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sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

As siglas, gente!


pps: power point show

jpg: joint photographic group

gif: grafic interchange format

pdf: portable document format

txt: text - Essa é fácil.

doc: document - Também é fácil.

html: hyper text markup language - Cruzes!

http: hypertext transfer protocol overview - Nossa! Meu blog é isso?!

www: world wide web - Pensei que fosse aquela fundação para salvar animais em extinção...

rar: roshal archive

zip: unzip, decompress - A mesma coisa que abrir o zíper? O fecho éclair? Será que não tem nada em português? Só inglês e francês?

bmp: bitmap

Tá. Mas qual o significado disso tudo? Ah, ó! Fica para uma outra vida...

Juro que não acompanho!


Sou do tempo em que não tinha TV.
Sou do tempo em que a TV era preto e branco e a programação era ao vivo. Errou? Errou. Começava às sete horas da noite e acabava quando eu já estava dormindo. Nunca soube a que horas.
Sou do tempo em que a TV passou a ser "em cores". Aí, consertaram para "a cores".
Tela oval. Tela quadrada. Tela plana. Controle remoto.
Vídeo cassete. Vídeo cassete de quatro cabeças. Locadoras.
TV a cabo? Sky? Quantos canais? Qual é o plano?
Estou no tempo em que, quem compra hoje, vai trocar amanhã.
Comprou um Home Theather? Ih, filhinha, tá defasada, hein?
Analógica? Já tem digital! Já tem virtual! Plasma!
LSD? Não! LCD! Liquid Cristal Display.
CD Player, MP3, MP4. Gente! Sou do tempo da MPB.
Cérebro Eletrônico, Computador, PC, Notebook, Laptop, Palm. Bluetooth é um dente azul?
E as siglas? Ai, as siglas! Pps, jpg, gif, pdf, txt, doc, html, www, avi, wmv, win rar, zip... Meu Deus! Já deu! Sou uma analfabeta digital!
Tanto consumismo, juro que não acompanho! Mais fácil descobrir a natureza pura da minha mente!

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Praticando o Poder do Agora - Eckart Tolle


A calma é nossa natureza essencial. O que é calma? É o espaço interior ou a consciência onde as palavras desta página são assimiladas e se transformam em pensamentos. Sem essa consciência, não haveria percepção, não haveria pensamentos nem mundo. Você é essa consciência em forma de pessoa. Quando você perde contato com sua calma interior, perde contato com você mesmo. Quando perde esse contato, fica perdido no mundo. O equivalente ao barulho externo é o barulho interno do pensamento. O equivalente ao silêncio externo é a calma interior. Sempre que houver silêncio à sua volta, ouça-o. Isso significa: apenas perceba-o. Preste atenção nele. Ouvir o silêncio desperta a dimensão de calma que já existe dentro de você, porque é só através da calma que você pode perceber o silêncio. Veja que, quando percebe o silêncio à sua volta, você não está pensando. Está consciente do silêncio, mas não está pensando. Quando você percebe o silêncio, instala-se imediatamente uma calma alerta NO SEU INTERIOR. VOCÊ ESTÁ PRESENTE. Nesses momentos você se liberta de milhares de anos de condicionamento humano e coletivo.

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Meu saudoso Mestre Chagdud Tulku Rinpoche

Saudades... E eu tenho um colcha igualzinha a essa...

Sonhos

Já fazem oito dias que voltei do retiro. Assim que cheguei, comecei a acordar achando que ainda estava lá e que tinha que sair correndo para não perder a prática das quatro horas da madrugada! Depois acordava sem saber onde estava! Hoje acordei achando que essa não é a minha casa! Será que estou ficando louca?

Antes sonhava que estava sem o efeito da força de gravidade: voando ou nadando. Consultei um lama que me disse que era sinal de prática boa de uma certa deidade. Um psicólogo budista falou que é saudades do nirvana. Melhor abrir o link abaixo da foto e ler. Mas prefiro a opinião do lama.

Atenção!
Nirvana não é uma banda de Seattle, Washington State, USA. Samsara não é um perfume da Guerlain. E dharma não é pesquisa do seriado Lost

Aliás, segundo Jigmed Rinpoche e outros tantos mestres, "O samsara é como uma privada. Onde quer que ele exista, o cheiro não é bom!" Daí inventar um perfume com esse nome, só pode ser prá usar como Bom Ar!

sábado, 31 de janeiro de 2009

Stupa guarda cinzas de Chagdud Tulku Rinpoche em Belo Horizonte

Lama Tchimed feliz e sorridente!

