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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Entrevista: Robert Barnett sobre "Por quê os tibetanos estão se ateando fogo"

Robert Barnett
No início desta semana um monge tibetano tornou-se a 22a pessoa, nos últimos 12 meses, a cometer auto-imolação em protesto às regras do governo chinês no Tibete. Robert Barnett, diretor do Programa de Estudos Modernos do Tibete na Universidade de Columbia, diz que este é um novo tipo de protesto político dos tibetanos, que poderá se tornar uma forma contínua de dissidência, caso o governo chinês não altere algumas das suas políticas na região.

Ásia Blog falou com Barnett por telefone.

Por que os monges e monjas decidiram usar esta forma particular de protesto contra o governo chinês?

As razões pelas quais optaram por este método de protesto não são exatamente claras. As pessoas dentro do Tibete, especialmente em áreas rurais, podem ocasionalmente acessar notícias de rádio em tibetano a partir de fontes externas, como a Voice of America e Radio Free Ásia, mas provavelmente conhecem pouco ou nada sobre a auto-imolação de um tunisiano no ano passado, muito menos sobre as auto-imolações vietnamitas há 50 anos atrás. Mas devem ter ouvido falar sobre as manifestações que levaram à Primavera Árabe, e isso pode ter incentivado as pessoas, de um modo geral, a ver o protesto popular como uma forma de trazer mudanças.

Mas eles podem ter escolhido esta forma de protestos, porque no ciclo anterior de instabilidade no Tibete em 2008, quando ocorreram cerca de 150 manifestações de rua por grupos muito grandes, cerca de 20 desses incidentes formaram uma espiral em direção ao caos e violência. A violência permitiu que o governo chinês evitasse abordar as questões subjacentes e reclamações dos manifestantes. A auto-imolação pode estar sendo vista como uma forma de evitar a desvantagem de formas tradicionais de protestos de rua em grande escala: envia uma mensagem para o governo de uma maneira que os manifestantes esperam que não seja facilmente deixada de lado, porque não causa danos a outras pessoas ou bens, e não envolve agitação.

Os protestos em geral clamam por "liberdade" e pela autorização para que o Dalai Lama possa regressar ao Tibete. Parecem ter sido desencadeados por uma virada dramática na política em 1994, quando o Estado chinês decidiu centrar-se sobretudo em atacar o Dalai Lama, forçando os monges e monjas a denunciá-lo, e intensificar controles relativos aos mosteiros e à religião. Esta política foi implementada inicialmente na Região Autônoma do Tibete, que é a metade ocidental do planalto tibetano em torno de Lhasa, mas nos últimos 10 anos, foi sendo imposta, mosteiro por mosteiro, em toda a metade oriental do planalto, onde vive a maioria dos tibetanos e onde os protestos atuais estão ocorrendo. Essa política inclui programas de reeducação nos mosteiros, proibições de culto ao Dalai Lama, minimização do papel da língua tibetana nas escolas, incentivo à migração de chineses para as áreas tibetanas, e outras restrições. Ninguém sabe por que eles decidiram estender essa política para a região leste do Tibete, uma vez que até então se mantinham relaxados e pacíficos, desde 1970.

Existe alguma tradição relativa a esse tipo específico de protesto na cultura budista?
A imprensa chinesa tem defendido que estes protestos violam os princípios e regras budistas , mas na verdade, estão em forte ressonância com a tradição budista. Suicídio é evitado no budismo, se realizado por motivos pessoais, mas o auto-sacrifício por uma causa nobre é altamente respeitado. Existem muitas histórias sobre o Buda fazendo isso em vidas anteriores; a mais famosa é aquela em que ele se sacrifica, dando seu corpo para uma tigresa à beira da morte para que ela pudesse alimentar seus filhotes. Assim, um ato que é feito para o bem da comunidade é considerado nobre, especialmente se for feito por um membro do clero.

É por estes atos estarem sendo feitos por monges, monjas ou ex-monges, que tem sido tão difícil para o governo chinês desacreditar os manifestantes - o que seria muito diferente se leigos estivessem envolvidos. O governo teve sucesso quase total em desacreditar cinco chineses, declarados pelo governo como sendo seguidores da seita Falun Gong, que realizaram uma auto-imolação em massa em Pequim, em 2001: o evento foi apresentado como prova de que essas pessoas tinham sofrido lavagem cerebral e eram manipuladas pelo Falun Gong. Mas apesar de algumas tentativas por parte da imprensa chinesa de fazer isso com os monges e monjas tibetanos, esses esforços fracassaram, em grande parte por serem tão amplamente respeitados dentro da comunidade tibetana.

Por que as duas partes não conseguem encontrar uma base comum para governar o Tibete?

Uma maneira de entender a questão tibetano-chinesa é olhar a questão do seu status, se o Tibete deve ou não ser parte da China, ou, sendo uma parte da China, que grau de autonomia deveria ter. Esta é uma questão que remonta pelo menos 100 anos, quando o exército chinês tentou pela primeira vez anexar o Tibete e integrá-lo ao território chinês. É algo que provavelmente levará muito tempo para ser resolvido.

