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domingo, 1 de março de 2009

Os Quatro Erros



Por que as pessoas acham tão difícil até mesmo conceber a profundidade da natureza da mente? Por que ela parece para tantos uma idéia tão exótica e improvável?
Os ensinamentos falam em quatro erros que nos impedem de realizar imediatamente a natureza da mente:
1. A natureza da mente está próxima demais para ser reconhecida. Tal como não conseguimos ver nosso próprio rosto, a mente também tem dificuldade de ver sua própria natureza.
2. É profunda demais para ser sondada. Não fazemos idéia de quão profunda pode ser; se fizéssemos, já a teríamos realizado até certo ponto.
3. É fácil demais para acreditarmos nela. Na verdade, tudo o que precisamos é simplesmente repousar na consciência pura e desnuda da natureza da mente que está sempre presente.
4. É maravilhosa demais para que nos adaptemos a ela. Sua absoluta imensidão é vasta demais para caber em nosso estreito modo de pensar. Simplesmente nós não podemos acreditar nela. Nem talvez imaginar que a iluminação é a natureza real da nossa mente.

de "O Livro Tibetano do Viver e Morrer" de Sogyal Rinpoche

Um estranho viajante - Um elogio à preguiça

do Photobucket de Manu Alves


Lin Ching Xuan (Trad: Ho Yeh Chia)

Certa vez participei numa excursão, pelo leste de Taiwan, e havia no grupo um sujeito muito estranho. Ele passava o dia todo dormindo no hotel enquanto saíamos para conhecer as belezas do lugar. Quando ele acordava antes de chegarmos do passeio, ficava sentado no bar, tranqüilamente tomando um café. Às vezes, ele não acordava nem para comer, alegando que queria descansar. Ele não gostava de falar e se alguém tentava puxar conversa, ele apenas sorria e ficava quieto. Embora tudo em sua conduta fosse silêncio, ninguém conseguia ignorá-lo. Ele era como um mistério e, nas suas costas, os companheiros não paravam de comentar sobre o seu comportamento. Às vezes, eu o imitava: sentava-me no bar, em silêncio, sem proferir nenhuma palavra e sorria para ele. E, assim, ficamos amigos. Uma vez não resisti e lhe perguntei:

"Já que você participa da excursão, porque não passeia conosco?"
"Sou um homem preguiçoso", disse ele, "acho que ficar em pé é melhor do que andar; sentar, melhor do que ficar em pé; deitar, melhor do que sentar e dormir é ainda melhor do que ficar só deitado. Eu participo da excursão porque, assim, não preciso de me preocupar em arranjar de comer, onde morar e outras coisa estúpidas dessas...!"

Eu já vi muitas pessoas trabalhadoras que estão sempre ocupadas, dificilmente conheço um preguiçoso. E os preguiçosos geralmente não costumam assumir esse título. Então, começamos a conversar sobre a preguiça. Para esse viajante estranho, um homem preguiçoso tem dois princípios: primeiro, não faça nada que possa não ser feito. Por exemplo, ele compra sete camisas, uma para cada dia da semana, ao final de uma semana, todas vão estar usadas. Volta a usá-las pela segunda vez na semana seguinte e na terceira semana também. A vantagem é que precisa lavar as roupas apenas uma vez a cada três semanas. Sapatos, de preferência, sem cordões, melhor ainda se não for preciso agachar-se para calçá-los. Comida, se encher o estômago, já está bom. De preferência, em restaurante: preparar em casa dá muito trabalho. Alimentos crus é melhor do que cozidos, dispensa requintes na alimentação: pão é mais fácil do que massa, que é mais fácil do que arroz (para cozinhar arroz é necessário lavá-lo antes...). Frutas, escolha aquelas que não precisam ser cortadas: banana, tomate, maçã são melhores do que abacaxi ou melancia. E para fazer compras, não adquira mais do que o estritamente necessário, pois quando a gente começa a ter muitas coisas caras e boas, começa também a querer colecionar e guardar com cuidado. Além disso, surgem as preocupações de manutenção, e complicações que não têm mais fim: nós não possuímos as coisas; elas nos possuem.

"O homem gasta muito tempo e muita força para procurar fama, sucesso e satisfazer desejos materiais. Assistindo a tudo isso de longe, o homem parece um grande tolo", disse o estranho viajante.

O segundo princípio de um homem preguiçoso é: não se lembre de coisas que possam ser não lembradas.

"As pessoas não param de se lembrarem de coisas estúpidas, preocupam-se com tudo. Eu prefiro sentar-me e olhar as nuvens", disse ele. Contou-me também que a maior sabedoria que os antigos monges zen buscavam tinha tudo que ver com a preguiça. Há uma poesia que diz:



Na primavera, há cem variadas flores;
No outono, o luar;
No verão, ventos frescos
E, no inverno, neves;
Se não tivermos preocupação
Suspensa no coração,
Estaremos sempre
Nos bons momentos da vida.


Ele recitou ainda outra poesia para mim, esta, da Dinastia Yuang:


Tranqüilamente,
Sem ter nada para discutir,
Apenas um incenso para queimar
E sua fragrância para sentir;
Tenho chá ao acordar
E refeições para a fome,
Vejo a corrente do rio, ao caminhar
E as nuvens do céu, ao sentar.


As duas poesias são antigas: como pode um homem preguiçoso saber recitá-las de cor? Perguntei curioso: "Você diz que não costuma lembrar-se das coisas ese esforça para decorar poesias?" "Não fui eu que me lembrei delas: foram as poesias que quiseram ficar no meu coração", respondeu ele. Depois disse-me que a maior dificuldade de se serpreguiçoso é que se tem que usar muito a cabeça para pensar em como se pode ser mais preguiçoso ainda...

