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domingo, 21 de dezembro de 2008

Medicina se rende à prática da meditação




Ministério da Saúde baixou portaria incentivando postos de saúde e hospitais a oferecer a técnica em todo o País. - Ricardo Westin.
Em fevereiro, a agência do governo dos EUA responsável pelas pesquisas médicas (NIH, na sigla em inglês) reconheceu formalmente a meditação como prática terapêutica que pode ser associada à medicina convencional. Em maio, o Ministério da Saúde brasileiro baixou uma portaria em que incentiva postos de saúde e hospitais públicos a oferecer a meditação em todo o País.
Essas ações governamentais são sinais da tendência de encarar a meditação não simplesmente como prática de bem-estar, que faz bem apenas à mente e ao espírito. Parar diariamente alguns minutos para se concentrar e se desligar do turbilhão de pensamentos que ocupam constantemente a cabeça também ajuda a manter a saúde física.
"A meditação é diferente da medicina convencional porque quem cuida de você não é o médico. É você mesmo", explica a médica anestesista Kátia Silva, que coordena as atividades de meditação no Hospital Municipal Vila Nova Cachoeirinha, em São Paulo. Na cidade, 70% dos postos de saúde oferecem atividades da chamada medicina tradicional, que inclui acupuntura, tai chi chuan e meditação.
Relativamente recentes, as pesquisas começaram nos anos 70. Uma pesquisa com a palavra meditação no acervo on-line da Biblioteca Nacional de Medicina, do governo americano, traz 1.400 estudos científicos.
Entre outros benefícios, meditar previne e combate a depressão, a hipertensão arterial, a dor crônica, a insônia, a ansiedade e os sintomas da síndrome pré-menstrual, além de ajudar a reduzir a dependência de drogas.
Esses estudos mostram que a meditação reduz o metabolismo - os batimentos cardíacos e a respiração ficam mais lentos e o consumo de oxigênio pelas células cai. É isso que dá a sensação de relaxamento e tranqüilidade.
As mesmas pesquisas sugerem que prática também interfere no funcionamento do sistema nervoso autônomo, que é responsável, por exemplo, pela liberação dos hormônios noradrenalina e cortisol durante os momentos de stress. Em quem medita, a duração dessas "reações de alarme" são mais curtas. Dessa forma, a pressão do sangue e a força de contração do coração ficam alteradas por pouco tempo, comprometendo menos a saúde.
Apesar de serem evidentes os benefícios, a ciência ainda não consegue entender completamente como a meditação age no sistema nervoso. "Uma das dificuldades é o fato de não serem possíveis testes com modelos animais", explica a bióloga Elisa Kozasa, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).
Segundo especialistas, mudanças podem ser sentidas logo nas primeiras semanas. A aposentada Maria Elza Lima dos Santos, de 60 anos, descobriu a meditação no Hospital Vila Nova Cachoeirinha. Ela vivia com crises de pressão alta, que passaram após quatro meses de práticas diárias. "Antes, eu era muito nervosa. A cabeça estava sempre cheia de problemas. Aí a pressão subia. Agora fico mais relaxada, sinto uma paz de espírito", conta ela, explicando que no princípio teve dificuldades com a técnica (leia sobre a técnica no texto ao lado). "Levei um mês para aprender a me concentrar.
"NA TRILHA DA ACUPUNTURA" - o obstetra Roberto Cardoso, autor de "Medicina e Meditação - Um Médico Ensina a Meditar" (MG Editores, 136 págs, R$ 26), diz que muitos profissionais de saúde ainda têm preconceitos. "Mas isso deve mudar. A meditação começa a trilhar os passos da acupuntura, que já é um recurso reconhecido pela classe médica."
No Brasil, a instituição que mais estuda o tema é a escola médica da Unifesp, o que, segundo especialistas, ajuda a apagar a imagem religiosa e mística que normalmente se tem dos meditadores. A meditação não precisa ser necessariamente ligada a uma crença oriental. (O grifo é meu)
Para que a meditação cumpra seu papel de medicina complementar e preventiva, o psicólogo José Roberto Leite, da Unifesp, explica que ela deve ser diária e constante. "É como comer ou fazer exercícios. Não basta uma semana para que você se mantenha saudável."
Retirado de:http://txt.estado.com.br/editorias/2006/07/07/ger-1.93.7.20060707.6.1.xml
Meditação profunda aperfeiçoa funcionamento do cérebro
_CONTRIBUTED BY anônimo em Thursday, July 2006 @ 15:38:07 BRT
Por Jorge A. Bañales Washington, 9 nov (EFE).
Pessoas que praticam meditação durante longos períodos induzem mudanças no funcionamento cerebral que melhoram o conhecimento e as emoções, segundo um estudo da Universidade de Wisconsin divulgado nesta segunda-feira.
Uma equipe do Laboratório W.M. Keck de Estudos Cerebrais, do Centro Waisman da Universidade de Wisconsin, que realizou os experimentos em cooperação com o Monastério Schechen, de Katmandu (Nepal), publicou suas conclusões na revista "Proceeding", da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos.
"Descobrimos que pessoas que praticam meditação budista durante longos períodos auto-induzem mudanças neurais, isto é, na função cerebral, que têm um impacto duradouro, aumentando a cognição e as emoções", indicou Antoine Lutz, que liderou o estudo.
O termo "meditação" compreende inúmeras tradições culturais e variados métodos de concentração mental, controle da respiração, disposição física centrada e, em alguns casos, visualizações - ou seu oposto, a não focalização da mente em objetos ou idéias.
Para este estudo, os pesquisadores tomaram oito praticantes de meditação budista com idade média de 49 anos, e para o grupo de controle utilizaram 10 estudantes voluntários, com idade média de 21 anos.
Os budistas receberam instrução mental nas tradições tibetanas Nyingma e Kagyu de 10.000 a 50.000 horas ao longo de períodos de 15 a 40 anos."A duração de sua instrução foi calculada sobre a base de sua prática diária e o tempo que passaram em retiros de meditação", indicou Lutz.
Por outro lado, os sujeitos do grupo de controle não tinham experiência prévia na meditação e receberam instrução por uma semana antes da coleta de dados através de eletroencefalogramas.
Como método de meditação, os pesquisadores escolheram "a prática sem um objeto determinado durante a qual os praticantes, tanto budistas como do grupo de controle, geraram um estado de 'amabilidade e compaixão incondicional'.
Esta prática, usada por inúmeras escolas budistas da Índia até China, Japão, Coréia e sudeste asiático, não requer concentração sobre objetos, memórias ou imagens particulares, mas uma disposição para ajudar a todos os seres vivos.
"Estudos anteriores já demonstraram o papel geral da sincronia neural, em particular nas freqüências da banda gama (de 25 a 70Hz), em processos mentais como a atenção, a memória ativa, a aprendizagem e a percepção consciente", explicou Lutz.
Acredita-se que tais sincronizações das descargas neurais oscilatórias desempenham um papel crucial na constituição de redes que integram os diferentes processos neurais em funções cognitivas e afetivas altamente ordenadas.
"Por isso, a sincronia neural parece um mecanismo promissor para o estudo dos processos cerebrais que estão por trás da instrução mental", acrescentou.
Os pesquisadores registraram eletroencefalogramas dos participantes budistas e dos sujeitos de controle antes, durante e depois da meditação, e compararam as pautas de ambos os grupos.
"Descobrimos que os praticantes budistas auto-induzem, de forma sustentada, oscilações de alta amplitude na banda gama e na sincronia de fase", disse Lutz."As diferenças notáveis em relação aos sujeitos de controle aumentam muito durante a meditação e se mantém no período posterior à meditação", explicou.
Um dos detalhes notados pelos pesquisadores foi a chamada "sincronia gama a longa distância".
Aparentemente, ela é vinculada a uma coordenação neural em grande escala e ocorre quando duas áreas neurais, controladas por dois eletrodos distantes, oscilam com uma relação de fase precisa que se mantém constante durante um certo número de ciclos de oscilação.
Além disso "a atividade gama de alta amplitude encontrada em alguns destes praticantes é, até onde sabemos, a mais alta da que se tem notícia na literatura científica, em um contexto não patológico", acrescenta o estudo.

