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domingo, 6 de março de 2011

Para Christopher e anônimo. Respondendo aos comentários.

A cura está dentro de nós, pessoal! Afinal somos nós que vivemos vinte e quatro horas com todo nosso organismo, corpo, fala e mente! Hoje não estou bem, mas amanhã posso melhorar. Esta é a minha simples e vívida constatação da impermanência. Um ingênuo mas sábio ditado popular diz que "de hora em hora, Deus melhora". Não tenho a ilusão de que a simples leitura de um livro possa me "curar", mas ele pode me trazer algum vislumbre, um insight que eu possa aproveitar. Nunca acreditei que alguém curasse alguém, que a dor de alguém se comparasse com a nossa ou vice-versa. Nem por isso deixamos de ler, de ir ao médico, ao psicólogo ou ao psiquiatra. Eu mesma já dispensei muitos profissionais como se fechasse um livro que não me interessasse mais. No entanto, continuo lendo, continuo buscando e rezo, peço ao universo que todos os seres possam se ver livres do sofrimento e de suas causas. Mas também que todos estejam a salvo de gerar pensamentos negativos, o obstáculo mais destrutivo. Que esses pensamentos nunca surjam em nossa mente e que todos os seres estejam livres de pensamentos negativos. Seguimos em frente, eu já numa idade meio assustadora, algumas funções corporais não funcionando tão bem quanto antes, certas fraquezas tomando-me de assalto, prossigo e sei que um instante virá em que tudo terá o seu fim determinante, seja ele como for. Espero ter forças e as desejo a todos! 
Losar Tashi Delek!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Uma prática que cura.

Gradualmente, à medida que vocês permanecem abertos e atentos e usam uma técnica para concentrar sua mente mais e mais, a sua negatividade será lentamente neutralizada, vocês começam a se sentir bem em sua própria pele, ou, como dizem os franceses, être bien dans sa peau ("bem em sua própria pele"). Vem daí a facilidade de libertação e um profundo conforto. Eu considero esta prática como a mais eficaz forma de terapia e auto-cura.

Gradually, as you remain open and mindful, and use a technique to focus your mind more and more, your negativity will slowly be defused; you begin to feel well in your own skin, or, as the French say, être bien dans sa peau (“well in your own skin”). From this comes release and a profound ease. I think of this practice as the most effective form of therapy and self-healing.

Sogyal Rinpoche

domingo, 2 de maio de 2010

O significado da palavra Mandala.



Mandala é uma palavra sânscrita para círculo de cura ou mundo inteiro. É uma representação do universo e de tudo que há nele. Khyil-khor é a palavra Tibetana para mandala e significa "centro do universo onde um ser totalmente iluminado habita". Os círculos sugerem totalidade, unidade, o útero, completude e eternidade. Elas não representam uma estranha realidade, e sim, um mundo iluminado que sempre existiu que é revelado quando as manchas da raiva, apêgo e ignorância são transformados. Paradoxalmente estes mundos iluminados são construídos das mesmas energias que nós, em nossa visão dualística, percebemos como raiva, apêgo e ignorância, mas no estado iluminado, inabalável, são vistos como força, compaixão e sabedoria. Portanto, mandalas são projetos arquitetônicos ou vistas aéreas de palácios celestiais constuídos de conceitos iluminados.