Mas há uma segunda questão que é facilmente confundida com a primeira, que são as políticas que a China introduziu mais recentemente, em especial a decisão de 1994 de declarar o Dalai Lama como um inimigo, e outras questões que foram ao mesmo tempo intensificadas, como a reeducação, o uso da linguagem, e desenvolvimento econômico mais rápido. Há questões mais recentes emergindo agora, especialmente questões relacionadas com o ambiente, como o assentamento forçado de nômades e a mineração desenfreada. Como esses fatores secundários não estão gravados em pedra e estão constantemente assumindo novas formas, representam uma espécie de oportunidade para a China, e poderiam ser revertidos com bastante facilidade. Se fizessem isso, seria gerado algum alívio e teriam mais tempo para tentar resolver as principais questões referentes a autonomia e status. Não houve ainda sinal de qualquer movimento até o momento sobre estas questões secundárias. A China tem um sistema de liderança fraco e altamente conservador, baseado no consenso, o que torna muito difícil para os líderes chegar a um acordo sobre uma jogada ousada, relativa a uma questão fundamental de soberania e orgulho nacionais, de modo que quaisquer concessões serão muito discretas.

Existe alguma previsão sobre quando estas auto-imolações chegariam ao fim?

A China se vê como tendo sido sempre generosa para os tibetanos, pelo menos desde o início de 1980, devido aos grandes programas de subsídios para impulsionar o desenvolvimento econômico em áreas tibetanas, e porque vê os protestos como iniciativas do Dalai Lama e exilados, destinadas a "dividir "a China, através da criação de um Tibete independente. Os exilados negam isso, mas ao mesmo tempo usam uma retórica nacionalista muito forte, como seria de se esperar. Assim, embora uma solução negociada entre as duas lideranças não possa ser descartada, parece improvável na situação atual.

Enquanto isso, os tibetanos orientais, cuja ira já foi despertada, são resolutos e de temperamento forte, com uma memória longa e amarga dos vários ataques chineses em suas regiões e mosteiros durante todo o século passado, e eles defendem seus valores fundamentais. Assim, as tensões atuais não vão desaparecer sem alguma concessão do Partido. Essa concessão não precisaria ser muito grande para que as pessoas decidissem não se matar - tibetanos, mesmo os ativistas dentro do Tibete, são surpreendentemente moderados na maioria dos casos e geralmente pragmáticos; por isso, mesmo um gesto simbólico por parte do Estado teria um impacto significativo. Por exemplo, o Partido poderia cessar a reeducação política forçada e poderia parar sua campanha de demonização contra o Dalai Lama - políticas que não foram aplicadas no interior da China por décadas - e poderia regular a migração interna para o Tibete, como faz com Hong Kong. Se não o fizerem, as tensões aumentarão, e se mais pessoas forem mortas, as coisas poderão sair do controle e se tornar muito difíceis de resolver de forma significativa.

Foi relatado que nas últimas auto-imolações, mil pessoas cercaram o corpo para protegê-lo da polícia. Por que eles fazem isso?
Na cultura tibetana, quando alguém morre, o corpo deve ser perturbado tão pouco quanto possível logo após a morte. São realizados cerimônias e rituais especiais, na esperança de que a consciência se acalme, havendo assim uma melhor chance de um renascimento mais benéfico. Mas, como em qualquer religião, existem muitos níveis de explicação. Por exemplo, em geral, há uma visão que é importante dispor do corpo de forma adequada, como torná-lo alimento para aves ou peixes, uma vez que este é um tipo de generosidade, em lugar do método de cremação secular utilizado pelo Estado chinês. Neste caso, essas auto-imolações são claramente vistas pela comunidade local, não como um suicídio por um indivíduo desesperado, mas como um ato de dedicação para o benefício dos outros; por essa razão, as pessoas locais querem demonstrar respeito à pessoa morta, assegurando que os rituais sejam efetuados pelo clero. Portanto, há muitos fatores, além dos objeções à confiscação do corpo pela polícia.

Tradução livre de Jeanne Pilli

http://asiasociety.org/blog/asia/interview-robert-barnett-why-tibetans-are-setting-themselves-fire

 Facebook por Tibetíze-se, segunda, 27 de Fevereiro de 2012 às 11:46 ·

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

A bronca do Dalai Lama!