Impermanência - Dzongsar Jamiang Khyentse Rinpoche


Muitas vezes já me perguntaram, "O que é o budismo em poucas palavras?" ou "Qual é a visão ou a filosofia que caracteriza o budismo?" Infelizmente, no Ocidente, o budismo parece ter caído no departamento da religião ou, então, no departamento da auto-ajuda; claramente no departamento da meditação, um dos modismos do momento. Eu gostaria aqui de contestar a definição de meditação budista. Para muitos, meditação é algo que tem a ver com relaxar, assistir ao pôr-do-sol ou acompanhar as ondas do mar. Idéias atraentes como "soltar-se de todos os problemas" e ficar "livre, leve e solto" vêm à mente. Do ponto de vista do budismo, meditação é um pouco mais do que isso. Primeiramente, acredito ser necessário falar do contexto clássico em que a meditação aparece no budismo, o qual é descrito em termos de visão, meditação e ação. Essa é uma forma bastante hábil de compreender o caminho. Ainda que não empreguemos esses termos em nosso cotidiano, sempre temos alguma visão, meditação e ação. Se pretendemos comprar um carro, escolhemos um que imaginamos será um bom carro. A visão nesse caso é essa idéia ou crença. Meditação, então, seria contemplar essa idéia, admirar suas características e familiarizar-se com ela, ao passo que ação é efetivamente sair e comprar o carro, dirigi-lo, usá-lo. Isso não é uma coisa necessariamente budista; essa conduta está presente a todo tempo, mesmo quando escolhemos um restaurante para ir jantar. Talvez não chamemos isso de visão, meditação e ação, mas, sim, de "ter uma idéia", "contemplá-la" e "realizá-la." Qual seria, então, a visão com a qual os budistas buscam se familiarizar? Há quatro selos que distinguem o budismo. Na verdade, se encontramos todas essas quatro visões em uma filosofia ou caminho — independentemente de ser chamado de budista ou não, já que a designação na realidade não tem importância — esse caminho poderá ser considerado o caminho do Buda. Por isso são chamados Os Quatro Selos do Dharma.
Esses Quatro Selos são:

Tudo que é composto é impermanente.
Todas as emoções são dolorosas. Isso é algo que só os budistas dizem. Muitas religiões veneram sentimentos como o amor e o celebram em suas canções. Os budistas pensam que "essas coisas são todas sofrimento." Os fenômenos são desprovidos de uma natureza dotada de existência intrínseca. Aqui temos a visão última do budismo. Os outros três selos, na realidade, se assentam neste terceiro. O quarto é:

O nirvana está adiante dos extremos.
Sem esses quatro selos o caminho budista passa a ser teísta, um dogma religioso, e a própria finalidade do budismo se perde. Poderia ocorrer uma situação em que uma pessoa louca estivesse dando ensinamentos sobre como ficar sentado numa praia assistindo ao pôr-do-sol. Se por acaso esses quatro selos também estivessem presentes, os ensinamentos seriam, necessariamente, budistas. Talvez eles desagradem aos tibetanos, chineses ou japoneses, mas não precisam aparecer dentro de um formato tradicional para serem budistas.

O Primeiro Selo
Esses Quatro Selos estão também muito interligados, como veremos. O primeiro diz que todas as coisas compostas são impermanentes. Não há um único fenômeno que possamos imaginar que não seja composto e, portanto, não esteja sujeito à impermanência. Podemos aceitar facilmente certos aspectos da impermanência, como a mudança do tempo; há porém outros aspectos, igualmente óbvios, que não aceitamos. Embora nosso corpo seja visivelmente impermanente, envelheça a cada dia, não queremos aceitar isso. Certas revistas populares que vendem a juventude e a beleza exploram essa atitude. Se pensarmos em termos de visão, meditação e ação, a visão de seus leitores poderia ser concebida em termos de não envelhecer, passar adiante do envelhecimento de algum jeito. Contemplando essa visão de permanência, a ação desses leitores é freqüentar academias de ginástica, fazer cirurgia plástica e se meter em todo tipo de complicações. Aos seres sublimes isso pareceria ridículo, baseado em uma visão equivocada. Ao olhar para esses diferentes aspectos da impermanência, como o envelhecimento, a morte, a mudança do tempo, etc., os budistas têm uma única coisa a declarar — esse primeiro selo: os fenômenos são impermanentes porque são compostos. Tudo que é feito de partes reunidas, cedo ou tarde, irá se dispersar. Quando dizemos "composto", isso inclui o tempo, o espaço e as dimensões. O tempo é composto e, por isso, impermanente. Sem o passado e o futuro, o presente não existe. Se o momento presente se tornasse permanente, não haveria futuro, pois o presente estaria sempre aqui. Tudo que podemos fazer — por exemplo, plantar uma flor ou cantar uma canção — tem um começo, meio e fim. Se enquanto estivéssemos cantando uma canção faltasse o começo, o meio ou o fim, não haveria como cantar a canção, o que faz desse ato algo composto.
Poderíamos, então, nos perguntar, "E daí?" "Por que se preocupar com esse tipo de coisa?" "O que há de tão importante nisso?" "Tem um começo, meio e fim — e daí?" Não é que os budistas estejam de fato preocupados com começos, meios e fins. Esse não é o problema aqui. O problema está no fato de que, quando a impermanência está presente, a incerteza e o sofrimento também estão presentes. Algumas pessoas acham que o budismo é pessimista, sempre falando de morte, morrer, impermanência, velhice — mas isso não é necessariamente verdade. A impermanência é um alívio! Eu não tenho uma BMW hoje e é graças à impermanência desse fato que eu posso vir a ter uma amanhã. Sem a impermanência eu ficaria preso à não-posse de uma BMW e nunca poderia vir a ter uma. Eu posso estar me sentindo muito deprimido hoje e, graças à impermanência, amanhã eu posso estar me sentindo ótimo. A impermanência não é necessariamente uma má notícia; tudo depende de como a interpretamos e a compreendemos. Mesmo que hoje nossa BMW seja riscada por um vândalo ou que nosso melhor amigo nos deixe na mão, não vamos ficar tão preocupados assim. Quando não reconhecemos que toda coisa composta é impermanente, isso é um engano, uma ilusão. Quando compreendemos isso — e não só intelectualmente — ficamos livres desse engano. É a isso que chamamos de liberação: ficar livre da crença unidirecionada e bitolada de que as coisas são permanentes. Mesmo o caminho, o precioso caminho budista, também pertence à esfera do composto, quer gostemos disso ou não. Ele tem um começo, tem um fim, tem um meio. Quando você compreende que todas as coisas compostas são impermanentes e você vive alguma perda, você tem condição de aceitar esse fato. Visto que todas as coisas são impermanentes, esse fato é de se esperar.

