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sábado, 20 de dezembro de 2008

Mensagem de Natal para Ani Zamba de S

"Querida AZ

Há algum tempo atrás, ouvi um ensinamento muito precioso. Agora, lendo seu texto sobre o Natal, lembrei-me das simples e comoventes palavras e senti meu coração aquecido.

Temos o poder de reconhecer nossos corações, nossos sentimentos, nossas emoções, nossas percepções. Não devemos reprimi-los. Mas, precisamos de tempo e espaço para olhar para elas e reconhecê-las como elas são. Para sermos capazes de fazer isso temos que estar presentes aqui e agora interconectados com todos os seres.

Muitas vezes, nosso corpo está ali, mas nossa mente está em outro lugar. A prática que o Buda nos ofereceu é a prática da consciência, de viver consciente. “O Reino de Deus” ou “A Terra Pura dos Budas” não são uma idéia. São uma realidade. Toda vez que estamos conscientes, toda vez que estamos concentrados e relaxados neste estado, podemos nos conectar com esse reino para a nossa transformação e cura. É claro, inferno, o reino dos fantasmas famintos e tudo o mais também estão aí, no momento presente, mas o reino do despertar também está aí e nós só temos que escolher entre eles.

Quando estamos inteiramente presentes no aqui e agora, observando nossos pensamentos, sentimentos e emoções, eles não são a realidade e não precisamos ser sugados por eles. Podemos manter nossa liberdade e isso é muito importante. Mesmo quando pensamentos negativos ou positivos surgem, devemos nos lembrar que nossos pensamentos são só pensamentos e isso nos permitirá que a sabedoria, a compaixão, o amor e a equanimidade entrem em ação para nos ajudar e a todos os seres sencientes.

Ao nos reunir neste Natal e na véspera do Ano Novo, podemos tomar consciência de que a Terra Pura dos Budas ou o Reino de Deus está sempre lá para nós. Tudo que precisamos é tomar refúgio na liberdade, o que significa lembrar-se do Buda das Três Jóias (a Pura Natureza Última) do Dharma (o caminho para alcançar esta Natureza Última) e da Sangha. A sangha do Buda e dos bodisatvas e a sangha dos seres sencientes, os que estão no caminho, os que estão apenas tentando sobreviver. Podemos abraçá-los todos e sentir profundamente que estamos integrados como uma grande empresa além do tempo e do espaço.

Com amor e respeito.
S."

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Mineirêz


Fala de mineirin é assim mêzz...

Ansdionti (antes de ontem)
Badacama (debaixo da cama)
Berzonte
Beraba
Berlândia
Conceção? (Quantos vocês são?)
Concechama? (Como você chama?)
Confó fô ô vô (Conforme for, eu vou)
Dendapia (dentro da pia)
Denduforno (dentro do forno)
Dentifrisso (dentifrício)
Dezdaí (Desce daí)
Doidimais (doido demais)
Doncovim? (De onde que eu vim?)
Ganhães
Guvernadô Valadars
Iscodidente (escova de dente)
Iscoiê (escolher)
Ispeciar
Istrudia (Outro dia)
Kidicarne (quilo de carne)
Lidileite (litro de leite)
Mastumate (massa de tomate)
Minino
Mons Clars
Munbunito (Muito bonito)
Nossinhora (Nossa Senhora)
Oiprocevê (Olha para você ver)
Óiuchêro (olha o cheiro)
Oncê tava cocêsumiu? (Onde você estava que você sumiu?)
Oncestão? (Onde vocês estão?)
Oncesvão? (Onde vocês vão)
Oncotô? (Onde que eu estou?)
Onquié (Onde que é?)
Onzz: ônibus
Parksmangabeira (Parque das Mangabeiras)
Patinga
Pelopoldo (Pedro Leopoldo)
Pincumé (pinga com mel)
Pondiôns (ponto de ônibus)
Pópará (Pode parar)
Pradaliberdade (Praça da Liberdade)
Pradupapa (Praça da Liberdade)
Prõ nós tão ino? (Para onde nós estamos indo?)
Proncovô (Para onde que eu vou?)
Quainahora (Quase na hora)
Rugoiás (Rua Goiás)
Sapassado (sábado passado)
Sélagoas (Sete Lagoas)
Sessetembro (sete de setembro)
Tabira
Tajubá
Ticido (tecido)
Tidiguerra (tiro de guerra)
Tissudaí (Tira isso daí)
Tiuria (teoria)
Tradaporta (atrás da porta)
Varrginha
Vidiperfume (vidro de perfume)
Vistido
Xô descê
Xô vê
Xô iscoiê

Uai é indispensável. O que significa uai? Uai! Uai é uai, uai.
Quando quiser uma confirmação, pergunte: É mêzz?
Se quiser chamar a atenção, diga: Oi qui, ó!
Quando quiser uma confirmação, pergunte: ... É mêzz?
Se estiver com fome coma pão dji quejj. Ex.: Dois pão dji quejj e duas cêirvejj...
Na falta de vocabulário específico, utilizar a palavra trem, que serve para tudo, exceto como meio de transporte ferroviário que, neste caso, é troço.
Onzz é o meio de transporte coletivo rodoviário. Ex: Ói, lá vem o onzz das seis!
Se quiser aprovar alguma coisa solte um sonoro: Mai qui belêzz!
Prá fazer café, primeiro pergunte: Pó pô pó?
Se acharem que ficou ralo, pergunte então: Pó pô má poquim di pó?
Se você não sabe onde está e nem para onde vai, pergunte simplesmente: On cotô? Pron covô? Pronóis vai ?
Se não estiver certo de comparecer, diga simplesmente: Con fó fô eu vô!
Se o motivo da dúvida for algo que você tem que fazer, explique, "Vou fazer um nigucim e vorto logo".
Ao procurar alguém que concorde com você, dispare um: ... Némêzz?
Use a expressão aumentativa: Dimái da conta. Ex.: Issé bão dimái da conta!
Usar sempre duas negativas prá deixar claro que você não sabe do que está falando:"Num sei não".
Use sempre o diminutivo: INN, tipo Piquinininn, lugarzinn, mineirinn
Use a expressão Rapáiz!! pra iniciar uma exclamação. Nem sempre é necessário complemento. Ex: Rapaaai!!!
Redá: Mesma coisa de Rastá. Ex.: Júda redá ess trem aqui ó.
Ao terminar uma frase, acrescente a palavra Sô.
Diz qui os carioca e os paulista fala qui minêro só fala vogar. Uai... É? Ó!