Sobre os ensinamentos do Dalai Lama às Sanghas e organizadores.
Este é o resumo das notas de tradução tomadas durante um encontro de Sua Santidade o Dalai Lama com as sanghas budistas e os membros da organização de sua visita ao Brasil, em maio de 2006, após encerradas suas atividades públicas no país. Como notas tomadas rapidamente, têm várias imprecisões e não é um relato completo de sua fala.
Os representantes das sanghas de São Paulo e de outras cidades do Brasil se reúnem no segundo andar do centro de convenções de um grande hotel na cidade. Há um largo corredor, bem comprido, e os presentes — talvez umas cento e oitenta pessoas ou mais — se reúnem em grupos de 30, para que seja possível fazer caber cada grupo em uma foto com o Dalai Lama. É quase hora de sua chegada, marcada para as 17:45, e várias sanghas cantam a oração de longa vida por Sua Santidade.
Ele surge pontualmente, com seus seguranças, que o acompanham por todos os países que visita, e também aqueles enviados pela polícia federal e militar. São vários, mais de dez, caminhando em torno dele, que se dirige mais ou menos para o meio do corredor e parai para perto de uma mesa de bufê, ao meu lado direito. Vou traduzi-lo do inglês, e ocasionalmente ele falará em tibetano. Para esse caso, à minha esquerda há outro tradutor, tibetano-inglês, que falará baixinho, em meu ouvido, o significado a ser traduzido para o português.
A aclamação é geral. Totalmente à vontade, o Dalai Lama apóia-se na mesa, sem se sentar na cadeira reservada a ele, e começa, de pé, a falar para os budistas e não-budistas que trabalharam na organização da sua visita ao país, essas pessoas todas, pertencentes a diversos centros budistas, centros filosóficos, equipes de filmagem, produção e divulgação, assessores de imprensa, etc. Mas a mensagem será mesmo dirigida principalmente aos budistas— vários deles já ordenados monges, ou sagrados lamas ou mestres... estou ao seu lado e cabe-me traduzir o que ele dirá. Terei que falar bem alto, para que todos possam me ouvir, até o final do corredor numa e outra direção. Sinto uma energia enorme, e apesar do momento exigir atenção e concentração, estou completamente tranqüilo, como sempre me sinto quando estou em sua presença. Demora um pouco até que cessem as palmas e mantras com que as pessoas o recebem... Ele pede então aos seguranças que se afastem, abrindo o caminho para que todos possam vê-lo, mesmo os que estão mais longe, e os homens de terno escuro diluem-se entre os presentes.
O Dalai Lama começa agradecendo a todos pelos esforços realizados para que ele esteja ali, conosco. Diz que vários já devem ter alguma familiaridade com o budismo, por estarem fazendo a prece pela sua longa vida. Está com a expressão tranqüila, mais para serena do que para sorridente. Está cansado, provavelmente, após um dia em que mal teve tempo de almoçar devido à quantidade de compromissos, entrevistas e palestras agendados para ele.
Entra então rapidamente no primeiro tema de sua fala: “outro dia, em nosso encontro no templo chinês [uma sessão de ensinamentos para o público budista realizada dois dias antes no Templo Zulai, em Cotia], em nossa sessão sobre o budismo, vi, naquele dia tão bonito, muitas pessoas com uma variedade enorme de roupas. Havia roupas do budismo zen japonês, roupas do budismo tibetano, roupas de monges tibetanos, roupas de monges de outras nacionalidades, roupas que eu nem sei quais eram... talvez roupas de outro planeta!” (risos gerais).
Sua expressão se altera um pouco. Sério, olha para baixo, como se estivesse procurando as palavras certas... os outros presentes estão absolutamente encantados com ele, inclusive os seguranças.
“Sou um pouco crítico quanto aos ocidentais que entram em contato com as tradições orientais, como por exemplo a budista, e começam a mudar seus hábitos exteriores. Primeiro, abandonam suas tradições de origem. Depois, mudam suas roupas, vestindo-se como os orientais se vestem. Em seguida, mudam os móveis de sua casa. Mudam seu comportamento, mudam seus gestos...
Vemos ocidentais que abraçam por exemplo o sikkismo, ou tornam-se hare krishnas, e de repente saem as ruas com o cabelo raspado, as vestes laranja no estilo oriental... acho que isso não é bom.”
O Dalai Lama diz que o Dharma não está nas roupas, não está no comportamento exterior, nos móveis... “prefiro pessoas que conservem suas tradições de origem e aprendam o que podem aprender com o budismo, aplicando suas novas descobertas dentro de sua maneira cultural própria. O budismo não está nas regras monásticas nem na aparência. Olhem para o nosso mestre, Buda Shakyamuni. Ele criou um conjunto de regras a serem seguidas, mas seu grande ensinamento está em conhecermos a nossa própria mente!
Talvez o que faz do budismo um caso quase único é que ele procura usar ao máximo a inteligência humana para transformar as emoções. E essa transformação não acontece através de preces, através de uma meditação unidirecionada. Não adianta fazer preces para os budas (o Dalai Lama faz um gesto unindo suas mãos e olhando para o alto) e ficar esperando que ocorra uma transformação mágica em suas emoções. Você pode fazer cem mil mantras om mani peme hum, fazer todo esse esforço, e achar que com isso já deve estar transformado, mas a mudança nesse caso só vai ocorrer se por acaso acontecer um milagre...”
A voz do Dalai Lama é cada vez mais forte, e seus gestos começam a adquirir expressividade. Se antes ele estava cansado, começo agora a sentir nele um vigor e energia extraordinários. Ele parece ter achado algo muito importante a dizer para os seguidores do budismo, e vai dizê-lo sem perder uma palavra sequer. O envolvimento é entre os presentes é ainda maior, e o silêncio é absoluto.
“A transformação demora para acontecer. Demanda muito esforço. O próprio Buda Shakyamuni demorou três eras inteiras para transformar suas emoções. Não vai ser fazendo alguns mantras que você acha que sua vida vai mudar totalmente! Eu tenho mais de setenta anos, quase setenta e um. Comecei a interessar-me realmente pelo BuddhaDharma quando tinha dezesseis anos, e só agora, talvez, minha mente esteja se tornando um pouco mais estável...
De nada adianta você fazer um retiro tradicional de três anos, três meses e três dias. Pode ser até que a sua mente, ao longo desse tempo, em vez de melhorar, piore... a única coisa certa que se pode dizer é que, depois desse tempo todo, seu cabelo vai crescer!” (risos gerais, mas um pouco contidos, porque a audiência percebe que o assunto é sério, e o puxão de orelha só começou...).
“O desenvolvimento e a transformação da mente requer muito esforço. Mas perceba aqui também que o esforço cego de nada adianta: ele tem que ser acompanhado pela sabedoria. Novamente, podemos orar para Buda, para Tara, Avalokiteshvara, fazer uma sadana... mas só há uma chance em um milhão de que isso baste para a sua transformação: se ocorrer um milagre. De outra forma, será realmente difícil atingir a mudança desejada.
