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terça-feira, 29 de outubro de 2013

Gostar ou não, é irrelevante!


sábado, 26 de outubro de 2013

A Questão Tibetana


Protesto de manifestantes favoráveis à autonomia do Tibet

"O Tibet é uma região localizada ao sudoeste da China cercada por um conjunto de países vizinhos. Índia, Mianmar, Butão e Nepal fazem fronteira com a região sul tibetana. Na parte oeste, faz limite com a conflituosa região de Jammu e Caxemira. Originária de uma antiga dinastia militar, o Tibet, desde o século VII, forma um império pacífico guiado pelos preceitos religiosos budistas. O principal cargo político tibetano é ocupado por um Dalai-lama, que acumula funções religiosas e políticas.
A Revolução Chinesa de 1949 inaugurou os conflitos atuais envolvendo a região do Tibet. A instalação do movimento liderado por Mao Tsé-Tung, buscou reorganizar os costumes e tradições tibetanas em favor dos princípios ideológicos do comunismo maoísta. Em 1951, a assinatura do Acordo dos 17 Pontos, definindo as relações entre China e Tibet, parecia direcionar as questões políticas para uma solução diplomática. No entanto, a orientação militar ofensiva da China arrastou este problema por mais de meio século, tornando a autonomia política do Tibet uma verdadeira incógnita.
Em 1959, o general chinês Chiang Chin-wu convocou o Dalai Lama para acompanhar uma festividade das autoridades chinesas na cidade de Lhasa, capital do Tibet, desde que o mesmo não contasse com nenhum tipo de segurança pessoal. O conhecimento público do estranho convite representou uma ameaça velada à integridade física do líder religioso. Em resposta, o Dalai pediu asilo às autoridades indianas. Esse foi um breve exemplo das tensões que envolveram, no último século, a China e o Tibet.
Ao longo da História, a região do Tibet sofreu com a ocupação de diversos povos e impérios. Na dinastia sino-mongol Yuan (1279-1368), estabelecida pelos reis guerreiros Gengis Khan e Kublai Khan, firmaram-se acordos para que a autonomia política da região fosse preservada. Depois de manter relações mornas com a dinastia Ming (1386-1644), o Tibet contou com a proteção militar chinesa desde a ascensão do culto budista na dinastia Quing (1644-1911).
Com o fim da era imperial chinesa, em 1911, a região tibetana preservou sua independência política. Um dos mais claros exemplos desta soberania foi notado durante os conflitos da Segunda Guerra Mundial. Mesmo com a pressão imposta pelos Aliados (China, França, Inglaterra, União Soviética e Estados Unidos), o governo tibetano recusou-se a permitir a passagem de tropas, material militar e utensílios em seus territórios.
Em 1963, tendo oficialmente ganhado o status de Região Autônoma, o Tibet ainda viveu outras situações de conflito com a China. No fim dos anos de 1980, o massacre na Praça da Paz Celestial e a entrega do prêmio Nobel da Paz ao Dalai-Lama fizeram com que a questão da autonomia do Tibet tivesse repercussão internacional. Entretanto, desde a década de 1990, a China tenta justificar a ocupação ao território devido o crescimento econômico oferecido à região nos últimos dez anos e à presença massiva de chineses da etnia han no local.
No decorrer da política opressiva dos chineses, vários tibetanos passaram a buscar o exílio. Cerca de 120 mil tibetanos vivem em países estrangeiros, sendo que a grande maioria encontra-se em território indiano. As autoridades políticas do Tibet também vivem em situação de exílio. O chamado “governo no exílio” conta com três poderes e tem sua sede fixada na cidade de Dharamshala, região norte da Índia.
A situação do Tibet abarca um confronto de perspectivas contrárias entre autoridades tibetanas e chinesas. Por um lado as autoridades chinesas reivindicam sua intervenção pelo progresso e benefícios materiais concedidos ao Tibet. Em contrapartida, os líderes tibetanos temem que a inflexibilidade política chinesa ameace as tradições religiosas e a liberdade do povo tibetano."

Por Rainer Sousa - Graduado em História

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

FALHAS DE MEMÓRIA SE ACENTUAM NA MEIA-IDADE - SAIBA COMO EVITAR.


IARA BIDERMAN colaboração para a Folha de S. Paulo RACHEL BOTELHO da Folha de S.Paulo
Um: as chaves de casa. Dois: o celular. Três: a agenda. Quatro: a senha do banco. Cinco: o problema. A senha mudou e por nada nesse mundo você consegue se lembrar da combinação de números e letras que deve digitar. Mas lembra-se perfeitamente bem de estar na meia-idade (mais de 40 e menos de 60 anos) e de já ter ouvido que as perdas cognitivas começam nessa fase da vida. Isso é verdade e, mais importante, inexorável?


Segundo Cathryn Jakobson Ramin, autora do livro "Esculpido na Areia" (352 págs, R$ 49,90, ed. Objetiva), lançado recentemente no Brasil, a perda da memória nessa fase da vida é um fato. Ao perceber que sua memória estava falhando bem mais do que o razoável para uma profissional ativa e que acabara de chegar à meia-idade, a jornalista norte-americana decidiu investigar o fato. Após saber que seus amigos também passavam pelo problema, testou métodos e tratamentos para desenvolver essa função cerebral. No livro, ela conta sobre a descoberta de que é possível preservar e até resgatar a memória perdida. Para a fonoaudióloga Ana Alvarez, autora de "Deu um Branco" (144 págs., R$ 22,90, ed. Record), entre a quarta e a quinta década de vida a velocidade para prestar atenção, processar informações simultâneas e acessar lembranças diminui. "Começamos a ter uma perda da capacidade dos órgãos de sentidos. É, por exemplo, o que ocorre com a audição, que “perde" informações, principalmente se há estímulos auditivos simultâneos. O deficit no recebimento das informações resulta em menor fixação na memória." Segundo ela, todo o processo começa junto: a menor velocidade do processamento sensorial e a necessidade de prestar mais atenção quando se está recebendo informações sonoras ou visuais demanda mais esforço para armazenar, fixar e evocar lembranças. "As funções cognitivas perdem velocidade, o processo neural começa a não ser como antes. Mas isso pode ser revertido: é possível criar novas conexões neurais com exercícios específicos e medidas como garantir a qualidade do sono", afirma Alvarez, que trabalha com reabilitação cognitiva de pacientes em São Paulo. "O cérebro é um órgão plástico. Se você o faz trabalhar, criam-se novas conexões neuronais. Isso aumenta a reserva cognitiva do indivíduo, incluindo a memória", diz Katia Osternack, neuropsicóloga e professora da Universidade Anhembi Morumbi. Osternack afirma que, a partir dos 40 anos, já é esperada uma perda sutil da memória, mas medidas de prevenção podem mudar esse curso. Exercitando o intelecto Exercícios cognitivos e físicos, aprender coisas novas, alimentação saudável e controle do estresse são atitudes preventivas que, segundo a neuropsicóloga, deveriam ser tomadas durante toda a vida. Há cerca de um ano e meio, a arquiteta Cândida Tabet, 52, percebeu que, do mesmo modo que exercita o corpo, deveria exercitar o intelecto. "A ideia era prevenir. Quero ser dona de minha inteligência e, para isso, percebi que devia trabalhar a atenção e a memória." Desde então, Cândida inclui em seu dia a dia várias atividades, que vão de jogos de computador a curso de línguas, além de prestar mais atenção ao sono e levar a academia a sério. "O efeito é extraordinário. Fiquei muito mais atenta e rápida para memorizar e lembrar." Para o neurologista Martín Cammarota, um dos coordenadores do Centro de Memória da PUC-RS, os lapsos não ocorrem somente na maturidade, mas é nessa fase que costumam trazer mais consequências. "Isso está relacionado ao ritmo de vida agitado e ao número de coisas que uma pessoa dessa idade tem que fazer", afirma. "De modo geral, o esquecimento relativo a atividades rotineiras é resultado da falta de atenção, que está centrada em problemas considerados fundamentais." O psiquiatra Cássio Bottino, do Instituto de Psiquiatria do HC de São Paulo, avalia que até os 60 anos as pessoas conseguem manter o desempenho da memória bem próximo do que era quando jovens. "Realizamos o projeto Clínica da Memória, aberto para pessoas a partir dos 18 anos. O que vimos é que, abaixo dos 60, a maioria que tinha queixas sobre a memória não tinha alterações. O que havia era muita ansiedade em relação ao desempenho." Bottino acredita que, em geral, as dificuldades com memória antes dos 60 anos estão relacionadas a outras causas, como depressão ou transtornos de ansiedade, incluindo estresse. Na opinião do neurologista Cícero Galli Coimbra, da Universidade Federal de São Paulo, a perda é "plenamente evitável", desde que a pessoa mude sua reação ao estresse e mantenha o cérebro em atividade. Segundo ele, o estilo de vida atual favorece o surgimento de doenças neurodegenerativas. "O fator emocional é o mais importante. O estresse bloqueia a produção de novos neurônios e facilita a degeneração dos que a pessoa já possui", justifica. Nas palavras de Cammarota, "desarranjos de ordem psíquica se cruzam com outro de memória. Se brigou com o namorado, por exemplo, a pessoa pode estar deprimida e não prestar atenção a coisas de que lembraria normalmente". Ele também defende que, para a maioria das pessoas com menos de 65 anos, a perda de memória não está relacionada a uma doença degenerativa. "Se você não se lembra de quem é sua mãe, eu me preocuparia, mas esquecer a reunião é normal. Para isso, há as agendas." Bottino lembra que outras doenças, como hipotireoidismo, podem causar problemas de memória. No caso, é preciso tratar a doença de base. Problemas no sistema circulatório, além de elevarem o risco de acidente vascular cerebral, também aumentam o risco de danos cognitivos no futuro. A perda de memória associada ao envelhecimento do tecido nervoso ocorre a partir dos 65 anos. Com essa idade, 1% da população já apresenta demência e, a cada cinco anos, a porcentagem duplica, segundo Coimbra. Em todos os casos, e em qualquer idade, os especialistas afirmam que o envelhecimento cerebral pode ser retardado, que é possível recuperar perdas da reserva funcional do cérebro, formar novas conexões e ter um desempenho melhor. "Cuidar do corpo como um todo, praticar atividades físicas e intelectuais estimulantes são passos fundamentais para isso", diz Bottino. Desses conselhos, é bom não se esquecer.