Bração prôcêis tudim...

O Desafio da Paciência


"A prática da paciência não sugere que devemos simplesmente nos submeter aos abusos e explorações dos outros. Também não está recomendando uma política de aceitação simples e passiva do sofrimento e da dor. O que ela propõe é uma posição firme contra as adversidades. Há uma distinção entre docilidade e tolerância. A tolerância genuína só pode surgir quando a pessoa conscientemente adotou uma posição de não retaliar contra um mal concreto ou percebido. O ponto central aqui é a “posição adotada conscientemente”. Como uma definição funcional, paciência*, segundo a noção budista do princípio, é uma reação determinada contra a adversidade derivando de um temperamento assentado que não é perturbado por distúrbio interno ou externo. Isso não pode ser descrito como submissão passiva; em vez disso, é um método ativo de enfrentar a adversidade."

da Introdução de Geshe Thupten Jinpa para o livro “A Arte de Lidar com Raiva – O Poder da Paciência” de Sua Santidade, o Dalai Lama – Editora Campus.

* soe-pa (tib) pronuncia-se dzô-pa

Mensagem antiga.


Esta é uma mensagem antiga e até muito manjada. Já vi em blogs cheios de musiquinhas, estrelinhas, bem piegas mesmo. Já vi, piegas também, em pps. Mas a mensagem, ah, essa ainda está valendo.


"Mary ficou feliz porque ganhou um joguinho de chá todo azulzinho com bolinhas amarelas.
No dia seguinte, Jane veio bem cedo convidá-la para brincar, mas ela não podia, pois iria sair com sua mãe naquela manhã. Jane, então, pediu que lhe emprestasse o conjuntinho de chá para se distrair na garagem do prédio. Mary não queria entregar, mas, com a insistência da amiga, resolveu ceder, fazendo questão de demonstrar todo seu ciúme por aquele presente tão especial. Ao regressar do passeio, Mary ficou chocada ao ver o brinquedo jogado no chão. Faltavam algumas xícaras e a bandejinha estava quebrada. Chorando e muito nervosa, ela desabafou:

- Tá vendo o que a Jane fez comigo, mamãe? Estragou tudo e ainda deixou jogado no chão!Totalmente descontrolada Mary queria ir ao apartamento da amiguinha pedir explicações, mas a mãe, com muita sabedoria, ponderou:

- Filhinha, lembra daquele dia quando saiu com seu vestido branquinho e um carro jogou lama na sua roupa? Ao chegar em casa, você queria lavar imediatamente aquela sujeira, mas a vovó não deixou. Você se recorda do que ela falou? Disse para deixar o barro secar primeiro que depois ficava mais fácil limpar. Pois é, minha filha, com a raiva é a mesma coisa. Deixe-a secar que fica bem mais fácil resolver tudo.

Mary não entendeu muito bem, mas resolver seguir o conselho da mãe e foi para a sala ver televisão. Logo depois, Jane tocou a campainha, toda sem graça, com um embrulho na mão. Sem que houvesse tempo para qualquer pergunta ela foi falando:

- Mary, sabe aquele menino mau da outra rua que fica correndo atrás da gente? Ele veio querendo brincar comigo e eu não deixei. Aí ele ficou bravo e estragou o brinquedo que você me havia emprestado. Quando eu contei para a mamãe, ela ficou preocupada e foi correndo comprar outro igualzinho pra você. Espero que não fique chateada porque não foi minha culpa!

- Não tem problema, minha raiva já secou, disse Mary.

Dando um forte abraço na amiga, levou-a ao quarto para contar a história do vestido novo que havia sujado de barro.

Portanto, nunca tome uma atitude com raiva. O ódio nos cega e impede que vejamos as coisas como elas realmente são. Assim você evitará cometer injustiças e ganhará o respeito dos outros pela posição ponderada diante de uma decisão difícil. Lembre-se sempre: Deixe primeiro a raiva passar".

Feliz Natal prá todos!


Norman Rockwell
Mas só ganha presente quem se comportou bem durante o ano...

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Só os ignorantes vencem. Por Ricardo J. Botelho




Uma convenção de vendas registrou um fato inusitado. Um vendedor bateu o recorde de vendas em um trimestre considerado de baixa sazonalidade (época do ano quando os níveis de negócios são sabidamente mais baixos). Perguntado sobre como tinha conseguido tamanho feito, o vendedor respondeu:
- Foi simples, eu não sabia que existia essa tal de sazonalidade baixa, nunca ouvi falar disso, então visitei os clientes e procurei envolvê-los na compra.
Santa ignorância!
Li recentemente um artigo do Ricardo Jordão Magalhães (http://www.bizrevolution.com.br/ ) que dizia mais ou menos o seguinte:
- Você acha que grandes empreendedores como Bill Gates e Samuel Klein, fundador da Casas Bahia, ficaram ouvindo economistas para definir o rumo das empresas que eles acabavam de dar à luz? Claro que não. Foram corajosos, não tinham a menor idéia do que era um Plano de Negócios, e colocaram suas idéias em campo. Ponto final!
Como diz o Magalhães: o sucesso esta relacionado com a sua capacidade de ESCOLHER, FAZER, REFLETIR, FAZER, REFLETIR e FAZER mais do que qualquer outra coisa.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Zzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzzz











Sem dormir por causa de barulho ao lado.