Uma vez um aluno perguntou a um grande mestre tibetano do início do século vinte se deveria fazer um retiro de Manjushri de um mês, para melhorar a acuidade de suas percepções mentais. Esse mestre respondeu ao aluno que se ele fizesse o retiro, talvez houvesse alguma mudança; mas que se ele ocupasse esse mês estudando seriamente, era certo que sua mente iria mudar. Isto é MUITO importante.
Estudar é crucial. Já estamos trabalhando para que mais livros sobre o budismo tibetano sejam publicados na língua de vocês. Minha recomendação é: ESTUDEM! Estudem muito. Estudem e produzam textos, pequenos panfletos; não para venda, não para comércio, mas para fazer circular entre vocês. Leiam, discutam em pequenos grupos, escrevam e façam suas idéias circular entre todos do grupo maior. Estudar e discutir é essencial. É irreal ficar esperando que venha um lama, uma vez por ano, fazer um workshop com ele e um monte de iniciações, e depois nada mais, e esperar alguma transformação em sua mente. Isso não é suficiente. É necessário estudar regularmente. Ocasionalmente, se você se encontra com algum bom professor, e passa com ele uma ou duas semanas fazendo workshops, é ótimo, mas depois volte ao seu estudo regular e sistemático.”
Os presentes estão completamente atentos. O Dalai Lama chama a atenção de seus irmãos budistas: menos automatismo, mais reflexão, mais consciência! É um momento grave, e a mensagem é passada de maneira clara e inequívoca. Não há como fugir.
“Mas há um pequeno problema. No mundo de hoje, há vários “businessmen” que, visando obter dinheiro, dão ensinamentos religiosos. Isso acontece cada vez mais freqüentemente; ocorre muito na China, que importa “mestres” tibetanos, mas também no resto do mundo. Esses não são mestres genuínos. Apresentam-se como grandes mestres, mas não são. Seu propósito é unicamente o de obter dinheiro.
Uma vez, um senhor chinês se aproximou de mim e colocou-me esse problema. “Dalai Lama, faça algo por favor para conter esse fenômeno, esses falsos mestres”. Eu lhe disse que não há nada que eu possa fazer! A única coisa que pode funcionar é que, do lado do aluno, haja consciência de quais são as qualificações de um mestre verdadeiro, de um professor autêntico, e ele examine se a pessoa em questão as possui ou não possui. Isso é MUITO importante. Eu, por exemplo. Examinem-me, se como professor, eu tenho as qualidades necessárias! Eu também tenho que ser submetido a um exame!”
O Dalai Lama está completamente cheio de energia e vigor em suas palavras. Percebe-se que o assunto é de total importância, e ele realmente quer que todos entendam a importância do estudo e do empenho individual em transformar a mente, não de um modo mecânico, mas através da reflexão consciente.
Antes que eu acabasse de traduzir sua última fala, a mais longa, ele gentilmente me interrompe, mudando o rumo do seu pronunciamento.
“Mais uma coisa. Como eu já disse, meu terceiro compromisso é para com a causa tibetana, a nação tibetana. [O primeiro é com os valores humanos, e o segundo com a harmonia inter-religiosa.] O Tibet tem uma história muito longa, uma herança cultural viva e muito rica, e tem também sua própria escrita. Tudo isso tem mais de mil anos, tempo em que a tradição NALANDA do budismo foi mantida viva, nas regiões geladas das montanhas — como congelada num freezer. As tradições indianas sofreram muitos danos, mas a tibetana foi mantida intacta esse tempo todo. Há achados arqueológicos que atestam quanto tempo tem a cultura tibetana ancestral: mais de trinta mil anos!
Mas este cenário belíssimo, com as montanhas elevadas, traz também o quadro trágico: o de uma nação que está morrendo. Ainda não somos como o povo inca, que morreu totalmente, mas estamos morrendo. Ainda lutamos para sobreviver, mas se a situação presente se mantiver, a cultura tibetana e a nação tibetana perecerão, como aconteceu no caso dos incas. Neste momento, já está claro para todos que a cultura tibetana em sua forma pura já não existe no território tibetano — só existe na Índia, entre as comunidades no exílio.
O Tibet luta pela sua sobrevivência, buscando uma liberdade limitada; não apenas política, mas cultural. Se a luta pelo Tibet fosse unicamente uma questão política, eu, que no fundo sou um monge budista, não a teria abraçado. Se o fiz, é porque envolve a sobrevivência de nossa cultura, de nossa tradição, de nossa língua. Portanto, essa luta pela liberdade limitada, uma luta democrática pela preservação da cultura ancestral tibetana, de sua rica tradição — se ela é assim, considero que minha atuação nesse sentido é parte da minha prática espiritual.
É claro que nossa cultura ancestral, se comparada com o desenvolvimento das culturas contemporâneas, podia ser considerada atrasada em muitos aspectos. Assim, o Tibet pode beneficiar-se de estar sob a China, se houver modernização e progresso material.
A constituição chinesa prevê direitos próprios às diferentes etnias. Mas desde a ocupação, houve apenas um acordo entre o Governo Tibetano e o Governo Central da China envolvendo a preservação desses direitos; era um acordo para a liberação pacífica do Tibet, assinado na década de 50, e que nunca foi cumprido. Ainda nessa década, a própria ONU emitiu várias resoluções em que considerava o Tibet um caso especial; o governo chinês reconheceu esses acordos, na ocasião, mas também nunca os cumpriu. Fui a vários encontros com o “Camarada Mao”, mas isso não deu em nada...”
O Dalai Lama parece encher-se de lembranças, e sorri um pouco.
“Fiz muitos encontros, naquela época... provavelmente, em 1957, muitos de vocês não tinham nem nascido! Você, já era nascido? E você? Pois bem... naquele tempo eu era jovem, e fiquei enormemente atraído pelo “movimento revolucionário”. Acho que eu era, como dizer, um sujeito considerado... como dizer... perigoso: meio marxista, meio budista! [risos gerais]. O que acho do marxismo? acho que ele não é nem bom nem ruim. Minha impressão é de que o marxismo original tinha uma série de pontos muito interessantes, muito bons. Mas depois, quando se tornou apenas parte de um poder político e nacionalista, tudo isso se perdeu. Hoje, para mim, a China não tem mais qualquer conteúdo: não é mais ideológica. É apenas autoritária.
Assim, faço a todos meu pedido: a nação tibetana está morrendo — ajudem-nos, de todas as maneiras que puderem...
Meus amigos, meus irmãos e irmãs: agradeço enormemente seu interesse e seu envolvimento de coração com a cultura tibetana. Muito obrigado a todos!!!
O Dalai Lama, é longamente ovacionado. Enquanto traduzo sua fala final, vai a cada um dos grupos, e senta-se no meio das pessoas enquanto os fotógrafos, vários, procuram registrar o momento. Depois, acenando para todos, caminha até o fim do corredor, desaparecendo em direção aos seus aposentos...
Créditos para Arnaldo Bassoli, membro do Comite Brasileiro de Apoio ao Tibet e do Colegiado Budista Brasileiro, que fez a tradução para o português e redigiu este relato.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Dharamsala - Forjando el Futuro de los Tibetanos