Lama Tchimed e a stupa. agora só falta pintar.
(Fotos do Orkut de Elisa Filgueiras)
Manhã de sábado. O Templo do Budismo Tibetano Dawa Drolma, em Casa Branca, distrito de Brumadinho, estava lotado de praticantes que foram participar do ritual de consagração da stupa de Chagdud Tulku Rinpoche, lama tibetano que teve seu parinirvana (passagem) em 2002 e, aos 4 anos, foi reconhecido como um tulku (encarnação de um mestre de meditação). Rinpoche era o mestre do templo, um iluminado, dizem os budistas.

O dia era de festa. Na parte externa, flores, incensos e bandeiras de oração que tocadas pelo vento espalhavam a força das preces contidas em centenas de mantras (sílabas em sânscrito ou poemas). Eles repetiam o mantra "om dzambala zhalen traia soha" para gerar prosperidade espiritual e material irrestritos.

Diante da stupa, pessoas de qualquer credo podem fazer pedidos para si e para a humanidade. A cerimônia foi conduzida pelo lama Tchimed Rigdzin que, aos 3 anos, foi entregue aos cuidados de um tio, também lama e, aos 12 anos, começou seu treinamento no monastério Khatok, no Tibete.

Lama Tchimed explicou que, durante um retiro no Nepal, o venerável Chagdud Rinpoche insistiu para que ele viesse para o Brasil "para dar vigor às atividades".

- Ao longo do caminho o que parecia ser obstáculo foi se resolvendo.

Ritual: A cerimônia na manhã de sábado durou duas horas e Lama Tchimed ressaltou que "todas as religiões são necessárias".

- Tenho fé e devoção nas religiões porque elas nos dão caminhos e formas legítimas de chegarmos aonde queremos. Sem fé e devoção não é possível recebermos bênçãos.

Lama Tchimed respondeu a uma indagação muito comum, principalmente entre leigos, que desconhecem a filosofia budista. Onde está Buda? Nos templos, nas estátuas?

- Procuramos por ele, mas Buda somos nós. Nossa natureza é Buda. Nossa mente é Buda. Quando meditamos alcançamos a liberação. Buda nos concede bênçãos, nós mantemos votos e somos nós próprios a alcançarmos a liberação. Sem fé e devoção nada funciona. Mas é o lama que nos mostra o caminho do Buda e nós praticamos. Buda liderou a si mesmo e meditou.

Segundo Lama Tchimed, "um lama congrega características especiais, internas, externas e secretas. Seu nome é apenas um nome, mas o que o torna um lama é a não dualidade dos fenômenos internos e externos. Tenho 40 anos de treinamento, vivi em cavernas no Tibete, mas no Brasil levo uma vida confortável, tenho cama, lençóis limpos, televisão, e essa não é a vida de um lama. Por isso não estou pronto."

Ele explicou ainda os benefícios de se ter uma stupa em um local tão próximo de Belo Horizonte.

- Ela é a representação do corpo, fala e mente do Buda. Aqui, todas as pessoas de bom carma podem se reconectar com o mestre Chagdud Rinpoche. E esses benefícios não estão restritos apenas a Casa Branca, pois são espalhados para todos os continentes e pessoas de todas as religiões. Rinpoche está aqui - assegurou.

Lama Tchimed disse que estava muito emocionado com o carinho e dedicação de toda a sanga (pessoas envolvidas naquele grupo) para a construção da stupa.

- Em apenas um ano, o sonho se tornou realidade. A stupa não poderia ser mais perfeita porque contém todos os elementos adequados como mandalas, substâncias sagradas e manuscritos legados por Buda.

Agenda A stupa, que fica no Condomínio Cachoeira das Pedras, em Casa Branca, está aberta à visitação pública.

Publicado em 27 de janeiro de 2009 por Ana Elizabeth Diniz para o jornal O Tempo

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

A falta que eu não faço.


Amanhã à noite faz uma semana que voltei prá casa e ainda não saí prá lugar nenhum. Parece que estou em retiro domiciliar com um horário de acordar, comer e dormir todo doido. Esquisito prá caramba!

Hoje fez um calor danado em BH e só agora à noite é que refrescou. O céu está meio cor-de-rosa, sabe, com aquela cor estranha que aparece no céu quando vai chover. Será que vai chover? Seria bom.

Estou meio devagar, desanimada, lerda. Hoje até achei que podia ser gripe, dengue, corpo doendo, coceiras. Será que é o remédio tibetano do Lama Rigdzin fazendo limpeza? Mas acho que é o calor mesmo. Acho que vou dormir na sala que é mais fresquinho.