"Mujer a dormir" - Pablo Picasso
Preciso de paciência. Preciso ler várias vezes sobre ela! Preciso dormir uma semana! A vizinhança inteira resolveu fazer reformas. Há um martelete com compressor no pátio do prédio ao lado. Há uma obra que já dura mais de seis meses no apartamento ao lado. O marido ronca ao lado. O sol bate na parede ao lado do meu quarto. Calor! Estou tão cansada que só vou postar um link do dharmanet. Vou imprimir e deixar na minha mesa de cabeceira. Ao lado. http://www.dharmanet.com.br/shantideva/6.htm

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Povo invisível...


Refúgio e Bodhicitta, os Quatro Pensamentos que Transformam a Mente, as Quatro Qualidades Incomensuráveis e as Seis Paramitas.

Folha da árvore boddhi
REFÚGIO E BODDHICITTA

SANG DJE TCHO DANG TSOG TCHI TCHOG NAM LA DJANG TCHUB BAR DU DAG NI TCHIAB SU TCHI
No Buddha, no Dharma e na excelente assembléia da Sangha, até que alcance a iluminação, neles eu tomo refúgio.
DAG GUI DJIN SOG DJI PE SOD NAM TCHI DRO LA PEN TCHIR SANG DJE DRUB PAR SHOG
Através da minha prática das Seis Perfeições, possam todos os seres sencientes alcançar o estado búdico.
(repetir 3 vezes)

OS QUATRO PENSAMENTOS QUE TRANSFORMAM A MENTE

Homenagem! Ó Lama, protetor infalível e constante, você que conhece.
1- As liberdades e dotes do nascimento humano são extremamente difíceis de serem conseguidos.
2- Todo aquele que nasce é impermanente e fadado a morrer.
3- As ações virtuosas e as prejudiciais causam seus resultados inevitáveis.
4- A natureza dos três reinos da existência cíclica é um oceano de sofrimento.
Lembrando-se disto, possa a minha mente voltar-se para o Dharma.


AS QUATRO QUALIDADES INCOMENSURÁVEIS – (sânscrito: Apranāma)


1- COMPAIXÃO. [do lat. compassione.] S. f. Pesar que em nós desperta a infelicidade, a dor, o mal de outrem; piedade, pena, dó, condolência. MAITRI / BYAM-PA
2- EQÜANIMIDADE. [do lat. aequanimitate.] S. f. 1. Consideração de que todos os seres são igualmente importantes 2. Igualdade de ânimo tanto na desgraça quanto na prosperidade. 3. Serenidade de espírito, moderação. 4. Eqüidade em julgar, imparcialidade, retidão. UPEKSA / TANG-NYOM
3- AMOR. (ô). [do lat. amore.] S. m. 1. Sentimento que predispõe alguém a desejar o bem de outrem ou de alguma coisa (...) 2. Sentimento de dedicação absoluta de um ser a outro ser ou a uma coisa; devoção (...) afeição, amizade, carinho, simpatia, ternura, cuidado, zelo. METTA
4- REGOZIJO. [do espanhol regocijo.] S. m. Gozo intenso; vivo contentamento ou prazer; grande satisfação; alegria; contentamento; congratulação. MUDITA / GA-BA


AS SEIS PARAMITAS


1. GENEROSIDADE - “DJINPA” (tib.) "DANA" (sânscr.), [do lat. generositate.] doação, oferenda, presente, dom, prodigalidade, donativo, dádiva, mérito, merecimento, poder, virtude, privilégio. Doação de bens, riqueza pessoal e corporal. É consumada com a oferenda de intenção, esforço, do material oferecido e a dedicação do mérito. Inclui todas as formas de doar e compartilhar o Dharma.

2. DISCIPLINA MORAL OU ÉTICA – “TSULTRIM” (tib.), "SILA" (sânscr.). [do lat. disciplina.] regime de ordem, relações de subordinação do aluno ao mestre; observâncias de preceitos ou normas; submissão a um regulamento; ensino, instrução, educação; refrenagem de má-conduta; obediência. Compromisso de evitar a comissão do mais leve dano aos outros; exame escrupuloso da mente arrefecendo até o mais sutil impulso à não-virtude antes que este se traduza em ação de fala ou de corpo; manutenção de um discernimento afiado entre o que aceitar e o que rejeitar como ações apropriadas de corpo, fala e mente; conduzir-se de acordo. Abandono das ações não-virtuosas, juntamente com seus fundamentos. Praticamos ao pensar e agir puramente, ao abandonar pensamentos negativos e plantar sementes positivas, ao dedicar mérito e fazer preces de aspiração para beneficiar todos os seres, inclusive demônios e entes negativos. Elimina todas as paixões maléficas através da prática dos preceitos de não matar, não roubar, não ter conduta sexual inadequada, não mentir, não usar tóxicos, não usar palavras ásperas ou caluniosas, não cobiçar, não praticar o ódio nem ter visões incorretas.