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Por Temtsel Hao Open Democracy News Analysis
Online29 de abril de 2009

La capital de la comunidad tibetana en exilio es un crisol donde la identidad nacional y política está siendo restaurada. El proceso también vuelve aparente los flujos de la política y el pensamiento oficiales de China con respecto a Tíbet, dice Temtsel Hao.
La actitud de las autoridades en la República Popular China (RPC) hacia el Dalai Lama y los tibetanos en exilio es reminiscencia de la respuesta de Joseph Stalin cuando al dictador soviético se le advirtió evitar el conflicto con la iglesia católica: "¿Con cuántas divisiones cuenta el Papa?"
El desdén rutinario de Beijing tiene eco en La China Infeliz, un trabajo de súper venta de un grupo de portavoces con estilo personal para el nacionalismo chino. Uno de los autores dice que China no tiene necesidad alguna de discutir con Occidente si Tíbet fue parte de China históricamente o si es parte legítima de la China actual: China sólo necesita dejar en claro que ocupó Tíbet en 1959. ¿Qué puede hacer Occidente? El caso de realismo brutal y "poder fuerte" en los que el verdadero control importa más que cualquier justificación moral o histórica, revela una corriente de pensamiento significativa en la China contemporánea (ver Song Xiaojun, Wang Xiadodong, Huang Jisu, Song Qiang & Liu Yang, La China Infeliz (Unhappy China) [Jiangsu, People's Press, 2009]
La respuesta a la versión actualizada de la pregunta de Joseph Stalin está clara a partir de una visita a Dharamsala al norte del estado indio de Himachal Pradesh done el Dalai Lama y el gobierno tibetano en exilio se establecieron desde su huída de Tíbet hace cincuenta años. El líder espiritual de Tíbet no tiene ninguna división, excepto algunos guardaespaldas (no armadas) en su residencia. A lo largo del camino por la montaña que lleva a Dharamsala, un visitante puede ver muchos soldados – pero ellos son gurkha, y pertenecen a las fuerzas armadas de India que están establecidas en las cercanías. En realidad, muchos vienen aquí justamente porque Dharamsala representa los valores predicados por el Dalai Lama y personificados por las comunidades tibetanas en exilio: la armonía de las culturas tibetanas e indias, la tranquila inspiración del espíritu, "el poder blando".
Un escultor de madera ghurkha me dijo que cuando los tibetanos llegaron a McLeod Ganj (la parte alta de Dharamsala, recinto del templo y la residencia del Dalai Lama) en 1960, la pequeña estación montañesa construida por los británicos sólo tenía tres residencias. La presencia de los tibetanos ha traído turismo y prosperidad económica a la región, y todos los lugareños se han beneficiado. Él se preocupa de que un arreglo del tema de Tíbet que llevó a los lamas tibetanos a dejar su hogar resulte negativo para la economía y trabajos locales. Sarnas, un escritor hindú en el área quien creció junto a la comunidad tibetana en Dharamsala, también es pesimista sobre el posible regreso de los tibetanos a su tierra; pero él alaba la armonía y riqueza culturales que ellos trajeron al lugar.

El otro lado
La presencia tibetana en Dharamsala – "La pequeña Lhasa" – la ha vuelto una atracción global para peregrinos, turistas y montañeses. Al otro lado de la montaña del Himalaya, el cierre de Lhasa en sí a turistas y periodistas extranjeros desde las protestas y las resultantes medidas represivas en marzo de 2008 ha acentuado esta tendencia. En las calles, cafés y restaurantes de McLeod Ganj, los monjes tibetanos se mezclan con turistas internacionales y extranjeros "localizados" que han pasado muchos años en los monasterios y organizaciones voluntarias aquí. Muchos de ellos usan vestuario tibetano o indio.

En la Región Autónoma de Tíbet (RAT) y todo lugar en China, la presencia de tibetanos exiliados y los retratos del Dalai Lama son tabúes políticos. Pero en Dharamsala todo está a disposición desde "el otro lado": noticias en televisión y propaganda en distintos canales chinos en idioma tibetano, dramas y (nuevamente) programas de propaganda doblada al tibetano. Su audiencia objetivo original son los tibetanos étnicos que viven en la RAT y en regiones vecinas a la RPC donde muchos tibetanos residen (Qinghai, Gansu y Sichuan – o en las tibetanas U-Tsang Amdo y Kham).

Los oficiales del gobierno tibetano en exilio expresan su confianza en cuanto a que los tibetanos en Dharamsala no resultarán con un lavado de cerebro a partir de estos canales de televisión chinos, incluso es algo bueno para las comunidades tibetanas para conocer los argumentos chinos. De hecho, algunos tibetanos jóvenes en Dharamsala me indicaron riéndose algunos absurdos en la propaganda de los programas de televisión. Los oficiales tibetanos, cuando consultados sobre cómo van a manejar la gran ofensiva internacional del gobierno chino, expresaron su confianza en que el mantenerse abiertos y honestos es todo lo que necesitan.