Inez mandou algumas fotos, não todas, mas foi o suficiente para sentir saudades. O jeito é me mudar para Porto Alegre e ir ao templo sempre que me der vontade. Ou, melhor ainda, ser moradora do Khadro-Ling e trabalhar prá ficar lá.

Mas agora estou pensando em passar uns tempos no Odsal Ling com Lama Tsering. Ela é meio sargentona, brava e disciplina é o seu nome. Não dá mole mesmo! Mas, quem sabe, é disso que eu estou precisando. Além do mais, São Paulo é mais perto e se encher o saco tenho onde ficar na casa de uma amiga ou volto prá casa. Mas essa é a última hipótese dos meus planos.

O marido parece mais bem humorado hoje. Antes mal me dirigiu a palavra. Problema! Eu é que não vou deixar de fazer minhas coisas por conta de ninguém. Se tiver que perder, que perca.

Ah! Também esse lance de marido vai ver que nem é comigo. Paranóia minha! É pepino de trabalho e coisa de síndico do prédio. Fico louca prá ele largar esse cargo! Vizinho enche o saco mesmo, faz barulho e só sabe reclamar. E eu que me acostumei com o silêncio do Khadro Ling...

Tenho peninha da minha filha que disse que eu fiz muita falta prá ela. Mas também foi só ela. Acho que por ser mulher. Os homens da casa, nem aí!

Minha mãe mal telefonou. E, no fundo, no fundo, estou achando isso tudo muito bom. É sinal que não faço tanta falta assim e posso cair no mundo que tudo fica do mesmo jeito. Ótimo! Não sou tão importante! Já vai cortando meu ego!

Debaixo da mesa do meu computador tem um pernilongo de plantão que morde minhas pernas e pés. No calor então! Ai! Tchau!

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Tempo


Por que demorou tanto? Já faço dez anos de Nyingma. Meu Ngöndro pronto há quatro anos. Fiz outro almejando o Dzogchen com este nome atrativo de Grande Perfeição. O dinheiro nunca aparecia, nunca surgia, nunca sobrava, nunca poupava, nunca patrocinava. E eu insistindo, forçando a barra.

Um dia, desisti. Deixei de lado. Achei que não era para esta vida, que era bad karma. E fui seguindo minhas práticas normaizinhas, simplórias como simples se tornaram minhas vontades. Diria minha tia:

- Seja tudo pelo amor de Deus!

Inventei de fazer mantras curtos de Tara. Facinho... Um milhão e duzentos!
Como tudo muda, tudo é impermanente, o carma mudou também. Good karma. E o dinheiro apareceu. Não um milhão e duzentos, mas o suficiente para viajar meio Brasil ida e volta e passar vinte e dois dias no Khadro Ling vivendo, aprendendo, meditando, contemplando, fotografando, comprando, vendo, comendo, respirando e dormindo. Pouco. Vinte e dois dias. O tempo certo.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Qualidades da natureza da mente

"A mente é o mais sutil e recôndito aspecto da nossa condição relativa, mas não é difícil notar a sua presença. Basta observar os pensamentos e como eles nos enredam no seu fluxo. Se perguntarmos o que é a mente a resposta é o fluxo ininterrupto dos pensamentos que surgem e desaparecem. Ela tem a capacidade de julgar, de raciocinar, de imaginar, etc. dentro dos limites de espaço e tempo. Mas, além da mente, além dos pensamentos, existe o que se denomina 'natureza da mente', o estado verdadeiro da mente, além de quaisquer limitações. Como está além da mente, o que fazer para nos acercarmos de uma compreensão a seu respeito? Tomemos, por exemplo, o espelho. Olhamos no espelho e vemos refletidas as imagens de tudo o que está diante dele, mas não vemos a natureza do espelho. Mas o que significa a 'natureza do espelho'? Quer dizer a capacidade de refletir, descrita como a sua claridade, transparência, pureza, limpidez, condições indispensáveis para que os reflexos possam manifestar-se. A natureza do espelho não é algo que se veja, e a única forma de concebê-la será através das imagens refletidas no espelho. Da mesma forma, apenas conhecemos e vivenciamos o que esteja relacionado ao corpo, à voz e à mente. Contudo, é assim mesmo que somos levados a compreender a sua verdadeira natureza."

"Dzogchen: The Self-Perfected State" by Namkhai Norbu Rinpoche.
Translated from the Italian by John Shane.
Edited by Adriano Clemente.
New York: Arkana, 1989.
Available at Ligmincha's Bookstore.
Traduzido para o português por Tenzin Namdrol

Camiseta branca




"A camiseta não é suja. Ela está suja. Um mestre budista costuma usar esta metáfora para nos lembrar que nossos medos, inseguranças e negatividades não são a nossa mente, mas só estão recobrindo temporariamente nossa lucidez como a sujeira em uma camiseta que pode ser lavada."