3. PACIÊNCIA – “DZOPA” (tib.) "SHANTI" (sânscr.), [do lat. patientia.] virtude que consiste em suportar as dores, incômodos, infortúnios, sem queixas e com resignação. Tolerância em face ao tratamento abusivo dos outros, tolerância ao sofrimento em favor do dharma e firmeza ao ouvir os ensinamentos. Reconhecer que as condições negativas surgem exatamente de acordo com o karma de cada um – e que, no seu próprio surgimento, essas causas kármicas estão sendo purificadas. Esperar que a dificuldade se vá. Trabalhar cada dificuldade à medida que surge. Capacidade de suportar dificuldades. Exercitamos quando encontramos dificuldade em nossa prática, ao visualizar, ao manter a concentração, ao agir cuidadosamente e corretamente. Quaisquer que sejam as circunstâncias permanecemos pacientes. Pratica a abstenção para prevenir o surgimento de raiva por causa de atos cometidos por pessoas ignorantes.

4. PERSEVERANÇA JUBILOSA OU DILIGÊNCIA – “TSONDRÜ” (tib.), “VIRYA” (sânscr.) [do lat. perseverantia.] pertinácia, constância, firmeza, persistência, prosseguimento, continuação, permanência, continuidade. Diligência, valentia, entusiasmo. Continuar até o completamento não importando quantas dificuldades surjam em sucessão. Empenho. Ímpeto. Transcendência da inércia, da preguiça e do sentimento de opressão. Disposição para praticar ações virtuosas. Lembramo-nos da preciosidade desse corpo humano e dedicamos nossas vidas para criar benefícios incessantes. A vida é muito curta e não podemos desperdiçar um único dia. Tendo feito uma conexão com esse centro ou qualquer lugar de virtude, não deveríamos perder a oportunidade para usar corpo, fala e mente para beneficiar seres porque esse é um lugar sagrado e os efeitos de qualquer ação por nós aqui realizada, virtuosa ou não virtuosa, são multiplicados. Desenvolve esforço vigoroso e persistente na prática do Dharma.

5. CONCENTRAÇÃO OU ESTABILIDADE MEDITATIVA – “SAMTEN” (tib.) "SAMADHI" ou “DIANA” (sânscr.). Centralização, limitação, absorção, aplicação. Direcionamento da mente para a meditação até que esteja totalmente imersa e absorvida nela. Qualidade estável da mente de forma unidirecionada sobre um objeto virtuoso. Significam todas as vezes que nos focamos em nossa direção e meditação no ato da oferenda e nos concentramos para não sermos levados por pensamentos comuns, praticamos a estabilidade meditativa. Reduz a confusão da mente e leva à paz e à felicidade.

6. CONHECIMENTO TRANSCENDENTAL – “SHERAB” (tib.) "PRAJNA" (sânscr.). Reconhecimento da natureza vazia de todos os fenômenos, o sabor único da vacuidade que permeia o samsara e o nirvana. Todos os fenômenos transcendem qualquer extremo imposto por palavras ou conceitos: sonho, aparição, bolha, mágica, ilusão, miragem, reflexo, eco. Sabedoria que não conceitualiza as Três Esferas. Mente "boddhi". Significa manter a visão do sabor único e puro do objeto para quem oferecemos, de nós mesmos e da substância ou esforço oferecido. Todos possuem a mesma natureza.

As Quatro Nobres Verdades são o fundamento do Budismo e entender o seu significado é essencial para o autodesenvolvimento e alcance das Seis Perfeições, que nos farão atravessar o mar da imortalidade até o nirvana. A prática dessas virtudes ajuda a eliminar ganância, raiva, imoralidade, confusão mental, estupidez e visões incorretas. As Seis Perfeições e o Nobre Caminho Óctuplo nos ensinam a alcançar o estado no qual todas as ilusões são destruídas, para que a paz e a felicidade possam ser definitivamente conquistadas. A prática das seis perfeições que trazemos para qualquer oferenda pode tornar possível um oceano de atividades iluminadas. Desenvolve o poder de discernir realidade e verdade.

No budismo mahayana, os sutras da Perfeição da Sabedoria (prajna-paramita) e o Sutra do Lótus (Saddharmapundarika) listam as "Seis Perfeições" (termos originais em sânscrito):
1. dana paramita : generosidade, doação
2. sila paramita : virtude, moralidade, conduta apropriada
3. shanti paramita : paciência, tolerância, aceitação, resistência
4. virya paramita : energia, diligência, vigor, esforço
5. dhyana paramita : meditação, concentração, contemplação
6. prajna paramita : sabedoria transcendental, insight

Vale de lágrimas?


Ao digitar estas três palavras, me veio uma oração:
"Salve Rainha, Mãe de Misericórdia, vida e doçura, esperança nossa, salve!
A vós bradamos degredados filhos de Eva.
A vós suspiramos gemendo e chorando neste vale de lágrimas.
Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei e, depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto do vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria."

Não posso negar que estudei em colégio de freiras, primeiro no Sion e depois no Santa Dorotéia. Isso era oração de todo dia, gente! Um jamais esquecer! O hino de Paula Frassinetti, hoje santa e fundadora da ordem das Dorotéias, sabemos de cor eu e minhas colegas e eternas amigas desde pequeninas! Um jamais esquecer das bagunças, de colar nas provas, fumar escondido no banheiro, paquerar na saída que o colégio era só de meninas.
E vem meu velho pai que, de forma alguma me aceita budista, dizer que budismo só fala em sofrimento e morte.
Que tal "agora e na hora de nossa morte. Amém", hein!?
É que ele foi coroinha - meu avô obrigava, né? - e sabe a missa toda em latim. De cor! Agora, quando ele começa com assuntos pouco agradáveis, geralmente lembrando meus dois irmãos que morreram jovens, eu começo a primeira linha da missa que é só o que sei:
- In nómine Patris, et Fillis, et Spíritus Sancti. Amén.
Aí, bem alto que ele tá ficando surdo!
- Introíbo ad altáre Dei!
E ele responde imediatamente!
- Ad Deum qui laetíficat juventútem meam!*
E vam'embora rezar a missa com o doutor Castello, gente!
*Tradução: Em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo. Amém. Vou me aproximar do altar de Deus. Do Deus que é a alegria da minha juventude.