Sus recursos pueden ser débiles cuando comparados con los de Beijing, pero ellos confían en que la verdad está de su lado y que la campaña del gobierno chino no logrará el objetivo esperado. Como evidencia, el oficial del gobierno en exilio, Thubten Samphel citó un anuncio de doce páginas que alaba las políticas de China en Tíbet que apareció en el periódico Daily Times de Malaui en marzo de 2009. Thubten Samphel dijo que la presentación -costeada por la embajada china en Lilongüe-, en realidad ayudó a la causa tibetana al internacionalizar el tema en el distante Malaui, donde sólo unos pocos habían oído de Tíbet.

La ecuanimidad tibetana se está viendo afectada. Dharamsala es más pequeña que una ciudad regular en China y posee recursos económicos modestos, aunque hay una notable calma ante la tercera economía más grande y (probablemente) poder militar en el mundo. Algo de esto puede deberse al regular flujo de nuevos arribados desde Tíbet. El gobierno chino ha usado una variedad de formas (desde el control de información a una fuerte inversión en infraestructura y proyectos de viviendas) para convencer a los tibetanos que están mejor bajo su cuidado. Esto no ha detenido a los tibetanos a arriesgar sus vidas en arduos viajes por el Himalaya para comenzar la próxima etapa de sus vidas como refugiados. Conocí a algunos de estos tibetanos en un centro de recepción de refugiados. Algunos querían una mejor educación, otros deseaban hacerse monjes en los monasterios, algunos sólo querían una vida mejor; ninguno quería regresar a su patria mientras estuviese bajo control chino.

Muchos de los refugiados tibetanos en Dharamsala saben chino. Un pasatiempo favorito de los jóvenes es ir a los cafés Internet, ver video-clips chinos y sacar ventaja del software popular para chatear en línea con jóvenes chinos. Un visitante rápidamente se da cuenta de que los tibetanos que hacen llamadas internacionales a sus parientes y amigos al otro lado del Himalaya, a menudo, hablan en chino.

Los jóvenes tibetanos que han sido educados en el sistema chino, incluyendo aquellos que llegan hasta Dharamsala, son fluidos en chino. Tsegyam, el secretario del Dalai Lama me dijo que desde los años 80, las autoridades chinas instauraron un programa a gran escala con la intención de producir una nueva generación de tibetanos pro China. Esto implicó seleccionar a niños tibetanos para que enseñen en escuelas especiales en las diversas provincias chinas. Los primeros graduados tibetanos de estas escuelas ahora ya tienen 20 años; muchos son muy activos en su expresión de sentimientos nacionalistas pro Tíbet en foros chinos en línea.

Un mundo de diferencia
El político de Singapur, Lee Kuan Yew sugirió que los chinos solo necesitan una cosa para resolver el problema tibetano: tiempo. "(Los chinos) necesitan tiempo para traer una nueva generación (de tibetanos): hablando chino, pensando como chinos e integrándose … a China", expresó un ex primer ministro en una entrevista en abril de 2009. La evidencia de las permanentes protestas anti China en las regiones tibetanas de China, el continuo flujo de tibetanos a Dharamsala, y el comportamiento y actitudes sociales de los jóvenes tibetanos demuestran que aquellos que incluso "hablan chino" no necesariamente "piensan como chinos".

Lo que asumen las palabras de Lee Kuan Yew – que los chinos piensan de una forma parecida, y que los tibetanos pueden ser asimilados-, puede relacionarse a su fe de largo tiempo en "los valores asiáticos". La opinión del actor de cine de Hong Kong Jackie Chan, quien dijo en una conferencia de líderes de negocios que "los chinos necesitan ser controlados" , refleja una creencia similar. Pero muchos chinos rebaten la idea de que el autoritarismo sea beneficioso y que ellos hayan de someter sus voces y aceptar la usurpación de sus derechos. En la opinión de ellos, "pensar como chino" significa pensar como un pueblo libre.

Incluso los nacionalistas chinos de izquierda que produjeron La China Infeliz (Unhappy china) combinaron su llamado a una mayor aserción de los derechos nacionales de China en la arena internacional con énfasis en que China necesita "mejorar los derechos humanos internamente" . En esto, ellos evitan, al menos, la presunción de muchos de sus contrapartes occidentales que niegan los derechos humanos y cívicos a los chinos (y otros) sólo porque son los americanos u otros occidentales quienes hacen el llamado.

Una presunción separada aflige a aquellos forasteros que sí apoyan los derechos humanos y cívicos para los chinos, pero que tienden a asociar el tema con una política orientada hacia el exterior de anticolonialismo y nacionalismo anti Occidente. En estos, ellos se niegan a reconocer que los tibetanos –al igual que otras minorías étnicas no chinas-, puedan tener motivos de queja legítimos en sus propios términos, independiente de la geopolítica de China versus Occidente.

Algunos intelectuales y escritores liberales en China comparten este punto "ciego", en el que ellos también niegan la existencia autónoma de temas étnicos y derechos para las minorías. Ellos arguyen que el problema tibetano es el producto de la tontería ideológica de los comunistas chinos al copiar la teoría y políticas de Lenin y Joseph Stalin sobre la nacionalidad. Al reconocer la realidad de la diferencia étnica y al prometer un grado de libre determinación y autonomía a las diversas "nacionalidades" , los comunistas chinos crearon problemas imposibles en el manejo y control políticos para ellos mismos (ver Li Datong, "El Tíbet de China: un tema sin respuesta", 16 de abril de 2009).