terça-feira, 15 de outubro de 2013

A Moça Tecelã - Por Marina Colasanti



Acordava ainda no escuro, como se ouvisse o sol chegando atrás das beiradas da noite. E logo sentava-se ao tear.

Linha clara, para começar o dia. Delicado traço cor da luz, que ela ia passando entre os fios estendidos, enquanto lá fora a claridade da manhã desenhava o horizonte.

Depois lãs mais vivas, quentes lãs iam tecendo hora a hora, em longo tapete que nunca acabava.

Se era forte demais o sol, e no jardim pendiam as pétalas, a moça colocava na lançadeira grossos fios cinzentos do algodão mais felpudo. Em breve, na penumbra trazida pelas nuvens, escolhia um fio de prata, que em pontos longos rebordava sobre o tecido. Leve, a chuva vinha cumprimentá-la à janela.

Mas se durante muitos dias o vento e o frio brigavam com as folhas e espantavam os pássaros, bastava a moça tecer com seus belos fios dourados, para que o sol voltasse a acalmar a natureza.

Assim, jogando a lançadeira de um lado para outro e batendo os grandes pentes do tear para frente e para trás, a moça passava os seus dias.

Nada lhe faltava. Na hora da fome tecia um lindo peixe, com cuidado de escamas. E eis que o peixe estava na mesa, pronto para ser comido. Se sede vinha, suave era a lã cor de leite que entremeava o tapete. E à noite, depois de lançar seu fio de escuridão, dormia tranqüila.

Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.

Mas tecendo e tecendo, ela própria trouxe o tempo em que se sentiu sozinha, e pela primeira vez pensou em como seria bom ter um marido ao lado.

Não esperou o dia seguinte. Com capricho de quem tenta uma coisa nunca conhecida, começou a entremear no tapete as lãs e as cores que lhe dariam companhia. E aos poucos seu desejo foi aparecendo, chapéu emplumado, rosto barbado, corpo aprumado, sapato engraxado. Estava justamente acabando de entremear o último fio da ponto dos sapatos, quando bateram à porta.

Nem precisou abrir. O moço meteu a mão na maçaneta, tirou o chapéu de pluma, e foi entrando em sua vida.

Aquela noite, deitada no ombro dele, a moça pensou nos lindos filhos que teceria para aumentar ainda mais a sua felicidade.

E feliz foi, durante algum tempo. Mas se o homem tinha pensado em filhos, logo os esqueceu. Porque tinha descoberto o poder do tear, em nada mais pensou a não ser nas coisas todas que ele poderia lhe dar.

— Uma casa melhor é necessária — disse para a mulher. E parecia justo, agora que eram dois. Exigiu que escolhesse as mais belas lãs cor de tijolo, fios verdes para os batentes, e pressa para a casa acontecer.

Mas pronta a casa, já não lhe pareceu suficiente.

— Para que ter casa, se podemos ter palácio? — perguntou. Sem querer resposta imediatamente ordenou que fosse de pedra com arremates em prata.

Dias e dias, semanas e meses trabalhou a moça tecendo tetos e portas, e pátios e escadas, e salas e poços. A neve caía lá fora, e ela não tinha tempo para chamar o sol. A noite chegava, e ela não tinha tempo para arrematar o dia. Tecia e entristecia, enquanto sem parar batiam os pentes acompanhando o ritmo da lançadeira.

Afinal o palácio ficou pronto. E entre tantos cômodos, o marido escolheu para ela e seu tear o mais alto quarto da mais alta torre.
— É para que ninguém saiba do tapete — ele disse. E antes de trancar a porta à chave, advertiu: — Faltam as estrebarias. E não se esqueça dos cavalos!

Sem descanso tecia a mulher os caprichos do marido, enchendo o palácio de luxos, os cofres de moedas, as salas de criados. Tecer era tudo o que fazia. Tecer era tudo o que queria fazer.

E tecendo, ela própria trouxe o tempo em que sua tristeza lhe pareceu maior que o palácio com todos os seus tesouros. E pela primeira vez pensou em como seria bom estar sozinha de novo.

Só esperou anoitecer. Levantou-se enquanto o marido dormia sonhando com novas exigências. E descalça, para não fazer barulho, subiu a longa escada da torre, sentou-se ao tear.

Desta vez não precisou escolher linha nenhuma. Segurou a lançadeira ao contrário, e jogando-a veloz de um lado para o outro, começou a desfazer seu tecido. Desteceu os cavalos, as carruagens, as estrebarias, os jardins. Depois desteceu os criados e o palácio e todas as maravilhas que continha. E novamente se viu na sua casa pequena e sorriu para o jardim além da janela.

A noite acabava quando o marido estranhando a cama dura, acordou, e, espantado, olhou em volta. Não teve tempo de se levantar. Ela já desfazia o desenho escuro dos sapatos, e ele viu seus pés desaparecendo, sumindo as pernas. Rápido, o nada subiu-lhe pelo corpo, tomou o peito aprumado, o emplumado chapéu.

Então, como se ouvisse a chegada do sol, a moça escolheu uma linha clara. E foi passando-a devagar entre os fios, delicado traço de luz, que a manhã repetiu na linha do horizonte.


Marina Colasanti (1938) nasceu em Asmara, Etiópia, morou 11 anos na Itália e desde então vive no Brasil. Publicou vários livros de contos, crônicas, poemas e histórias infantis. Recebeu o Prêmio Jabuti com Eu sei, mas não devia e também por Rota de Colisão. Dentre outros escreveu E por falar em amor, Contos de amor rasgados, Aqui entre nós, Intimidade pública, Eu sozinha, Zooilógico, A morada do ser, A nova mulher (que vendeu mais de 100.000 exemplares), Mulher daqui pra frente, O leopardo é um animal delicado, Esse amor de todos nós, Gargantas abertas e os escritos para crianças Uma idéia toda azul e Doze reis e a moça do labirinto de vento. Colabora, também, em revistas femininas e constantemente é convidada para cursos e palestras em todo o Brasil. É casada com o escritor e poeta Affonso Romano de Sant'Anna.

Texto extraído do livro “Doze Reis e a Moça no Labirinto do Vento”, Global Editora , Rio de Janeiro, 2000, uma colaboração da amiga Janaina Pietroluongo, da longínqua Oxford.

sábado, 12 de outubro de 2013

Do livro: Vazio Luminoso de Francesca Fremantle.