Para o signo de Câncer.


Todo mundo diz que final de ano é hora de jogar fora o que não se usa mais, o que não se quer mais, o que se pode dar para alguém. Já comecei. Estou de viagem marcada para o Khadro Ling e isso me forçou a ver o que tenho que levar na mala. Achei inúmeras coisas que há muito tempo não uso. Aos poucos, estou pondo dentro da mala o que preciso para o retiro. O resto fica. Na volta, quando desfizer a mala, me desfaço das coisas inutilizáveis. O negócio é desfazer, é desapegar.
O horóscopo está bom. O ano de 2009 será regido pelo Sol o que sinaliza o começo de uma nova era cheia de revitalização, energia e motivação. Um dos eclipses do ano vai ser em pleno Dzogchen, dia 26 de janeiro. Deve haver uma cerimônia muito auspiciosa. O outro eclipse é em 21 de julho.
Não posso me esquecer de levar um presente para a Khadro que faz aniversário junto com meu filho caçula e de, pelo menos, telefonar para ele.
O horóscopo também diz que vou ganhar um dinheiro extra vindo da pessoa que eu menos esperar, mas não gosto de surpresas. Sou uma prevenida para o que possa me surpreender. Mas, no Samsara, não tem jeito porque a gente sempre é surpreendida. Isto é inevitável. Mesmo assim, estou levando uma bela e farta farmacinha e algumas coisas para costura.
Gostei muito disso: “Saturno, transitando neste período pelo setor da comunicação, dará aos cancerianos a oportunidade de aprender a se expressar de forma mais sucinta e também mais objetiva. Além disso, você se sentirá mais encorajada a dizer o que realmente se passa em sua cabeça sem medo de magoar outras pessoas.”
Falo demais, pareço me desculpar o tempo todo numa eterna explicação e gostaria mesmo de dizer algumas verdades para as pessoas, mas sem magoá-las. Esse último é bem difícil. Parece que hoje em dia as pessoas estão se magoando muito facilmente, estão estressadas, agitadas, com pressa, falando sem pensar se vale a pena. Eu também.
Parece que só penso em dinheiro, mas não. Eu não penso em dinheiro. Eu preciso dele! E meu marido tem uma herança para receber que está encalacrada há doze anos. Pois o horóscopo diz: “Bons ventos vão soprar na área dos processos legais – o recebimento de uma herança que estava emperrada, por exemplo, poderá finalmente ser liberado.”
O verbo que define meu signo é a casa – como se eu já não soubesse – e a cozinha... ah, não! Não é o meu lugar! Gosto mais de limpar decorar, enfeitar, fazer o ninho, enfim. Como os pássaros, prefiro buscar a comida pronta na rua.
Feliz 2009 para todos!

sábado, 20 de dezembro de 2008

Mensagem de Natal para Ani Zamba de S

"Querida AZ

Há algum tempo atrás, ouvi um ensinamento muito precioso. Agora, lendo seu texto sobre o Natal, lembrei-me das simples e comoventes palavras e senti meu coração aquecido.

