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sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Citando Bob Thurman




"A liberdade do dualismo é entender que a realidade última é relativamente real, ultimamente real e relativamente última."

Robert Thurman

Com Sua Santidade o 14º Dalai Lama
Com sua filha, a atriz Uma Thurman (uma que dizer canal central)
Com a esposa Nena e a filha Uma.

Robert Alexander Farrar Thurman nasceu em 4 de agosto de 1941. É um escritor americano budista e acadêmico influente e prolífero que autorizou, editou ou traduziu vários livros sobre o budismo tibetano. É professor de estudos budistas indo-tibetano da Universidade de Columbia, detentor da primeira cátedra no campo deste estudo nos Estados Unidos. É também co-fundador e presidente da Tibet House (Casa do Tibet) em Nova York e ativista contra o controle do Tibet pela República Popular Chinesa.
Thurman nasceu em Nova York, filho de Elizabeth Dean (nascida Farrar), uma atriz dos bastidores e de Beverly Reid Thurman Júnior, um editor da Associated Press e tradutor das Nações Unidas. Cursou a Philips Exeter Academy de 1954 a 1958 e, em seguida, a Universidade de Harvard obtendo o título de Bacharel em Artes (AB) em 1962.
Casou-se dom Christophe de Menil, herdeira da Schumberger Ltd., uma fortuna em equipamento de petróleo, em 1959. Tiveram uma filha, Taya e seu neto é o artista Dash Snow.
Em 1961, Thurman perdeu seu olho esquerdo num acidente de carro quando tentava levantar o carro com um macaco e o olho foi recolocado através de uma prótese ocular.
Após o acidente, ele resolveu redirecionar sua vida, divorciou-se da esposa e viajou de 1961 a 1966 para a Turquia, Iran e Índia. Converteu-se para o budismo e foi ordenado sacerdote budista em 1964, o primeiro monge americano da tradição budista tibetana.
Estudou com Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama de quem se tornou amigo íntimo.
Em 1967, de volta para os Estados Unidos, Thurman abandonou seu voto de celibato e casou-se pela segunda vez com uma modelo teuto-suiça, Nena von Schlebrügge, que passou por um breve casamento com Timothy Leary. Thurman e Schlebrügge, agora uma psicoterapeuta, tiveram quatro filhos sendo a mais velha, a atriz Uma Thurman.
Thurman obteve o Mestrado em Artes em 1969 e um Ph.D. em Estudos de Sânscrito Indiano em 1672 em Harvard. Foi professor de religião no Amherst College de 1973 a 1988 quando aceitou um trabalho na Universidade de Columbia como professor de religião e sânscrito. A revista Time o escolheu como um dos 25 americanos mais influentes em 1997.
Dr. Thurman é altamente reconhecido por suas traduções e explanações dinâmicas e lúcidas da religião e filosofia budista, particularmente à tradição Gelugpa (dge-lugs-pa), e seu fundador, Je Tsongkhapa.

Traduzido por Ana Carmen Castelo Branco - Belo Horizonte, 26 de dezembro de 2008.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Retirantes contemplam a vida. - Tradução

Suan Mokkh, Thailândia
Quando Sarah Medway, uma artista inglesa de 50 anos de idade, leu a programação para os próximos 10 dias, ela ficou nervosa. "Eu queria sair imediatamente. Quase não consegui passar pelo balcão de registro", ela confessou. "Eu acabara de passar por uma transição difícil na minha vida e meu filho recomendou-me que eu fizesse isso. Ele me disse que simplesmente não era mais eu mesma". No terceiro dia, Sarah estava pronta para desistir. Ela mergulhou fundo dentro de si mesma e, na manhã seguinte, sentiu uma onda de calma e se adaptou à rotina estrita. No sétimo dia, ela chorou de desespero, mas nos últimos poucos dias, ela sentiu seu espírito nascendo de novo. "É uma montanha-russa emocional", concordou Matthew Carter, um instrutor de ginástica da África do Sul que tinha acabado de completar seu quarto retiro no monastério Suan Mokkh. "Mas isto limpa a sua alma". Wat Suan Mokkh está bucolicamente situado dentro de uma floresta em Chaiya, no sul da Thailândia. O monastério de floresta foi fundado em 1932 por um dos mais reverenciados monges da Thailândia, o Venerável Buddhadasa Bhikku (literalmente "Servo do Buddha"). Ele fundou o centro como um santuário para aqueles que quisessem praticar Vipassana (meditação do insight - visão clara). "Minha verdadeira natureza era aquela de um monge da floresta", escreveu Buddhadasa em 1943 e, pelos 50 anos seguintes, ele devotou sua vida a espalhar a palavra sobre o dharma (natureza) e encorajar Anapanasati (vigilância por meio da respiração) entre seus seguidores. Tal foi sua busca pela paz no mundo que Buddhadasa começou a convidar visitantes de diferentes religiões para seu retiro silvestre, esperando que eles levassem a mensagem de volta para suas casas.

Wat Suan Mokkh e a Sala de Meditação
Buddhadasa faleceu em 1993, mas seu legado vive em Wat Suan Mokkh. Gerenciado por devotos buddhistas e voluntários laicos, o monastério organiza mensalmente retiros para estrangeiros que desejam aprender Anapanasati e explorar a si mesmos.
As inscrições são feitas no último dia de cada mês (Wat Suan Mokkh não cancelou ou adiou nenhum retiro nos seus últimos 15 anos). Os dormitórios podem abrigar até 60 homens e 60 mulheres. As acomodações são espartanas: uma cela de concreto de 3 por 4 metros tem uma cama de alvenaria e uma esteira de palha. Espera-se que os retirantes imitem a rotina do próprio Siddhartha Gautama incluindo o mínimo de sono, andar descalços, comer somente pela manhã e dormir num travesseiro de madeira.

A Resposta Está Debaixo do Seu Nariz
Qualquer um que respire pode praticar a meditação Anapanasati. Ela não requer despesa, equipamento e nenhum planejamento. É boa para sua saúde e não tem efeitos colaterais.
As instruções para um iniciante são simples: sinta sua respiração entrando em suas narinas; siga-a até seu umbigo; sinta-a voltando para fora através de seu nariz; não pense em mais nada.
Ainda assim, é uma busca que poucos e preciosos mortais podem arrogar ter conseguido em uma só vida.
Aconselha-se que você comece sentando confortavelmente com a coluna ereta (o "lótus completo" e outras posições de yoga são puramente para aparecer). Tenha os olhos semicerrados e olhe para baixo em direção à ponta de seu nariz. Então, faça algumas respirações profundas. Siga sua respiração enquanto ela entra e sai. Na medida em que os pensamentos entram na sua mente, deixe-os passar. Retorne à respiração. Depois de um tempo, suas pernas, suas costas, seu pescoço ou todos os três começarão a doer. Ignore a dor. Volte à respiração. Continue focalizando na respiração até alcançar um estado de calma. Dissipe os pensamentos. Observe somente sua própria respiração. Ouça os sons à sua volta, mas não os analise. Inspire. Expire. Continue pelo tempo que você conseguir.