Já que não existe nada sobre o que meditar, não meditar em nada mesmo,
Já que não existe nada para ser perturbado, fique estável em obsequiosidade,
Olhe de maneira desapegada para o estado de não-meditação e não-perturbação.
Auto-consciência, auto-conhecer, auto-iluminar, brilha claramente:

Essa própria alvorada é chamada mente desperta. Se alguém olhou fundo o suficiente para a natureza da mente e é capaz de tornar-se como a base daquele estado, então se torna possível usar todas as percepções dos sentidos e toda a experiência da vida, para aumentar sua própria realização. Sem jamais perder de vista o vazio básico da mente, o que quer que aconteça é reconhecido como a exibição de seu aspecto luminoso. Esse é o caso durante nosso estado de vigília diário, durante sonhos e também após a morte durante o bardo. Torna-se especificamente importante reconhecer quando as visões do bardo aparecem. Se nos tornarmos acostumados a reconhecer o que quer que surja como uma expressão da natureza luminosa e vazia de nossa mente, então não seremos levados por nenhuma aparência, por mais impressionante ou aterrorizante que ela possa ser. Consciência de todas as aparências como mente, sem apego, Está desperta, embora ver e visto surjam. Aparências não são equivocadas, o erro vem através do apego; Conhecendo o pensamento de apego como mente, ele é auto-liberado. O texto continua: Não existe nenhuma aparência que não seja conhecida como originada da mente. Qualquer aparência que surja é a própria mente, desobstruída. Embora ela surja, como a água e as ondas do oceano, Já que elas não são duas, isso é liberado na natureza da mente. Nossa essência intrínseca é um estado da maior simplicidade, embora durante o processo de se revelar tenhamos de trabalhar com a complexidade e a confusão de nossas mentes, como elas são [estão] no presente. Pode parecer que ensinamentos como esse na verdade encorajem a não meditar ou fazer qualquer tipo de prática. Entretanto, as vidas dos grandes mestres dzogchen mostram que eles passaram muitos anos em retiro e fizeram esforços tremendos, antes que atingissem o estado espontâneo da consciência natural. Em adição, suas biografias revelam que tiveram uma fé e uma devoção extraordinárias a seus gurus e grande respeito por todos os estágios do caminho. Podem existir algumas poucas pessoas que, como resultado de práticas de vidas anteriores, possam penetrar direto na essência em um curto período de tempo, mas a grande maioria de nós precisa passar por um período mais longo de preparação. Para se basear no estado de não-meditação e não-perturbação [não-distração], precisamos praticar a meditação convencional primeiro, senão apenas permanecemos sob a influencia da perturbação/distração, quer estejamos conscientes disso ou não. Como diz o texto: Todos os seres são na realidade a essência desperta, Mas sem praticarem de fato eles não irão despertar. Mesmo que não possamos perceber aquela essência no presente, simplesmente sabendo a respeito dela e tendo fé nela fazem uma enorme diferença. Esses maravilhosos ensinamentos são como o sol num dia nublado: podemos ter completa confiança que o sol está sempre por trás das nuvens. A visão dzogchen pode impregnar subitamente todo caminho, qualquer que seja a prática na qual estejamos engajados e em qualquer estágio que tenhamos atingido. O texto conclui com este último conselho: Ver sua própria consciência de forma nua e direta, Essa Auto-liberação através da visão nua é muito profunda, Então comece a conhecer isso por si mesmo, sua própria auto-consciência!

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Praticando a Plena Consciência antes de chegar no trabalho.


"Muitas pessoas correm na parte da manhã e não tem tempo para comer. Eles pegam algo para comer no caminho para o trabalho, e comem no carro, no trem, ou em sua mesa quando chegam ao trabalho. Mas o café da manhã não é apenas para fornecer nutrientes ao seu corpo, é uma chance para desfrutar de comer, para alimentar-se, e para a prática de cultivar a gratidão e a conscientização. Quando você separa um tempo em casa para preparar o seu café da manhã, este tempo torna-se um tempo de prática. Você pode fazer tudo o que faz normalmente, mas você inspira e expira com atenção plena ao fazê-lo, seguindo sua respiração, tornando-se consciente do ar se movendo para dentro e para fora do corpo. Quando você pratica assim em sua cozinha, sua cozinha se torna uma sala de meditação.

Quando você toma seu café da manhã, mesmo que seja apenas algo frugal no início da manhã, coma de tal forma que a liberdade seja possível. Você pode mastigar cada pedaço em plena consciência, com alegria e liberdade. Enquanto comer, não pense sobre o que você tem que fazer a seguir ou todas as coisas que tem que fazer naquele dia. Sua prática é apenas estar presente para o seu café da manhã. Ele está ali para você e você tem que estar presente para o seu café da manhã. Desta forma, você pode tocar profundamente o que está bem na sua frente. O que existe é a consciência de você mesmo e o fato de que você ainda está vivo. O que existe é o seu café da manhã, um presente da terra e do céu. O que existe também pode incluir seus amigos ou sua família, sentando e apreciando o café da manhã junto com você.

Quando eu pego um pedaço de pão, gosto de olhar para ele e sorrir. O pedaço de pão é um embaixador do cosmos, oferecendo alimentação e apoio. Olhando profundamente o pedaço de pão, eu vejo a luz do sol, as nuvens e a Mãe Terra. Sem a luz do sol, sem a água, sem o solo, o trigo não pode crescer. Sem as nuvens, não haveria chuva para as culturas do trigo.

Sem a Mãe Terra apoiando toda a vida, nada poderia crescer. É por isso que o pedaço de pão que eu tenho em minhas mãos é uma verdadeira maravilha da vida. E ele está ali para nós, por isso temos de estar presentes para ele também. Coma com gratidão. Quando você coloca um pedaço de pão em sua boca, mastigue somente o teu pão e não seus projetos, preocupações, medos ou raiva. Esta é a prática da atenção plena. Você mastiga conscientemente e sabe que está mastigando o pão, o alimento maravilhoso da vida. Isto lhe traz liberdade e alegria. Coma cada pedaço do seu café da manhã assim, não permitindo se distrair da experiência de comer.

Em Plum Village, centro de meditação e prática no sudoeste da França, onde moro, temos um momento antes de comer para contemplar nossa comida. Mesmo se só possuímos um tempo muito curto para comer, ter um período de tempo para primeiramente contemplar o nosso alimento torna o momento em que o comemos muito mais agradável. Aqui estão as Cinco Contemplações que usamos, caso de você queira mantê-las sobre sua mesa e usá-las também.

As Cinco Contemplações

1. Este alimento é presente de todo Universo, ele veio da terra, do céu, de numerosos seres vivos e de muito trabalho árduo.

2.Que possamos comê-lo em plena consciência e com gratidão a fim de sermos dignos de recebê-lo.

3.Que possamos reconhecer e transformar nossas formações mentais não saudáveis, principalmente nossa ganância, e aprendermos a comer com moderação.

4.Que possamos manter nossa compaixão viva através de uma alimentação que alivie o sofrimento dos seres vivos, preserve nosso planeta e reverta o processo de aquecimento global.

5. Aceitamos este alimento para que possamos nutrir e fortalecer nossa Sangha e cultivar nosso ideal de servir a todos os seres.

Quando você vai para o trabalho na parte da manhã, tem uma oportunidade maravilhosa de tomar conhecimento de todo o mundo ao seu redor. Você abre a porta e sai para o ar fresco. Aqui está a sua chance de estar em contato com a terra, o ar e o céu. Seu primeiro passo para fora da porta já pode ser um passo em liberdade. Você não tem que ir para uma sala de meditação e abrir a porta para estar no mundo da meditação. Cada passo na Terra pode nos trazer muita felicidade, paz e liberdade.

O mesmo é verdadeiro para a respiração. Se soubermos como respirar conscientemente, cientes de nossa inspiração e expiração, cada respiração nos trará felicidade. As pessoas que têm asma ou que têm dificuldade de respiração entendem o dom precioso que é ser capaz de respirar com facilidade. Se você pode respirar suavemente, então saboreie cada respiração. Não perca um momento. Cada respiração traz felicidade, cada passo traz liberdade. Quando andamos e respiramos assim, não nos sentimos presos em nossa rotina diária ou indo para o trabalho. Em vez disso, nos sentimos livres e somos gratos por nossas vidas.

Nos Contos de Jataka, uma das primeiras coleções de literatura budista, podemos ler sobre as vidas passadas do Buda. Nessas histórias, o Buda aparece em diferentes manifestações, por vezes, como um cervo, um macaco, uma pedra ou mesmo uma mangueira. Em cada uma dessas manifestações, seja animal, vegetal ou mineral, podemos ver um Bodhisattva, um ser de grande compaixão. Quando vamos para a nossa porta da frente e damos os primeiros passos na terra, mesmo que ela esteja coberta de concreto ainda podemos ver e sentir a natureza em torno de nós, e podemos reconhecer que a natureza também é um bodhisattva. Quando olhamos profundamente para uma árvore, podemos ver que a árvore nos oferece sua beleza e que nutre e sustenta a vida. Suas folhas ajudam a limpar o ar que respiramos e fornecem um lugar seguro de refúgio para muitas aves.

Há bodhisattvas ao nosso redor e todo o nosso planeta Terra é um Bodhisattva. Ele nos  conduz muito solidamente. É muito paciente e não discrimina. Não importa o que joguemos na terra, ela abraça e aceita sem discriminação. Se jogamos flores perfumadas ou óleo perfumado sobre a terra, ou se jogamos urina, excremento ou outras substâncias impuras, a Terra pode absorver e transformar todas essas coisas. Ela tem uma grande capacidade de ser paciente e suportar. Oferece o que nos alimenta e suporta toda a vida. Dá-nos água, nos dá o ar para respirar e comida para comer. É um verdadeiro bodhisattva. Toda vez que sairmos pela porta, mesmo se estivermos apenas no caminho para o nosso carro a fim de irmos ao trabalho, podemos gastar um tempo para perceber que o grande Bodhisattva Terra está ao nosso redor, nos nutrindo e nos sustentando.