Temos o poder de reconhecer nossos corações, nossos sentimentos, nossas emoções, nossas percepções. Não devemos reprimi-los. Mas, precisamos de tempo e espaço para olhar para elas e reconhecê-las como elas são. Para sermos capazes de fazer isso temos que estar presentes aqui e agora interconectados com todos os seres.

Muitas vezes, nosso corpo está ali, mas nossa mente está em outro lugar. A prática que o Buda nos ofereceu é a prática da consciência, de viver consciente. “O Reino de Deus” ou “A Terra Pura dos Budas” não são uma idéia. São uma realidade. Toda vez que estamos conscientes, toda vez que estamos concentrados e relaxados neste estado, podemos nos conectar com esse reino para a nossa transformação e cura. É claro, inferno, o reino dos fantasmas famintos e tudo o mais também estão aí, no momento presente, mas o reino do despertar também está aí e nós só temos que escolher entre eles.

Quando estamos inteiramente presentes no aqui e agora, observando nossos pensamentos, sentimentos e emoções, eles não são a realidade e não precisamos ser sugados por eles. Podemos manter nossa liberdade e isso é muito importante. Mesmo quando pensamentos negativos ou positivos surgem, devemos nos lembrar que nossos pensamentos são só pensamentos e isso nos permitirá que a sabedoria, a compaixão, o amor e a equanimidade entrem em ação para nos ajudar e a todos os seres sencientes.

Ao nos reunir neste Natal e na véspera do Ano Novo, podemos tomar consciência de que a Terra Pura dos Budas ou o Reino de Deus está sempre lá para nós. Tudo que precisamos é tomar refúgio na liberdade, o que significa lembrar-se do Buda das Três Jóias (a Pura Natureza Última) do Dharma (o caminho para alcançar esta Natureza Última) e da Sangha. A sangha do Buda e dos bodisatvas e a sangha dos seres sencientes, os que estão no caminho, os que estão apenas tentando sobreviver. Podemos abraçá-los todos e sentir profundamente que estamos integrados como uma grande empresa além do tempo e do espaço.

Com amor e respeito.
S."

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Mineirêz


Fala de mineirin é assim mêzz...

Ansdionti (antes de ontem)
Badacama (debaixo da cama)
Berzonte
Beraba
Berlândia
Conceção? (Quantos vocês são?)
Concechama? (Como você chama?)
Confó fô ô vô (Conforme for, eu vou)
Dendapia (dentro da pia)
Denduforno (dentro do forno)
Dentifrisso (dentifrício)
Dezdaí (Desce daí)
Doidimais (doido demais)
Doncovim? (De onde que eu vim?)
Ganhães
Guvernadô Valadars
Iscodidente (escova de dente)
Iscoiê (escolher)
Ispeciar
Istrudia (Outro dia)
Kidicarne (quilo de carne)
Lidileite (litro de leite)
Mastumate (massa de tomate)
Minino
Mons Clars
Munbunito (Muito bonito)
Nossinhora (Nossa Senhora)
Oiprocevê (Olha para você ver)
Óiuchêro (olha o cheiro)
Oncê tava cocêsumiu? (Onde você estava que você sumiu?)
Oncestão? (Onde vocês estão?)
Oncesvão? (Onde vocês vão)
Oncotô? (Onde que eu estou?)
Onquié (Onde que é?)
Onzz: ônibus
Parksmangabeira (Parque das Mangabeiras)
Patinga
Pelopoldo (Pedro Leopoldo)
Pincumé (pinga com mel)
Pondiôns (ponto de ônibus)
Pópará (Pode parar)
Pradaliberdade (Praça da Liberdade)
Pradupapa (Praça da Liberdade)
Prõ nós tão ino? (Para onde nós estamos indo?)
Proncovô (Para onde que eu vou?)
Quainahora (Quase na hora)
Rugoiás (Rua Goiás)
Sapassado (sábado passado)
Sélagoas (Sete Lagoas)
Sessetembro (sete de setembro)
Tabira
Tajubá
Ticido (tecido)
Tidiguerra (tiro de guerra)
Tissudaí (Tira isso daí)
Tiuria (teoria)
Tradaporta (atrás da porta)
Varrginha
Vidiperfume (vidro de perfume)
Vistido
Xô descê
Xô vê
Xô iscoiê