Sábio, porém humilde e secamente divertido, Tan Ajahn Dhammavidu oferece a palestra diária sobre os princípios buddhistas e a prática de Anapanasati.
O monge pode perspicazmente simpatizar com as frustrações dos meditantes noviços. Ele nasceu há 50 anos na Inglaterra e, como músico e artista, passou os anos 60 e 70 vivendo um estilo de vida hippie na Índia antes de se tornar um monge buddhista Theravada nos meados de 1980. Tan Ajahn Dhammavidu diz que não se arrepende e nem sente falta do "mundo real".
"A vida é sofrimento", diz, apesar de que um sorriso irônico no rosto sugere que ele está bem feliz com sua porção. Recontando casos de seu passado travesso, o monge inglês mantém sua audiência compenetrada, um alívio bem-vindo para os que estão lidando com suas próprias almas problemáticas.
Com uma virada de ironia, Tan Ajahn Dhammavidu amarra sua narração relacionando-a aos ensinamentos do Buddha.

Os Cinco Obstáculos para a efetiva meditação - desejo, agitação, preguiça, má-vontade e dúvida - são justapostos à analogia de se comer uma pizza enquanto dopado por haxixe numa hospedaria em Bengala. Cabeças balançam em apreciação. Ele deixa muita coisa sem dizer, mas sua mensagem é sempre clara: escolha o Caminho do Meio; não se engane; fique atento a tudo.
Os sinos tocam novamente para mais uma hora de meditação caminhando. Silenciosa e atentamente, os sábios andam devagar como zumbis em volta das terras do monastério. No nono dia, pede-se que os alunos devotem o dia inteiro à prática de meditação. Não há almoço neste dia, só o desjejum. Não haverá cânticos, nem yoga. As poucas distrações que poderiam existir são removidas e os meditantes lutam para atingir o nível mais alto que puderem.

Como o retiro caminha para um final, os membros sobreviventes refletem sobre o que provavelmente foi o mais longo dos 10 ou 12 dias de suas vidas:
"Eu tenho muito respeito pelo Buddhismo, mais ainda depois do retiro", reflete Sarah. "Acredito que Buddha descobriu a física quântica a 2.500 anos atrás".
"Definitivamente vale a pena fazê-lo ao menos uma vez na vida" divagou Márcio Assis, 27 anos, do Brasil. "O travesseiro de madeira foi duro; sopa de arroz para o desjejum todos os dias foi duro; acordar às 4 da manhã foi duro. Mas, no final, senti uma atitude mental muito mais positiva. É uma oportunidade de deixar para trás o mundo capitalista e olhar para dentro".
"Considerando que eu estava aqui para pensar sobre nada, eu nunca pensei tanto em minha vida", confessa Andréa, uma aluna alemã.
Como muitos outros, Andréa foi recomendada a ir ao Wat Suan Mokkh por um amigo e veio para "purgar os demônios" depois de término traumático com seu namorado. No final do curso ela sentiu que tinha finalmente fechado um capítulo em sua vida, mas não sem angústia e o derramamento de muitas lágrimas.
Um para subir, Scotty!
Se você já visitou um dos grandes lugares sagrados do Buddhismo, tais como Lumbini no Nepal, o lugar de nascimento do Buddha, você já deve ter notado a maneira descuidada com que muitos habitantes abordam os locais turísticos. Famílias indianas correm espalhando amendoins, tirando fotos, rindo. O Buddhista ocidental convertido, por outro lado, tende a querer dar esse passo além com austeridade. Ele se sentará debaixo de uma árvore, diante de centenas de tolos e risonhos turistas, e meditará desesperadamente, sem dúvida desejando alcançar um plano mais alto e, de preferência, antes do templo fechar para o dia.
Outros preferem tomar alucinógenos ou fumar maconha antes de descer para um dia duro de meditação. Você os encontrarão nas praias da Thailândia ou de Goa. Eles param a cada cinco minutos para mais uma dose.
Depois de incontáveis retiros e milhares de turistas e desejosos de ser buddhistas, Reinhard Holscher, um dos coordenadores do programa, é cético quanto ao que chama de "Coelhinhos da Felicidade".
"A meditação é um trabalho para toda a vida", ele diz. "Iniciantes não podem alcançar nenhum estado avançado em apenas 10 ou 12 dias".
É aí que jaz o conflito na mente ocidental. Enquanto muitos orientais parecem nascer com um senso natural de habilidade para a meditação, o impaciente e caprichoso ocidental tende a achar que todo o processo é apenas uma tarefa impossível de ser realizada.
"Queremos a Iluminação agora, ou estouraremos nossos miolos tentando!" ele diz.
O fato verdadeiro é que somente uma vida ascética é condutiva a uma meditação bem sucedida. Álcool e drogas simplesmente não adiantam. É uma busca pessoal, não há competições ou Campeonatos Mundiais de Meditação. É um assunto pessoal entre você e sua alma.
Apesar dos sinais de aviso, mais de 120 ocidentais fazem suas malas e entram no monastério em busca da Iluminação todos os meses - os jovens e os incansáveis, os militantes buddhistas e os renascidos curiosos, uns escravos da rotina, outros em encruzilhadas, outros em becos sem saída, alguns procurando por respostas, alguns olhando para algum lugar dentro, outros para algum lugar fora, os atormentados, os confusos, românticos, viciados, rebanhos e um sortimento de almas perdidas.
Dos 96 que apareceram para o programa de 11 dias em abril de 1996, apenas 67 completaram o curso - tal é o tormento psicológico que muitos têm que agüentar.
"A maioria dos que saem fora são jovens e não têm a menor idéia do que esperar", Reinhard diz.
Outros não conseguem ter o suficiente. Andy é um jardineiro da Alemanha e já veio a 20 retiros em Wat Suan Mokkh. Depois do 11º dia de cada curso, ele se muda para o outro lado da estrada para o monastério principal por duas semanas "para colher os resultados".
Completando o retiro, os alunos são bem-vindos a ficar no monastério principal se quiserem mais tempo para praticar meditação num ambiente silvestre ou se eles não se sentirem prontos para voltar para o mundo exterior.
Fundamentalmente você volta para o espaço selvagem, para o tráfego barulhento, luzes brilhantes e a comoção da vida do dia a dia. Mas enquanto pega uma carona de volta para Surat Thani na traseira de um caminhão, você sente um novo começo, uma estranha sensação de que sua vida está de alguma forma mais aberta do que você poderia imaginar antes. Seus sentidos estão mais claros: você pode sentir o cheiro da grama e das árvores, você pode sentir a brisa solta nos seus cabelos como nunca sentiu antes. Você encara milhares de pessoas na rua e simpatiza com cada uma delas. Você "nasceu de novo". O mundo é agora a sua ostra.
Com uma súbita explosão de alegria você grita para o ar: "Carpe Diem!" E, talvez, pela primeira vez na sua vida, você verdadeiramente diz isso pra valer.