Voar

Vajrasatva e Dordje Niema, sua consorte.

Ah, voar pelo mundo! Voar simplesmente! Fazer a gravidade perder a sua força! Sonho muito com isso. Eu voando, entrando através da porta de uma casa, saindo pela janela, passando pelos prédios.
"Aí, um analista amigo meu" e budista como eu, disse que isso é saudades do nirvana. Ele me colocou a pensar e depois de alguns segundos perguntei-lhe: - Será?
Passa o tempo e chega um ensinamento com um lama, o chamado lama gatinho, um que se diz ser "estadunidense, pois americanos somos todos" e nos fez a gentileza maior de aprender o português com perfeição. Ah, se todos fossem iguais a você!
Comento com ele esses sonhos e ele me pergunta se faço práticas de Vajrasatva. Respondo que sim, é claro, pois faço mesmo! E ele sorri antecipando que vai me inflar o ego e diz:
- Sua prática é muito boa. Isso é sinal de realização!
Pronto! Ganhei o dia, a semana, o mês! Como se fosse uma criança, pulo de alegria na privacidade do banheiro!
Mas... "Todo aquele que nasce é impermanente e fadado a morrer." Ainda bem que a empolgação não permaneceu e atesto isso agora, nesse exato momento em que escrevo. Não me empolgo mais. Não me apeguei e isso é ótimo! Agora é desapegar do apego de me sentir feliz por ter visto que me desapeguei. Desculpem-me, estou tentando não usar gírias e/ou palavras de baixo calão, mas é foda, viu?
É, Rinpoche! Você tinha razão. No Samsara não há saída. Quero pular fora dele o mais rápido possível. Só louco prá querer continuar aqui... neste vale de lágrimas.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Outros blogs

" Woman with a dog - Mary Cassatt"
Impressionante a diversidade dos seres humanos e eu aqui, sentada na frente do computador, sem mover um milímetro de casa. Abre-se um mundo inteiro e, de blog em blog, conheço uma crocheteira, um homem verborrágico e que sofre de diarréia verbal (acha bonito falar difícil, mas ninguém entende nada), um rapaz que mora numa comunidade e escreve super bem apesar de não reconhecer, uma portuguesa cuja vida é costurar juntando retalhos e criar coisas incríveis!

O mundo é muito diverso e eu aqui sentada não vejo a diversidade que existe dentro de minha própria casa. Uma filha de quase 31 anos, irritadiça, reclamadeira e, daqui a pouco, fazendo piada, sendo extremamente espirituosa, criativa e uma super companhia com sua risada divertida. Um filho de 28 anos, taciturno, fechado, caladão, sarado, mas que fala ao telefone como se não nos víssemos há séculos, voa de bike nos BMX da vida e o telefone toca só prá ele o dia inteiro. O outro, quase 26, magro, puro músculo, sai prá acampar, fazer rapel em cachoeira, chega alegre contando tudo ou chega puto, sem dar um pio, bate a porta e se tranca no quarto!

Até a cachorra que já vai pra 14 anos (14 x 7 = 98!), um dia está saltitante, latindo sem parar, no outro dorme e come, come e dorme. E engorda, envelhece, me faz companhia, não sai de perto, vai onde vou, vemos televisão juntas, comemos juntas. Acho que somos as duas senhoras da casa. Caladas e nos entendendo muito bem.

Cara

Mudei a cara do blog. Acho que ficou melhor. Antes estava meio apagadinho, muito confuso, tudo muito clean demais!

Tricotando. Vídeos!

http://www.youtube.com/results?search_query=how+to+knit&search_type=&aq=f

Os Oito Dharmas Mundanos ou As Oito Armadilhas

Shantideva


No budismo se fala de força e de confiança. Logo, em conexão com isso, fala-se de fraqueza e de perda de confiança. Mas, como uma pessoa enfraquece? Como uma pessoa perde sua confiança? Como uma pessoa se torna insegura? No caminho Mahayanna foram ordenados oito tipos diferentes de armadilhas nas quais podemos cair. Cair em apenas uma já nos enfraquece bastante. É claro que, se cairmos nas oito, tornamo-nos realmente fracos. Contemple as oito armadilhas ou dharmas mundanos e veja quantas vezes você cai nelas a cada dia, a cada hora, a cada minuto.

1. ser elogiado
2. não ser criticado
3. ser feliz
4. não ser infeliz
5. querer ganhar
6. não querer perder
7. querer ter atenção
8. não querer ser ignorado

*Na realidade, são quatro pares de armadilhas, sendo uma oposta à outra.

Dzongsar Khyentse Norbu Rinpoche - 1º conjunto de CDs do Boddhicharyavatara de Shantideva

Salvando os pedaços quebrados


No palácio real de Teerã, você pode ver um dos mais bonitos trabalhos em mosaico do mundo. Os tetos e as paredes cintilam como diamantes com reflexos multi-facetados. Originalmente, quando o palácio foi projetado, o arquiteto especificou enormes folhas de espelhos para as paredes. Quando o primeiro carregamento chegou de Paris, descobriram que os espelhos estavam todos quebrados. O empreiteiro mandou jogar tudo ao lixo e levou a triste notícia ao arquiteto. Surpreendentemente, o arquiteto ordenou que todas as peças quebradas fossem recolhidas, quebradas em pedaços ainda menores e, então coladas às paredes, transformando-se em um mosaico prateado e cintilante. Quebrado para tornar-se belo! É possível transformar cicatrizes em estrelas. É possível ser melhor exatamente por ter se quebrado. É extremamente raro encontrar nos grandes museus do mundo objetos de antiguidade que estejam inteiros. Certamente, algumas das peças mais preciosas do mundo são apenas fragmentos que remanescem como um lembrete consagrado de um passado glorioso. Jamais subestime o poder que Deus tem para reparar e restaurar.