Uai é indispensável. O que significa uai? Uai! Uai é uai, uai.
Quando quiser uma confirmação, pergunte: É mêzz?
Se quiser chamar a atenção, diga: Oi qui, ó!
Quando quiser uma confirmação, pergunte: ... É mêzz?
Se estiver com fome coma pão dji quejj. Ex.: Dois pão dji quejj e duas cêirvejj...
Na falta de vocabulário específico, utilizar a palavra trem, que serve para tudo, exceto como meio de transporte ferroviário que, neste caso, é troço.
Onzz é o meio de transporte coletivo rodoviário. Ex: Ói, lá vem o onzz das seis!
Se quiser aprovar alguma coisa solte um sonoro: Mai qui belêzz!
Prá fazer café, primeiro pergunte: Pó pô pó?
Se acharem que ficou ralo, pergunte então: Pó pô má poquim di pó?
Se você não sabe onde está e nem para onde vai, pergunte simplesmente: On cotô? Pron covô? Pronóis vai ?
Se não estiver certo de comparecer, diga simplesmente: Con fó fô eu vô!
Se o motivo da dúvida for algo que você tem que fazer, explique, "Vou fazer um nigucim e vorto logo".
Ao procurar alguém que concorde com você, dispare um: ... Némêzz?
Use a expressão aumentativa: Dimái da conta. Ex.: Issé bão dimái da conta!
Usar sempre duas negativas prá deixar claro que você não sabe do que está falando:"Num sei não".
Use sempre o diminutivo: INN, tipo Piquinininn, lugarzinn, mineirinn
Use a expressão Rapáiz!! pra iniciar uma exclamação. Nem sempre é necessário complemento. Ex: Rapaaai!!!
Redá: Mesma coisa de Rastá. Ex.: Júda redá ess trem aqui ó.
Ao terminar uma frase, acrescente a palavra Sô.
Diz qui os carioca e os paulista fala qui minêro só fala vogar. Uai... É? Ó!

Bração prôcêis tudim...

O Desafio da Paciência


"A prática da paciência não sugere que devemos simplesmente nos submeter aos abusos e explorações dos outros. Também não está recomendando uma política de aceitação simples e passiva do sofrimento e da dor. O que ela propõe é uma posição firme contra as adversidades. Há uma distinção entre docilidade e tolerância. A tolerância genuína só pode surgir quando a pessoa conscientemente adotou uma posição de não retaliar contra um mal concreto ou percebido. O ponto central aqui é a “posição adotada conscientemente”. Como uma definição funcional, paciência*, segundo a noção budista do princípio, é uma reação determinada contra a adversidade derivando de um temperamento assentado que não é perturbado por distúrbio interno ou externo. Isso não pode ser descrito como submissão passiva; em vez disso, é um método ativo de enfrentar a adversidade."

da Introdução de Geshe Thupten Jinpa para o livro “A Arte de Lidar com Raiva – O Poder da Paciência” de Sua Santidade, o Dalai Lama – Editora Campus.

* soe-pa (tib) pronuncia-se dzô-pa

Mensagem antiga.


Esta é uma mensagem antiga e até muito manjada. Já vi em blogs cheios de musiquinhas, estrelinhas, bem piegas mesmo. Já vi, piegas também, em pps. Mas a mensagem, ah, essa ainda está valendo.


"Mary ficou feliz porque ganhou um joguinho de chá todo azulzinho com bolinhas amarelas.
No dia seguinte, Jane veio bem cedo convidá-la para brincar, mas ela não podia, pois iria sair com sua mãe naquela manhã. Jane, então, pediu que lhe emprestasse o conjuntinho de chá para se distrair na garagem do prédio. Mary não queria entregar, mas, com a insistência da amiga, resolveu ceder, fazendo questão de demonstrar todo seu ciúme por aquele presente tão especial. Ao regressar do passeio, Mary ficou chocada ao ver o brinquedo jogado no chão. Faltavam algumas xícaras e a bandejinha estava quebrada. Chorando e muito nervosa, ela desabafou:

- Tá vendo o que a Jane fez comigo, mamãe? Estragou tudo e ainda deixou jogado no chão!Totalmente descontrolada Mary queria ir ao apartamento da amiguinha pedir explicações, mas a mãe, com muita sabedoria, ponderou:

- Filhinha, lembra daquele dia quando saiu com seu vestido branquinho e um carro jogou lama na sua roupa? Ao chegar em casa, você queria lavar imediatamente aquela sujeira, mas a vovó não deixou. Você se recorda do que ela falou? Disse para deixar o barro secar primeiro que depois ficava mais fácil limpar. Pois é, minha filha, com a raiva é a mesma coisa. Deixe-a secar que fica bem mais fácil resolver tudo.

Mary não entendeu muito bem, mas resolver seguir o conselho da mãe e foi para a sala ver televisão. Logo depois, Jane tocou a campainha, toda sem graça, com um embrulho na mão. Sem que houvesse tempo para qualquer pergunta ela foi falando:

- Mary, sabe aquele menino mau da outra rua que fica correndo atrás da gente? Ele veio querendo brincar comigo e eu não deixei. Aí ele ficou bravo e estragou o brinquedo que você me havia emprestado. Quando eu contei para a mamãe, ela ficou preocupada e foi correndo comprar outro igualzinho pra você. Espero que não fique chateada porque não foi minha culpa!

- Não tem problema, minha raiva já secou, disse Mary.

Dando um forte abraço na amiga, levou-a ao quarto para contar a história do vestido novo que havia sujado de barro.

Portanto, nunca tome uma atitude com raiva. O ódio nos cega e impede que vejamos as coisas como elas realmente são. Assim você evitará cometer injustiças e ganhará o respeito dos outros pela posição ponderada diante de uma decisão difícil. Lembre-se sempre: Deixe primeiro a raiva passar".

Feliz Natal prá todos!


Norman Rockwell
Mas só ganha presente quem se comportou bem durante o ano...