Talvez você consiga passar o início do dia de uma maneira agradável, descontraída e consciente, mas assim que você começa o seu trabalho, esquece tudo! Isso pode acontecer facilmente dirigindo-se para o trabalho no tráfego na hora do rush. Mas se você estiver em um trem ou um ônibus, terá uma oportunidade maravilhosa de apenas senta-se e estar ciente de sua inspiração e sua expiração. Você pode até mesmo fechar os olhos ou mantê-los baixos se isso te ajudar a se concentrar em sua respiração.

Se você for dirigindo para o trabalho, separe um momento ao entrar no carro, antes de colocar a chave na ignição, para lembrar a sua intenção de ser calmo, relaxado e atento ao dirigir, e não estressado ou com pressa.

Antes de ligar o carro,
Eu sei para onde estou indo.
O carro e eu somos um.
Se o carro vai rápido, eu vou rápido.

Esta consciência pode ajudá-lo a desfrutar de toda a viagem. Use cada sinal vermelho ou sinal de pare como uma oportunidade para respirar conscientemente e voltar ao momento presente. Pode ser comum pensar na luz vermelha do sinal como sua inimiga, impedindo-o de atingir seu objetivo de chegar ao trabalho na hora certa. Mas, na verdade, a luz vermelha é sua amiga, ajudando você a resistir ao impulso de correr e chamando-o de volta para o aqui e agora.

Na próxima vez que você estiver preso no trânsito, seja na estrada ou no meio da cidade, não lute. Apenas aceite. É inútil lutar. Sente-se e sorria para si mesmo. Saiba que você está vivo e que o momento presente é o único momento da vida disponível para você. Não o desperdice. Saiba que este momento tem o potencial para ser uma maravilha.

Quando você dirige para o trabalho, desta forma, sem pensar em seu destino ou no que vai fazer quando chegar, pode desfrutar de cada momento na direção. Antes de começar o meu trabalho diário de ensinar, eu não me preocupo com que perguntas as pessoas podem me fazer ou como eu poderia respondê-las. Em vez disso, do meu quarto para o lugar onde eu ensino, eu desfruto de cada passo e cada respiração totalmente, e vivo cada momento da minha caminhada profundamente. Quando chego, me sinto refrescado e pronto para oferecer respostas a todas as perguntas que são feitas.

Se você chegar no trabalho tendo praticado plena consciência enquanto se prepara em casa, e também no seu caminho para o trabalho, você vai chegar lá de uma forma muito diferente, mais feliz e mais relaxado. Você então poderá pensar de forma diferente sobre o seu trabalho e colegas de trabalho, e poderá encontrar fontes inesperadas de satisfação e alegria."

(Do livro ”Work” de Thich Nhat Hanh)
(Tradução para o português: Leonardo Dobbin)
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segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Malas: How to use Tibetan Prayer Beads