Texto escrito dentro do desenho de uma camiseta sob o vidro da mesa da recepção do Khadro-Ling.

Fui preguiçosa, desatenta e obscurecida pelo sono.

Fui preguiçosa, desatenta e obscurecida pelo sono.
Verbalmente me arrependo.
Mentalmente, lamento duplamente
por ter até mesmo vergonha de confessar
e de expressar meus outros erros e deslizes.
Abandono a culpa
mas me envergonho.
Clamo com remorso.
Recomponho meu corpo, fala e mente
e, recitando, me purifico.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Normose - Professor Hermógenes


Entrevista do professor Hermógenes, 86 anos, sobre uma palavra inventada por ele que me pareceu muito procedente: ele disse que o ser humano está sofrendo de normose, a doença de ser normal.
Pessoalmente, não o conheço e nunca participei de nenhuma oficina com ele, mas essa entrevista se encaixa muito bem para mim. Quando digo a alguém que estou ansiosa, aflita, angustiada, tem gente que até grita:
- Pára!
Umas fazem uns discursos tipo auto-ajuda, outras até debocham. Isso é muito desagradável e só faz com que nos sintamos pior, menos normais!
Segue a entrevista.

"Todo mundo quer se encaixar num padrão. Só que o padrão propagado não é exatamente fácil de alcançar. O sujeito 'normal' é magro, alegre, belo, sociável, e bem-sucedido. Bebe socialmente, está de bem com a vida, não pode parecer de forma alguma que está passando por algum problema.
Quem não se 'normaliza', quem não se encaixa nesses padrões, acaba adoecendo. A angústia de não ser o que os outros esperam de nós gera bulimias, depressões, síndromes do pânico e outras manifestações de não enquadramento.
A pergunta a ser feita é: quem espera o quê de nós? Quem são esses ditadores de comportamento a quem estamos outorgando tanto poder sobre nossas vidas? Eles não existem. Nenhum João, Zé ou Ana bate à sua porta exigindo que você seja assim ou assado. Quem nos exige é uma coletividade abstrata que ganha 'presença' através de modelos de comportamento amplamente divulgados. Só que não existe lei que obrigue você a ser do mesmo jeito que todos, seja lá quem for todos. Melhor se preocupar em ser você mesmo.
A normose não é brincadeira. Ela estimula a inveja, a auto-depreciação e a ânsia de querer o que não se precisa.
Você precisa de quantos pares de sapato? Comparecer em quantas festas por mês? Pesar quantos quilos até o verão chegar?
Não é necessário fazer curso de nada para aprender a se desapegar de exigências fictícias. Um pouco de auto-estima basta. Pense nas pessoas que você mais admira: não são as que seguem todas as regras bovinamente, e sim, aquelas que desenvolveram personalidade própria e arcaram com os riscosde viver uma vida a seu modo. Criaram o seu 'normal' e jogaram fora a fórmula, não patentearam, não passaram adiante. O normal de cada um tem que ser original.
Não adianta querer tomar para si as ilusões e desejos dos outros.
É fraude. E uma vida fraudulenta faz sofrer demais.
Eu simpatizo cada vez mais com aqueles que lutam para remover obstáculos mentais e emocionais, e a viver de forma mais íntegra, simples e sincera. Para mim são os verdadeiros normais, porque não conseguem colocar máscaras ou simular situações. Se parecem sofrer, é porque estão sofrendo. E se estão sorrindo, é porque a alma lhes é iluminada.
Por isso divulgo o alerta: a normose está doutrinando erradamente muitos homens e mulheres que poderiam, se quisessem, ser bem mais autênticos e felizes."

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

No meditation mind!


Ansiosíssima, mala pronta, não consigo deslotar nada. Tiro coisas e continua cheia. É o material de prática que é muito, é grande e extremamente necessário. E não estou levando nem um livro!
Amanhã, acordar cedo para encontrar o Lama Chimed e os irmãos vajra. Vamos enrolar mantras para colocar na stupa. Espero ficar o dia inteiro neste pré retiro. Quem sabe dou uma centrada porque estou me machucando muito.
Ontem feri o dorso da mão direita no retrovisor de um carro estacionado grudado num outro. Bati o cotovelo direito e deu um “ovo”.
Fui fazer a dancinha dos zumbis do Michael Jackson com minha filha e bati a coxa na quina da mesa. Zuação! E ainda fico com a música na cabeça.
Lama Tsering diria:
- No meditation mind!
Quando a gente não está prestando atenção no que faz, fica estabanada, aflita, ansiosa, dá é nisso. No meditation mind!
Pelo menos demos muitas risadas. Melhores que a do Vincent Price!