El defecto en este punto de vista es que al cargar la responsabilidad de los problemas étnicos exclusivamente a los chinos comunistas, no se puede entender las identidades étnicas (excepto aquellas de los chinos Han) en términos de las verdaderas diferencias sociales, culturales y territoriales. La implicancia es que un cambio de política bajo un gobierno central de otro tipo resolvería el "problema" tibetano y cualquier otro.

Pero la experiencia de anteriores regímenes chinos sugiere que aquí existe un gran elemento de evasión, Sun-Yat-Sen, "el padre fundador" de la República de China, creía que la integración debía alcanzarse al "asimilar todos los distintos pueblos en China en una sola nación". Él recomendó "imitar a los Estados Unidos", de manera que "chinos, manchúes, mongoles y tibetanos sean asimilados en una nación china y formen un estado-nación" . Su sucesor Chiang Kai-shek ni siquiera reconoció la existencia de nacionalidades distintas y dijo que todos los diversos pueblos dentro de China eran del mismo grupo.
El evitar la realidad de esta diferencia, la legitimidad de las identidades étnicas, y la existencia de las quejas y aspiraciones colectivas, tiene así raíces más profundas en la historia china. Muchas personas dentro y fuera de China de aparente diferencia, de izquierda o liberales, posturas políticas, han llegado a compartir esto. Esto le otorga a la agenda definida por las autoridades chinas en Tíbet y otras regiones de minorías no chinas, un avance libre.

Un vacío chino
Los líderes chinos en cuatro décadas –desde Deng Xiaoping y Jiang Zemin hasta Hu Jintao y Wen Jiabao-, todos han expresado en algún momento ideas muy similares sobre los problemas étnicos, lo que refleja una mentalidad que podría llamarse `reducción económica y política'. La idea de que el desarrollo económico en las regiones minoritarias, respaldado por un estado poderoso dedicado a una agenda de asimilación, sería suficiente para disolver los problemas no ha resultado en Tíbet y ningún otro lugar.

El contraste entre las fallas de comprensión de las autoridades chinas aquí y la mentalidad de los tibetanos en Dharamsala destaca los límites del enfoque de Beijing. Hu Jintao puede haber dicho al 17º congreso del Partido Comunista Chino en octubre de 2007 que China necesitaba aumentar su poder blando, pero esto no se extiende al tema tibetano. La designación de los acontecimientos de 1959 en marzo 28 de 2009 como "Día de la Emancipación de la Servitud" recicló la visión de la sociedad tibetana antes de 1949 como atrapada en la esclavitud teocrática, varias "etapas" atrás en la sociedad china misma en la jerarquía de Marx en cuanto al desarrollo social. Pero el abandono de la ideología marxista por parte del partido chino en mando sólo enfatiza su vacío intelectual, la carencia de un sistema de creencia persuasivo que puede competir con el prometido por el Dalai Lama y el gobierno tibetano en exilio.

De nuevo, el sorprendente desequilibrio de poder no resulta cómodo para la autoridad china que ve al Dalai Lama como la fuente del problema. Pues, son los tibetanos en Dharamsala quienes completaron la reforma democrática de su modelo de gobierno, incluyendo una separación de poderes. Esto ha alcanzado incluso un efecto mayor; el vocero del gobierno tibetano en exilio, Penpa Tsering, me dijo que Bután ha aprendido de la constitución tibetana en su propio experimento democrático. China ha apostado el futuro del tema de Tíbet fuertemente en la sucesión del Dalai Lama, pero el mismo Dalai Lama ha puesto el tema de la sucesión en un marco más impersonal y democrático. "El tema de Tíbet no se relaciona con el futuro del Dalai Lama", dice él. En un marco democrático comparativo y global, ¿quién se encuentra delante del otro?

La estrella que cambia Dharamsala tiene cierta afinidad con un lugar chino que de igual forma se volvió un sitio de atracción cultural, ideales políticos e inspiración personal – y entrenamiento de grupos para prepararlos para el momento de la transformació n. Éste es el Yanan de la era de la guerra sino-japonesa (1931-45). La visita de Edgar Snow en 1936, registrada en La Estrella Roja sobre China, inspiró el peregrinaje de muchos jóvenes idealistas chinos al santuario de los comunistas chinos en las cuevas de Yanan.

Los cincuenta años de mando comunista en Tíbet han visto miles de jóvenes tibetanos que escapan hacia Dharamsala, en muchos casos encontrando el santuario también del progreso personal; Dharamsala ha permitido a personas de las áreas tibetanas pobres, rurales, de escasa educación y pocas perspectivas de carrera en China, llegar a ser profesionales (editores, eruditos, funcionarios de gobierno) cuyos horizontes se extienden por el mundo.

Hoy, Dharamsala, al igual que Yanan en los años 1930-40, enfrenta su propio "problema" de un gobierno chino poderoso e inflexible. Ha acumulado muchos bienes en este camino de cincuenta años (incluyendo el crédito resultante de los equivalentes a Edgar Snow, que contribuyó inmensamente a su poder blando). Tal vez, lo más importante es la experiencia de las generaciones de tibetanos que han ayudado a crear y renovar la identidad e instituciones políticas tibetanas. Ellos serán parte del futuro de Tíbet. El reconocimiento de esto por parte de China, como diría Lee Kwan Yew, es sólo cosa de tiempo.

Nota: Temtsel Hao es un periodista del Servicio Mundial de BBC en Londres. Además de sus informes, columnas escritas y blog sobre China y asuntos internacionales, Temtsel también escribe sobre temas de minorías étnicas en China y la libertad de prensa.
Postado por Rogel Samuel via e-mail

terça-feira, 5 de maio de 2009

Are Tibetans the new Jews?