Um Altar em Casa - Kyabje Bokar Rinpoche


Para atingirmos a iluminação verdadeira, totalmente pura, perfeita e onisciente, é necessário unir as duas acumulações: de mérito e de sabedoria. Sem esta dupla acumulação, a iluminação não é possível. A acumulação de mérito é de tal importância que, sem ela a acumulação de sabedoria não poderia existir. Existe uma relação interativa entre o mérito e a sabedoria. A acumulação de mérito situa-se no campo conceitual, sendo também chamada de “meios”. A acumulação de sabedoria é não conceitual, ela também é designada por “conhecimento”. Se nós falarmos de “meios-conhecimento” ou de “mérito-sabedoria”, o sentido é o mesmo. Entre cada um destes termos existe uma colocação. Diz-se: “sem se apoiar no relativo, impossível de atingir a iluminação; sem se apoiar na iluminação, impossível de atingir a liberação.” Para atingir a iluminação, é necessário então unir as duas acumulações. Para nós que somos principiantes, é na acumulação de méritos que devemos nos dedicar mais, pois ela nos permite progredir rapidamente.
No contexto das oferendas que nós apresentamos no altar, a acumulação de mérito faz referência a três pontos:
1- O objetivo de acumulação: são os Budas e os Bodisatvas, o campo de mérito superior das qualidades inimagináveis. Primeiro é necessário ter fé e devoção para com eles.
2- A intenção perfeitamente pura: devemos pensar que estamos fazendo essas oferendas com o objetivo que nós mesmos e todos os seres possamos fazer as duas acumulações e atingir a Iluminação.
três- A matéria perfeitamente pura: são as oferendas materiais e as oferendas produzidas pela imaginação. As oferendas materiais são constituídas pela série tradicionalmente chamada “as sete oferendas”, mesmo que sejam oito, as duas primeiras reunidas para contarmos como uma. Estas oferendas são: a água para beber, a água pura ou para lavar, as flores, o incenso, a luz (a lamparina), a água perfumada, a comida e a música. Cada uma correspondente a uma parte da realização da essência da natureza da mente.
* A água para beber: ela possui 8 qualidades ( frescura, sabor, limpidez, ...) Quando a oferecemos, pensamos que com ela oferecemos todos os rios, os mares e todas as águas puras do universo. É a oferenda representada à boca dos Budas. Ela terá como resultado diminuir a sede produzida pelo calor das paixões.
* A água pura ou água para lavar é oferecida aos corpos dos Budas e Bodisatvas. Oferecê-la lavará nossa mente das negatividades e dos véus que a deturpam.
* As flores: aos olhos dos Budas e Bodisatvas nós oferecemos as flores colocadas no altar, assim como todas as flores do mundo. Por esta oferenda, se abrirá em nossa mente o lótus da felicidade.
*O incenso: nós oferecemos o incenso do altar, assim como todos os perfumes, naturais ou preparados, que perfumam o universo. Com esta oferenda, nós realizaremos a não realidade de todos os fenômenos, similares a um sonho ou a uma criação mágica.
*A luz: além da lamparina a óleo ou da vela acesa no altar, nós oferecemos o sol, a lua, as estrelas, todas as luzes naturais ou artificiais que iluminam o mundo. Com isso nós realizaremos o ser da clara luz.
*A água perfumada: oferecida ao corpo de Buda como todas as essências e todos os perfumes do mundo, ela conduz à realização da vacuidade última de todos os fenômenos, unido à compaixão para com todos os seres que sofrem por não possuírem esse conhecimento.
*A comida: estão colocados no altar, todos os alimentos saborosos e nutritivos. Daqui nascerá a realização da força das sabedorias e das qualidades da Iluminação.
*A música: pelos objetos que a representam são oferecidas todas as músicas e todas as harmonias do universo. Esta oferenda atingirá por conseqüência a realização do som próprio da realidade última e a alegria das qualidades da palavra da Iluminação.
Nós fazemos estas oferendas com alegria, fé e minúcia. “O estado de espírito” já desenvolverá um fruto rápido e poderoso. Estas oferendas não são limitadas. Podemos também oferecer riquezas e bens materiais, o que nos ajudará a nos purificar. Por outro lado, o esforço físico que temos nas oferendas (encher os potes, esvaziá-los, limpá-los) contribui para a purificação dos atos negativos executados pelo corpo. Atingir a Iluminação é obter os dois corpos de Buda: o corpo absoluto e o corpo formal (que se apresenta sob dois aspectos: corpo de glória e corpo de emanação). A acumulação de mérito nos leva a conseguir o corpo formal. A acumulação de sabedoria, isto é, a meditação sobre a não realidade dos fenômenos, sobre a natureza da mente e sobre a vacuidade, nos leva a conseguir o corpo absoluto. Assim se diz:
“Por esta virtude possam todos os seres unir o mérito e a sabedoria, e obter os dois corpos santos que resultam do mérito e da sabedoria”. Se não efetuarmos as duas acumulações, não obteremos os dois corpos e não obter os dois corpos, quer dizer não obter a iluminação.
Tilopa dizia a Naropa:
“Enquanto a realidade não nascida não é atingida, a qual é ligada a aparência dos fenômenos,
das duas acumulações, similares a duas rodas de uma carroça, Naropa, não te separe jamais”.
Comentário de Bokar Tulku Rinpoche:
Um pequeno altar em casa, para que? Para falar a verdade, os Budas, Bodisatvas, os seres liberados e todas as expressões da Iluminação não precisam de nossas oferendas. Eles derramam suas bênçãos permanentemente. Mas o vaso ou o pote que nós somos está quase sempre virado para baixo: a benção cai no fundo e escorrega pelos lados, nada penetra. Se os Budas não precisam de nossos sentimentos para nos abrir as portas de sua compaixão, nós precisamos, dirigir a eles nossos pensamentos para receber a luz. A oferenda é um meio precioso para fazer funcionar esse movimento para com os Budas. Tantas coisas, pequenas e grandes, preenchem nosso cotidiano e nossa mente, que para pensar nos Budas e no Mestre, nos resta muito pouco tempo. Assim, se ocupar regularmente, com amor e carinho, de um pequeno altar, já é uma certeza de pensar pelo menos por alguns instantes neles todo dia. E ainda, a cada vez que nós vemos o altar nos lembramos de sua presença. Nossa casa se torna um pouco a casa deles. Mas por que, nós podemos perguntar, todos esses objetos, essas manipulações, essa limpeza exterior? Não é o espírito que conta? Sim é o espírito. Mas em nossa casa, os objetos nos lembram uma viagem, as fotos nos lembram uma determinada pessoa. A disposição dos móveis e das coisas cria o ambiente que tanto gostamos. Porque nosso espírito não se basta com a lembrança da criança amada? Porque nosso espírito precisa de uma mesa de mogno, de papel de parede pintado de flores e de cortina de veludo para se sentir à vontade? Temos que admitir, os objetos ocupam na nossa vida, isto é, em nosso espírito, um lugar importante. Nós temos tanto zelo ao escolhê-los! Então por que não deixá-los nos falar um pouco sobre o sagrado! Quando nós renunciamos a todos os objetos deste mundo, como Milarepa, pode ser que também não precisaremos mais destes objetos sagrados. Enquanto isto, a escolha do que nos envolve tem grande influência em nossa mente. “Objetos inanimados, vocês têm então uma alma?” Fazer oferendas, por mais simples que elas sejam, no altar, representa em primeiro lugar a nossa consideração às diversas expressões da Iluminação. Quando presenteamos um amigo, o objeto vale menos do que ele representa: nossa amizade e nossa estima. Nós também não sentimos necessidade de dar uma forma material ao nosso sentimento. A oferenda, também tem seu significado muito mais baseada na atitude interna de nosso gesto: fé, confiança, devoção, respeito, humildade do que no próprio objeto. O exemplo de Gueshe Ben ficou famoso no Tibet. Gueshe Ben era um monge em retiro, seguidor de um generoso mestre. De bom coração e boa mente, ele, porém não era aplicado. Ele tinha descuidado tanto de seu altar, que de oferendas só tinham o nome. Cobertas de manchas e de poeira, totalmente indignas da glória dos Budas para quem eram destinados. Eis que um dia seu mestre lhe anuncia sua visita. Logo aparecem na mente de Gueshe Ben: impossível receber seu benfeitor nesta desordem, que visto por este prisma lhe dava vergonha. Assim, ele pôs-se a limpar o altar, tirou o pó, esfregou as manchas deixadas pela manteiga das lamparinas e poliu. Tudo ficou brilhando. Como o mestre iria ficar contente! Feliz com certeza o mestre ficaria, mas o fato é que esta sua atitude era uma hipocrisia. Sem hesitar, ele pegou o barro, encheu as mãos e começou a jogar no altar que ele havia limpado com tanto vigor. E assim foi dito que a oferenda feita dessa maneira foi a mais bela oferenda que ele podia apresentar. A oferenda permite desenvolver as virtudes espirituais, pois ela participa das duas acumulações:
Acumulação de mérito: todo ato “positivo” produz mérito, isto é um potencial kármico carregado de felicidade e se nossos anseios vão nesse sentido, orienta nossa mente para a liberação. Nós precisamos desse mérito. Costuma-se dizer que o acumulo é tão importante quanto o objeto ou a pessoa a quem se dirige o ato positivo é sagrado.
Acumulação de conhecimento primordial: o conhecimento primordial é a descoberta que o ser faz sobre sua própria natureza, além de toda dualidade. A oferenda contribui no desenvolvimento deste conhecimento a medida que nos aprofundamos na compreensão que, do ponto de vista superior, quem oferece, o objeto oferecido e a quem oferecemos são na essência um só. Vivendo, no momento, na ignorância e na dualidade, nós enxergamos o Buda como externo e ele nos aparece como tal. Quando nós deixamos de ser alienados, nos tornando o que somos realmente, então nós seremos o Buda ”Iluminado“ e os conceitos de externo e interno, de um ou múltiplo, de eu e outro se apagarão.
Material necessário:
Nós temos no presente livreto o método para montar um pequeno altar, bem simples, assim como algumas dicas e receitas, as quais o leitor nos desculpará a simplicidade. O autor dessas linhas, não sendo muito jeitoso, procurou facilitar o trabalho de seus irmãos desajeitados. 
Resumindo, o que é necessário?
Um suporte
Uma estátua ou foto
Sete potes
Uma lamparina a óleo
Pavio de lamparina
Água
Arroz
Flores
Incenso
Uma fruta ou biscoitos
Um pequeno instrumento musical ou concha
Óleo
Nada muito difícil de achar. O principio é simples: a estátua (ou a foto) representa de maneira visível a Iluminação, a transcendência, diante de quem são apresentadas as oferendas, manifestação de nossa devoção.
O suporte: uma prateleira, a parte de cima de uma cômoda, o apoio de uma lareira servem muito bem. A orientação do altar não importa muito. Por definição, ele está sempre a Leste: não o leste geográfico, mas o leste interno. Se diz: “Onde se vê o yogui? Onde é o leste.” A educação budista pede que tudo que respeitamos se coloque no alto. Assim não colocamos o altar perto do chão, mas na altura da cintura ou mais acima. A mesma educação considera uma ofensa esticar as pernas em direção a um Lama ou a uma representação sagrada. Dessa maneira, não podemos colocar o altar ao pé da cama. Se for necessário, nós podemos cobrir o altar com um belo tecido (cor de vinho, amarelo, branco,...) e se quisermos podemos colocar acima um vidro feito sob medida. É mais fácil de limpar: basta limpar com um pano úmido. A estátua ou uma foto: o espírito de um ser Iluminado tem em comum com o espaço, ser onipresente e infinito. Nada impede que nós gostemos de encontrá-lo num corpo igual ao nosso, e que, sem esse encontro a comunicação seria bem difícil. Assim, sabendo que nossas oferendas são dirigidas à Iluminação onipresente e infinita, nós a tornamos mais acessível por uma representação simplesmente presente e finita. Nós colocamos no altar, eventualmente, um pouco acima do suporte principal, uma estátua ou uma foto, normalmente de Buda, mas também pode ser de Tchenrezi, de Tara, de Mandjurshri, de outro Yiedam ou de um mestre espiritual do passado ou do presente. Nós podemos, é claro, colocar vários: as manifestações da Iluminação são infinitas. Neste caso a estátua de Buda ocupa o lugar central e mais alto. A estátua pode ser pintada: o rosto e o pescoço de cor de ouro, os cabelos azul escuro e não preto . Pode também estar vestida de um quadrado de brocado amarelo. A foto pode ser envolvida de uma kata (echarpe de seda branca). Em todo caso, é muito importante que elas sejam “vivas” e para isso, abençoadas. Mais do que uma simples representação, elas se tornam a partir daí, a presença mesmo do que elas representam. A estátua ganha vida estando “recheada”: nós colocamos dentro mantras escritos e, se conseguirmos, relíquias, substâncias sagradas e materiais preciosos (ela tem que ser então oca). O melhor seria pedir a um Lama executar esse processo. Não esqueça de acrescentar ao seu pedido uma oferenda, como pede o costume. Quanto a uma foto, seja ela uma representação de uma tangka ou uma foto de um mestre, ela é abençoada por uma inscrição no verso, uma abaixo da outra as três sílabas OM, AH, HUNG, (respectivamente situadas na testa, na garganta e no coração) em tibetano, que traduzidas representam o Corpo, a Fala e a Mente de Buda. Nós podemos fazer nós mesmos ou pedir a um Lama.

Origem das oferendas
Aí está então colocada a representação viva daquele ou daqueles a quem dirigimos nossas oferendas. Nós vamos colocar na frente dela as oito oferendas tradicionais. Da esquerda para a direita: a água para beber, a água pura, as flores, o incenso, a luz, a água perfumada, a comida, a música. Assim são sete potes e uma lamparina. Há muito tempo atrás, Na Índia, quando um convidado muito importante era recebido no palácio de um rajah, para aliviá-lo do calor da viagem lhe ofereciam primeiro algo para beber, para tirar a poeira da estrada lavava-se seus pés em segundo; depois para descansar e também para demonstrar a estima que se tinha por ele, lhe eram apresentados as flores, o incenso, as luzes, os perfumes. Enfim lhe ofereciam uma refeição ao mesmo tempo em que os músicos o divertiam com suas harmonias. Que hóspede de maior dignidade e gloriosa majestade podemos receber se não a manifestação para nós visível da Iluminação infinita? Também nós lhe apresentamos, com o maior respeito, estas mesmas humildes oferendas.

A escolha dos potes
É necessário uma série de sete potes idênticos, de tamanho adequado ao altar, geralmente, pequenos. Mas o material será valioso, bonito e nobre, mais a nossa oferenda será valiosa, bonita e nobre. No Tibet, os potes eram por tradição de prata ou cobre e do mesmo formato. Hoje nós encontramos na Índia esses mesmos potes e, de vez em quando, em alguns centros de Dharma na Europa. A prata é sem dúvida o melhor material, em razão do seu valor. Esse grande valor é, porém um fator que encarece e às vezes fica inviável. Mas se vocês têm meios de adquirir não hesite. Os potes de cobre têm a vantagem de serem confeccionados da maneira tradicional e bem esfregados brilham muito. Mas eles emboloram rapidamente e exigem muito cuidado. Nos resta o que podemos encontrar mais facilmente. Cristal, vidro, porcelana ou mesmo metal prateado, é possível encontrar coisas muito bonitas. A regra básica: que seja belo, digno e limpo. Vamos examinar agora as oito oferendas uma a uma:

Primeiro e segundo potes - Água para beber e água pura
Na prática, mesmo que o objetivo seja diferente, a mesma água serve para encher os dois primeiros potes: uma água clara, limpa e potável. Nós podemos tornar a oferenda mais preciosa preparando água com açafrão.