Os retiros de meditação do Wat Suan Mokkh (em inglês) são realizados do 1º ao 11º dia de cada mês.
Inscrição: Um dia antes que o retiro comece.
Custo: 1500 baht para alimentação e acomodação.
Retiros em língua thai são realizados do 19o ao 27o todo mês.
Contato: The Dhammadana Foundation, c/o Suan Mokkhabalarama, Chaiya, Surat Thani, Thailand, 84110.
Telephone/fax: 07-743-1597.
Web site: www.suanmokkh.org/
Suan Mokkh está situado na Highway 41, perto de Chaya, 50 km. Ao norte de Surat Thani. Trens e ônibus: use a principal linha de trem ou rodovia entre Surat Thani e Bangkok.
Aeroporto mais perto: Surat Thani
Retiro de meditação:
4h.: acordar, banhar-se, meditar, yoga.
7:30h.: desjejum, tarefas, palestra do dharma, meditação, meditação caminhando, meditação.
12:30h.: almoço (última refeição do dia), tarefas, meditação, meditação caminhando, meditação, cânticos.
18h:. xícara de chá, banho quente nas termas, meditação.
21h:. Cama
Não ler, não escrever, não fumar, não beber, nenhum pensamento ou atividade sexual, não conversar.
© 2006 tradução de Ana Carmen Castelo Branco, para a Comunidade Nalanda,
http://buddhadasa.nalanda.org.br/destinofelicidade.html

A Árvore de Jóia do Tibet: o Motor da Iluminação do Budismo Tibetano

Autor : Robert Thurman - Tradução Ana Carmen Castelo Branco Publicado em: novembro 18, 2007

Poucos professores do ocidente possuem tanto treinamento espiritual quanto o erudito para nos guiar pelo caminho da iluminação. Robert Thurman é um destes professores. Agora, em seu primeiro curso experimental sobre as essências do budismo tibetano, adaptado e divulgado de um retiro popular que ele dirigiu, Thurman - o primeiro ocidental ordenado pelo próprio S. S., o Dalai Lama - compartilha a sabedoria centenária de um método altamente valioso usado pelos grandes mestres tibetanos. Valendo-se de um texto reverenciado e já tido como secreto de um mestre tibetano do século dezessete, junto com uma total explicação para ocidentais contemporâneos, A Árvore da Jóia do Tibet mergulha-nos completamente nos mistérios da sabedoria espiritual tibetana. Um retiro em forma de livro assim como um ensinamento espiritual e filosófico, oferece um sistema prático de compreensão de nós mesmos no mundo, de como desenvolver nosso processo de aprendizado e pensamento e de como ganhar um discernimento e percepção profundos e transformadores. Os tibetanos pensam em sua querida tradição budista como uma "árvore que preenche desejos" por seu poder de gerar felicidade e iluminação dentro de todos que absorvem seus ensinamentos. A felicidade, de fato, é a real meta da espiritualidade budista e a árvore de jóia que preenche desejos os colocará no caminho para o alcance desta meta. Esta linda imagem da árvore de jóia que atua como uma mandala ou uma postura de yoga para focar sua atenção em verdades maiores que você mesmo, o ajudará a sobrepujar idéias e hábitos antigos, fortalecer habilidades positivas, desenvolver mais energia e criatividade e mudar sua vida - no futuro - para melhor. Como Thurman escreve, "Os leitores aprendem a cultivar a sensibilidade e apreço para amar mais integralmente, sentir compaixão mais intensamente e se tornar uma fonte de alegria para todos que encontram e conhecem." Porque o caminho para a iluminação requer mais do que se sentar em meditação, A Árvore de Jóia do Tibet oferece uma trilha rica, intelectualmente cravejada de práticas espirituais específicas incluindo: os onze passos para criar o espírito da iluminação aqui e agora; as verdades e estórias dos sábios hindus e tibetanos; e meditações guiadas para vivenciar as bênçãos da árvore de jóia que preenche desejos. Vocês podem fazer estas práticas com os outros ou sozinhos durante a sua vida diária. E, enquanto viajam por esta estrada para aprofundar a auto-realização, auto-entendimento e contagiante alegria, também aprenderão como os princípios do tantra tibetano pode abrir as portas para a "compaixão e continuidade infinitas" e como descobrir estados de consiciência que transcendem ate a morte.Um dos mais explícitos ensinamentos dos passos para o caminho da iluminação disponíveis, explicados por um hábil professor ocidental, A Árvore de Jóia do Tibet os tornará aptos a honrar a completa sutileza e as profundezas escondidas do caminho do budismo tibetano e realizar, enfim, seus mais profundos mistérios e procuras - para vocês e para os outros.

Curiosidade: O Professor Robert Thurman é pai da atriz Uma Thurman
http://en.wikipedia.org/wiki/Robert_Thurman