O Segundo Selo
Todas as emoções são dor. Nós aceitamos que certas emoções, como a raiva ou o ciúme, são dor. Mas o que dizer do amor e do carinho, da bondade e da devoção? O que dizer dessas emoções que são agradáveis, belas, adoráveis? Nós não as encaramos como sendo dor. No entanto, as emoções implicam em dualidade, o que, ao final, cria sofrimento. Emoções como o choro, a dor, a raiva, são na verdade apenas o amadurecimento de emoções mais sutis; surgem no final de um processo. Elas são as menos perigosas e logo se exaurem. A causa é a verdadeira emoção, a mente dualista, e isso inclui quase todos os pensamentos que temos. Por que isso é dor? Porque é equivocado. Toda mente dualista é uma mente equivocada, uma mente que ignora a natureza das coisas. O que é que se entende por dualidade? De um lado, estamos nós; de outro, nossa experiência. Ela é relativa, pois podemos ver que pessoas diferentes percebem o mesmo objeto de diferentes modos. Um homem pode pensar que uma mulher seja bonita, e para ele isso é verdade. Mas se essa verdade fosse independente, então uma outra pessoa também teria que ver essa mesma mulher como bonita. Essa verdade não é independente; depende da mente de cada um, da projeção de cada um. A mente dualista cria muitas expectativas, muito medo, muitas esperanças. Onde quer que a mente dualista exista, existe a esperança, existe o medo. A esperança é uma forma perfeita e sistematizada de sofrimento. Com relação ao medo nenhuma explicação é necessária, mas nossa tendência é pensar que a esperança não é sofrimento. Na verdade, porém, é um grande sofrimento e definitivamente é uma fonte de dor.
O Buda ensinou "conheça o sofrimento." Essa é a Primeira Nobre Verdade. Muitos de nós tomamos erroneamente o sofrimento pelo prazer. O prazer que tenho hoje é, na verdade, a própria causa da dor que vou estar experimento mais cedo ou mais tarde. Uma outra forma que o budismo tem de colocar isso é dizer que, quando uma grande dor fica menor, tomamos isso por prazer. Esse é o período que chamamos de felicidade. Além disso, a emoção é algo que não tem uma existência intrínseca. Quando uma pessoa que está com sede vê água em uma miragem, tem um sentimento de alívio, "Ah, encontrei água!" Porém, à medida que se aproxima, a qualidade e a percepção desaparecem e, por fim, resta a decepção. Esse é um aspecto bastante importante da definição de emoção, segundo o budismo: "Algo que não tem nada em sua essência," "Algo que não tem existência autônoma" — isso mesmo, existência autônoma.
Os budistas concluem que todas as emoções são sofrimento porque são impermanentes e dualistas, o que quer dizer que estão envoltas em incerteza e vêm acompanhadas de esperança e medo, não tendo, em última análise, qualquer natureza dotada de existência intrínseca. Então, podemos dizer elas não valem a pena tanto assim. Tudo o que criamos por intermédio das emoções, ao final, é completamente fútil e doloroso. Por essa razão os budistas fazem meditação shamatha e vipassana. O benefício que isso nos traz é soltar o laço com o qual as emoções nos prendem, soltar a fixação que temos em relação às emoções.