Receita de água com açafrão:
Colocar uma pitada de açafrão, de preferência em pedacinhos, e deixar ferver em 1 litro de água. Deve-se colocar açafrão suficiente para obter uma bonita coloração amarelo-alaranjado. O açafrão em pedaços é mais aconselhável do que em pó para obter um resultado melhor, porém é difícil de encontrar e muito caro. Preparar a água com açafrão todas as manhãs seria o ideal. O melhor é preparar o suficiente para encher uma garrafa e utilizar um pouco todos os dias. Nós veremos, mais tarde, como encher os potes cada manhã e esvaziá-los a cada noite.

Terceiro pote: As flores
Quando um pote não está destinado a conter água nós enchemos de arroz sobre o qual colocamos o objeto oferecido, nesse caso a flor. O melhor é usar arroz branco redondo de preferência. Podemos, como para a água enriquecê-lo com açafrão.

Receita de arroz com açafrão:
Ingredientes: 1 kg de arroz cru e açafrão
Preparar, primeiro, 100 ou 200 ml. de água com açafrão bem concentrada. Utilizaremos a água quente ou fria, isso não tem importância. Lavar bem o arroz e depois deixar secar espalhando numa bandeja. Uma vez seco, colocar numa tigela, jogar aos poucos a água com açafrão, sem encharcar, sovar o arroz até que ele pegue uma cor amarelada. O pote será primeiro preenchido de arroz, depois coloca-se uma ou duas flores, naturais ou de seda. Pode-se também colocar sobre o arroz um pequeno vaso com flores. Além desse vaso, podemos enfeitar o altar com um bouquet ou um vaso bem florido.

Quarto pote: O incenso
O quarto pote recebe o incenso basicamente são colocadas algumas hastes de incenso no arroz. Incenso tibetano, indiano, japonês, ou qualquer um do nosso gosto. Atenção: este incenso colocado no arroz não pode ser queimado. O incenso a ser queimado é colocado num outro recipiente, como, por exemplo, um pote comum, cheio de arroz ou de areia, posicionado no chão em frente ao altar. Ascenda o incenso que preferir. Uma haste de incenso que se quebra ou que cai deixa um rastro forte no chão. É melhor colocar um prato largo o suficiente em baixo do pote que tem o incenso a ser queimado.

A luz
As lamparinas tibetanas à base de manteiga, na maioria das vezes, são de prata ou cobre. Por ser difícil de encontrar, podemos substituí-las por um recipiente de vidro ou cerâmica. O vidro tem a vantagem de deixar a chama visível mesmo quando o nível do óleo diminui. Aliás, é mais prático encher o recipiente de óleo de que de manteiga. Um óleo de boa qualidade se torna uma oferenda mais bela e generosa do que se colocado um óleo de qualidade inferior. É aconselhável colocar um pires embaixo do recipiente caso espirre ou transborde o óleo. Para uma chama ideal, o melhor é encontrar um "pavio" especial geralmente encontrado em lojas de artigos religiosos. É também aconselhável colocar água no fundo do recipiente. Assim o "pavio" não queimará e também evitaremos que o recipiente esquente demais quando o "pavio" chegar perto do fundo. Dessa maneira uma lamparina a óleo pode ficar acesa dia e noite sem perigo. Podemos eventualmente substituir a lamparina por uma vela, ou por uma "vela elétrica" ou também por uma lâmpada de potência fraca. A desvantagem das velas é que não duram muito e pode ser perigoso deixar queimando na nossa ausência. A tradição pede que não se assopre nunca uma vela, pois seria apagar a chama de sua própria vida. Apagamos então a vela com um gesto dos dedos, ou chacoalhando ou ainda com a ajuda de um objeto específico (uma colher pequena, por exemplo).

Quinto pote - A água perfumada
É a mesma água que os dois primeiros potes. Podemos acrescentar algumas gotas de perfume: água de rosas, lavanda, etc. Alguns perfumes reagem na água e outros podem prejudicar os metais, portanto é melhor ter cuidado.

Sexto pote - A comida.
O pote está cheio de arroz, sobre o qual colocamos uma bela fruta, um biscoito, etc. O ideal é trocar a oferenda antes que se estrague. Podemos também colocar nesse pote uma pequena forma de farinha, chamada chelzé, representando a oferenda da comida.

Sétimo pote - A música
Colocamos sobre o arroz que preenche o pote o símbolo de um instrumento musical, o mais freqüente uma concha ou um pequeno sino.

Os sete potes devem estar precisamente alinhados e separados um do outro por um espaço do tamanho de um grão de arroz; costuma-se dizer que o espaço muito grande entre os potes representa um distanciamento do mestre. A luz é colocada seja na frente da estátua (atrás dos potes), seja entre o 4º e o 5º pote.

Método para as oferendas quotidianas:
Os potes contendo água são cheios a cada manhã e são esvaziados a cada noite. Os que contêm arroz permanecem continuamente. Podemos renová-los a cada lua cheia. O arroz pode ser dado aos pássaros, aos peixes ou outro animal.
Manhã:
Os três potes de água estão vazios e virados para baixo. Para enchê-los nos servimos de um recipiente especialmente para isso e enchemos os potes da esquerda para a direita. Vire o primeiro pote e coloque a água equivalente à 1/3 da quantidade total. Depois vire o 2º pote e segurando o 1º jogue um pouco da sua água no 2º pote. Fazer o mesmo para o terceiro pote, dessa vez, jogando a água que está no 2º pote. Fazer isso de maneira que cubra o fundo dos potes. Depois é só encher os potes de água quase até a boca. Após tudo isso se deve abençoar as oferendas. Nós podemos fazê-lo seguindo diversos métodos, os quais veremos aqui os mais simples. Para fazer a bênção, nós podemos pegar um pouco da água do pote de água perfumada (5º pote), seja mergulhando uma haste de incenso, seja umedecendo o anular direito, espirramos nas oferendas. Ao mesmo tempo, recitamos três vezes o mantra OM AH HUNG (representando o Corpo, a Fala e a Mente dos Budas). Um método mais elaborado consiste em dizer três vezes o mantra RAM YAM KAM OM AH H.UNG. Neste caso as três primeiras sílabas purificam e as três seguintes abençoam. RAM representa o fogo que queima as impurezas, YAM o vento que as varre e KAM a água que lava. Após a benção, em sinal de homenagem, fazemos três prostrações em frente ao altar.
Noite

Esvaziamos os potes de água da direita para a esquerda, depois os enxugamos e os viramos para baixo até a manhã seguinte. Nós jogamos essa água num lugar limpo: na natureza, num pote de flor ou se não tiver opção na pia. Existe um método de oferendas simplificado, que consiste em encher sete potes somente de água. Nesse caso enchemos os sete potes cada manhã e esvaziamos a cada noite.

terça-feira, 1 de outubro de 2013


Família

Pergunta: Como podemos garantir que nossas vidas em casa fiquem em paz, mesmo quando o mundo lá fora não está?

Thich Nhat Hanh: Em cada casa deve haver uma sala, você pode chamá-la de sala de respiração, sala de meditação ou a ilha de paz. Muitos de nós não tem espaço extra ou um quarto adicional que podemos usar apenas para isso. Nesse caso, até mesmo um pequeno canto de um quarto pode funcionar como uma ilha pacífica. A qualquer tempo os membros da família que não se sentirem seguros, estáveis ou fortes, podem se refugiar nesta ilha de paz. Ela não precisa ser muito grande e não precisa de muitos móveis; apenas algumas almofadas, um sino e uma flor. A flor representa a frescura, beleza e esperança.

Toda vez que estiver perturbado por sua raiva ou frustração, mesmo sendo uma criança, você tem o direito de se refugiar na sala. Qualquer casa civilizada deveria ter um quarto assim. Esse é um território de paz, um lugar para se refugiar na ilha de si mesmo. No momento em que esta "ilha" é estabelecida, você, e outros também, começam a lucrar com isso. Quando você entra nesse quarto, se sente em um território de paz interior.

Se os pais estão brigando e fazendo com que o seu filho sofra, a criança pode querer sair daquele lugar e ir para o canto ou quarto da respiração Ela pode entrar, convidar o sino e praticar a respiração consciente. Ela pode refugiar-se na paz que está lá. E se a criança está praticando assim, os pais podem parar de brigar um com o outro quando ouvirem a campainha e sentirem a necessidade de fazer a criança parar de sofrer. Assim, a prática de uma pessoa pode ajudar o resto da família.