Dukkha - Tradução

Sei que não é de interesse geral esse tipo de literatura, mas achei o texto que segue tão claro e esclarecedor que julguei interessante compartilhar. Alguns destaques em negrito são meus.
DukkhaVenerável Dhammika
“No seu primeiro sermão feito em Benares, a ‘Roda da Lei’, o Buddha exprimiu aquilo que representa o coração de seu ensinamento. Ele disse:
‘Esta é a primeira nobre verdade: tudo é dukkha. O nascimento é dukkha, a vida é dukkha, a velhice, a doença, a morte são dukkha. Estar unido àquilo que não se ama é dukkha. Não realizar seus desejos, não realizar suas necessidades são dukkha. Já que isto é um fato, então trabalhem sem descanso. Vocês devem ter três metas na vida, já que a vida é assim: a primeira meta é a de trabalhar para suprimir dukkha. Se esta nobre meta não pode ser alcançada, há uma segunda nobre meta, tão nobre quanto a primeira: contribuir para diminuir dukkha. Se não puderem nunca alcançar esta segunda nobre meta, resta-lhes a terceira, tão nobre quanto as duas primeiras: não acumular dukkha‘.
O termo ‘dukkha’, quase intraduzível, significa ’sofrimento’, incluindo aí as noções mais profundas da impermanência e da imperfeição. Nada sendo permanente, durável, toda mudança intervirá cedo ou tarde e, quando ela chegar, com certeza haverá sofrimento se for ignorada a lei da impermanência. Logo, é preciso ser consciente de que tudo está constantemente em mudança. Se alguém pensa que pode congelar a coisas para sempre, enfrentará sofrimentos importantes. Por exemplo, um sentimento alegre, uma felicidade, uma paixão, não são permanentes nem eternos. Quando a mudança intervier haverá dor, aflição. Isto parece fácil de compreender; é o mesmo quando nomeamos uma pessoa, indivíduo, um eu. É somente uma combinação de forças, de energias físicas e mentais elas mesmas em perpétua mudança. Logo isso também será dukkha. Ocorre o mesmo com nossas sensações e percepções que sentimos como agradáveis, desagradáveis ou neutras: elas são impermanentes. Dukkha não é nem uma filosofia, nem uma religião, menos ainda uma crença. É uma REALIDADE científica, quer dizer que, a todo o momento, ela é demonstrável e reproduzível. A tal ponto que o Buddha disse: ‘Vou lhes ensinar a Verdade e o caminho que leva à Verdade’. Ele nos disse que a vida é sofrimento. Então, comecem por observar que vocês não são felizes, que efetivamente vocês vão mal, mal dentro de seus corpos, porque ele envelhece, porque ele degrada, porque ele é mortal.
Observem bem que, dentro de sua psique, isto também não vai bem. Um dia, vocês pensam em qualquer coisa e, no dia seguinte, pensam o contrário. Um dia, vocês dizem a alguém que vocês o amam, no dia seguinte, vocês não podem mais o sentir. Observem bem que o que é verdade num momento, é o erro do outro momento. O caminho para a felicidade é ver que vocês não são felizes ou completamente felizes e que a razão é tudo isso. (E isto não é triste), é que o que é composto será decomposto. Quer vocês gostem ou não, tudo é impermanente; tudo que começou terminará. Observem que isto os deixa tristes, angustiados. Somos tristes porque queremos que isto dure.
O Buddha não disse que as coisas são más, ele disse: ‘elas são transitórias’. Segundo o Buddhismo, a verdade absoluta é que não há nada de absoluto neste mundo, que tudo é relativo, condicionado e impermanente, tudo é dukkha.
A compreensão desta verdade, quer dizer, as coisas tais como são, sem ilusão ou ignorância, é a extinção de dukkha que os guiará ao nirvana.
Então, qual é a origem de dukkha? Encontramos três causas principais responsáveis pelo sofrimento:
1. O Apego : É a sede, o desejo ardente de possuir. É porque sofremos frustrações, sofremos pela falta de amor, que nós desejamos avidamente. Nós nos tornamos escravos de nossos desejos e caímos na paranóia.
- O apego aos seres humanos, aos seres viventes (sou apegado a minha esposa, a meu marido, aos meus filhos, ao meu cachorro, etc., no que está implícito o prazer dos sentidos: ‘Se eu sou apegado a você, é para o meu próprio prazer’.)
- O apego aos bens: a riqueza, a posse, o ter, o saber, etc…
- O apego às idéias, aos ideais, às opiniões, às crenças, às concepções, à ideologia, etc… É este apego que mais mata no mundo (‘Se você não crê no meu Deus, eu te mato’.)
2. A Aversão
3. A Ignorância : Não é uma falta de saber, mas de conhecimento, em particular de ignorar quem somos nós, do ser que somos, de qual é o sentido da vida.
Trabalhando com as três causas de dukkha, o homem vai reencontrar o ser que existe dentro dele, reencontrar o mais parecido à sua imagem quando ele está dentro do ser, dentro daquele que não há diferença entre ele e o outro. Ele alcançará, assim, esta união do céu e da terra e o despertar do homem-Deus interior. ‘O desapego puro está acima de todas as coisas’, nos disse o Mestre Eckhart.
O desapego não é desprezo nem indiferença, mas liberdade a respeito do que se possui, daquilo que nos possui e daquilo que nós não possuímos. Pelo não-apego podemos sair de nossas memórias, dos traços que nos constituem no instante presente, para descobrir em nós o ser essencial, não apegados à matriz espaço-temporal, quer dizer, à dualidade. Jesus disse que seria preciso não ser apegado a seu pai e à sua mãe… ‘Não chamar ninguém de pai, mãe’ a fim de preservar em nós o sinal do ‘um’, daquele que gera e dá a vida’“.
© Venerável Dhammika
© tradução do francês de Ana Carmen Castelo Branco para a Comunidade Buddhista Nalanda, 2006

A Família Humana - Tradução

11 Janeiro 2006

A Família Humana
"Viver a vida religiosa é um doar de si mesmo – ao Dhamma, a Deus ou a qualquer coisa que seja a verdade suprema em uma religião particular. O propósito do monasticismo é o de vocês se doarem completamente. Vocês se libertam do desejo por recompensa pessoal ou reconhecimento de qualquer tipo, apenas para serem capazes de se tornar um bom monge ou monja e se doar totalmente aos refúgios do Buddha, do Dhamma e da Sangha.
O ideal da vida familiar é para o homem e a mulher se unirem para se entregarem um ao outro. Assim, o sentido de ser uma pessoa independente tem de ser sacrificado em prol do casal. Depois, com filhos a caminho, o casal se torna uma família e tem de desistir de tudo pelos filhos. Vejo como os pais se rendem totalmente às necessidades de seus filhos e acho isso admirável. Parece que são 24 horas por dia de contínua doação a um outro ser. Algumas vezes, isso pode ser irritante e aborrecido, mas em outras vezes vocês podem ver que é muito recompensador, que os pais realmente doam de forma sábia, não sem necessidade, mas como resultado de reflexão real e entendimento da situação. Eles sentem uma tremenda alegria ao desistir de seus interesses pessoais, privacidade, direitos e muito mais por causa de uma criança indefesa".
Este é um trecho do excelente artigo "A Família Humana" do Venerável Ajahn Sumedho, monge sênior da tradição theravada thailandesa, traduzido gentilmente por Ana Carmen Castelo Branco e revisado por Amandina Morbeck para a comunidade Nalanda. Em breve, ainda hoje, no site do Nalanda em:
http://www.nalanda.org.br/sala/sumedho.phpE aqueles que quiserem colaborar com traduções úteis para as pessoas, sintam-se à vontade para entrar em contato com o email da comunidade!
escrito por Dhanapala às 07:47 0 comentários Links para este post

quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

Cartão de Natal

Minha filha detesta, odeia, abomina, tem ojeriza, birra, antipatia, aversão pelo Natal. Então me mandou um cartão:

FELIZ NAPALM!!!

Meditação budista para cristãos.