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Só os ignorantes vencem. Por Ricardo J. Botelho




Uma convenção de vendas registrou um fato inusitado. Um vendedor bateu o recorde de vendas em um trimestre considerado de baixa sazonalidade (época do ano quando os níveis de negócios são sabidamente mais baixos). Perguntado sobre como tinha conseguido tamanho feito, o vendedor respondeu:
- Foi simples, eu não sabia que existia essa tal de sazonalidade baixa, nunca ouvi falar disso, então visitei os clientes e procurei envolvê-los na compra.
Santa ignorância!
Li recentemente um artigo do Ricardo Jordão Magalhães (http://www.bizrevolution.com.br/ ) que dizia mais ou menos o seguinte:
- Você acha que grandes empreendedores como Bill Gates e Samuel Klein, fundador da Casas Bahia, ficaram ouvindo economistas para definir o rumo das empresas que eles acabavam de dar à luz? Claro que não. Foram corajosos, não tinham a menor idéia do que era um Plano de Negócios, e colocaram suas idéias em campo. Ponto final!
Como diz o Magalhães: o sucesso esta relacionado com a sua capacidade de ESCOLHER, FAZER, REFLETIR, FAZER, REFLETIR e FAZER mais do que qualquer outra coisa.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz











Sem dormir por causa de barulho ao lado.

"Mujer a dormir" - Pablo Picasso
Preciso de paciência. Preciso ler várias vezes sobre ela! Preciso dormir uma semana! A vizinhança inteira resolveu fazer reformas. Há um martelete com compressor no pátio do prédio ao lado. Há uma obra que já dura mais de seis meses no apartamento ao lado. O marido ronca ao lado. O sol bate na parede ao lado do meu quarto. Calor! Estou tão cansada que só vou postar um link do dharmanet. Vou imprimir e deixar na minha mesa de cabeceira. Ao lado. http://www.dharmanet.com.br/shantideva/6.htm

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Povo invisível...


Refúgio e Bodhicitta, os Quatro Pensamentos que Transformam a Mente, as Quatro Qualidades Incomensuráveis e as Seis Paramitas.

Folha da árvore boddhi
REFÚGIO E BODDHICITTA

SANG DJE TCHO DANG TSOG TCHI TCHOG NAM LA DJANG TCHUB BAR DU DAG NI TCHIAB SU TCHI
No Buddha, no Dharma e na excelente assembléia da Sangha, até que alcance a iluminação, neles eu tomo refúgio.
DAG GUI DJIN SOG DJI PE SOD NAM TCHI DRO LA PEN TCHIR SANG DJE DRUB PAR SHOG
Através da minha prática das Seis Perfeições, possam todos os seres sencientes alcançar o estado búdico.
(repetir 3 vezes)

OS QUATRO PENSAMENTOS QUE TRANSFORMAM A MENTE

Homenagem! Ó Lama, protetor infalível e constante, você que conhece.
1- As liberdades e dotes do nascimento humano são extremamente difíceis de serem conseguidos.
2- Todo aquele que nasce é impermanente e fadado a morrer.
3- As ações virtuosas e as prejudiciais causam seus resultados inevitáveis.
4- A natureza dos três reinos da existência cíclica é um oceano de sofrimento.
Lembrando-se disto, possa a minha mente voltar-se para o Dharma.


AS QUATRO QUALIDADES INCOMENSURÁVEIS – (sânscrito: Apranāma)


1- COMPAIXÃO. [do lat. compassione.] S. f. Pesar que em nós desperta a infelicidade, a dor, o mal de outrem; piedade, pena, dó, condolência. MAITRI / BYAM-PA
2- EQÜANIMIDADE. [do lat. aequanimitate.] S. f. 1. Consideração de que todos os seres são igualmente importantes 2. Igualdade de ânimo tanto na desgraça quanto na prosperidade. 3. Serenidade de espírito, moderação. 4. Eqüidade em julgar, imparcialidade, retidão. UPEKSA / TANG-NYOM
3- AMOR. (ô). [do lat. amore.] S. m. 1. Sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem ou de alguma coisa (...) 2. Sentimento de dedicação absoluta de um ser a outro ser ou a uma coisa; devoção (...) afeição, amizade, carinho, simpatia, ternura, cuidado, zelo. METTA
4- REGOZIJO. [do espanhol regocijo.] S. m. Gozo intenso; vivo contentamento ou prazer; grande satisfação; alegria; contentamento; congratulação. MUDITA / GA-BA


AS SEIS PARAMITAS


1. GENEROSIDADE - “DJINPA” (tib.) "DANA" (sânscr.), [do lat. generositate.] doação, oferenda, presente, dom, prodigalidade, donativo, dádiva, mérito, merecimento, poder, virtude, privilégio. Doação de bens, riqueza pessoal e corporal. É consumada com a oferenda de intenção, esforço, do material oferecido e a dedicação do mérito. Inclui todas as formas de doar e compartilhar o Dharma.