Quando um dos parceiros está irritado com o outro, um deles pode ir para o quarto e praticar a respiração consciente e ouvir o sino para se acalmar. Essa prática vai inspirar o filho e inspirar o casal também. Antes de começar o dia, toda a família pode gastar alguns minutos na sala de respiração olhando um para o outro com atenção plena, felizes e desejando uns aos outros um dia feliz. Você vai ter começado bem o dia por ter se acalmado, olhado para os outros, e reconhecendo os outros como preciosos. Antes de ir dormir, você pode gastar alguns minutos ouvindo o sino e respirando juntos, como uma família.

E cada vez que a família tiver a necessidade de ouvir o outro, você pode usar o lugar para praticar o sentar atentamente e ouvir profundamente o sofrimento da família. Quando o filho se refugia nesse território, o pai não tem mais o direito de persegui-lo e chamá-lo. É algo parecido com imunidade diplomática. Quando você entrar nesse território, ninguém pode repreendê-lo ou fazer-lhe mais perguntas.

Pergunta: Como podemos criar nossos filhos a serem mais conscientes e compassivos?

Thay: Se os pais praticam a atenção plena e compaixão em suas vidas diárias, os filhos vão aprender naturalmente com eles. Não podemos dizer para uma criança fazer algo se não fizermos nós mesmos. Quando eu ando com atenção plena e respiro conscientemente, meus alunos, seguem-me, caminhando conscientemente e respirando conscientemente. Às vezes, eu devo lembrá-los suavemente, mas é natural que quando vêem um idoso praticando, eles sigam a prática. De tempos em tempos os pais podem discutir plena consciência (mindfulness) e compaixão com os seus filhos, e expressar seu desejo de que seus filhos continuem a viver em plena consciência e com mais compaixão.

Quando você usa fala amorosa, pode regar as boas sementes em seus filhos e inspirá-los a fazer o que você tem feito. Você não tem que puni-los ou culpá-los. Com a linguagem correta e seguindo a sua própria prática, seus filhos vão ver, e eles irão segui-lo.

Pergunta: Minha filha adolescente é ansiosa e facilmente perturbada. O que posso fazer para acalmar suas emoções turbulentas?

Thay: Muitos jovens não conseguem lidar com suas emoções. Eles sofrem muito. O que os pais podem fazer é ensinar a seus filhos que as emoções são como uma tempestade, pois elas vêm, ficam por um tempo, e depois seguem em frente. Se soubermos ser o nosso melhor durante estes momentos, podemos enfrentar as tempestades com mais facilidade. A prática da respiração profunda, respirando com a barriga, pode ajudá-los a lidar com emoções fortes. É bem possível ensinar sua filha a fazer isso.

Quando a vir em crise, você se senta com ela e diz: "Querida, pegue minha mão, vamos praticar inspirando e expirando? Inspirando, seu estômago está crescendo. Você vê o seu estômago subindo Expirando, seu estômago está caindo. Vamos fazer novamente: dentro, fora, subindo, descendo". Em poucos minutos, ela vai se sentir muito melhor, porque você trouxe a sua atenção e sua estabilidade para apoiá-la. Mais tarde, ela será capaz de fazer isso sozinha.

A prática não é difícil. As crianças e adolescentes podem aprender. Não devemos esperar por fortes tempestades chegar, a fim de iniciar a prática. Esta prática deve ser iniciada imediatamente. Se vocês continuarem a praticar juntos por duas ou três semanas, todos os dias, durante cinco ou dez minutos, a prática da respiração abdominal profunda, sem pensamentos, vai se tornar um hábito. E depois disso, quando a emoção estiver prestes a chegar, a criança vai saber o que fazer. Ela vai ver que ela pode facilmente sobreviver a suas emoções.

P. O meu filho adolescente e eu discutimos o tempo todo. Como posso parar essas lutas?

Thay: A primeira coisa que você pode fazer é olhar para si mesmo, para ver se você tem bastante energia de calma para ajudar a acalmá-lo quando ele está em sua presença. O problema pode não estar apenas com o filho, mas também dentro do pai. Se o pai não é pacífico, isso pode desencadear emoções negativas no filho, especialmente se houver sementes negativas plantadas nele.

No passado pode ter havido momentos em que você ficou irritado e reagiu a partir de um estado de irritação, e isso depositou essas sementes nele. Você tem que desfazer isso no momento presente. Ser amoroso e calmo e ter a capacidade de ouvir pode absorver uma grande quantidade de sofrimento. Se você puder estabelecer uma conversa para falar sobre as dificuldades dele, praticando escuta compassiva e profunda, isto irá ajudar a remover os tipos de energias que o estão fazendo sofrer. Se você tiver bondade amorosa e a energia da paz em você, mesmo sem falar, você pode influenciar uma outra pessoa e ele ou ela vai se sentir melhor só de estar com você.

Pergunta: Algumas pessoas dizem que as mães que trabalham fora de casa, não cuidam bem de seus filhos. Mas e se uma mulher fica em casa e ainda não presta muita atenção nos seus filhos? Como podemos ser pais enquanto ainda estamos fazendo outras coisas em nossa vida que requerem atenção?

Thay: Não deve haver qualquer simplificação do problema, podemos fazer as duas coisas. Se você consegue fornecer a seu filho carinho e atenção suficientes, é claro que você pode ir trabalhar. Carinho é fundamental para a comunicação e compreensão. Afeto traz amor, e o amor traz o mais profundo entendimento e entendimento mais profundo traz mais amor. Muitos pais precisam trabalhar fora de casa por razões financeiras. Muitos também gostam de trabalhar. Mas ficar em casa, cuidando dos filhos e da casa, e ser um paraíso refrescante e curativo para outras pessoas da família, também é um trabalho muito importante.

Não devemos avaliar o valor do nosso eu ou do nosso trabalho em termos de salário apenas. Nós todos temos que aprender a ser de tal forma que possamos trazer solidez, confiança, fé e alegria. Se uma mãe que fica em casa não é capaz de trazer essa qualidade ao ambiente, então ficar em casa não é uma coisa positiva. A mãe que sai para trabalhar e que chega em casa ainda refrescada, amorosa e sorridente, sabe como preservar a sua qualidade de ser. O valor da ação depende muito do valor da não-ação, ou seja, a qualidade do nosso ser.

(Do livro de Thich Nhat Hanh - "Answers from the heart” - Tradução Leonardo Dobbin)
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"Sendo independente da ‘boa’ opinião de outras pessoas." ~ Abraham Harold Maslow.