Meditação ensinada por um Lama tibetano chamado Thubten Yeshe, aos seus alunos ocidentais, que cresceram em tradições cristãs.
“ ... sentem-se ou ajoelhem, se preferirem, numa posição confortável, relaxados, mas com as costas retas. Mentalmente, visualizem a figura de Jesus. Seu rosto tem uma expressão tranqüila, serena e terna. Uma representação do Cristo ressuscitado ou de Jesus pregando pode ser usada como modelo para essa visualização.
Depois, visualizem uma luz branca que emana da auréola muito radiante de Jesus em direção a auréola de vocês. Essa luz branca faz parte da natureza da energia espiritual, e assim que entra no corpo purifica a contaminação física, ou pecado, acumulado. Essa energia branca purifica todas as doenças do corpo, incluindo cânceres, e ativa e renova o funcionamento de todo o sistema nervoso.
Da mesma forma, visualizem uma luz vermelha emanando da garganta de Jesus e entrando na sua, penetrando completamente as cordas vocais com a sensação de felicidade. (...) essa gloriosa energia vermelha os purificará de todos esses negativismos. Em conseqüência, voces descobrirão as qualidades divinas da palavra.
Depois, do coração de Jesus, uma infinita e radiante luz azul vem penetrar o seu coração, purificando a mente de todos os seus conceitos errados. O ego egoista e mesquinho que é como o líder ou presidente das ilusões, e os três venenos – a ganância, o ódio e a ignorância – que são como os ministros do ego, são todos purificados nesse glorioso brilho azul. A mente indecisa, que é especificamente cheia de dúvidas e está sempre entre “talvez isto”e “talvez aquilo”, é esclarecida.
Essa purificação tripartida do corpo, fala e da mente pode ser de grande auxílio para todos os que tiverem grande devoção para com Jesus. Se vocês forem incapazes de visualizar o todo acima descrito, podem concentrar-se apenas no coração de Jesus. Desse centro muito glorioso, emana uma energia branca e brilhante para o coração, purificando todos os aviltamentos. Essa é uma prática simplificada, mas ainda assim pode ser extremamente benéfica.
Vocês podem concluir essa meditação visualizando uma flor de lótus branca se abrindo no coração. A figura compassiva visualizada à frente penetra, então, no coração e manifesta-se nessa flor de lótus. Depois, o que quer que voces comerem ou beberem torna-se uma oferta para este Jesus dentro do coração. ”

Fonte: Noite Feliz – Reflexões sobre o Natal
Autor: Lama Thubten Yeshe - Diretor da FPMT (Foundation for the Preservation of the Mahayanna Tradition
Editora: Pensamento

Obs.: O livro pode ser encontrado na Livraria Leitura (Belo Horizonte) ao preço de R$ 9,90.
De um e-mail enviando por Juliana Bonneau.

Mensagem de Sua Santidade.


Preciso ver ou rever, ler ou reler.


Dzongsar Khyentse Rinpoche - o lama cineasta


Filmes:
7 Anos no Tibet
A Copa
Enlightenment Guaranteed
Go Hime
Himalaya
Kundun
Milarepa
Pequeno Buda
Primavera, Verao, ...
Rikyu
Samsara
Siddharta
Travellers and Magicians
Un Buda
Windhorse

Documentários:

Budas en el Exilio
Cry of The Snow Lion
Doing Time, Doing Vipassana
El Labirinto del Tibet
In search of the lost Buddhas
Into The Thunder Dragon
La Vie de Buddha
Message of the Tibetans
Return to Tibet
Saltman of Tibet
The Life of Buddha
The Lions Roar
The Spirit of Tibet
Thus I have Heard
Tibet, a Buddhist Trilogy
Tibet: The survival of the Spirit
Tibetan Book of The Dead
Wheel of Time
Words of my perfect teacher
Yatra Trilogy
Yogis of Tibet

Indiretamente ligados com o dharma:

Black Rain (o de Shohei Imamura)
O grito das formigas
Recomendados por algum lama:

Ikiru (Dzongsar Khyentse Rinpoche)
Stalker (DKR)
Woman in the Dunes (Trungpa Rinpoche)

Cineastas recomendados:

99.9% deles podem ser encontrados via p2p (emule, torrent)
Herzog (conexão com Sua Santidade, o Dalai Lama)
Hiroshi Teshigahara (ligado à arte tradicional japonesa)
Kurosawa (Dzongsar Khyentse Rinpoche)
Satyajit Ray (Dzongsar Khyentse Rinpoche)