2. DISCIPLINA MORAL OU ÉTICA – “TSULTRIM” (tib.), "SILA" (sânscr.). [do lat. disciplina.] regime de ordem, relações de subordinação do aluno ao mestre; observâncias de preceitos ou normas; submissão a um regulamento; ensino, instrução, educação; refrenagem de má-conduta; obediência. Compromisso de evitar a comissão do mais leve dano aos outros; exame escrupuloso da mente arrefecendo até o mais sutil impulso à não-virtude antes que este se traduza em ação de fala ou de corpo; manutenção de um discernimento afiado entre o que aceitar e o que rejeitar como ações apropriadas de corpo, fala e mente; conduzir-se de acordo. Abandono das ações não-virtuosas, juntamente com seus fundamentos. Praticamos ao pensar e agir puramente, ao abandonar pensamentos negativos e plantar sementes positivas, ao dedicar mérito e fazer preces de aspiração para beneficiar todos os seres, inclusive demônios e entes negativos. Elimina todas as paixões maléficas através da prática dos preceitos de não matar, não roubar, não ter conduta sexual inadequada, não mentir, não usar tóxicos, não usar palavras ásperas ou caluniosas, não cobiçar, não praticar o ódio nem ter visões incorretas.

3. PACIÊNCIA – “DZOPA” (tib.) "SHANTI" (sânscr.), [do lat. patientia.] virtude que consiste em suportar as dores, incômodos, infortúnios, sem queixas e com resignação. Tolerância em face ao tratamento abusivo dos outros, tolerância ao sofrimento em favor do dharma e firmeza ao ouvir os ensinamentos. Reconhecer que as condições negativas surgem exatamente de acordo com o karma de cada um – e que, no seu próprio surgimento, essas causas kármicas estão sendo purificadas. Esperar que a dificuldade se vá. Trabalhar cada dificuldade à medida que surge. Capacidade de suportar dificuldades. Exercitamos quando encontramos dificuldade em nossa prática, ao visualizar, ao manter a concentração, ao agir cuidadosamente e corretamente. Quaisquer que sejam as circunstâncias permanecemos pacientes. Pratica a abstenção para prevenir o surgimento de raiva por causa de atos cometidos por pessoas ignorantes.

4. PERSEVERANÇA JUBILOSA OU DILIGÊNCIA – “TSONDRÜ” (tib.), “VIRYA” (sânscr.) [do lat. perseverantia.] pertinácia, constância, firmeza, persistência, prosseguimento, continuação, permanência, continuidade. Diligência, valentia, entusiasmo. Continuar até o completamento não importando quantas dificuldades surjam em sucessão. Empenho. Ímpeto. Transcendência da inércia, da preguiça e do sentimento de opressão. Disposição para praticar ações virtuosas. Lembramo-nos da preciosidade desse corpo humano e dedicamos nossas vidas para criar benefícios incessantes. A vida é muito curta e não podemos desperdiçar um único dia. Tendo feito uma conexão com esse centro ou qualquer lugar de virtude, não deveríamos perder a oportunidade para usar corpo, fala e mente para beneficiar seres porque esse é um lugar sagrado e os efeitos de qualquer ação por nós aqui realizada, virtuosa ou não virtuosa, são multiplicados. Desenvolve esforço vigoroso e persistente na prática do Dharma.

5. CONCENTRAÇÃO OU ESTABILIDADE MEDITATIVA – “SAMTEN” (tib.) "SAMADHI" ou “DIANA” (sânscr.). Centralização, limitação, absorção, aplicação. Direcionamento da mente para a meditação até que esteja totalmente imersa e absorvida nela. Qualidade estável da mente de forma unidirecionada sobre um objeto virtuoso. Significam todas as vezes que nos focamos em nossa direção e meditação no ato da oferenda e nos concentramos para não sermos levados por pensamentos comuns, praticamos a estabilidade meditativa. Reduz a confusão da mente e leva à paz e à felicidade.

6. CONHECIMENTO TRANSCENDENTAL – “SHERAB” (tib.) "PRAJNA" (sânscr.). Reconhecimento da natureza vazia de todos os fenômenos, o sabor único da vacuidade que permeia o samsara e o nirvana. Todos os fenômenos transcendem qualquer extremo imposto por palavras ou conceitos: sonho, aparição, bolha, mágica, ilusão, miragem, reflexo, eco. Sabedoria que não conceitualiza as Três Esferas. Mente "boddhi". Significa manter a visão do sabor único e puro do objeto para quem oferecemos, de nós mesmos e da substância ou esforço oferecido. Todos possuem a mesma natureza.

As Quatro Nobres Verdades são o fundamento do Budismo e entender o seu significado é essencial para o autodesenvolvimento e alcance das Seis Perfeições, que nos farão atravessar o mar da imortalidade até o nirvana. A prática dessas virtudes ajuda a eliminar ganância, raiva, imoralidade, confusão mental, estupidez e visões incorretas. As Seis Perfeições e o Nobre Caminho Óctuplo nos ensinam a alcançar o estado no qual todas as ilusões são destruídas, para que a paz e a felicidade possam ser definitivamente conquistadas. A prática das seis perfeições que trazemos para qualquer oferenda pode tornar possível um oceano de atividades iluminadas. Desenvolve o poder de discernir realidade e verdade.

No budismo mahayana, os sutras da Perfeição da Sabedoria (prajna-paramita) e o Sutra do Lótus (Saddharmapundarika) listam as "Seis Perfeições" (termos originais em sânscrito):
1. dana paramita : generosidade, doação
2. sila paramita : virtude, moralidade, conduta apropriada
3. shanti paramita : paciência, tolerância, aceitação, resistência
4. virya paramita : energia, diligência, vigor, esforço
5. dhyana paramita : meditação, concentração, contemplação
6. prajna paramita : sabedoria transcendental, insight

Vale de lágrimas?