Robert Schuller

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

A respiração de Zoé - Thich Nhat Nhan

Ontem Steve veio me visitar em companhia de seu filho Tony. (...) usa mesmo um bocado de gíria que aprende nas ruas. Criança aqui é educada de forma tão diferente do que em nosso país! Aqui os pais vêem a liberdade como necessária para o desenvolvimento da criança. Durante as duas horas em que conversou comigo, Steve teve que manter sua atenção voltada para Tony que, sempre brincando, tagarelando, interrompia-nos a cada momento, tornando impossível nossa conversação. Dei a Tony diversos livros infantis, mas ele mal examinava as figuras deixava-as de lado e voltava logo a nos interromper. Ele exige constante atenção dos adultos.
A uma certa altura, Tony vestiu sua jaqueta e foi para fora brincar com o filho do vizinho. Perguntei, então, a Steve: "Você acha fácil levar vida de família?" (...)
Steve contou que não tem dormido direito nas últimas semanas que Ann, por estar cansada de cuidar do bebê durante o dia, chama-o várias vezes de noite para verificar de o bebê está respirando (...)
Fiz-lhe outra pergunta: "Muita gente diz que, com a família, a pessoa está menos só e mais segura. É verdade?" (...)
Disse: "Eu descobri um jeito de ter muito mais tempo. Antes, eu encarava o tempo como se fosse dividido em várias partes. Uma parte reservada para Tony, ajudando-o nos trabalhos escolares, lendo estórias ou dando-lhe banho, outra para Ann, ajudando-a a cuidar do bebê, indo ao mercado, levando a roupa para a lavanderia ou conversando com ela quando as crianças já estavam na cama. Eu ainda vejo Ann e Zoé como uma pessoa só, porque a respiração de Zoé é a respiração de Ann e, se uma das duas parasse de respirar, a outra também pararia. O tempo que sobrava eu considerava meu. E aproveitava para ler, escrever, fazer alguma pesquisa ou sair para uma caminhada. Mas agora, procuro não dividir mais o tempo em partes. O tempo gasto com Tony e Ann também é meu. Quando ajudo Tony num exercício escolar, tiro da cabeça a idéia de que 'este tempo é o tempo reservado para Tony, mais tarde terei um tempo para mim mesmo'. Entro então na lição com ele, compartilho de sua presença, ponho todo empenho naquilo que estamos fazendo naquele momento, de forma que o tempo dele se torna meu tempo também. O mesmo tenho feito com Ann. O curioso é que, com isso, o tempo que tenho para mim agora é ilimitado."
Steve sorriu enquanto me fez essa revelação. Eu fiquei surpreso. Sabia que não fora através dos livros que ele aprendera isso. Fora algo que aprendera por si próprio na sua vida diária.
Nos últimos meses tenho me dedicado ao estudo do Sutra da Mente Desperta com um pequeno grupo nos sábados à tarde. Após minhas explicações, os jovens do grupo fazem perguntas sobre como aplicar os princípios do Sutra ao dia-a-dia. Embora nunca tenha comparecido a essas aulas, Steve alcançou por si mesmo o entendimento daquilo que o grupo vem descobrindo com o estudo do Sutra.

"Para Viver em Paz" - Thich Nhat Hanh - Editora Vozes - páginas 19 a 21.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Thây - "Você nunca nasceu."