Muitas vezes ficamos lisonjeados pela valorização e magoados pela crítica. Embora seja verdade que a aprovação aumenta a nossa moral e a crítica nos deprime, muitas vezes uma busca obsessiva para aprovação torna-se um problema psicológico. As pessoas quase entram no modo de completa auto-negação e continuam inventando maneiras para agradar aos outros .
Isto leva-nos a importância da necessidade de se pensar e agir independentemente do que as pessoas falam ou pensam sobre nós. Convém, no entanto, notar que, em nosso entusiasmo pela independência, não devemos perder de vista a sensibilidade legítima das pessoas ao nosso redor e também a necessidade de se manter com uma certa dose de disciplina social. Pensamento independente não significa ser anárquico. Também devemos estar abertos para a crítica útil e construtiva.
Há 15 razões pelas quais não devemos ficar obcecados em agradar as pessoas e buscar a sua apreciação .
1 . A busca constante pela valorização pode se tornar um problema psicológico.
A maioria de nós que pensa que não estão recebendo o tipo e a quantidade de aprovação que esperam, param de interagir com as pessoas. Eles se tornam introvertidas. O problema se agrava ainda mais quando elas tentam criar um mundo imaginário onde entram em algum tipo de fala auto-ilusória especialmente com as pessoas cujas opiniões e pontos de vista favoráveis procuram no mundo real, mas não conseguem.
" Você nunca vai conseguir a aprovação de ninguém implorando. Quando você está confiante do seu próprio valor, o respeito te segue. "~ Mandy Hale
2 . Todos nós nascemos indivíduos únicos.
Espiritualmente falando, cada um de nós nasce como uma alma única, com 'sanskars' individuais ou certos padrões de pensamento naturalmente dotados. Tentar confinar e se encaixar nos moldes de pensamento de outras pessoas significaria ir contra as próprias leis da divindade e da natureza. Se você não acredita na espiritualidade, ainda assim, não se pode negar que, biologicamente, cada um de nós tem genes únicos e DNA. Forçá-los a ir contra o seu curso natural pode revelar-se contraproducente.
No entanto, o pensamento independente não significa ignorar a sabedoria acumulada pela idade. Ela também inclui ouvir atentamente as opiniões daqueles que amam e cuidam de nós e equilibrá-los com as nossas próprias necessidades biológicas e espirituais específicos.
3. Perseguindo a aprovação dos outros pode distrair-nos de trabalhar para alcançar nossos objetivos.
Dilui o nosso foco no que realmente queremos perseguir e pode vir a impedir o nosso progresso e felicidade resultante de fora.
"Não busque por aprovação, exceto para a consciência de fazer o seu melhor." ~ Andrew Carnegie
4 . Quantas pessoas você podem procurar a sua aprovação ?
Há hordas deles e cada um tem seus próprios gostos, gostos e desgostos. Na tentativa de agradar a todos, é provável que você acabe desagradando a maioria deles.
"As pessoas que querem obter o máximo de aprovação, obtém a menos e as pessoas que precisam de aprovação no mínimo obtém o máximo . " ~ Wayne Dyer
5. O pensamento independente é essencial para a evolução pessoal e social.
O que teria acontecido se Darwin tivesse escutado as opiniões das "pessoas respeitáveis " da sociedade daqueles dias e parado de perseguir a sua teoria da evolução?
6. Pessoas verdadeiramente independentes seguem o seu próprio coração e alma, mesmo em grandes riscos.
Sócrates preferiu beber cicuta ao invés de agradar as pessoas em posição de autoridade e obter a sua aprovação e viver como seu escravo . Ele viveu e morreu como homem verdadeiramente livre e destemido.
7. A constante ansiedade para buscar a aprovação dos outros traz tensão e depressão.
Você está sempre olhando para os lados para ver se alguém está olhando e corre o risco de perder o caminho que você escolheu.
8. A ansiedade sobre a aprovação ou desaprovação suprime a criatividade.
Você precisa seguir seus instintos para viver uma vida verdadeiramente alegre e feliz.
"Eu também farei algo
E me alegrar fazendo!
Embora 'amanhã possa parecer'
Como as palavras vazias de um sonho
Lembrarei ao acordar. "~ Robert Bridges
9. Hipocrisia e auto-engano
Trabalhando sempre para agradar os outros é auto-destrutivo, hipócrita e desonesto. Você se obriga a obedecer a outras pessoas, mesmo se você acha que eles estão errados. "Ele não está fazendo o que você acredita que é certo ou errado, mas o que os outros acreditam que é certo ou errado para você." No processo você não vive para o prazer de si mesmo, mas para os outros. Você está matando sua alma.
10. Buscar a aprovação é como viver uma vida imaginada na respiração dos outros.
Qualquer pessoa pode respirar - surpreendê-lo como um pedaço inútil de palha.
11. O medo de aprovação ou desaprovação dissipa os crus, virginais e primordiais instintos e sentimentos que o nosso espírito é dotado quando nascemos.
Ele mata a pureza, a simplicidade, a alegria e a inocência da nossa alma.
"Quanto mais velho fico, menos me importo com o que as pessoas pensam de mim. Portanto, quanto mais velho fico , mais eu aproveito a vida. "~ Desconhecido
12. O medo de aprovação e desaprovação mata a iniciativa.
A capacidade de tomar a iniciativa livre e destemida é a força motriz para a evolução do indivíduo e sociedade . É a qualidade básica que define a verdadeira liderança, que é marcada pela tomada de decisões ousadas, independentemente do que as pessoas pensam de você.
13. Você vive uma vida artificial ao invés de uma vida natural.
Se você seguir seus próprios instintos você pode voar nas alturas crescentes dos céus ilimitados. Por outro lado, você fica enjaulado como um papagaio com suas asas cortadas, por mais bonito e colorido que você pode parecer. Você se torna um escravo dos outros ao invés de ser um mestre de seu próprio livre-arbítrio.
14. Buscar a apreciação dos outros sufoca seus poderes divinos da intuição, clarividência e perspicácia.
A maioria das pessoas sufocam seus poderes divinos inatos de intuição e clarividência sob a pressão da aprovação e reprovação das pessoas ao seu redor .
15. O medo de desaprovação leva a constrangimento e arregimentam a vida.
Muitas vezes você chegou a pesar para seguir a aprovação dos outros, em vez de seguirseu próprio instinto.
Às vezes, você toma decisões porque tenta adivinhar o que os outros vão pensar de você? Você tem medo de cometer "erros" que vão fazer você ficar mal aos olhos das outras pessoas? Você pode compartilhar suas idéias, seguindo a conversa na seção de comentários abaixo.
Este artigo foi escrito por Raj Rishi . Raj gosta de contribuir com sua humildade para a melhoria da vida das pessoas . Para saber mais sobre Raj , visite www.luminous-eye.blogspot.in
Luminita Saviuc em 29, setembro 2013.

15 Reasons Why You Should Be Independent of the “good” Opinion of Others
And joy in the making!
Altho’ tomorrow it seem’
Like the empty words of a dream
Remembered, on waking.” ~ Robert Bridges

“Be independent of the good opinion of other people.” ~ Abraham Harold Maslow
We are often flattered by appreciation and hurt by criticism. While it is true that approval boosts our morale and criticism depresses us, quite often an obsessive quest for approval becomes a psychological problem. People almost go in a mode of complete self-negation and keep devising ways to please others.
This brings us to the importance of the need to think and act independently of what the people talk or think about us. It should, however, be noted that in our zest for independence we should not lose sight of the legitimate sensitivities of the people around us and also the need to remain with a certain amount of social discipline. Independent thinking does not mean being anarchic. Also we should be open to helpful and constructive criticism.
There are 15 reasons why we should not be obsessed with pleasing people to seek their appreciation.
1. Constant quest for appreciation may become a psychological problem.
Most of us who think that they are not getting the type and amount of approval they expect stop interacting with the people. They become introvert. The problem aggravates further when they try to create an imaginary world where they indulge in some sort of delusive self- talking especially with people whose favourable opinions and views they seek in the actual world, but cannot get.
“You will never gain anyone’s approval by begging for it. When you stand confident in your own worth, respect follows.” ~  Mandy Hale
 2. We are all born unique individuals.
Spiritually speaking, each one of us is born as a unique soul with individual ‘sanskars’ or certain naturally endowed thought patterns. Trying to cramp them to fit into the thinking moulds of others would mean going against the very laws of divinity and nature. If you do not believe in spirituality, still, it cannot be denied that biologically each one of us has unique genes and DNA.  Forcing them to go against their natural course may prove counterproductive.
Nonetheless, independent thinking does not mean ignoring the accumulated wisdom of the ages. It also includes listening attentively to the views of those who love and care for us and balance them with our own specific biological and spiritual needs.
3. Chasing approval from others may distract us from working to achieve our goals.
It dilutes our focus on what we really wish to pursue and may ultimately impede our progress and happiness resulting out of it.
“Do not look for approval except for the consciousness of doing your best.” ~ Andrew Carnegie
4. How many people can you please by seeking their approval?
There are hordes of them and each one has their own tastes, likes and dislikes. In trying to please everyone it is likely you end up displeasing most of them.
“People who want the most approval get the least and people who need approval the least get the most.” ~ Wayne Dyer
5. Independent thinking is essential for personal and social evolution.
What would have happened if Darwin had listened to the opinions of the ‘respected people’ of the society of those days and stopped pursuing his theory of evolution?
6. Truly independent people follow their own heart and soul even at great risks.
Socrates preferred to drink hemlock rather please the people in authority and seek their approval and live like their slave. He lived and died like truly free and fearless man.
7. Constant anxiety to seek approval from others causes tension and depression.
You are always looking sideways to see if someone is looking and risk losing your chosen path.
8. Anxiety about approval or disapproval suppresses creativity.
You need to follow your instincts to live a truly joyous and happy life.
“I too will something make
9. Hypocrisy and self-deception
Working to always please others is self-defeating hypocrisy and dishonesty. You force yourself to obey others even if you think they are wrong. “It is not doing what you believe is wrong or right but what others believe is right or wrong for you”. In process you do not live for the pleasure of yourself, but for others. You are killing your soul.
10. Seeking approval is like living an imagined life in others’ breath.
Any person can breathe-blow you away like a useless piece of tiny straw.
11. Fear of approval or disapproval dissipates the raw, virginal and primordial instincts and feelings that our spirit is endowed with when we are born.
It kills the purity, simplicity, joy and innocence of our soul.
“The older I get, the less I care about what people think of me. Therefore the older I get, the more I enjoy life.” ~ Unknown
12. Fear of approval and disapproval kills initiative
Ability to take free and fearless initiative is the driving force for the evolution of self and society. It is the basic quality that defines true leadership that is marked by taking bold decisions regardless of what people think of you.
13. You live an artificial rather than a natural life.
If you follow your own instincts you can fly in the soaring heights of the limitless skies. On the other hand, you stay caged like a parrot with your wings clipped, howsoever beautiful and colourful you may look. You become a slave of others rather than being a master of your own free will.
14. Seeking appreciation of others stifles your divine powers of intuition, clairvoyance and foresight.
Most people stifle their innate divine powers of intuition and clairvoyance under the pressure of approval and disapproval of people around them.
15. Fear of disapproval leads to constrained and regimented living.
Quite often you come to grief for following the approval of others rather than your own instinct.
Do you sometimes second-guessing decisions because of what other people might think of you? Are you afraid of making “mistakes” that will make you look bad in other people’s eyes? You can share your insights by joining the conversation in the comment section below :)
This article was written by Raj Rishi. Raj loves to contribute his humble mite for the betterment of the life of the people. To learn more about Raj, visit luminous-eye.blogspot.in.

Added by Luminita Saviuc on 29, September 2013