Porque o gambá cheira mal?

Ilustração de Marcos Jardim

O gambá tinha uma filha casada com o ariramba (martim-pescador), que ia sempre ao rio e ao lago para flechar peixes. Ele pousava sobre um pau inclinado, para espreitar os peixes e flechá-los e voltava muito depressa, quando menos a sogra esperava. Um dia, o gambá chamou a filha:
— Minha filha, como é que seu marido mata os peixes?
— Como há de ser, pai? Ele sobe no pau que está inclinado sobre o rio.
— Ah, é assim? Ora, assim até eu mato peixes!
E ele chamou a mulher para o pau e esperou. Logo lhe apareceu o avô do peixe tucunaré. O gambá saltou sobre ele, mas o peixe era esperto, abriu a boca e engoliu-o. A velha correu para casa gritando e contou à filha o que se passara. A filha foi contar ao marido o que tinha acontecido e pediu-lhe que salvasse o seu pai.
O ariramba foi para a margem do rio, subiu ao pau e esperou. Quando apareceu o avô do peixe tucunaré, flechou-o, puxou-o para terra e pediu à sua mulher que trouxesse uma faca.
Abriu a barriga do peixe e encontrou o seu sogro quase morto. Mas salvou-o.
É por isso que o gambá ficou com o rabo tão feio; é que o avô do peixe pelou-o; e ficou com mau cheiro por causa do calor da barriga do peixe.

(J. M. "Por que o gambá cheira mal". Folha de São Paulo, 16 de abril de 1962)

http://www.jangadabrasil.com.br/abril56/im56040c.htm

sábado, 27 de dezembro de 2008

Retiro

Chagdud Gönpa Khadro Ling - Três Coroas - Rio Grande do Sul

"Não pense que você tem que controlar algo... apenas siga o movimento natural de tudo... foque sua energia para que nada seja desperdiçado... pense que o que você descobrir e treinar é muito precioso para uso de outras pessoas... veja que não é pela sua força que você anda, mas pela energia dos budas e bodisatvas.
Abandone todo o conhecimento anterior e apenas se abra para o que ouvirá e praticará.
Carinho, do L.S."
Sábado, 27 de dezembro de 2008, 10:23h.

Meus artigos no jornal


Estrangeirismo - Botando a boca no trombone!
Artigo meu publicado no Jornal Pampulha de Belo Horizonte em 15 de outubro de 2005.

"Antes de tudo, devo dizer que sou decoradora. Pelo menos formada e de nível superior, quatro anos de curso. Mas, no momento, exerço pouquíssimo a profissão por ter me tornado tradutora. Que a classe me perdôe, mas beira o ridículo o (mau) uso do inglês para denominar ambientes intuindo que isso possa 'valorizar' o trabalho de um profissional.
É home-theater (que ninguém consegue pronunciar direito), é fumoir (francês) indicando um lugar onde é permitido fumar, home library que, para mim, não passa de um ambiente cheio de estantes recheadas de livros que, por sinal, os decoradores deveriam ler mais e por aí vai. Muito chique, não?
Porém, no número 802 do Jornal Pampulha, na página F1, deparei-me com o título "Costumize sua casa."
Irritei-me! Está tudo errado! Primeiro, não existe a palavra costumize nem como verbo, no caso, para você customizar a sua casa. Custom é substantivo que quer dizer costume, convenção, etiqueta, hábito, tradição. No sentido comercial, clientela, cliente e, como adjetivo, temos customized que seria o termo brasileiro 'feito sob encomenda' (tanto no Collins, quanto no Oxford).
Dizer que 'customizar a sua casa' é 'fazer diferente e o que mais gosta para deixar a marca da sua personalidade refletida' não tem nada a ver. Desculpem-me, minha turma, mas façam-me o favor! Francamente! Até quando seremos macacos dos estadunidenses? Ou será que só eles são americanos?"

Visão budista
Artigo meu publicado no Jornal Pampulha de Belo Horizonte em 7 de março de 2007.