As Mandalas no Budismo Tibetano
Os monges tibetanos criam estas imagens arquetípicas para nos lembrar do ciclo de vida e morte. No Tibet, o processo de se criar uma mandala é tão importante quanto a mandala em si. Levam-se anos de preparação e treinamento para se ganhar a habilidade e conhecimento apropriado para pintar uma mandala. Mesmo quando se está apto para pintar, ainda é feita uma meditação de três dias antes que se deem as primeiras pinceladas. Existem muitos tipos de mandala no Tibet tais como a "transmutação de forças demoníacas" e "fortalezas cósmicas". As primeiras são reconhecidas por suas imagens de fogo sinistras, dragões e guerreiros onde se tem a impressão geral de dinâmica ou movimento de energias. As "fortalezas cósmicas" criam um visual de paz, de lugar seguro, repleto de deuses, deusas lótus e figuras angelicais que possuem a função de nos proteger e nos abençoar a medida que nos sintonizamos com o nosso próprio ser interior, aquele centro dentro de nós mesmos. As mandalas de areia são um tipo especial de se fazer mandalas desenvolvido por monges budistas tibetanos. Com padrões intrincados que refletem os vários tipos de compreensão, são criadas em uma superfície plana com areia fina colorida afunilada através de um fino tubo de metal, criando estas formas circulares em três dimensões. Elas podem ser apreciadas por sua beleza, pela variedade de cores e imagens intrincadas e detalhes meticulosos. Antigamente no Tibet era usada a areia moída de pedras coloridas para se fazer as mandalas. Hoje, pedras brancas são moídas e depois tingidas com guache opaco para produzir os tons fortes encontrados nestas pinturas de areia. As cores básicas são azul, vermelho, amarelo e verde com três tonalidades - o escuro, médio e o claro - num total de quatorze cores. A construção destas mandalas é um ritual que pode demorar até um mês com um ou dois monges devotando os seus dias nesta experiência meditativa. O desenho é ritualmente preenchido com areia colorida durante dias e depois é riscada nas quatro direções com o dorje do mestre e varrida sobre o tablóide onde foi feita e jogada num rio ou ao vento para representar a impermanência da vida. A areia que se torna abençoada através do processo de feitura da mandala é tida para beneficiar a terra ou rios onde ela é jogada. Os tibetanos acreditam que uma mandala de areia contém o conhecimento para se adqüirir iluminação dentro desta vida.

Mandalas no Ocidente
Existe também uma tradição de círculos de cura no Ocidente. Um simbolismo poderoso pode ser observado nas pinturas nativas do índio Americano, nas rodas medicinais e escudos de guerra. As rodas medicinais representamo universo, mudança, vida, morte, nascimento e aprendizagem. O grande círculo é a hospedaria de nossos corpos, nossas mentes e nossos corações. Apesar de existir muitos paralelos com as mandalas tibetanas, os nativos americanos nunca usaram a palavra para descever seus próprios círculos sagrados. Na Europa, as mandalas herméticas, apesar de desenhadas linearmente, podem ser também circulares. Simbolismos da Alquimia, Kabbalah, geometria e numerologia possuem um papel importante na criação e desenho destas. A arquitetura das catedrais góticas nos mostram um outro caminho para a iluminação os vitrais rosáceos foram construídos nos tempos da praga e da guerra. Como mandalas, eles eram construídos para ser um símbolo de iluminação do espírito humano. Sentando-se no escuro e contemplando a luz que vaza através dos desenhos inspirados nos proporcina uma experiência poderosa e reveladora.

Jung e as Mandalas
Foi Jung quem nos chamou a atenção desses desenhos circulares percebido por ele enquanto estudava religião Oriental. Ele percebeu que seus clientes experienciavam estas imagens circulares como "movimentos em direção a um crescimento psicológico, expressando a idéia de um refúgio seguro, de reconciliação interna e inteireza". Para Jung as mandalas são vasos ou embarcações na qual nós projetamos nossa psique que retorna a nós como um caminho de restauração. Ele reconheceu que figuras arquetípicas (símbolos universais) de várias culturas podiam ser identificados nesta expressão espontânea do inconsciente. Os círculos são universalmente associados com meditação, cura e o sagrado que podem funcionar como chaves para os mistérios de nosso reino interior, que se usados para esta finalidade podem nos levar de encontro com os mistérios de nossa alma.

De uma “Melhor Resposta” do Yahoo! de uma pessoa que se auto denomina Índio. Mas, com certeza ele tirou isso de algum livro que ele não especifica. Fiz algumas retificações.

terça-feira, 14 de julho de 2009

E agora?

Acabei de acordar. Com a mente clara, depois de um sono tranqüilo e revigorante, tive um insight sobre o que causou minha síndrome de pânico. Se for isso, estarei curada? Devo perguntar para Allan Wallace* que aconselha que, como um laser, foquemos a mente no passado até para além da idade que temos no momento. Acho que já o fiz e pela segunda vez. A outra foi durante uma noite de insônia, deitada no escuro. A regressão com uma psicóloga não conta porque não funcionou.

Não afirmo, mas sinto com muita intensidade que, na minha vida anterior, estive presa em um campo de concentração nazista. Fui “coletada” em Bergen-Belsen e transferida para Auschwitz-Birkenau. O nome Treblinka não me é desconhecido, mas como foi o primeiro em extermínio, talvez tenha passado por ele e depois, “transferida”. Não me causa uma impressão tão grande quanto os dois primeiros onde, com certeza minha, fui “exterminada” em Auschwitz-Birkenau com a idade de vinte e poucos anos.