Ao digitar estas três palavras, me veio uma oração:
"Salve Rainha, Mãe de Misericórdia, vida e doçura, esperança nossa, salve!
A vós bradamos degredados filhos de Eva.
A vós suspiramos gemendo e chorando neste vale de lágrimas.
Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei e, depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria."

Não posso negar que estudei em colégio de freiras, primeiro no Sion e depois no Santa Dorotéia. Isso era oração de todo dia, gente! Um jamais esquecer! O hino de Paula Frassinetti, hoje santa e fundadora da ordem das Dorotéias, sabemos de cor eu e minhas colegas e eternas amigas desde pequeninas! Um jamais esquecer das bagunças, de colar nas provas, fumar escondido no banheiro, paquerar na saída que o colégio era só de meninas.
E vem meu velho pai que, de forma alguma me aceita budista, dizer que budismo só fala em sofrimento e morte.
Que tal "agora e na hora de nossa morte. Amém", hein!?
É que ele foi coroinha - meu avô obrigava, né? - e sabe a missa toda em latim. De cor! Agora, quando ele começa com assuntos pouco agradáveis, geralmente lembrando meus dois irmãos que morreram jovens, eu começo a primeira linha da missa que é só o que sei:
- In nómine Patris, et Fillis, et Spíritus Sancti. Amén.
Aí, bem alto que ele tá ficando surdo!
- Introíbo ad altáre Dei!
E ele responde imediatamente!
- Ad Deum qui laetíficat juventútem meam!*
E vam'embora rezar a missa com o doutor Castello, gente!
*Tradução: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. Vou me aproximar do altar de Deus. Do Deus que é a alegria da minha juventude.

Voar

Vajrasatva e Dordje Niema, sua consorte.

Ah, voar pelo mundo! Voar simplesmente! Fazer a gravidade perder a sua força! Sonho muito com isso. Eu voando, entrando através da porta de uma casa, saindo pela janela, passando pelos prédios.
"Aí, um analista amigo meu" e budista como eu, disse que isso é saudades do nirvana. Ele me colocou a pensar e depois de alguns segundos perguntei-lhe: - Será?
Passa o tempo e chega um ensinamento com um lama, o chamado lama gatinho, um que se diz ser "estadunidense, pois americanos somos todos" e nos fez a gentileza maior de aprender o português com perfeição. Ah, se todos fossem iguais a você!
Comento com ele esses sonhos e ele me pergunta se faço práticas de Vajrasatva. Respondo que sim, é claro, pois faço mesmo! E ele sorri antecipando que vai me inflar o ego e diz:
- Sua prática é muito boa. Isso é sinal de realização!
Pronto! Ganhei o dia, a semana, o mês! Como se fosse uma criança, pulo de alegria na privacidade do banheiro!
Mas... "Todo aquele que nasce é impermanente e fadado a morrer." Ainda bem que a empolgação não permaneceu e atesto isso agora, nesse exato momento em que escrevo. Não me empolgo mais. Não me apeguei e isso é ótimo! Agora é desapegar do apego de me sentir feliz por ter visto que me desapeguei. Desculpem-me, estou tentando não usar gírias e/ou palavras de baixo calão, mas é foda, viu?
É, Rinpoche! Você tinha razão. No Samsara não há saída. Quero pular fora dele o mais rápido possível. Só louco prá querer continuar aqui... neste vale de lágrimas.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Outros blogs

" Woman with a dog - Mary Cassatt"
Impressionante a diversidade dos seres humanos e eu aqui, sentada na frente do computador, sem mover um milímetro de casa. Abre-se um mundo inteiro e, de blog em blog, conheço uma crocheteira, um homem verborrágico e que sofre de diarréia verbal (acha bonito falar difícil, mas ninguém entende nada), um rapaz que mora numa comunidade e escreve super bem apesar de não reconhecer, uma portuguesa cuja vida é costurar juntando retalhos e criar coisas incríveis!

O mundo é muito diverso e eu aqui sentada não vejo a diversidade que existe dentro de minha própria casa. Uma filha de quase 31 anos, irritadiça, reclamadeira e, daqui a pouco, fazendo piada, sendo extremamente espirituosa, criativa e uma super companhia com sua risada divertida. Um filho de 28 anos, taciturno, fechado, caladão, sarado, mas que fala ao telefone como se não nos víssemos há séculos, voa de bike nos BMX da vida e o telefone toca só prá ele o dia inteiro. O outro, quase 26, magro, puro músculo, sai prá acampar, fazer rapel em cachoeira, chega alegre contando tudo ou chega puto, sem dar um pio, bate a porta e se tranca no quarto!

Até a cachorra que já vai pra 14 anos (14 x 7 = 98!), um dia está saltitante, latindo sem parar, no outro dorme e come, come e dorme. E engorda, envelhece, me faz companhia, não sai de perto, vai onde vou, vemos televisão juntas, comemos juntas. Acho que somos as duas senhoras da casa. Caladas e nos entendendo muito bem.

Cara

Mudei a cara do blog. Acho que ficou melhor. Antes estava meio apagadinho, muito confuso, tudo muito clean demais!