domingo, 21 de dezembro de 2008

Medicina se rende à prática da meditação




Ministério da Saúde baixou portaria incentivando postos de saúde e hospitais a oferecer a técnica em todo o País. - Ricardo Westin.
Em fevereiro, a agência do governo dos EUA responsável pelas pesquisas médicas (NIH, na sigla em inglês) reconheceu formalmente a meditação como prática terapêutica que pode ser associada à medicina convencional. Em maio, o Ministério da Saúde brasileiro baixou uma portaria em que incentiva postos de saúde e hospitais públicos a oferecer a meditação em todo o País.
Essas ações governamentais são sinais da tendência de encarar a meditação não simplesmente como prática de bem-estar, que faz bem apenas à mente e ao espírito. Parar diariamente alguns minutos para se concentrar e se desligar do turbilhão de pensamentos que ocupam constantemente a cabeça também ajuda a manter a saúde física.
"A meditação é diferente da medicina convencional porque quem cuida de você não é o médico. É você mesmo", explica a médica anestesista Kátia Silva, que coordena as atividades de meditação no Hospital Municipal Vila Nova Cachoeirinha, em São Paulo. Na cidade, 70% dos postos de saúde oferecem atividades da chamada medicina tradicional, que inclui acupuntura, tai chi chuan e meditação.
Relativamente recentes, as pesquisas começaram nos anos 70. Uma pesquisa com a palavra meditação no acervo on-line da Biblioteca Nacional de Medicina, do governo americano, traz 1.400 estudos científicos.
Entre outros benefícios, meditar previne e combate a depressão, a hipertensão arterial, a dor crônica, a insônia, a ansiedade e os sintomas da síndrome pré-menstrual, além de ajudar a reduzir a dependência de drogas.
Esses estudos mostram que a meditação reduz o metabolismo - os batimentos cardíacos e a respiração ficam mais lentos e o consumo de oxigênio pelas células cai. É isso que dá a sensação de relaxamento e tranqüilidade.
As mesmas pesquisas sugerem que prática também interfere no funcionamento do sistema nervoso autônomo, que é responsável, por exemplo, pela liberação dos hormônios noradrenalina e cortisol durante os momentos de stress. Em quem medita, a duração dessas "reações de alarme" são mais curtas. Dessa forma, a pressão do sangue e a força de contração do coração ficam alteradas por pouco tempo, comprometendo menos a saúde.
Apesar de serem evidentes os benefícios, a ciência ainda não consegue entender completamente como a meditação age no sistema nervoso. "Uma das dificuldades é o fato de não serem possíveis testes com modelos animais", explica a bióloga Elisa Kozasa, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Segundo especialistas, mudanças podem ser sentidas logo nas primeiras semanas. A aposentada Maria Elza Lima dos Santos, de 60 anos, descobriu a meditação no Hospital Vila Nova Cachoeirinha. Ela vivia com crises de pressão alta, que passaram após quatro meses de práticas diárias. "Antes, eu era muito nervosa. A cabeça estava sempre cheia de problemas. Aí a pressão subia. Agora fico mais relaxada, sinto uma paz de espírito", conta ela, explicando que no princípio teve dificuldades com a técnica (leia sobre a técnica no texto ao lado). "Levei um mês para aprender a me concentrar.
"NA TRILHA DA ACUPUNTURA" - o obstetra Roberto Cardoso, autor de "Medicina e Meditação - Um Médico Ensina a Meditar" (MG Editores, 136 págs, R$ 26), diz que muitos profissionais de saúde ainda têm preconceitos. "Mas isso deve mudar. A meditação começa a trilhar os passos da acupuntura, que já é um recurso reconhecido pela classe médica."
No Brasil, a instituição que mais estuda o tema é a escola médica da Unifesp, o que, segundo especialistas, ajuda a apagar a imagem religiosa e mística que normalmente se tem dos meditadores. A meditação não precisa ser necessariamente ligada a uma crença oriental. (O grifo é meu)
Para que a meditação cumpra seu papel de medicina complementar e preventiva, o psicólogo José Roberto Leite, da Unifesp, explica que ela deve ser diária e constante. "É como comer ou fazer exercícios. Não basta uma semana para que você se mantenha saudável."
Retirado de:http://txt.estado.com.br/editorias/2006/07/07/ger-1.93.7.20060707.6.1.xml
Meditação profunda aperfeiçoa funcionamento do cérebro
_CONTRIBUTED BY anônimo em Thursday, July 2006 @ 15:38:07 BRT
Por Jorge A. Bañales Washington, 9 nov (EFE).
Pessoas que praticam meditação durante longos períodos induzem mudanças no funcionamento cerebral que melhoram o conhecimento e as emoções, segundo um estudo da Universidade de Wisconsin divulgado nesta segunda-feira.
Uma equipe do Laboratório W.M. Keck de Estudos Cerebrais, do Centro Waisman da Universidade de Wisconsin, que realizou os experimentos em cooperação com o Monastério Schechen, de Katmandu (Nepal), publicou suas conclusões na revista "Proceeding", da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.
"Descobrimos que pessoas que praticam meditação budista durante longos períodos auto-induzem mudanças neurais, isto é, na função cerebral, que têm um impacto duradouro, aumentando a cognição e as emoções", indicou Antoine Lutz, que liderou o estudo.
O termo "meditação" compreende inúmeras tradições culturais e variados métodos de concentração mental, controle da respiração, disposição física centrada e, em alguns casos, visualizações - ou seu oposto, a não focalização da mente em objetos ou idéias.
Para este estudo, os pesquisadores tomaram oito praticantes de meditação budista com idade média de 49 anos, e para o grupo de controle utilizaram 10 estudantes voluntários, com idade média de 21 anos.
Os budistas receberam instrução mental nas tradições tibetanas Nyingma e Kagyu de 10.000 a 50.000 horas ao longo de períodos de 15 a 40 anos."A duração de sua instrução foi calculada sobre a base de sua prática diária e o tempo que passaram em retiros de meditação", indicou Lutz.
Por outro lado, os sujeitos do grupo de controle não tinham experiência prévia na meditação e receberam instrução por uma semana antes da coleta de dados através de eletroencefalogramas.
Como método de meditação, os pesquisadores escolheram "a prática sem um objeto determinado durante a qual os praticantes, tanto budistas como do grupo de controle, geraram um estado de 'amabilidade e compaixão incondicional'.
Esta prática, usada por inúmeras escolas budistas da Índia até China, Japão, Coréia e sudeste asiático, não requer concentração sobre objetos, memórias ou imagens particulares, mas uma disposição para ajudar a todos os seres vivos.
"Estudos anteriores já demonstraram o papel geral da sincronia neural, em particular nas freqüências da banda gama (de 25 a 70Hz), em processos mentais como a atenção, a memória ativa, a aprendizagem e a percepção consciente", explicou Lutz.
Acredita-se que tais sincronizações das descargas neurais oscilatórias desempenham um papel crucial na constituição de redes que integram os diferentes processos neurais em funções cognitivas e afetivas altamente ordenadas.
"Por isso, a sincronia neural parece um mecanismo promissor para o estudo dos processos cerebrais que estão por trás da instrução mental", acrescentou.
Os pesquisadores registraram eletroencefalogramas dos participantes budistas e dos sujeitos de controle antes, durante e depois da meditação, e compararam as pautas de ambos os grupos.
"Descobrimos que os praticantes budistas auto-induzem, de forma sustentada, oscilações de alta amplitude na banda gama e na sincronia de fase", disse Lutz."As diferenças notáveis em relação aos sujeitos de controle aumentam muito durante a meditação e se mantém no período posterior à meditação", explicou.
Um dos detalhes notados pelos pesquisadores foi a chamada "sincronia gama a longa distância".
Aparentemente, ela é vinculada a uma coordenação neural em grande escala e ocorre quando duas áreas neurais, controladas por dois eletrodos distantes, oscilam com uma relação de fase precisa que se mantém constante durante um certo número de ciclos de oscilação.
Além disso "a atividade gama de alta amplitude encontrada em alguns destes praticantes é, até onde sabemos, a mais alta da que se tem notícia na literatura científica, em um contexto não patológico", acrescenta o estudo.

Para o signo de Câncer.


Todo mundo diz que final de ano é hora de jogar fora o que não se usa mais, o que não se quer mais, o que se pode dar para alguém. Já comecei. Estou de viagem marcada para o Khadro Ling e isso me forçou a ver o que tenho que levar na mala. Achei inúmeras coisas que há muito tempo não uso. Aos poucos, estou pondo dentro da mala o que preciso para o retiro. O resto fica. Na volta, quando desfizer a mala, me desfaço das coisas inutilizáveis. O negócio é desfazer, é desapegar.
O horóscopo está bom. O ano de 2009 será regido pelo Sol o que sinaliza o começo de uma nova era cheia de revitalização, energia e motivação. Um dos eclipses do ano vai ser em pleno Dzogchen, dia 26 de janeiro. Deve haver uma cerimônia muito auspiciosa. O outro eclipse é em 21 de julho.
Não posso me esquecer de levar um presente para a Khadro que faz aniversário junto com meu filho caçula e de, pelo menos, telefonar para ele.
O horóscopo também diz que vou ganhar um dinheiro extra vindo da pessoa que eu menos esperar, mas não gosto de surpresas. Sou uma prevenida para o que possa me surpreender. Mas, no Samsara, não tem jeito porque a gente sempre é surpreendida. Isto é inevitável. Mesmo assim, estou levando uma bela e farta farmacinha e algumas coisas para costura.
Gostei muito disso: “Saturno, transitando neste período pelo setor da comunicação, dará aos cancerianos a oportunidade de aprender a se expressar de forma mais sucinta e também mais objetiva. Além disso, você se sentirá mais encorajada a dizer o que realmente se passa em sua cabeça sem medo de magoar outras pessoas.”
Falo demais, pareço me desculpar o tempo todo numa eterna explicação e gostaria mesmo de dizer algumas verdades para as pessoas, mas sem magoá-las. Esse último é bem difícil. Parece que hoje em dia as pessoas estão se magoando muito facilmente, estão estressadas, agitadas, com pressa, falando sem pensar se vale a pena. Eu também.
Parece que só penso em dinheiro, mas não. Eu não penso em dinheiro. Eu preciso dele! E meu marido tem uma herança para receber que está encalacrada há doze anos. Pois o horóscopo diz: “Bons ventos vão soprar na área dos processos legais – o recebimento de uma herança que estava emperrada, por exemplo, poderá finalmente ser liberado.”
O verbo que define meu signo é a casa – como se eu já não soubesse – e a cozinha... ah, não! Não é o meu lugar! Gosto mais de limpar decorar, enfeitar, fazer o ninho, enfim. Como os pássaros, prefiro buscar a comida pronta na rua.
Feliz 2009 para todos!