"Sou budista. Portanto, deveria ser eqüânime, compassiva, amorosa, alegre, paciente. Mas como conseguir ser assim diante dos fatos que vejo na televisão? Que samsara esquisito! Mesmo querendo me alienar, o rádio do vizinho toca a CBN o dia todo. Corro o risco de ser morta se for lá para reclamar.
Compassiva fico quando vejo a mãe do menino arrastado chorando em rede nacional. Compassiva fico quando vejo meninos morrendo na linha do trem. Que idéia! Estavam drogados? Não é possível! Compassiva fico com índio que, há dez anos - alguém se lembra? - dormindo, morre queimado em plena Cidade do Poder e da Impunidade! Mas alguém fez alguma coisa? Alguém faz alguma coisa contra filho de autoridade de Brasília? Ao contrário. Um dos rapazes passou num concurso público forjado pelo próprio pai e está ganhando seis mil reais por mês! Se trabalha ou não, não sei. Mas recebe! Percebe o salário e não percebe o que fez!
Quem matou a atriz a tesouradas - alguém se lembra? - já se formou na PUC Minas.
Com filha que tira a vida de quem lha deu, não sei o que fico, se fico, como fico! Pior ainda quando dizem que os pais dela eram muito severos! Por essa conta, já teria matado os meus, alguns irmãos, tios e tios que se acham no direito de se meter na educação de filhos alheios. Mas nem por isso fiquei pior e nem saí por aí cometendo atrocidades. Hoje uma palmadinha já traumatiza...
É normal quando nenhum dirigente discute algo em benefício da população? É normal entrar na lógica da barganha: isso é seu, isso é meu e estamos combinados. É normal cometer crimes às claras? É normal transar na praia e ainda reclamar privacidade? John Lennon e Yoko ficaram na cama um tempão. A frase é famosa: cometem violência em plena luz do dia mas se escondem para fazer amor. Mas eles não reclamaram!
A lei brasileira é deliciosa. Ninguém precisa explicar nada. Até hoje tem gente que, num romantismo do tempo da ditadura, diz entre dentes: odeio norte-americano! Tudo bem. Mas lá, bateu, levou! E não são trinta anos ou saída por bom comportamento, não. É perpétua se não for - adiantada e taxativamente discordo - pena de morte.
Mas somos psicóticos, paranóicos. Precisamos de tratamento e enquanto ele não vem panis et circus! Novela, futebol e cesta básica.
Mas acontece que sou budista. Portanto, devo ser eqüânime, compassiva, amorosa, alegre e paciente. Ainda bem que ser budista também é estar plenamente consciente da impermanência, de que as ações virtuosas e prejudiciais causam seus resultados inevitáveis e que este reino é um oceano de sofrimento.

A Única Maneira em "O Caminho é a Meta! Um Livro de Bolso de Meditação Budista."

"De acordo com o Buda, ninguém pode alcançar a sanidade e a iluminação básicas sem a prática da meditação. Vocês podem estar extremamente confusos, atentos ou prontos para o caminho. vocês podem estar emocionalmente perturbados e passando por um sentimento de claustrofobia em relação a este mundo. Talvez estejam inspirados por obras de arte deste mundo em geral. vocês podem ser gordos, magros, grandes, pequenos, inteligentes, burros. Seja lá o que forem, só existe um caminho, incondicionalmente e ele é começar a praticar a meditação. A prática da meditação é a única maneira. Sem ela não há saída ou entrada."

Carta ao Papai Noel

Recebi um e-mail de uma amiga que me repassou. Repasso.