Tricotando. Vídeos!

http://www.youtube.com/results?search_query=how+to+knit&search_type=&aq=f

Os Oito Dharmas Mundanos ou As Oito Armadilhas

Shantideva


No budismo se fala de força e de confiança. Logo, em conexão com isso, fala-se de fraqueza e de perda de confiança. Mas, como uma pessoa enfraquece? Como uma pessoa perde sua confiança? Como uma pessoa se torna insegura? No caminho Mahayanna foram ordenados oito tipos diferentes de armadilhas nas quais podemos cair. Cair em apenas uma já nos enfraquece bastante. É claro que, se cairmos nas oito, tornamo-nos realmente fracos. Contemple as oito armadilhas ou dharmas mundanos e veja quantas vezes você cai nelas a cada dia, a cada hora, a cada minuto.

1. ser elogiado
2. não ser criticado
3. ser feliz
4. não ser infeliz
5. querer ganhar
6. não querer perder
7. querer ter atenção
8. não querer ser ignorado

*Na realidade, são quatro pares de armadilhas, sendo uma oposta à outra.

Dzongsar Khyentse Norbu Rinpoche - 1º conjunto de CDs do Boddhicharyavatara de Shantideva

Salvando os pedaços quebrados


No palácio real de Teerã, você pode ver um dos mais bonitos trabalhos em mosaico do mundo. Os tetos e as paredes cintilam como diamantes com reflexos multi-facetados. Originalmente, quando o palácio foi projetado, o arquiteto especificou enormes folhas de espelhos para as paredes. Quando o primeiro carregamento chegou de Paris, descobriram que os espelhos estavam todos quebrados. O empreiteiro mandou jogar tudo ao lixo e levou a triste notícia ao arquiteto. Surpreendentemente, o arquiteto ordenou que todas as peças quebradas fossem recolhidas, quebradas em pedaços ainda menores e, então coladas às paredes, transformando-se em um mosaico prateado e cintilante. Quebrado para tornar-se belo! É possível transformar cicatrizes em estrelas. É possível ser melhor exatamente por ter se quebrado. É extremamente raro encontrar nos grandes museus do mundo objetos de antiguidade que estejam inteiros. Certamente, algumas das peças mais preciosas do mundo são apenas fragmentos que remanescem como um lembrete consagrado de um passado glorioso. Jamais subestime o poder que Deus tem para reparar e restaurar.


Robert Schuller

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

A respiração de Zoé - Thich Nhat Nhan

Ontem Steve veio me visitar em companhia de seu filho Tony. (...) usa mesmo um bocado de gíria que aprende nas ruas. Criança aqui é educada de forma tão diferente do que em nosso país! Aqui os pais vêem a liberdade como necessária para o desenvolvimento da criança. Durante as duas horas em que conversou comigo, Steve teve que manter sua atenção voltada para Tony que, sempre brincando, tagarelando, interrompia-nos a cada momento, tornando impossível nossa conversação. Dei a Tony diversos livros infantis, mas ele mal examinava as figuras deixava-as de lado e voltava logo a nos interromper. Ele exige constante atenção dos adultos.
A uma certa altura, Tony vestiu sua jaqueta e foi para fora brincar com o filho do vizinho. Perguntei, então, a Steve: "Você acha fácil levar vida de família?" (...)
Steve contou que não tem dormido direito nas últimas semanas que Ann, por estar cansada de cuidar do bebê durante o dia, chama-o várias vezes de noite para verificar de o bebê está respirando (...)
Fiz-lhe outra pergunta: "Muita gente diz que, com a família, a pessoa está menos só e mais segura. É verdade?" (...)
Disse: "Eu descobri um jeito de ter muito mais tempo. Antes, eu encarava o tempo como se fosse dividido em várias partes. Uma parte reservada para Tony, ajudando-o nos trabalhos escolares, lendo estórias ou dando-lhe banho, outra para Ann, ajudando-a a cuidar do bebê, indo ao mercado, levando a roupa para a lavanderia ou conversando com ela quando as crianças já estavam na cama. Eu ainda vejo Ann e Zoé como uma pessoa só, porque a respiração de Zoé é a respiração de Ann e, se uma das duas parasse de respirar, a outra também pararia. O tempo que sobrava eu considerava meu. E aproveitava para ler, escrever, fazer alguma pesquisa ou sair para uma caminhada. Mas agora, procuro não dividir mais o tempo em partes. O tempo gasto com Tony e Ann também é meu. Quando ajudo Tony num exercício escolar, tiro da cabeça a idéia de que 'este tempo é o tempo reservado para Tony, mais tarde terei um tempo para mim mesmo'. Entro então na lição com ele, compartilho de sua presença, ponho todo empenho naquilo que estamos fazendo naquele momento, de forma que o tempo dele se torna meu tempo também. O mesmo tenho feito com Ann. O curioso é que, com isso, o tempo que tenho para mim agora é ilimitado."
Steve sorriu enquanto me fez essa revelação. Eu fiquei surpreso. Sabia que não fora através dos livros que ele aprendera isso. Fora algo que aprendera por si próprio na sua vida diária.
Nos últimos meses tenho me dedicado ao estudo do Sutra da Mente Desperta com um pequeno grupo nos sábados à tarde. Após minhas explicações, os jovens do grupo fazem perguntas sobre como aplicar os princípios do Sutra ao dia-a-dia. Embora nunca tenha comparecido a essas aulas, Steve alcançou por si mesmo o entendimento daquilo que o grupo vem descobrindo com o estudo do Sutra.

"Para Viver em Paz" - Thich Nhat Hanh - Editora Vozes - páginas 19 a 21.