Como uma pluma movida pelos ventos do carma, passei pelo bardo sem instrução nenhuma e vim cair aqui, nessa vida, no Brasil, um lugar onde as pessoas mais viajadas dizem que é o melhor para se viver. Os outros países, só para se conhecer. Meu mestre, um refugiado tibetano, depois de escapar das garras do governo chinês, morou no Canadá e nos Estados Unidos. Por onde passou, criou centros de meditação, mas fixou residência aqui e aqui faleceu. Sua viúva e uma de suas alunas mais antigas, ambas dos Estados Unidos, também vivem aqui. São lamas residentes.

Desde a minha mais tenra idade, não me sentia uma criança feliz. Os adultos me assustavam, eram como que mandantes de tudo o que eu devia fazer e eu fazia por medo de punição! Kapos? Meu pai era um dentista muito bravo, mandão e tinha horror de sentar em sua cadeira para tratamento. Mais tarde, já adulta, nunca mais permiti obturações de ouro nos meus dentes. Também não uso jóias e, as poucas que possuo, tenho vontade de vender. Desapego-me fácil das coisas de valor monetário. Valor para mim é outra coisa. Já tive vontade e medo de morrer.

Sou decoradora. Cursei quatro anos na Fundação Universidade Mineira de Arte, uma escola referência nos outros estados com muitos colegas de outras cidades. Tive uma educação acadêmica muito boa assim como a maioria dos judeus tinha. Mas não era uma aluna exemplar. Tomei uma bomba em matemática. Só na universidade é que me destaquei.

As casas de enxaimel da região sul do Brasil sempre me encantam. Os móveis recortados também. Apesar de ter um português e inglês corretos, francês e espanhol medianos, recuso-me a aprender alemão e italiano. Nem Hitler, nem Mussolini. Aliás, só sei dizer “Ahchtung!”

Meu irmão mais velho foi para a escola aos quatro anos de idade. Fui com minha mãe levá-lo, mas, ao vê-lo desaparecer no corredor, tomei-me de um choro só contido pelas explicações de minha mãe que dizia que ele iria voltar de tarde, mas aquelas palavras me soaram falsas. São Tomé, só acreditei vendo!

Quando foi a minha vez, tornei-me ainda mais triste e taciturna. Ao mudar de colégio, nunca fui de ter muitas amigas, colegas próximas, talvez umas três ou quatro. Mas em casa, na vizinhança, as amizades foram em grande número e como que eternas, durando até os dias de hoje. Aí, sim, fui feliz!

Aos dezenove anos de idade, perdi meu irmão caçula de apenas nove. Foi o gatilho. Aos vinte e poucos tive a primeira crise caracterizada por um medo irreconhecível. Não era de morrer, mas mais como que de ficar louca, petrificada de medo. Convivi com isso e, sem contar para ninguém, casei-me e tive meus três filhos.

Aos trinta e poucos, uma nova crise sobreveio ainda mais forte. Tenho para mim que esta foi a idade que teria se viva fosse quando me reencarnei. Então, procurei ajuda profissional para poder ter um mínimo de qualidade par educar meus filhos e trabalhar. Aliás, trabalho sempre foi um enorme problema para mim. Gosto, procuro, mas sempre acho um patrão que me maltrata e, não suportando mais, peço demissão, ou sou despedida, descartada. Trabalho forçado, nunca mais. Não consigo trabalhar por conta própria apesar de ter qualificações muito boas para qualquer coisa. Parece que me acostumei a ser mandada.

Se alguém achar que isso é maluquice, está bem. Mas para mim, faz muito sentido.

Mas quer saber? Eu quero mais é meditar, fazer crochet, costurar, eco-tecer como Gandhi na roca e em seu calmo pensar.

Alan Wallace - Palestra em Curitiba
Posted: 09 Jul 2009 03:04 AM PDT
Palestra na íntegra "Curando a Mente: Onde Meditação e Neurociência Convergem" (Healing the Mind: Where Meditation and Neuroscience Converge), realizada dia 7 de junho em Curitiba. Tradução de Eduardo Pinheiro. Duração: 2h24m.
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