"Papai Noel, como é de costume, todo ano lhe escrevo para contar como foi o meu ano. Lembro-me deste ano de 2008 de uma forma muito peculiar No começo tudo era esperança e alegria, a Bolsa estava em alta, mas bem em alta 70.000 pontos, dinheiro não faltava para nada, todos estavam especulando como louco desvairados, compra e vende, vende e compra, realiza lucro aos montes, nesta louca ciranda financeira sem controle. Todos sabiam que era uma "Bolha", mas afinal de contas se até o meu vizinho estava investindo na bolsa, e ganhando, porque eu também não poderia fazer isso. Apareceram até uns adolescentes na televisão com cara de intelectual, se intitulando de novos milionários, teve até revista sobre isso, lembra? Nas empresas estavam recontratando até os "mais experientes", ou seja, quem tinha mais 50 anos para suprir as vagas em aberto no mercado de trabalho por todo o Brasil, pois tava faltando até gente no mercado de trabalho. O petróleo andava na casa dos US$ 142,00/barril, e a gasolina tava cara pra dedeu, mas e daí, eu podia pagar no cartão em 10 vezes mesmo, e daí? A soja era riqueza pura no campo, nunca se vendeu tanto carro, geladeira, fogão e televisão, a propósito 29 polegadas que nada, eu queria uma LCD tela plana, bem fininha, enorme, para deixar lá em casa, mas tinha que ter alta definição, a tal da HD, afinal eu queria ver as Olimpíadas lá da China. No campo da música internacional apareceu até uma cantora que o nome é difícil de dizer até hoje, uma tal de Amy nãosei dequeHouse...., que faz apologia a autodestruição e bebedeira, sem falar em outras coisas, vende tanto quanto se chapa, todos riem. Teve até pai atirando criança pela janela e namorado matando namorada por amor ou desamor, eu vi isso na televisão, aquela grande e bem fininha. Que começo e meio de ano incrível foi esse de 2008, comprar era a palavra de ordem, comprar, comprar e comprar, pagar depois agente vê como faz para pagar. No campo do meio ambiente, os ambientalistas estavam bem loucos, teríamos que descobrir ou até construir um outro planeta Terra para suprir as nossas necessidades, o planeta estava agonizando, aquecimento global, furacões, deslizamentos de terra, enchentes e coisas do gênero, ou seja, agitação total. Bom, daí chegou o setembro negro, a Bolsa Quebrou, a Bolha Estourou, e aquele Brasil que esperamos décadas para deixar de ser o Brasil do Futuro e ser o Brasil do Presente, ficou em alerta total. Os Americanos começaram a gritar, pedir dinheiro emprestado ao governo (isso era inacreditável), as casas deles foram sendo tomadas, os estrangeiros sendo expulsos aos pouco e silenciosamente, o pavor se abateu sobre todos e iniciou a tão chamada CRISE FINANCEIRA, reuniões para todos os lados, os Europeus botaram a mão no bolso para segurar o tranco e incrivelmente até os japoneses saíram da Fórmula 1 devido a Crise. Quebrou de tudo, banco, seguradora, fábrica de carro, fábrica, minas, siderúrgicas e as máquinas dos colonos foram tiradas deles, até o meu vizinho, aquele besta que acreditou nessa ilusão, "SI FU". Aqui no Brasil nem sentimos muito no começo, foi só pânico mesmo, pois só queríamos chegar no Natal bem, poder tomar a nossa "espumante" no ano novo, que tava tudo bem. O preço do Barril do Petróleo anda no final do ano, em US$ 37,00/barril, mas o preço da gasolina não caiu, continua o mesmo do começo do ano, e sabe porquê? Para dar lucro na Petrobrás, quase 12 bilhões em apenas um trimestre, tudo bem ela é nossa mesmo... Os Bancos até ganharam dinheiro do Governo para emprestar, coisa incrível, mas tinham a obrigação de emprestar e não é que não queriam emprestar para ninguém, queriam só para eles, o governo teve que mudar as regras e apontar uns dedos por aí, mas papai Noel, o que é CND? Sei que é coisa das empresas com dívidas, o que é? O Lula foi na TV mandar a gente gastar e continuar comprando. CRISE que crise. Devemos acreditar nele, afinal é o nosso gestor maior, sua popularidade é a maior de todos os outros que passaram por aqui nos últimos tempos, ele devia estar certo. Papai Noel do Céu... Daí começaram as demissões por todos as lados, demissão na Vale, no vale e se criou um vale, um buraco, um abismo, no meio do caminho que agente fechou os olhos para não ver o estouro, os grandes estão balançado e se caírem, o barulho é feio, os meus amigos, aqueles de mais de 50 anos, já tomaram um pé na bunda faz tempo, mão de obra qualificada que nada, salve-se quem puder, os mais novinhos só dizem que não sabem o que fazer para conseguir emprego, aliás 34.000, 80.000 e assim por diante são os números de desempregados em São Paulo, agora no final do ano. Tem carro empilhado nas montadoras e até em pista de pouso de avião, aguardando comprador, eu vi isso na minha televisão de LCD, aquela desgraçada e bem fininha, que eu tenho que pagar mais 18 prestações caríssimas? Os juros não caíram e ao mesmo tempo o IPI dos carros foi suspenso, isso não parece meio contraditório? O Lula foi TV e disse diferente agora,... Continuem comprando, mas não esqueçam de pagar as contas... Que coisa mais estranha, porque haveríamos de fazer isso, não é? Cinco minutos depois a Fátima disse que a população brasileira está endividada até não poder mais, tem gente querendo devolver os carros, porque compraram no impulso e agora estão com medo de não poder pagar, inacreditável, como sabe esse nosso Gestor. Papai Noel, agora a pouco o Lula disse que não era para os empresários demitirem seus funcionários, mas se eles não tem trabalho como poderão manter os empregos? Papai Noel, acharam o culpado dessa CRISE e ele está lá nos Estados Unidos, nem sei o nome dele. Papai Noel, esse cara não merece presente de forma nenhuma. Disseram que ele fez uma tal de Corrente Financeira e bagunçou 50 bilhões de dólares pelo mundo afora, era um tal que trabalhava na NASDAQ. O que é isso? Agora aparece na TV de boné na cabeça para esconder a cara e anda até tomando uns tapas e empurrões, eu vi, sabe aonde? Claro lá na TV LCD HD de 32 pol. que eu comprei em 24 prestações lá na loja, que tá fazendo propaganda de monte na TV. Papai Noel, é por isso que eu lhe escrevo... Me ajuda a manter o meu emprego, pois eu tenho que continuar a botar gasolina no meu corcel velho, a prestação mesmo, no cartão, já que não deu tempo de eu comprar um popular zerinho em 72 meses, como fez o besta do meu vizinho. Tenho ainda que pagar as prestações da minha televisão de LCD HD de 32 pol., ainda faltam 18 prestações e se eu perder o meu emprego, como vou pagar os meus cartões de crédito, aqueles com juros absurdos, que eu aceitei em usar e eu não quero ir para o SPC SERASA, imaginem o que vão dizer de mim, imagina o que o meu vizinho vai falar. Mas se mesmo assim, eu não conseguir segurar o meu emprego, pelo menos diz para o Lula aumentar o tempo do seguro desemprego, até esta crise terminar, por uns 18 meses já tá bom. Vou ter que terminar por aqui porque a LanHouse está fechando, até o ano que vem. Feliz 2009. Do seu querido menino, Zé Povo Brasileiro."