A serious Dalai Lama - March 2008


Jerusalem Post [Wednesday, March 26, 2008 19:34] - Ira Rifkin

In 1990, the Dalai Lama hosted a delegation of American Jews in Dharamsala, his home in exile in the hill country of northern India. His agenda was clear. Tibetans had lost sovereignty over their homeland and were scattering around the globe. How, he asked, had Jews preserved their cultural and religious identities during their own 2,000-year exile, and what might Tibetans do to preserve theirs?

Some 18 years later, the parallel between Tibet's unfolding and increasingly bleak prospects and the Jewish historical experience seems all the more relevant. Just as after the failed first century Jewish uprising against Rome, Tibetans are becoming a minority in their homeland thanks to Beijing's strategy of drastically and irreversibly altering Tibet's population by flooding the territory with Han Chinese, China's dominant ethnic group. Already, two out of every three residents of Lhasa, Tibet's capital, is Han Chinese.

In 2006, Beijing hastened the process considerably by opening a high-speed rail link between Lhasa and Beijing. Saffron-robe clad Tibetan Buddhist monks have been replaced by Chinese-run brothels, karaoke bars and a sprawling amusement park that now surround the Potala Palace, the Dalai Lama's former residence and Tibet's equivalent of Jerusalem's ancient Temple.

IT'S EASY to imagine that the only reason China has not razed the Potala Palace as Rome razed the Second Temple is the horrific press response that action would unleash in today's global media environment, a nuisance Rome did not have to contend with. How much easier for Beijing to leave the palace intact, if only for its tourism value, particularly this year when large numbers of foreign visitors are expected to visit China's far-flung provinces as part of their Beijing Olympics experience. But saving the palace does absolutely nothing to offset the greatest threats to Tibet's future as a political entity run by and for Tibetans: the passing of time and humanity's cruelly short memory.

It took Jews almost two millennia to re-establish an independent state in their homeland. During that time, later-arriving Arabs settled in the land and claimed it as their own. Despite Judaism's numerous ritual reminders of Zion's centrality, Jewish historical ties to the land were conveniently forgotten by most of the world, which came to view modern Jews as having no connection to the ancient Israelites who once populated the same land. As a result, returning Jews were regarded as colonialist interlopers and Arabs were seen as indigenous innocents suffering at the hands of Jewish pretenders.

Tibetans now face a similar inversion of history. How long will it be before Tibetans are viewed as a relic, and perhaps bothersome, minority in their homeland similar to the condition of Native Americans in the United States, Formosans in Taiwan, or Serbs in Kosovo? How long must Beijing hold on to Tibet before the world comes to think of Tibet as Chinese territory and favors the claims of the descendants of Chinese settlers over Tibetans seeking to reestablish their historical national rights? Another 30 years? A century or two? Two thousand years?

I FIRST met the Dalai Lama in 1979 in Los Angeles during his initial visit to the United States. Like so many others, I was immediately charmed. Tibetans revered him as the fourteenth in a line of individuals said to be the reincarnation of the Bodhisattva of Compassion, a being who it is said willingly delays completion of his own spiritual enlightenment by repeatedly reincarnating for the purpose of helping others first attain theirs.

Yet despite his otherworldly aura, he was entirely approachable, a seemingly "simple monk" - as he often describes himself - in possession of a keen and self-mocking sense of humor. Speaking on interfaith relations at a Los Angeles World Affairs Council luncheon during that visit, he displayed an infectious giggle over his poor command of English when his interpreter informed him that a Jewish religious leader was called a rabbi, not a "rabie" as he had mispronounced it. I've since been in his presence as a journalist or spiritual explorer numerous times - at day-long Tibetan religious ceremonies, at meetings with Western scientists during which he spoke about the brain- and personality-altering power of meditation, and at meetings with Washington politicians at which he pushed the Tibetan cause. Perhaps the most unforgettable encounter was a 1997 Pessah Seder staged in his honor by the Reform movement - at which he decided that gefilte fish wasn't to his liking.

The Dalai Lama still retains his trademark demeanor even as his public pronouncements on the future of Tibet have become increasingly dark. He has said he is likely to be the last Dalai Lama (Dalai Lama is a title; the current office holder's actual name is Tenzin Gyatso), which would mean the end of a Tibetan Buddhist tradition stretching back more than 500 years.

Rather than lobbying for genuine Tibetan independence, he now restricts himself to calling for Tibetan cultural self-determination. Politically, the Dalai Lama argues correctly that Tibetans are powerless in the face of brutal Chinese repression and that, for all his pop culture stardom, no nation - not the United States and certainly not little Israel - is willing to antagonize the Chinese behemoth for the sake of strategically meaningless Tibet.

Religiously - and he is a religious leader more than he is a political figure - he notes that Buddhism's central beliefs in the impermanence and interdependence of all worldly phenomenon dictate that Tibet's ongoing existence as a separate state is hardly assured or even necessary.

Jewish cultural identity survived the destruction of the Second Temple by shifting from a temple-based religion to its rabbinic form. Moreover, it took Jewish secularists willing to take up the gun for Zionism to gain a state in the modern era.

Tibetan religion and culture are in the initial stages of a similarly radical transformation. What shape that will take and whether it will successfully preserve a distinct Tibetan identity is, of course, unanswerable. What is clear is that Jews and Tibetans have more in common than is superficially apparent - as the Dalai Lama recognized back in 1990.

The writer is an author and editor in Annapolis, Maryland, who writes often about Jews and Buddhism.