O Terceiro Selo
Todos os fenômenos são desprovidos de existência intrínseca. Aqui estamos falando de shunyata, vacuidade. Quando dizemos todos os fenômenos, isso inclui todas as coisas, até mesmo o Buda, a iluminação ou o caminho. Os budistas definem fenômeno como algo que possui características e que seja um objeto percebido por um sujeito. É a ignorância que toma o objeto como algo externo e faz com que ignoremos a verdade daquele fenômeno. A verdade do fenômeno é o que denominamos shunyata, vacuidade, o que dá a entender que ele não possui uma essência que exista verdadeiramente. Quando um sujeito enganado vê um objeto, este é interpretado como algo que existe verdadeiramente. No entanto, a existência que o sujeito imputa ao objeto é uma suposição equivocada que aparece apoiada em diferentes condições. Como no caso de alguém que vê uma miragem, a pessoa não tem diante dos olhos uma miragem dotada de existência verdadeira. Ao falar em vacuidade, o Buda queria dizer que as coisas de fato não existem como equivocadamente acreditamos que elas existam, e que as coisas são, em realidade, vazias dessa existência falsamente imputada. Por que acreditam no que é, na realidade, apenas projeções confusas, os seres sencientes sofrem, e para corrigir isso o Buda ensinou o Dharma. De modo muito simples, podemos nos referir à vacuidade dizendo "a maneira como as coisas aparecem não é como elas realmente são." Como expliquei ao falar sobre a emoções, quando você olha para um fenômeno como se estivesse olhando para uma miragem, ele desaparece à medida que você se aproxima, ainda que no princípio parecesse real. A vacuidade é, às vezes, denominada dharmakaya e, em um contexto diferente, poderíamos estar descrevendo como o dharmakaya é permanente, imutável, permeia tudo — todas essas palavras poéticas e belas. Essas são palavras místicas que dizem respeito ao caminho. Agora, porém, estamos tratando do terreno, da base, estamos nos esforçando para adquirir uma compreensão intelectual. No caminho é possível retratar o Buda Vajradhara como um símbolo do dharmakaya ou da vacuidade, mas do ponto de vista acadêmico até mesmo pensar em pintar o dharmakaya é um erro.
Pergunta: Se nós próprios somos dualistas, podemos chegar a compreender a vacuidade, que é algo que está além de qualquer descrição? Os budistas são muito escorregadios. Você tem razão: não podemos nunca falar da vacuidade absoluta, mas podemos falar de uma "imagem" da vacuidade. Então, você pode avaliá-la, contemplá-la e, por fim, chegar à verdadeira vacuidade. E se você dissesse, "Mas isso é facilitar as coisas demais, isso é uma embromação," os budistas diriam, "Mas é assim que as coisas funcionam." Se você precisa encontrar alguém com quem nunca tenha estado antes, eu posso descrever essa pessoa para você, mostrar-lhe uma fotografia dela e, com a ajuda dessa imagem, você pode ir e achar a verdadeira pessoa. O caminho, em última instância, é irracional mas, do ponto de vista relativo, é muito racional, pois se casa com as convenções relativas do nosso mundo. Quando estou falando da vacuidade, tudo que estou apresentando é uma "imagem" da vacuidade. Não posso lhe mostrar a verdadeira vacuidade, mas posso lhe contar porque as coisas não são dotadas de existência intrínseca. O Buda ensinou três caminhos diferentes em três momentos separados, conhecidos como Os Três Giros da Roda. Porém, ele resumiu esses três caminhos em uma única frase: "Mente; não há mente; a mente é luminosa." Aqui "Mente" se refere ao "primeiro giro da roda," o primeiro conjunto de ensinamentos. Indica que o Buda ensinou que há uma "mente", e isso serve para afastar a visão niilista de nenhum céu, nenhum inferno, nenhuma causa e efeito. Quando ele disse, "Não há mente," isso reflete o ponto de vista de que a mente é apenas um conceito e que não existe algo como uma mente dotada de existência verdadeira. A terceira afirmação, "A mente é luminosa," aponta para a natureza búddhica, a sabedoria sem equívocos nem ilusões que existe deste o começo. Nagarjuna, um grande comentarista, disse que a finalidade do primeiro giro foi afastar tudo que é não-virtuoso. Quando a não-virtude aparece? Quando você se torna eternalista ou niilista. Portanto, para pôr fim aos atos e pensamentos não virtuosos, o Buda fez o primeiro sermão. O segundo giro, no qual o Buda ensinou sobre a vacuidade, foi apresentado para afastar o apego ao eu, bem como o apego aos fenômenos como verdadeiramente existentes. O terceiro giro destinou-se a afastar todos os pontos de vista, todas as visões, até mesmo a visão da ausência do eu. Os três conjuntos de ensinamentos do Buda não pretendem introduzir algo de novo; sua finalidade é apenas eliminar a confusão. Como budistas, praticamos compaixão mas, se nos falta a compreensão deste terceiro selo, a compaixão pode ser um tiro que sai pela culatra. Se você fica apegado à meta da sua compaixão, ao solucionar um problema é possível que você passe por cima do fato de que a sua idéia de solução está inteiramente baseada na sua interpretação, e você pode acabar vítima da esperança e do medo, vítima da decepção. Você pode se tornar um bom praticante do Mahayana e, uma vez, duas vezes, você tenta ajudar os seres sencientes. Mas, porque lhe falta a compreensão deste terceiro selo, pode ser que você fique cansado de ajudar os seres sencientes. Um outro tipo de problema que também vem da falta de compreensão da vacuidade e que ocorre com budistas mais superficiais ou enfastiados, tem a ver com a questão de que, nos círculos budistas, se você não aceita a vacuidade, então você não está por dentro. Assim, fingimos que apreciamos a vacuidade e fingimos meditar sobre ela. No entanto, quando não a compreendemos adequadamente, pode surgir um efeito colateral nocivo. Dizemos, "Ah, tudo é vacuidade. Posso fazer tudo o que eu quiser." Ignoramos e violamos os detalhes do karma, a responsabilidade sobre nossos atos. Você se torna deselegante e também uma fonte que leva os outros a perder inspiração. Sua Santidade o Dalai Lama muitas vezes faz referência a essa falha que é a não-compreensão da vacuidade. A compreensão correta da vacuidade nos leva a ver como as coisas são inter-relacionadas e como temos responsabilidade por nosso mundo. Você pode ler milhões de páginas sobre esse assunto. Só de Nagarjuna você pode ler cinco comentários diferentes que tratam basicamente deste tópico. Há também comentários escritos pelos seguidores de Nagarjuna. Há incontáveis ensinamentos sobre o estabelecimento da visão da vacuidade. Nos templos ou monastérios Mahayana canta-se o Sutra do Coração da Prajnaparamita, que também é um ensinamento sobre o terceiro selo.
As filosofias ou religiões podem dizer "as coisas são ilusórias", "o mundo é maya, ilusão", mas há sempre uma ou duas coisas que ficam de fora por serem tidas como verdadeiramente existentes — como Deus, a energia cósmica, seja lá o que for. No budismo, não é isso que acontece. Tudo no samsara e no nirvana, da cabeça do Buda até um pedaço de pão, tudo é vacuidade. Não há nada que não esteja incluído na verdade última.
Pergunta: No budismo há tanta iconografia que parece ser objeto de meditação ou de adoração. No entanto, seu ensinamento parece me conduzir para a compreensão de que tudo isso é inexistente.
Quando você vai a um templo, vê muitas belas estátuas, cores e símbolos. Eles são importantes no caminho. Isso é o que chamamos "imagem" da sabedoria, "imagem" da vacuidade. Ainda assim, mesmo enquanto seguimos pelo caminho e aplicamos seus métodos, precisamos saber que o caminho, em última instância, é uma ilusão. O caminho, de modo bastante hábil, coaduna-se com a nossa mente habitual e, ainda assim, tem o potencial de, ao final, despertá-la.

