa.
Também o Avatar é reconhecido através de testes muito parecidos com aqueles que se fazem para localizar os grandes mestres reencarnados. E isso acontece num monastério, onde Aang convive com centenas de outros mongezinhos que brincam e se divertem, numa espécie de reprodução dos cenários que vemos em filmes como "A Copa" e "Samsara".
Também é muito interessante ver como, apesar de ele ser um Avatar reconhecido, ele precisa treinar como todos os mestres budistas. Nesse aprendizado, ele se mostra incrivelmente humano e tipicamente infantil (não infantilóide), o que o aproxima muito do público telespectador: fica irritável quando não consegue aprender logo, não tem muita paciência pra meditar, uma das exigências de um dos mestres dele. Ao mesmo tempo, a exemplo do próprio Buda, mostra-se surpreendentemente hábil, como se todo aquele conhecimento já estivesse presente desde sempre dentro dele.

Dois dos episódios mais significativos da primeira temporada (a única a que assisti até agora): em um deles, Aang precisa pacificar um espírito da floresta. É hilário e encantador ver que ele não tenta fazer isso através da força, mas busca conversar com o espírito, amigavelmente, de acordo com a sua tarefa como Avatar (e como bodisatva?). Ao fim, meio sem saber como, ele faz a ponte entre o mundo espiritual e o terreno, num claro exemplo de xamanismo, o que nos remete à noção budista de que estamos constantemente vivendo em bordos, ou seja, num limiar tênue em relação à verdade última. Rituais budistas como o Sur (Puja do Fogo) são ótimos exemplos dessa tentativa de conexão. O outro episódio se chama “A Grande Divisão” e nada mais é do que a atividade incessante de um bodisatva. Duas tribos – claramente Reino dos Deuses e Reino dos Infernos ou Fantasmas Famintos – que se odeiam precisam atravessar uma encosta lado a lado e Aang deverá ser o mediador dos conflitos que surgirão. Conflitos esses que se iniciaram por um grave mal-entendido, ou de acordo com a designação do próprio Avatar (não vou contar pra não perder a graça). O mágico é: a mente construindo mundos.

Um outro detalhe muito interessante é que, mesmo que haja um vilão (ou mais de um), como todo desenho de aventura que se preze deve ter, há um esforço em mostrar o lado humano e as motivações que levam, no caso, por exemplo, o príncipe Zucco a caçar tão desesperadamente o Avatar. Há até um ensaio de amizade entre os dois. O que contribui para isso é justamente a questão dos elementos, ou seja, todos os elementos convivem em paz. A vida na Terra é harmoniosa se os elementos estão equilibrados. Não é um inimigo que resolve dominar, mas um desequilíbrio que acontece naturalmente, como quando há uma enchente ou uma fileira de casas é queimada.

Na dúvida, resolvi fazer o teste com um primo meu, chamado Gabriel, de 9 anos. Ele iniciou a conversa acusando a Nação do Fogo de ser “do mal”, mas diante de alguns episódios e alguma conversa depois, ele logo estava vendo diferente. Aspiro que sigamos nesse diálogo e se possível postarei outros relatos da conversa aqui.

Não costumo ver tevê e tenho a tendência a refutar os excessos – às vezes caindo perigosamente no caminho do ouvinte/obedecente –, mas devo dizer que Avatar é uma boa recomendação. Nada passa despercebido e nenhum personagem parece estar aí por acaso. Eles vão se revelando aos poucos, mostrando suas funções e sempre, me parece, contribuindo para uma percepção lúcida da realidade. Esteja atento para o que vê. Esteja atento para o que seus filhos vêem. Aproveite para trocar uma ideia com eles de igual pra igual.
Mas deixe a liberdade operar. Mais cedo ou mais tarde, todos vamos nos liberar. Agora, quando podemos acelerar esse processo, é bom aproveitar. EMAHO!
Da revista "Bodisatva - Um Olhar Budista"

sábado, 15 de novembro de 2008

Dalai Lama

"Enquanto está buscando essa certeza dentro de si mesmo, se a sua mente anda por todos os lugares pensando: 'Talvez isso seja melhor, ou talvez aquilo...', agarrando-se em uma coisa atrás da outra, acabará não chegando a lugar algum. Por isso é importante que comece chegando a uma decisão e prossiga com base nessa decisão. Você precisa 'decidir com absoluta convicção que não há nada além disso."

"Dzogchen, A Essência do Coração da Grande Perfeição" - Sua Santidade, o Dalai Lama - Editora Gaia - pág. 78.