sábado, 20 de dezembro de 2008

Mensagem de Natal para Ani Zamba de S

"Querida AZ

Há algum tempo atrás, ouvi um ensinamento muito precioso. Agora, lendo seu texto sobre o Natal, lembrei-me das simples e comoventes palavras e senti meu coração aquecido.

Temos o poder de reconhecer nossos corações, nossos sentimentos, nossas emoções, nossas percepções. Não devemos reprimi-los. Mas, precisamos de tempo e espaço para olhar para elas e reconhecê-las como elas são. Para sermos capazes de fazer isso temos que estar presentes aqui e agora interconectados com todos os seres.

Muitas vezes, nosso corpo está ali, mas nossa mente está em outro lugar. A prática que o Buda nos ofereceu é a prática da consciência, de viver consciente. “O Reino de Deus” ou “A Terra Pura dos Budas” não são uma idéia. São uma realidade. Toda vez que estamos conscientes, toda vez que estamos concentrados e relaxados neste estado, podemos nos conectar com esse reino para a nossa transformação e cura. É claro, inferno, o reino dos fantasmas famintos e tudo o mais também estão aí, no momento presente, mas o reino do despertar também está aí e nós só temos que escolher entre eles.

Quando estamos inteiramente presentes no aqui e agora, observando nossos pensamentos, sentimentos e emoções, eles não são a realidade e não precisamos ser sugados por eles. Podemos manter nossa liberdade e isso é muito importante. Mesmo quando pensamentos negativos ou positivos surgem, devemos nos lembrar que nossos pensamentos são só pensamentos e isso nos permitirá que a sabedoria, a compaixão, o amor e a equanimidade entrem em ação para nos ajudar e a todos os seres sencientes.

Ao nos reunir neste Natal e na véspera do Ano Novo, podemos tomar consciência de que a Terra Pura dos Budas ou o Reino de Deus está sempre lá para nós. Tudo que precisamos é tomar refúgio na liberdade, o que significa lembrar-se do Buda das Três Jóias (a Pura Natureza Última) do Dharma (o caminho para alcançar esta Natureza Última) e da Sangha. A sangha do Buda e dos bodisatvas e a sangha dos seres sencientes, os que estão no caminho, os que estão apenas tentando sobreviver. Podemos abraçá-los todos e sentir profundamente que estamos integrados como uma grande empresa além do tempo e do espaço.

Com amor e respeito.
S."

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Mineirêz


Fala de mineirin é assim mêzz...

Ansdionti (antes de ontem)
Badacama (debaixo da cama)
Berzonte
Beraba
Berlândia
Conceção? (Quantos vocês são?)
Concechama? (Como você chama?)
Confó fô ô vô (Conforme for, eu vou)
Dendapia (dentro da pia)
Denduforno (dentro do forno)
Dentifrisso (dentifrício)
Dezdaí (Desce daí)
Doidimais (doido demais)
Doncovim? (De onde que eu vim?)
Ganhães
Guvernadô Valadars
Iscodidente (escova de dente)
Iscoiê (escolher)
Ispeciar
Istrudia (Outro dia)
Kidicarne (quilo de carne)
Lidileite (litro de leite)
Mastumate (massa de tomate)
Minino
Mons Clars
Munbunito (Muito bonito)
Nossinhora (Nossa Senhora)
Oiprocevê (Olha para você ver)
Óiuchêro (olha o cheiro)
Oncê tava cocêsumiu? (Onde você estava que você sumiu?)
Oncestão? (Onde vocês estão?)
Oncesvão? (Onde vocês vão)
Oncotô? (Onde que eu estou?)
Onquié (Onde que é?)
Onzz: ônibus
Parksmangabeira (Parque das Mangabeiras)
Patinga
Pelopoldo (Pedro Leopoldo)
Pincumé (pinga com mel)
Pondiôns (ponto de ônibus)
Pópará (Pode parar)
Pradaliberdade (Praça da Liberdade)
Pradupapa (Praça da Liberdade)
Prõ nós tão ino? (Para onde nós estamos indo?)
Proncovô (Para onde que eu vou?)
Quainahora (Quase na hora)
Rugoiás (Rua Goiás)
Sapassado (sábado passado)
Sélagoas (Sete Lagoas)
Sessetembro (sete de setembro)
Tabira
Tajubá
Ticido (tecido)
Tidiguerra (tiro de guerra)
Tissudaí (Tira isso daí)
Tiuria (teoria)
Tradaporta (atrás da porta)
Varrginha
Vidiperfume (vidro de perfume)
Vistido
Xô descê
Xô vê
Xô iscoiê

Uai é indispensável. O que significa uai? Uai! Uai é uai, uai.
Quando quiser uma confirmação, pergunte: É mêzz?
Se quiser chamar a atenção, diga: Oi qui, ó!
Quando quiser uma confirmação, pergunte: ... É mêzz?
Se estiver com fome coma pão dji quejj. Ex.: Dois pão dji quejj e duas cêirvejj...
Na falta de vocabulário específico, utilizar a palavra trem, que serve para tudo, exceto como meio de transporte ferroviário que, neste caso, é troço.
Onzz é o meio de transporte coletivo rodoviário. Ex: Ói, lá vem o onzz das seis!
Se quiser aprovar alguma coisa solte um sonoro: Mai qui belêzz!
Prá fazer café, primeiro pergunte: Pó pô pó?
Se acharem que ficou ralo, pergunte então: Pó pô má poquim di pó?
Se você não sabe onde está e nem para onde vai, pergunte simplesmente: On cotô? Pron covô? Pronóis vai ?
Se não estiver certo de comparecer, diga simplesmente: Con fó fô eu vô!
Se o motivo da dúvida for algo que você tem que fazer, explique, "Vou fazer um nigucim e vorto logo".
Ao procurar alguém que concorde com você, dispare um: ... Némêzz?
Use a expressão aumentativa: Dimái da conta. Ex.: Issé bão dimái da conta!
Usar sempre duas negativas prá deixar claro que você não sabe do que está falando:"Num sei não".
Use sempre o diminutivo: INN, tipo Piquinininn, lugarzinn, mineirinn
Use a expressão Rapáiz!! pra iniciar uma exclamação. Nem sempre é necessário complemento. Ex: Rapaaai!!!
Redá: Mesma coisa de Rastá. Ex.: Júda redá ess trem aqui ó.
Ao terminar uma frase, acrescente a palavra Sô.
Diz qui os carioca e os paulista fala qui minêro só fala vogar. Uai... É? Ó!