Quando você olha para a folha de papel que está lendo, pode pensar que ela não existia antes de ser feita no moinho de papel. Mas há uma nuvem flutuando nesta folha de papel. Se não houvesse nuvem, não haveria chuva e, portanto, nenhuma árvore poderia crescer para nos dar esse pedaço de papel. Mesmo se você não é um poeta, pode ver a nuvem flutuando neste pedaço de papel e se você remover a nuvem, o papel entra em colapso. Olhando profundamente nela, tocando-a profundamente, você pode ver também a nuvem. Poderíamos perguntar se este papel existiu antes de nascer? Ele veio do nada? Não, algo nunca vem do nada. A folha de papel inter-é com o brilho do sol, com a chuva, com a Terra, com a fábrica de papel, com os trabalhadores da fábrica, com a comida que eles comem todo dia. Portanto a natureza do papel é interser. Se você tocar a natureza do papel, toca tudo no cosmos. Antes do seu nascimento na fábrica, o papel era brilho do sol, era uma árvore. Você pode também pensar que quando nasceu, de repente se tornou algo do nada; de ninguém, de repente se tornou alguém. Mas na verdade, o momento do seu nascimento no hospital ou em casa foi apenas um momento de continuação, porque você já existia na sua mãe há nove meses. Isto significa que sua data na certidão de nascimento não está correta. Você tem que voltar nove meses para trás. Portanto agora talvez você acredite que tem a verdade, que o momento de sua concepção é o momento em que você começou a existir. Mas deveríamos continuar a olhar profundamente. Antes do momento da concepção, você era nada, ninguém? Antes disso, metade de você estava no seu pai e a outra metade na sua mãe, em outra forma. É por isso que mesmo o momento da concepção é um momento de continuação. Imagine o oceano com sua multidão de ondas. As ondas são todas diferentes; algumas são grandes, algumas pequenas, algumas são mais bonitas que outras. Você pode descrever ondas de muitas maneiras, mas quando você toca uma onda, está sempre tocando algo mais – água. Visualize-se como uma onda na superfície do oceano. Assista enquanto você está sendo criado – você cresce na superfície, permanece um pouco e então retorna ao oceano. Você sabe que em algum ponto você irá terminar, mas se você sabe como tocar a base de seu ser – água – todos os seus medos irão desaparecer. Verá que como onda, divide a vida da água com todas as outras ondas. Esta é a natureza do interser. Quando você vive apenas a vida de uma onda e não é capaz de viver a vida da água, sofre muito. Portanto a realidade é que você nunca nasceu – se você definir nascimento como se tornar algo de nada, se tornar alguém de ninguém. Cada momento é um momento de continuação. Você continua a vida sobre novas formas, isto é tudo. Quando uma nuvem está prestes a se tornar chuva, não tem medo, porque embora saiba que ser uma nuvem flutuando no céu é maravilhoso, ser chuva caindo nos campos ou no oceano é também maravilhoso. É por isso que o momento que a nuvem se torna chuva não é um momento de morte, mas um momento de continuação. Há pessoas que pensam que podem reduzir coisas a nada. Eles podem eliminar pessoas, podem assassinar alguém como John F. Kennedy, Martin Luther King Jr. ou Mahatma Gandhi, com a esperança que eles irão desaparecer para sempre. Mas o fato é que quando você mata alguém, esta pessoa se torna mais forte que antes. Mesmo esta folha de papel não pode ser reduzida a nada. Você já viu o que acontece quando colocamos um fósforo aceso em uma folha de papel. Não pode reduzi-la a nada, ela continua como calor, cinza e fumaça. Buda e Mara Quando falamos sobre o que Buda é, temos que falar também sobre o que Buda não é. O oposto de Buda é Mara. Se Buda é iluminação, então tem que haver algo que não é iluminação. Mara é a ausência de iluminação. Se o Buda é entendimento, então Mara é desentendimento, e se o Buda é bondade amorosa, então Mara é ódio ou raiva e assim por diante. Se não entendermos Mara, não podemos entender o Buda. Assim como a rosa é feita de elementos não-rosa, o Buda é feito de elementos não-Buda, e entre esses elementos está Mara. Se o lixo não existisse, então a rosa não poderia existir também. Este insight é tão importante que transformou completamente meu entendimento do Buda. Quando você olha para uma rosa, pode vê-la como imaculada e muito bonita. E o oposto da rosa é o lixo, que não é bonito e não cheira muito bem. Mas se olhar profundamente para a rosa, verá que o lixo está nela, antes dela, depois dela e também neste momento. Como isso é possível? Jardineiros não jogam fora o lixo. Eles sabem que com carinho, em apenas alguns meses, o lixo se tornará composto que pode ser usado para fazer crescer alfaces, tomates e flores. Jardineiros são capazes de ver flores ou pepinos no lixo. Além disso, eles sabem que todas as flores se tornam lixo. Este é o significado da impermanência – todas as flores se tornam lixo. Embora ele seja fedorento e desagradável, se você sabe como cuidar dele, pode transformá-lo novamente em flores. Isso é que o Buda descreveu como o modo não dualístico de ver as coisas. Se olhar as coisas desse modo, entenderá que o lixo é capaz de se tornar uma flor e a flor é capaz de se tornar lixo. Cada vez que praticar a plena consciência – quando vive em plena atenção – você é um Buda. Quando vive no esquecimento, você é Mara. Mas não pense que Buda e Mara são inimigos e que passam o dia todo lutando entre si. Não. Eles são amigos. Aqui segue uma história que eu escrevi: Um dia, o Buda estava em uma caverna, onde estava fresco. Ananda, seu assistente, estava praticando meditação caminhando perto da caverna, tentando interceptar as muitas pessoas que sempre vinham visitar o Buda, de forma que ele não recebesse convidados o dia todo. Neste dia, enquanto Ananda estava praticando, viu alguém se aproximando. Quando a pessoa chegou perto, Ananda reconheceu Mara. Mara tentou o Buda na noite antes dele se tornar iluminado. Mara disse ao Buda que ele poderia se tornar um homem de grande poder – um político, um rei, um presidente, um ministro ou um bem sucedido homem de negócios com dinheiro e lindas mulheres – se ele desistisse de sua prática de plena consciência. Mara tentou duramente convencer o Buda, mas não funcionou. Embora Ananda tenha se sentido desconfortável ao ver Mara, Mara já o tinha visto, portanto não poderia se esconder. Eles