O Quarto Selo
Com a explicação dada sobre a vacuidade acho que de algum modo já cobrimos o nirvana está além dos extremos. Esse último selo também é um ponto de vista único ao budismo. Em muitas filosofias ou religiões a meta final é alguma coisa na qual podemos nos firmar, a qual podemos conservar: "a meta final é a única coisa verdadeira que existe." No budismo, porém, a meta não é fabricada; por isso não pode ser guardada. Por isso dizemos: ela está "além dos extremos." Talvez imaginemos que, de algum modo, poderíamos ir para um lugar onde houvesse um sofá melhor, um chuveiro melhor, uma rede de esgotos melhor, algum tipo de nirvana onde você não precisa nem mesmo de controle remoto, onde todas as coisas aparecem no momento em que você pensa nelas. No entanto, como disse antes, nós não introduzimos alguma coisa que não estava presente antes. A meta é alcançada quando removemos o que havia de artificial e obscurante. Não ficamos apegados a uma verdade última dotada de existência real, a um nirvana que realmente existe. Quer você seja um monge ou monja que tenha renunciado à vida mundana, quer seja um yogi que pratique métodos tântricos profundos, quando você busca abandonar ou transformar o apego às suas próprias experiências, se você não tem familiaridade com esses quatro selos você estará encarando suas experiências como manifestação de alguma coisa má, satânica, ruim. Isso quer dizer que você estará longe da verdade. Todo o budismo tem por objetivo levar à compreensão da verdade. Se houvesse alguma permanência verdadeira nas coisas compostas, se houvesse prazer verdadeiro nas emoções, o Buda teria sido o primeiro a recomendá-las, dizendo, "Por favor, guardem e prezem essas coisas," porque o que ele queria, em sua grande compaixão, era que tivéssemos o que é verdadeiro, real. Quando você tiver uma clara compreensão desses quatro selos como a base da sua prática, você se sentirá confortável, independentemente das experiências que surgirem. Desde que você mantenha esses quatro selos como a sua visão, nada pode sair errado. A pessoa que mantém esses quatro selos no coração ou na mente, a pessoa que os contempla, é budista. Ainda que não ostente o rótulo de budista, ela será uma seguidora do Buda.

A pedidos. Mas não é preciso. Tudo muda inevitavelmente!

Mude - Edson Marques

Mas comece devagar, porque a direção é mais importante que a velocidade. Mude de caminho, ande por outras ruas, observando os lugares por onde você passa. Veja o mundo de outras perspectivas. Descubra novos horizontes. Não faça do hábito um estilo de vida. Ame a novidade. Tente o novo todo dia. O novo lado, o novo método, o novo sabor, o novo jeito, o novo prazer, o novo amor. Busque novos amigos, tente novos amores. Faça novas relações. Experimente a gostosura da surpresa. Troque esse monte de medo por um pouco de vida. Ame muito, cada vez mais, e de modos diferentes. Troque de bolsa, de carteira, de malas, de atitude. Mude. Dê uma chance ao inesperado. Abrace a gostosura da Surpresa. Sonhe só o sonho certo e realize-o todo dia. Lembre-se de que a Vida é uma só, e decida-se por arrumar um outro emprego, uma nova ocupação, um trabalho mais prazeroso, mais digno, mais humano. Abra seu coração de dentro para fora. Se você não encontrar razões para ser livre, invente-as. Exagere na criatividade. E aproveite para fazer uma viagem longa, se possível sem destino. Experimente coisas diferentes, troque novamente. Mude, de novo. Experimente outra vez. Você conhecerá coisas melhores e coisas piores, mas não é isso o que importa. O mais importante é a mudança, o movimento, a energia, o entusiasmo. Só o que está morto não muda !

Bichinhos ecológicos

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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Eu sei, mas não devia - Clarice Lispector


Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E porque não abre as cortinas logo se acostuma a acender cedo a luz. E a medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduiche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto. A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra. A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias de água potável. A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se a praia está contaminada a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se o trabalho está duro a gente se consola pensando no fim de semana. E se com a pessoa que a gente ama, a noite ou no fim de semana , não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado. A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que gasta de tanto se acostumar, e se perde de si mesma.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Ilusões