Bração prôcêis tudim...

O Desafio da Paciência


"A prática da paciência não sugere que devemos simplesmente nos submeter aos abusos e explorações dos outros. Também não está recomendando uma política de aceitação simples e passiva do sofrimento e da dor. O que ela propõe é uma posição firme contra as adversidades. Há uma distinção entre docilidade e tolerância. A tolerância genuína só pode surgir quando a pessoa conscientemente adotou uma posição de não retaliar contra um mal concreto ou percebido. O ponto central aqui é a “posição adotada conscientemente”. Como uma definição funcional, paciência*, segundo a noção budista do princípio, é uma reação determinada contra a adversidade derivando de um temperamento assentado que não é perturbado por distúrbio interno ou externo. Isso não pode ser descrito como submissão passiva; em vez disso, é um método ativo de enfrentar a adversidade."

da Introdução de Geshe Thupten Jinpa para o livro “A Arte de Lidar com Raiva – O Poder da Paciência” de Sua Santidade, o Dalai Lama – Editora Campus.

* soe-pa (tib) pronuncia-se dzô-pa

Mensagem antiga.


Esta é uma mensagem antiga e até muito manjada. Já vi em blogs cheios de musiquinhas, estrelinhas, bem piegas mesmo. Já vi, piegas também, em pps. Mas a mensagem, ah, essa ainda está valendo.


"Mary ficou feliz porque ganhou um joguinho de chá todo azulzinho com bolinhas amarelas.
No dia seguinte, Jane veio bem cedo convidá-la para brincar, mas ela não podia, pois iria sair com sua mãe naquela manhã. Jane, então, pediu que lhe emprestasse o conjuntinho de chá para se distrair na garagem do prédio. Mary não queria entregar, mas, com a insistência da amiga, resolveu ceder, fazendo questão de demonstrar todo seu ciúme por aquele presente tão especial. Ao regressar do passeio, Mary ficou chocada ao ver o brinquedo jogado no chão. Faltavam algumas xícaras e a bandejinha estava quebrada. Chorando e muito nervosa, ela desabafou:

- Tá vendo o que a Jane fez comigo, mamãe? Estragou tudo e ainda deixou jogado no chão!Totalmente descontrolada Mary queria ir ao apartamento da amiguinha pedir explicações, mas a mãe, com muita sabedoria, ponderou:

- Filhinha, lembra daquele dia quando saiu com seu vestido branquinho e um carro jogou lama na sua roupa? Ao chegar em casa, você queria lavar imediatamente aquela sujeira, mas a vovó não deixou. Você se recorda do que ela falou? Disse para deixar o barro secar primeiro que depois ficava mais fácil limpar. Pois é, minha filha, com a raiva é a mesma coisa. Deixe-a secar que fica bem mais fácil resolver tudo.

Mary não entendeu muito bem, mas resolver seguir o conselho da mãe e foi para a sala ver televisão. Logo depois, Jane tocou a campainha, toda sem graça, com um embrulho na mão. Sem que houvesse tempo para qualquer pergunta ela foi falando:

- Mary, sabe aquele menino mau da outra rua que fica correndo atrás da gente? Ele veio querendo brincar comigo e eu não deixei. Aí ele ficou bravo e estragou o brinquedo que você me havia emprestado. Quando eu contei para a mamãe, ela ficou preocupada e foi correndo comprar outro igualzinho pra você. Espero que não fique chateada porque não foi minha culpa!

- Não tem problema, minha raiva já secou, disse Mary.

Dando um forte abraço na amiga, levou-a ao quarto para contar a história do vestido novo que havia sujado de barro.

Portanto, nunca tome uma atitude com raiva. O ódio nos cega e impede que vejamos as coisas como elas realmente são. Assim você evitará cometer injustiças e ganhará o respeito dos outros pela posição ponderada diante de uma decisão difícil. Lembre-se sempre: Deixe primeiro a raiva passar".

Feliz Natal prá todos!


Norman Rockwell
Mas só ganha presente quem se comportou bem durante o ano...

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Só os ignorantes vencem. Por Ricardo J. Botelho




Uma convenção de vendas registrou um fato inusitado. Um vendedor bateu o recorde de vendas em um trimestre considerado de baixa sazonalidade (época do ano quando os níveis de negócios são sabidamente mais baixos). Perguntado sobre como tinha conseguido tamanho feito, o vendedor respondeu:
- Foi simples, eu não sabia que existia essa tal de sazonalidade baixa, nunca ouvi falar disso, então visitei os clientes e procurei envolvê-los na compra.
Santa ignorância!
Li recentemente um artigo do Ricardo Jordão Magalhães (http://www.bizrevolution.com.br/ ) que dizia mais ou menos o seguinte:
- Você acha que grandes empreendedores como Bill Gates e Samuel Klein, fundador da Casas Bahia, ficaram ouvindo economistas para definir o rumo das empresas que eles acabavam de dar à luz? Claro que não. Foram corajosos, não tinham a menor idéia do que era um Plano de Negócios, e colocaram suas idéias em campo. Ponto final!
Como diz o Magalhães: o sucesso esta relacionado com a sua capacidade de ESCOLHER, FAZER, REFLETIR, FAZER, REFLETIR e FAZER mais do que qualquer outra coisa.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz











Sem dormir por causa de barulho ao lado.

"Mujer a dormir" - Pablo Picasso
Preciso de paciência. Preciso ler várias vezes sobre ela! Preciso dormir uma semana! A vizinhança inteira resolveu fazer reformas. Há um martelete com compressor no pátio do prédio ao lado. Há uma obra que já dura mais de seis meses no apartamento ao lado. O marido ronca ao lado. O sol bate na parede ao lado do meu quarto. Calor! Estou tão cansada que só vou postar um link do dharmanet. Vou imprimir e deixar na minha mesa de cabeceira. Ao lado. http://www.dharmanet.com.br/shantideva/6.htm