se cumprimentaram. Mara disse: “Eu quero ver o Buda.” Quando o líder de uma corporação não quer ver alguém, ele pede para sua secretária dizer: “Desculpe, ele agora está em uma conferência.” Embora Ananda quisesse dizer algo assim, sabia que estaria mentindo e ele queria praticar o Quarto Treinamento - não mentir. Portanto ele decidiu dizer o que estava em seu coração para Mara. “Mara, porque o Buda deveria vê-lo? Qual o motivo? Você não lembra que foi derrotado pelo Buda sob a árvore de Bodhi? Como você ousa vê-lo de novo? Não tem vergonha? Porque ele deveria vê-lo? Você é seu inimigo.” Mara não foi desencorajado pelas palavras do Venerável Ananda. Ele apenas riu enquanto ouvia ao jovem. Quando Ananda terminou, Mara riu e perguntou: “Realmente seu professor diz que tem inimigos?” Isto fez Ananda ficar muito desconfortável. Não parecia correto dizer que o Buda tinha inimigos, mas ele disse! O Buda nunca disse que tinha inimigos. Se você não está concentrando muito profundamente ou plenamente consciente, pode dizer coisas que são contrárias ao que você sabe e pratica. Ananda estava confuso. Ele entrou na caverna e anunciou Mara, esperando que seu professor dissesse, “Diga a ele que não estou em casa!” ou “Diga a ele que estou em uma conferência.”Para surpresa de Ananda, o Buda sorriu e disse: “Mara! Maravilha! Peça a ele para entrar!” Ananda estava perplexo pela resposta do Buda. Mas ele fez o que o Buda disse e convidou Mara para entrar. E você sabe o que o Buda fez? Ele abraçou Mara! Ananda não podia entender isso. Então o Buda convidou Mara para sentar no melhor lugar da caverna e virando-se para seu amado discípulo disse: “Ananda, você poderia ir e nos preparar um chá de ervas?” Como você deve ter adivinhado, Ananda não estava muito feliz com isso. Fazer chá para o Buda era uma coisa – ele poderia fazer milhares de vezes ao dia – mas fazer chá para Mara não era algo que ele queria fazer. Mas como foi o Buda que pediu, ele não poderia recusar. Buda olhou amavelmente para Mara. “Querido amigo”, ele disse, “como tem passado? Está tudo bem?” Mara respondeu: “Não, as coisas não vão bem, elas vão mal. Estou muito cansado de ser Mara. Quero ser outra pessoa, alguém como você. Onde quer que você vá é bem vindo e as pessoas te reverenciam. Você tem muitos monges e monjas com faces amáveis te seguindo e te oferecem bananas, laranjas e kiwis.” “Onde quer que eu vá”, Mara continuou, “tenho que vestir a persona de um demônio – tenho que falar de uma maneira convincente e manter um exército de pequenos demônios maliciosos. Cada vez que expiro, tenho que respirar fumaça do meu nariz! Mas eu não ligo muito para essas coisas; o que me aborrece bastante é que meus discípulos, os pequenos Maras, começaram a falar sobre transformação e cura. Quando eles falam sobre liberação e budeidade, não posso suportar. É por isso que eu vim para te pedir se podemos trocar os papéis. Você pode ser Mara e eu serei Buda. Quando o Venerável Ananda ouviu, ficou tão aterrorizado que pensou que seu coração poderia parar. Como ficaria se o Buda decidisse trocar papéis? Então Ananda seria o assistente de Mara! Ananda esperou que o Buda recusasse. O Buda calmamente olhou para Mara e sorriu. “Você acha que é fácil ser um Buda?” Ele perguntou. “Pessoas estão sempre me entendendo mal, colocando palavras na minha boca. Eles constroem templos com estátuas minhas feitas de cobre, gesso, ouro e até mesmo esmeraldas. Grandes multidões me oferecem bananas, laranjas, doces e outras coisas. Ás vezes sou carregado em procissão, sentando como um bêbado em cima de flores. Eu não gosto de ser esse tipo de Buda. Muitas coisas danosas foram feitas em meu nome. Portanto, você pode ver que ser um Buda é também muito difícil. Ser um professor e ajudar a prática das pessoas não é uma profissão fácil. Na verdade, eu não penso que você gostaria muito de ser um Buda. É melhor se ambos continuarmos a fazer o que estamos fazendo e tentar fazer o nosso melhor.” Se você estivesse lá com Ananda, e se estivesse plenamente consciente, poderia ter sentido que Buda e Mara eram amigos. Eles se complementam como dia e noite, flor e lixo vindo juntos. Este é um profundo ensinamento do Buda. Agora você tem uma idéia de que tipo de relação existe entre Buda e Mara. Buda é como a flor, muito fresca e bonita. Mara é como o lixo – fedorento, coberto de moscas e desagradável de tocar. Mara não é de forma nenhuma agradável, mas se você sabe como transformar Mara, Mara se tornará o Buda. E se você não souber como tomar conta do Buda, ele se tornará Mara. Olhando as coisas desse modo, sabemos que os elementos não-rosa, incluindo o lixo, se uniram para tornar a rosa possível. Portanto o Buda é algo como a rosa. Mas se você olhar profundamente no Buda, verá Mara; Buda é feito de elementos de Mara. E quando você entende esse ensinamento budista, pode ver a vacuidade de tudo, porque nada tem sua própria existência absoluta. Uma rosa é feita de elementos não-rosa, por isso não tem existência separada; é por isso que é chamada vazia. Uma rosa é vazia de um eu separado, porque é sempre feita de elementos não rosa. Interser inclui tudo – não apenas o Buda e Mara, rosas e lixo – mas também sofrimento e felicidade, bem e mal. Pegue o sofrimento, por exemplo. Sofrimento é feito de felicidade e felicidade é feita de sofrimento. Bem é feito do mal, e mal é feito do bem. Direita é feita da esquerda e esquerda é feita da direita. Isto precisa daquilo para ser. Removendo isto, aquilo irá desaparecer. O Buda disse, “Isto é porque aquilo é.” Isto é um ensinamento muito especial do budismo. Portanto a prática da meditação budista começa com a aceitação da rosa e do lixo em nós. Quando vemos a rosa em nós, ficamos felizes, mas estamos conscientes que se não tomarmos cuidado disso, rapidamente se tornará um pedaço de lixo. Portanto, aprendemos como tomar conta de forma que ficará conosco mais tempo. Quando começa a deteriorar em lixo, não ficamos com medo, porque sabemos como transformar o lixo na rosa de novo. Portanto quando você testemunhar um sentimento de ansiedade, se você olhar profundamente para ele, verá uma semente de felicidade e liberação aí. É assim que a transformação acontece.

(Do livro “Under a Rose Aplle Tree” – Thich Nhat Hanh (Thây) – traduzido por Leonardo Dobbin)
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