Existem muitas pessoas que não conseguem ver além do seu próprio nariz. Olham para a palma da mão a uma distância de um centímetro dos olhos. São auto-centradas demais. Pensam que o único sofrimento existente no universo é o delas próprias. Às vezes, estão tão desorientadas dentro de si mesmas que não vêem o mal que causam a si e aos outros. Sua única preocupação é o próprio ego, a pior coisa que carregamos conosco, nosso maior fardo. Dizem uma coisa envolvendo outras pessoas e depois as decepcionam agindo de forma totalmente avessa ao que foi dito. Ferem e por isso, muitas vezes, sofrem um karma tão imediato que não vêem que elas estão assim por sua única responsabilidade. Não adianta culpar o outro. Agindo dessa maneira, afugentam os amigos e passam a viver reclusas dentro de casa, depois dentro do quarto e depois sobre uma cama. Debaixo das cobertas, tomam refúgio na tela de uma televisão a cabo, seguindo seriados idiotas que as levam a reflexões também idiotas. Ao serem procuradas por amigos, não os vêem mais como amigos. Ao soar da campainha, abrem uma greta da porta de entrada e perguntam o que querem como se agora fossem inimigos, estranhos, gente perigosa. Iniciam uma paranóia, tomam medicamentos para dormir, fugir, achando que, agindo assim, serão menos infelizes. Mas quando acordam, desapontam-se, pois estão no mesmo plano. Não têm coragem para transitar no sofrimento, vivê-lo bem e reconhecê-lo como aliado para sair do lado negro para a claridade. Estas pessoas estão gravemente enfermas de uma doença terrível chamada ignorância. Precisam de extrema ajuda para serem apresentadas à impermanência - melhor companheira da paciência - para perceberem que tudo é ilusão e vai passar como uma nuvem, uma rajada de vento para depois, lentamente, cair no vazio. Passam-se as dores assim como as alegrias também passam. Ambas são idênticas, vindas da mesma essência e possuem o condão de curar, fortalecer, enrijecer e encorajar as pessoas para enfrentar as vicissitudes da vida como sendo suas amigas. A única ajuda que se pode dar a essas pessoas é rezar muito a fim de que possam alcançar alguma fresta de luz nos seus caminhos tortuosos. Aliás, todos os caminhos são tortuosos. Não só os delas.

15 de janeiro de 2004

Ser

Ser como as cinzas que, se já se queimaram, não se queimam mais. Ser como as cinzas que já não temem o fogo.

Curei-me da superficialidade, do hábito de não pensar e não refletir. Não acredito em tudo que me contam. Penso e raciocino com minha própria cabeça. Não acredito em tudo só porque está escrito ou porque me foi dito como verdade.

Mudar de idéias, alterar opiniões não significa fraqueza, mas evolução e crescimento.

Já enfrentei muitas dificuldades e obstáculos nesta minha vida e os compreendi adequadamente. Por isso, descobri a força que precisava para superá-los.

Ainda tenho medo, mas também adquiri coragem suficiente para experimentar o sofrimento, pois ele é o que me deixa mais forte; é dele que extraio as lições das dificuldades; é dele que ganho o destemor.

29 de janeiro de 2001

Estou

...me sentindo triste, cansada, desanimada. Poderia acrescentar deprimida, mas não gosto mais dessa palavra. Ficou muito banal. Está na moda. Todo mundo está ou fica deprimido. É muito normal. Queria que alguém cuidasse de mim e meu mapa astral fala isso o tempo todo. É assim que sou. Disseram que posso mudar, mas não tenho mais forças para lutar. Estou com sono. Estou com vontade de sumir. Estou querendo silêncio. Estou sentindo dores pelo corpo. Minha perna esquerda parece que quer ir embora e toda hora arruma uma reclamação. Nem minha menstruação, coisa abominada por muitas mulheres, não quer saber de mim esse mês. TPM? O que antes eu fazia com facilidade e destreza, já não consigo mais. Acho que a dor é mesmo na alma por que estou sofrendo muito e nem consigo chorar. Estou com o espírito machucado. Estou ficando velha.
Belo Horizonte, 26 de dezembro de 2003.

Com força e com vontade

Passei uma semana de cão. Tive depressão e pânico. Fiquei duas noites sem dormir e três dias sem comer. Mas sabia que era a minha mente aprontando mais uma das suas e sabia mais ainda que era tudo impermanente. Ia passar. Ontem, depois que cheguei do cursinho – foi uma luta assistir à aula - tomei um remédio para me refazer que minha médica receitou. Putz! Dormi cerca de vinte horas seguidas! Mas, quando acordei... ah, cara, foi demais! Sumiu tudo, a disposição não podia ser melhor: arrumei cama, lavei, passei e guardei roupas, varri chão, lavei vasilhas, enfim, arrumei a casa. A de fora e a de dentro. Estou nova em folha. E estou pronta para o que der e vier, com força e com vontade.

Hello, Mr. Nicholson!


Hello, Mister Jack Nicholson!
Hello... miss...
(Yelling) Don’t miss me!!! (Back to the low voice tone and smiling) Sorry. It’s only a pun, a play of words.
(Laughing) I’ll never miss you. And don’t mister me! Call me Jack.
Oh, no! It’s a very common name. By the way, Mister Nicholson: are you son of some guy called Nichol?
Are you trying to imitate me, my dear? You’re being so clever!
I’m not trying to imitate you, Mister Nicholson for I’m not only clever. I’m intelligent too. It’s different.
Well, may I at least know your name?
My name ir Carmen. Not Carmen as you say it in English but Carmen as you say it in Spanish.
Wake up!!!!
This was a dream I had on July, 16th, 2002

O Alvo


Remexendo em coisas guardadas procurando uma que precisava, não achei. Achei isso que escrevi a 4 de junho de 1990:
"Observe o gato: antes de um salto, encolhe-se e prepara os músculos para pular. Olha fixamente para seu objetivo e não se deixa perturbar por nada. Se, por ventura cair, sempre cairá de pé."

Tal negócio. Quem procura o que não perdeu, só encontra o que não guardou e, quando acha, não reconhece.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Escrevi depois que li o livro.