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Citando Bob Thurman




"A liberdade do dualismo é entender que a realidade última é relativamente real, ultimamente real e relativamente última."

Robert Thurman

Com Sua Santidade o 14º Dalai Lama
Com sua filha, a atriz Uma Thurman (uma que dizer canal central)
Com a esposa Nena e a filha Uma.

Robert Alexander Farrar Thurman nasceu em 4 de agosto de 1941. É um escritor americano budista e acadêmico influente e prolífero que autorizou, editou ou traduziu vários livros sobre o budismo tibetano. É professor de estudos budistas indo-tibetano da Universidade de Columbia, detentor da primeira cátedra no campo deste estudo nos Estados Unidos. É também co-fundador e presidente da Tibet House (Casa do Tibet) em Nova York e ativista contra o controle do Tibet pela República Popular Chinesa.
Thurman nasceu em Nova York, filho de Elizabeth Dean (nascida Farrar), uma atriz dos bastidores e de Beverly Reid Thurman Júnior, um editor da Associated Press e tradutor das Nações Unidas. Cursou a Philips Exeter Academy de 1954 a 1958 e, em seguida, a Universidade de Harvard obtendo o título de Bacharel em Artes (AB) em 1962.
Casou-se dom Christophe de Menil, herdeira da Schumberger Ltd., uma fortuna em equipamento de petróleo, em 1959. Tiveram uma filha, Taya e seu neto é o artista Dash Snow.
Em 1961, Thurman perdeu seu olho esquerdo num acidente de carro quando tentava levantar o carro com um macaco e o olho foi recolocado através de uma prótese ocular.
Após o acidente, ele resolveu redirecionar sua vida, divorciou-se da esposa e viajou de 1961 a 1966 para a Turquia, Iran e Índia. Converteu-se para o budismo e foi ordenado sacerdote budista em 1964, o primeiro monge americano da tradição budista tibetana.
Estudou com Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama de quem se tornou amigo íntimo.
Em 1967, de volta para os Estados Unidos, Thurman abandonou seu voto de celibato e casou-se pela segunda vez com uma modelo teuto-suiça, Nena von Schlebrügge, que passou por um breve casamento com Timothy Leary. Thurman e Schlebrügge, agora uma psicoterapeuta, tiveram quatro filhos sendo a mais velha, a atriz Uma Thurman.
Thurman obteve o Mestrado em Artes em 1969 e um Ph.D. em Estudos de Sânscrito Indiano em 1672 em Harvard. Foi professor de religião no Amherst College de 1973 a 1988 quando aceitou um trabalho na Universidade de Columbia como professor de religião e sânscrito. A revista Time o escolheu como um dos 25 americanos mais influentes em 1997.
Dr. Thurman é altamente reconhecido por suas traduções e explanações dinâmicas e lúcidas da religião e filosofia budista, particularmente à tradição Gelugpa (dge-lugs-pa), e seu fundador, Je Tsongkhapa.

Traduzido por Ana Carmen Castelo Branco - Belo Horizonte, 26 de dezembro de 2008.