Não adianta ocupar 100% do nosso tempo com coisas para fazer. Não faz sentido ficar o dia inteiro fazendo coisas. Estas coisas que fazemos têm que ter uma prioridade. As que não são importantes, as coisas desnecessárias, inúteis e fúteis, devem ser postergadas ou até mesmo, pela sua absoluta falta de objetivo, devem ser abandonadas, riscadas definitivamente de nossa agenda.

Existem pessoas que, frente a um determinado problema, resolvem que devem preencher a maior parte de seu tempo, trabalhando de manhã, de tarde e de noite. Existem profissionais, principalmente na área de saúde que, depois de trabalhar o dia todo, fazem plantão madrugada afora.

Isso não passa de uma fuga. Não é senão uma forma de se evitar olhar para dentro de si mesmo, de viver o problema e assim resolvê-lo ou, se não houver solução, aprender a conviver com ele.

As prioridades devem ser, antes de tudo, fazer aquilo que vai ajudar o outro em detrimento até mesmo de nós mesmos. Porém, observando através de uma lupa, veremos que, mesmo o que fazemos para ajudar o outro, tem uma conotação egoísta. Basta fazermos uma lista e observá-la com estes olhos. Ajudamos o outro de acordo com o nosso ponto de vista. Não nos colocamos no lugar dele. Muitas vezes até atrapalhamos, porque o outro não quer a nossa ajuda ou nem precisa. Fomos nós que, egoisticamente tomamos esta decisão. Isso é muito comum entre os pais e os filhos ou entre amigos de longa data.

Então, é hora de parar. É hora de olhar para dentro de nós sem fazer absolutamente nada. É hora de contemplar nossa mente, nossos pensamentos e sentimentos e ver o que deve ser mantido e o que deve ser descartado. Esta é a essencial arte de parar.

sábado, 03 de novembro de 2007.

E eu não fiz assim...


Extraído de Trinta Conselhos Vindos do Coração, de Longchenpa

[10] Em tempos de degenerescência, podemos reprovar pessoas grosseiras à nossa volta. Apesar de acharmos que isso será de utilidade para elas, essas atitudes não passam de pensamentos venenosos. Apenas pronuncie palavras pacificadoras — este é o meu conselho do coração.

[11] Com uma boa motivação e cheios de afeição, podemos apontar às pessoas os seus defeitos, apenas desejando seu bem. Ainda assim, apesar de ser verdadeiro o que dizemos, isto vai amargurar os seus corações. Limite-se às palavras amáveis e construtivas, este é o meu conselho vindo do coração.

[12] Com a motivação de preservar a pureza dos ensinamentos do Buddha, podemos entrar em debates, defendendo nosso ponto de vista e contradizendo os pensamentos de outros. No entanto, seguindo este caminho, estaremos induzindo a pensamentos impuros. Mantenha seu silêncio— este é o meu conselho do coração.

[13] Acreditando estar contribuindo para o Dharma, podemos apoiar de uma maneira partidária a linhagem e as visões filosóficas do Lama. No entanto, honrar uns e menosprezar outros fortalece os nossos apegos e raivas. Mantenha-se afastado dessas coisas — este é o meu conselho do coração.

[14] Tendo contemplado profundamente o Dharma, podemos chegar à conclusão de que compreender os erros alheios é a prova de que manifestamos a sabedoria discriminativa. No entanto, pensando desta maneira, apenas acumulamos deméritos. Olhe tudo como verdadeiramente puro — este é o meu conselho do coração.

[15] Fixando-se na vacuidade e ignorando a lei da causa e efeito, podemos pensar que a não-ação é o verdadeiro ensinamento do Buddha, o ponto último do Dharma. No entanto, o abandono das duas acumulações extinguirá a prosperidade da nossa prática. Una esses dois pontos, a ação correta com a compreensão da vacuidade — este é o meu conselho do coração.

O que é a morte?


Você está completamente ciente que a morte está à mão.
Seja um pessoa muito corajosa.
Mantenha uma mente tranqüila e prepare-se para a morte.
A morte não é um erro.
A morte é uma transição e um despertar do sonho da vida.
A reincarnação é um fato.
A alma renasce vez após vez chegando cada vez mais perto da iluminação.
Não importa se você tenha nascido como um monge, um trabalhador, um cientista ou um fazendeiro, tente desenvolver seu espírito interno.
Se você não se render à raiva e á crueldade nesta vida, você subirá mais um degrau da escada na próxima vida.
Assim, tente se tornar como o Buda o máximo que puder.
Viva em paz e encontre o renascimento porque a morte é sempre seguida pela renovação e pela vida.
Os seres humanos encaram quatro sofrimentos principais.
Eles são partes inseparáveis da vida: nascimento, doença, velhice e morte.
É muito importante saber porque você encara esses problemas na sua vida.
Se você reconhece e entende estas coisas elas te ajudarão a manter uma atitude positiva.

Lama Tuvam

domingo, 22 de fevereiro de 2009

What's death?

"You are completely aware that life is near hand.
Be a very courageous person.
Keep a calm mind and prepare for death.
Death isn't a failure.
Death is a transition and an awakening from the dream of life.
Reencarnation is a matter of fact.
The soul is reborn over and over again getting closer to enlightening each time.
Wether you were born a monk, a labour, a scientist or a farmer you must try to develop your inner spirit.
If you do not surrender yourself to anger or to cruelty in this life, you will climb a ladder one more step in the next.
In this way you try to become as much as the Buddha as possible in each life you live.
Leave in peace and find rebirth because death is always followed by renewed and life.
Human beings face four main sufferings.
They are parts impartial of life: birth, sickness, old age and death.
It's very important to know why you face these problems in your life.
If you realize and understand these things, it helps you to maintain a positive attitude."

Lama Tuvam

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Mente e Emoção no Budismo Tibetano


Se hoje estamos aqui agora, é porque somos velhos amigos. Existe uma ligação cármica. Neste momento, vivemos esta experiência. A raiz da experiência que nós vivemos agora é a mente. A mente é que dirige o corpo e a fala. Se nós olharmos para a nossa mente e perguntarmos de que ela é feita, de que substância, de que cor, ninguém saberá dizer. A mente não nasce e a mente não morre. Olhando para este mundo, vemos pessoas doentes e saudáveis, ricas e pobres, emoções desequilibradas. Por que é assim? Ninguém escolheu sofrer, ser pobre. Quando sentimos as emoções da mente costumamos culpar os outros, nossos pais, o ar que está poluído, a alimentação ruim. Mas, a raiz não é isso. Ela está na própria mente. Como a mente cria as expectativas de vida? Alguns pensam que é Deus, mas Deus não pune, não causa mal. Em qualquer tradição, eles devem ter grande sabedoria. Eles têm um grande amor, uma grande compaixão, eles são auxiliadores. Eles não auxiliam somente as pessoas que rezam. Um Deus olha a todos com equanimidade de amor e compaixão. Mas, por que muitas pessoas sofrem se Deus tem tanta compaixão? Faço uma comparação com o sol. Se nós entramos dentro de um buraco, não vamos sentir a luz do sol. Se não recebemos ajuda dos seres iluminados é porque cortamos a relação com eles. Por que, então, temos problemas? A razão é o carma. Na mente surgem pensamentos negativos. Então, as palavras serão negativas, as ações serão negativas e a energia será negativa. Se causarmos sofrimento a outros seres ela volta para nós. É como um pêndulo e o pêndulo é o apego. Nós pensamos de forma errada, temos apegos errados. Pensamos que tudo que temos na vida, objetos, experiências serão para sempre e isto é um erro. Precisamos nos lembrar que tudo isso é impermanente e, se pensarmos assim, quando perdermos algo ou alguém, não sofreremos tanto, a emoção não será tão grande.
Por Sua Eminência Chagdud Tulku Rinpoche - Dia 21 de março de 1996.

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

As Cinco Coisas a Serem Lembradas Constantemente


1. Minha natureza é envelhecer. Eu não superei a velhice. Isso é para ser lembrado constantemente.
2. Minha natureza é adoecer. Eu não superei a doença. Isso é para ser lembrado constantemente.
3. Minha natureza é morrer. Eu não superei a morte. Isso é para ser lembrado constantemente.
4. Tudo aquilo que é meu querido e prazeroso mudará e desaparecerá. Isso é para ser lembrado constantemente.
5. Sou o senhor das minhas ações, herdeiro das minhas ações, unido pelas minhas ações, protegido pelas minhas ações. O que quer que eu faça, para o bem ou para o mal, disso eu serei o herdeiro. Isso é para ser lembrado constantemente.


Sidharta Gautama, o Buda (o Desperto, Iluminado, que vem do radical "Budh", despertar) Shakyamuni (o sábio dos Shakyas)

O que é cidadania?

Cidadania é considerar o outro como se tem consideração por quem você mais preza, por quem você mais ama, seja seu filho, sua mãe, pai, esposa, marido, namorado (a)...

Você jogaria lixo na sua sala de estar, no seu quarto, sobre sua cama? Quem não daria a sua vez numa fila, no trânsito para o seu filho mais amado?

Por que você, que está de carro, não dá a sua vez para o pedestre? Afinal ele está na FAIXA DE PEDESTRE. E mesmo que não estivesse, está em desvantagem. Você está atrasado, mas está de carro. Cuidado! Não vá cometer nenhum acidente! É melhor sair mais cedo da próxima vez.

Quanto ao pedestre, se está atrasado, tem que correr, tem que suar! Está em desvantagem. Se fosse seu filho ou alguém que você ama muito, você jogaria o carro nele ou o ignoraria olhando para o outro lado da rua enquanto avança com o carro sobre a faixa do pedestre?

Se você ama alguém, tente pensar no estranho como se fosse este alguém.

Bom dia!

Quer coisa mais automática do que dizer um “Bom dia”? Quando dizemos “bom dia”, não pensamos no que estamos realmente dizendo, verdadeiramente desejando. E é prá qualquer um, prá todo mundo. “Bom dia” pra faxineira que está desde cedo nos corredores do prédio, esfregando o chão, coitada, num trabalho repetitivo: todo dia ela faz tudo sempre igual (♫); “bom dia” pro porteiro que vai encarar um dia inteiro no mais absoluto tédio, sentado dentro de uma guarita olhando pachorrento para quem entra e quem sai e ouvindo lacônicos bons-dias, boas-tardes e boas-noites. No ônibus, bom dia pro motorista e pro trocador; no escritório bom dia, bom dia, bom dia. Prá todo mundo. Mas o que é um bom dia? São duas palavrinhas que querem dizer muita coisa. Só que ninguém pára pra pensar o quê! Um dia sem contrariedades? Impossível! Isto não existe. Mas com paciência para levar os trancos que o dia nos dará, pois, sem dúvida eles virão. Um dia bom, com olhos para ver as boas coisas em vez de achar que as ruins pesam toneladas. Um dia legal sem reclamar da chuva, da seca, do calor, do frio, do sol quente, do vento frio. Um dia para parar de reclamar. Isso é que é um “Bom dia”. Já pensou? Todo mundo sorrindo largo e conscientemente dizendo com a boca cheia: BOM DIA!

Ana Carmen Castelo Branco
Belo Horizonte, 14 de fevereiro de 2003 – sábado.